segunda-feira, outubro 05, 2009

LEI DE INCENTIVO - GOIÂNIA

O mais importante da excelente matéria de autoria do Edson Wander sobre a Lei de Incentivo não está escrito no jornal, está nas entrelinhas. Vamos pensar juntos, qual é mesmo a representatividade desse Conselho de Cultura? Nenhuma. A maioria ululante é de funcionário da Prefeitura de Goiânia, comissionado, ou seja, vínculo bem claro de quem votará sempre com o chefe da pasta.

Segundo ponto importante, quando foi mesmo que a Lei mudou permitindo que a SECULT faça o que bem entender, inclusive reservar recursos, e não serão poucos, para serem usados próximo do período eleitoral?

Uma nova Conferência Municipal de Cultura está acontecendo, eu, da minha parte, não reconheço como legal, tendo em vista a anulação de Conferência anterior e que nunca foi realizada. