Caros colegas,
Seguem informações relativas ao adiamento do congresso de ABRACORA Associação Brasileira de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais (ABRACOR) e a Associação de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais do Rio Grande do Sul (ACOR/RS), através de seus Presidentes e da Comissão Organizadora, vêm respeitosamente comunicar que o XIII Congresso da ABRACOR, que aconteceria no período de 08 a 12 de setembro de 2008, na UFRGS, em Porto Alegre/RS, foi transferido para o período de 13 a 17 de abril de 2009. Tal decisão foi tomada tendo em vista a insuficiência de apoio financeiro para a sua realização, devida, em grande parte, ao atraso na liberação do projeto por parte do Pronac (programa que possibilita a captação de recursos com incentivo fiscal, Lei Rouanet)Agradecemos desde já sua compreensão e colocamo-nos à disposição para maiores esclarecimentos, através da empresa organizadora Specialità Eventos (Angelita Schuch ou Samantha Valle), fone (51) 3231-0311 ou e-mail specialita04@specialitaeventos.com.br.
Esse Blog tem como objetivo discutir a produção do patrimônio cultural brasileiro e a sua permanência. Os AMIGOS DOS MUSEUS atuam diretamente de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Coração do Brasil. Do cerrado para o mundo!
domingo, agosto 10, 2008
VERONESE 1
A matéria é antiga, mas a crítica não deixou de ser atual. Vale a leitura.
"A arte precisa provocar o espanto, mas só os idiotas se espantam com o ordinário" -Antonio Veronese
Convidado pelo Jornal da Tarde do grupo Estado para avaliar a Bienal de São Paulo, o artista plásticoAntonio Veronese fez duras críticas ao tradicional salão paulistano.
A ideia de chamar Veronese para analisar aBienal deveu-se ao fato de que, no mês passado,Veronese foi responsável por uma tremenda confusão noWhitney Museu de Nova York. Depois de pagar 10Dolores pelo ingresso para a BIENAL WHITNEY 2002, econstatar que a mostra americana era uma sucessão de instalações sem nenhum sentido, Veronese voltou à portaria do Museu nova yorquino e exigiu seu dinheirode volta. A direção do museu ameaçou chamar a polícia.Veronese disse que ele mesmo a chamaria e , em cinco minutos, voltou acompanhado de um policial. Disse que queria que o oficial de policia o acompanhasse em uma nova visita à exposição. Então, em uma das salas,Veronese retirou uma das suas botas do pé e a colocou numa das instalações que faziam parte da exposição.
"Veja, disse ao guarda, a minha bota se incorpora automaticamente à exposição; isso não é Arte!!"Diversas pessoas que assistiam à cena começaram aaplaudir e apoiar o protesto e armou-se uma pequena rebelião dentro do museu. O gerente então, pressionadopela situação, voltou atrás e devolveu o dinheiro a Veronese.O acontecimento inédito em um museu nova yorquino, chamou a atenção do jornal New York Times que, numa matéria posterior, criticou duramente a WhitneyBienal, dizendo que " Veronese oxigena o debate da arte contemporânea. Convidado pelo Jornal da Tarde para analisar aBienal paulista, Veronese foi ainda mais contundente,chamando a mostra , na edição deste jornal do dia 13de abril, de uma piada, um grande engodo."Isso é tãograve quanto a interferência nazista na criação artística, pois cria conceitos de uma leviandade assustadora"
Seguem a transcrição da matéria do Jornal da Tarde e entrevista de Veronese:
JORNAL DA TARDE- 13 de abril de 2002
ESSA BIENAL É UMA PIADA, UM ENGODO, diz VERONESE
O artista plástico brasileiro que exigiu o dinheiro devolta na Bienal 2002 do Museu Whitney em Nova York,foi à 25* Bienal de SP a convite de JT e analisou oque vale e o que não vale o ingresso.
André NigriJornal da Tarde
"Há mais emoção e história em uma simples aquarela deEgon Schiele (1880-1918) do que em todo o pavilhão da Bienal" paulistana. A frase de Antonio Veronese pode dar aentender que seu autor, um artista plástico brasileiro que transita entre os Estados Unidos e a Europa, é um outsider ressentido com os colegas que expõem na maior mostra de arte contemporânea da América Latina.No entanto Veronese tem quadros seus pendurados nasNações Unidas ( Painel Save the Children) , na FAO emRoma ( Painel Famine), no UNICEF ( Painel ApenasCrianças), no Congresso Nacional ( Painel Tensão noCampo), na Universidade de Genebra , etc...
Alem disso, Veronese expõe e vende nos Estados Unidos e na Europa, e é um velho militante de causas sociais noRio- cidade onde fica quando visita o Brasil.Ao comparar a obra de Schiele às instalações eperformances dos 190 artistas de 70 países abrigados na25* Bienal de São Paulo, aberta até junho, Veronese coloca em discussão o que se faz e o que se classificade arte hoje e para que ela serve.
"Quase tudo que está aí dentro não vale nada. É uma piada encher esse prédio com obras que são um engodo"disse ele, na manhã de ontem, depois de visitar o Pavilhão do Ibirapuera a convite do JT.Ao contrário do que aconteceu no mês passado , noWhitney Museu de Nova York, não foi preciso chamar apolícia para esfriar os ânimos de Veronese desta vez,mas sua reação foi contundente da mesma forma."A maioria do que vi no Whitney e que vejo aqui éresultado de uma idéia imediatista.Esses artistas são filhos espúrios de Duchamp" disse.
Consciente de que está comprando uma briga feia com a classe artística brasileira, Veronese não poupa nem os curadores de suas críticas: "São eles os maioresresponsáveis por esse lixo. Não há mais curadoria decente na Bienal. E digo isso sabendo que muita gente gostaria de dizer o mesmo , mas não o faz".Ao ser confrontado com algumas obras da Bienal paulista, Veronese foi categórico.
Chamou a instalaçãode José Damasceno de leviana, e ao aproximar-se da obra do gaúcho Daniel Acosta, intitulada "EstaçãoAvançada com Paisagem Portátil"comentou: "Se nós mudarmos o nome disso para Estação Neutral de Azul Profundo, não faria a menor diferença.
Em relação ao trabalho do carioca Chelpa Ferro , um automóvel que foi destruído em uma performance na abertura deBienal, disse, "Acho um absurdo que uma bobagem dessas ocupe um lugar tão precioso de uma bienal. Deveria estar num ferro velho".Qual seria a saída? Para ele, o inicio seria decretara morte das instalações nos espaços dos museus:"Ninguém suporta mais isso!! Chega desta vanguarda vazia. Acreditar que tudo já foi feito e que temos quemontar essas bobagens é encenar a própria decadênciado homem."
Entrevista à Rádio France depois das críticas às bienais Whitney e São Paulo.
Pergunta-Você, quando critica as bienais do Whitney e de São Paulo, não está negando aos artistas conceituais o direito de expor seus trabalhos? Isso não é antidemocrático?Eu não nego a ninguém o direito à exibição. Só acho que essas instalações deveriam estar na Disneyworld e não nos museus. São objetos para o divertimento e ainteração, da mesma forma que um boliche ou stand de tiro-ao-alvo.Pergunta-O que gerou a sua reação encolerizada no Whitney?Não foi uma reação encolerizada. Foi uma reação natural de quem se sentiu ludibriado tendo que pagar para ter acesso a um amontoado de futilidades. Os "autores" destes farsismos se trancam no banheiro e riem de todos nós. O que fazem é terrorismo estético. Eles sabem que não têm nenhum valor -eles estão conscientes disso!- mas contam com a cumplicidade de curadores e com a covardia da crítica.Você chama a esses artistas de filhos espúrios de Duchamp.Por quê?A criação artística é produto de duas experiências: uma histórica e outra pessoal.O artista tem que conhecer a Arte que o antecedeu, mas precisa também da segunda experiência, a pessoal, fruto do trabalho contínuo, do lento avançar naquilo em que trabalha. Cezane, aos 64 anos já havia parido o modernismo, mas reclamava que ainda não havia conseguido ir até o fim em sua busca. O caminho é longo e exige paciência e dedicação. Esse pessoal das instalações é culto, conhece a História, mas tenta dar uma rasteira na segunda exigência, a da experiência pessoal. Socorre-se para isso de conceitos que serviram em outras situações mas que, no caso deles, não passa de malandragem. O Urinol virado por Duchanp foi uma consequência da sua busca pessoal, num contexto particular e específico. Mas defender que o urinol possa ser manipulado indefinitivamente é encenar a nossa própria decadência. Por isso que eu digo que os conceitualistas são filhos espúrios de Duchamp.Você não está, com essa tese, restringindo a manifestação artística à pintura e à escultura? Que diferença tem essa sua crítica da que sofreram os impressionistas no final do século XIX?A Arte é da natureza dos homens. Ela não é espontânea na natureza. É produto da interferência do homem, que não pode ser supérflua ou presunçosa. Victor Hugo dizia que a obra de arte é uma variedade do milagre. Para Malraux os artistas não são copistas de Deus , mas seus rivais. A arte contemporânea quer socializar o direito de produzir arte, antes restrito aos artistas.O que produz é facilmente copiável, diferentemente de um retrado de Rembrandt ou de uma mesa com maçãs de Cezanne. Para mim comparar a minha crítica com as que sofreram o impressionismo e o modernismo é uma inocência. Uma vez eu `incorporei" minha bota de couro a uma instalação no Whitney do Soho em Nova York. Só fui busçá-la no dia seguinte. E ela estava lá, no mesmo lugar em que a deixei. Ninguém se deu conta de que, por 24 horas, eu havia me tornado co-autor da instalação. Isso seria impossível com uma tela de Bacon ou de Lucien Freud. A crítica foi , durante muitas vezes na História, preconceituosa e totalitarista. Mas questionar meu direito de criticar agora é também uma forma de totalitarismo.
Para mim há mais humanidade em uma simples aquarela de Egon Shiele do que em toda a Bienal de São Paulo reunida.
A Arte precisa do espanto, mas só os pobres de espírito se espantam com o ordinário.
http://www.antonioveronese.blog.com/
Convidado pelo Jornal da Tarde do grupo Estado para avaliar a Bienal de São Paulo, o artista plásticoAntonio Veronese fez duras críticas ao tradicional salão paulistano.
A ideia de chamar Veronese para analisar aBienal deveu-se ao fato de que, no mês passado,Veronese foi responsável por uma tremenda confusão noWhitney Museu de Nova York. Depois de pagar 10Dolores pelo ingresso para a BIENAL WHITNEY 2002, econstatar que a mostra americana era uma sucessão de instalações sem nenhum sentido, Veronese voltou à portaria do Museu nova yorquino e exigiu seu dinheirode volta. A direção do museu ameaçou chamar a polícia.Veronese disse que ele mesmo a chamaria e , em cinco minutos, voltou acompanhado de um policial. Disse que queria que o oficial de policia o acompanhasse em uma nova visita à exposição. Então, em uma das salas,Veronese retirou uma das suas botas do pé e a colocou numa das instalações que faziam parte da exposição.
"Veja, disse ao guarda, a minha bota se incorpora automaticamente à exposição; isso não é Arte!!"Diversas pessoas que assistiam à cena começaram aaplaudir e apoiar o protesto e armou-se uma pequena rebelião dentro do museu. O gerente então, pressionadopela situação, voltou atrás e devolveu o dinheiro a Veronese.O acontecimento inédito em um museu nova yorquino, chamou a atenção do jornal New York Times que, numa matéria posterior, criticou duramente a WhitneyBienal, dizendo que " Veronese oxigena o debate da arte contemporânea. Convidado pelo Jornal da Tarde para analisar aBienal paulista, Veronese foi ainda mais contundente,chamando a mostra , na edição deste jornal do dia 13de abril, de uma piada, um grande engodo."Isso é tãograve quanto a interferência nazista na criação artística, pois cria conceitos de uma leviandade assustadora"
Seguem a transcrição da matéria do Jornal da Tarde e entrevista de Veronese:
JORNAL DA TARDE- 13 de abril de 2002
ESSA BIENAL É UMA PIADA, UM ENGODO, diz VERONESE
O artista plástico brasileiro que exigiu o dinheiro devolta na Bienal 2002 do Museu Whitney em Nova York,foi à 25* Bienal de SP a convite de JT e analisou oque vale e o que não vale o ingresso.
André NigriJornal da Tarde
"Há mais emoção e história em uma simples aquarela deEgon Schiele (1880-1918) do que em todo o pavilhão da Bienal" paulistana. A frase de Antonio Veronese pode dar aentender que seu autor, um artista plástico brasileiro que transita entre os Estados Unidos e a Europa, é um outsider ressentido com os colegas que expõem na maior mostra de arte contemporânea da América Latina.No entanto Veronese tem quadros seus pendurados nasNações Unidas ( Painel Save the Children) , na FAO emRoma ( Painel Famine), no UNICEF ( Painel ApenasCrianças), no Congresso Nacional ( Painel Tensão noCampo), na Universidade de Genebra , etc...
Alem disso, Veronese expõe e vende nos Estados Unidos e na Europa, e é um velho militante de causas sociais noRio- cidade onde fica quando visita o Brasil.Ao comparar a obra de Schiele às instalações eperformances dos 190 artistas de 70 países abrigados na25* Bienal de São Paulo, aberta até junho, Veronese coloca em discussão o que se faz e o que se classificade arte hoje e para que ela serve.
"Quase tudo que está aí dentro não vale nada. É uma piada encher esse prédio com obras que são um engodo"disse ele, na manhã de ontem, depois de visitar o Pavilhão do Ibirapuera a convite do JT.Ao contrário do que aconteceu no mês passado , noWhitney Museu de Nova York, não foi preciso chamar apolícia para esfriar os ânimos de Veronese desta vez,mas sua reação foi contundente da mesma forma."A maioria do que vi no Whitney e que vejo aqui éresultado de uma idéia imediatista.Esses artistas são filhos espúrios de Duchamp" disse.
Consciente de que está comprando uma briga feia com a classe artística brasileira, Veronese não poupa nem os curadores de suas críticas: "São eles os maioresresponsáveis por esse lixo. Não há mais curadoria decente na Bienal. E digo isso sabendo que muita gente gostaria de dizer o mesmo , mas não o faz".Ao ser confrontado com algumas obras da Bienal paulista, Veronese foi categórico.
Chamou a instalaçãode José Damasceno de leviana, e ao aproximar-se da obra do gaúcho Daniel Acosta, intitulada "EstaçãoAvançada com Paisagem Portátil"comentou: "Se nós mudarmos o nome disso para Estação Neutral de Azul Profundo, não faria a menor diferença.
Em relação ao trabalho do carioca Chelpa Ferro , um automóvel que foi destruído em uma performance na abertura deBienal, disse, "Acho um absurdo que uma bobagem dessas ocupe um lugar tão precioso de uma bienal. Deveria estar num ferro velho".Qual seria a saída? Para ele, o inicio seria decretara morte das instalações nos espaços dos museus:"Ninguém suporta mais isso!! Chega desta vanguarda vazia. Acreditar que tudo já foi feito e que temos quemontar essas bobagens é encenar a própria decadênciado homem."
Entrevista à Rádio France depois das críticas às bienais Whitney e São Paulo.
Pergunta-Você, quando critica as bienais do Whitney e de São Paulo, não está negando aos artistas conceituais o direito de expor seus trabalhos? Isso não é antidemocrático?Eu não nego a ninguém o direito à exibição. Só acho que essas instalações deveriam estar na Disneyworld e não nos museus. São objetos para o divertimento e ainteração, da mesma forma que um boliche ou stand de tiro-ao-alvo.Pergunta-O que gerou a sua reação encolerizada no Whitney?Não foi uma reação encolerizada. Foi uma reação natural de quem se sentiu ludibriado tendo que pagar para ter acesso a um amontoado de futilidades. Os "autores" destes farsismos se trancam no banheiro e riem de todos nós. O que fazem é terrorismo estético. Eles sabem que não têm nenhum valor -eles estão conscientes disso!- mas contam com a cumplicidade de curadores e com a covardia da crítica.Você chama a esses artistas de filhos espúrios de Duchamp.Por quê?A criação artística é produto de duas experiências: uma histórica e outra pessoal.O artista tem que conhecer a Arte que o antecedeu, mas precisa também da segunda experiência, a pessoal, fruto do trabalho contínuo, do lento avançar naquilo em que trabalha. Cezane, aos 64 anos já havia parido o modernismo, mas reclamava que ainda não havia conseguido ir até o fim em sua busca. O caminho é longo e exige paciência e dedicação. Esse pessoal das instalações é culto, conhece a História, mas tenta dar uma rasteira na segunda exigência, a da experiência pessoal. Socorre-se para isso de conceitos que serviram em outras situações mas que, no caso deles, não passa de malandragem. O Urinol virado por Duchanp foi uma consequência da sua busca pessoal, num contexto particular e específico. Mas defender que o urinol possa ser manipulado indefinitivamente é encenar a nossa própria decadência. Por isso que eu digo que os conceitualistas são filhos espúrios de Duchamp.Você não está, com essa tese, restringindo a manifestação artística à pintura e à escultura? Que diferença tem essa sua crítica da que sofreram os impressionistas no final do século XIX?A Arte é da natureza dos homens. Ela não é espontânea na natureza. É produto da interferência do homem, que não pode ser supérflua ou presunçosa. Victor Hugo dizia que a obra de arte é uma variedade do milagre. Para Malraux os artistas não são copistas de Deus , mas seus rivais. A arte contemporânea quer socializar o direito de produzir arte, antes restrito aos artistas.O que produz é facilmente copiável, diferentemente de um retrado de Rembrandt ou de uma mesa com maçãs de Cezanne. Para mim comparar a minha crítica com as que sofreram o impressionismo e o modernismo é uma inocência. Uma vez eu `incorporei" minha bota de couro a uma instalação no Whitney do Soho em Nova York. Só fui busçá-la no dia seguinte. E ela estava lá, no mesmo lugar em que a deixei. Ninguém se deu conta de que, por 24 horas, eu havia me tornado co-autor da instalação. Isso seria impossível com uma tela de Bacon ou de Lucien Freud. A crítica foi , durante muitas vezes na História, preconceituosa e totalitarista. Mas questionar meu direito de criticar agora é também uma forma de totalitarismo.
Para mim há mais humanidade em uma simples aquarela de Egon Shiele do que em toda a Bienal de São Paulo reunida.
A Arte precisa do espanto, mas só os pobres de espírito se espantam com o ordinário.
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Na Corda Bamba
De repente, como num passe de mágica, meninos de rua do Rio transformaram-se em verdadeiros artistas de circo! Não mais lavam compulsoriamente o nosso parabrizas mas, quando menos se espera, oferecem-nos um número de malabarismo. Não pedem mais um real como esmola, a troco de nada, mas como "couvert artístico" por uma fração de magia, um momento de inesperada fantasia circense na rotina sem graça do trânsito.É certo que a rua não é o melhor lugar para estar uma criança...No entanto, nascircunstâncias em que vivemos, é inegável que poder compensar esses meninos,ainda que só com uma moedinha, significa propor-lhes um admirável-mundo-novoonde, para ganhar dinheiro, é preciso dar alguma coisa em troca; merecer!!,e não somente estender a mão e pedir, como faz uma pessoa doente ou incapaz.Numa hora em que a ciência vislumbra a possibilidade da clonagem de sereshumanos, o que realmente me emociona é a constatação de que cada um dessesmeninos é peça-única, indivisível e inimitável como um óleo de Da Vince. E que,mais do que produzir em série geniozinhos de olhos azuis, fascinante mesmo é odesafio que temos de transformar o destino desses pequeninos artistas que,mesmo órfãos de sonhos e de fantasia, acabaram por transformar a cidadenum grande circo a céu aberto.Literalmente, no maior espetáculo da Terra!
Antonio Veronese (junho 2002)veja mais em: www.antonioveronese.blog.com
De repente, como num passe de mágica, meninos de rua do Rio transformaram-se em verdadeiros artistas de circo! Não mais lavam compulsoriamente o nosso parabrizas mas, quando menos se espera, oferecem-nos um número de malabarismo. Não pedem mais um real como esmola, a troco de nada, mas como "couvert artístico" por uma fração de magia, um momento de inesperada fantasia circense na rotina sem graça do trânsito.É certo que a rua não é o melhor lugar para estar uma criança...No entanto, nascircunstâncias em que vivemos, é inegável que poder compensar esses meninos,ainda que só com uma moedinha, significa propor-lhes um admirável-mundo-novoonde, para ganhar dinheiro, é preciso dar alguma coisa em troca; merecer!!,e não somente estender a mão e pedir, como faz uma pessoa doente ou incapaz.Numa hora em que a ciência vislumbra a possibilidade da clonagem de sereshumanos, o que realmente me emociona é a constatação de que cada um dessesmeninos é peça-única, indivisível e inimitável como um óleo de Da Vince. E que,mais do que produzir em série geniozinhos de olhos azuis, fascinante mesmo é odesafio que temos de transformar o destino desses pequeninos artistas que,mesmo órfãos de sonhos e de fantasia, acabaram por transformar a cidadenum grande circo a céu aberto.Literalmente, no maior espetáculo da Terra!
Antonio Veronese (junho 2002)veja mais em: www.antonioveronese.blog.com
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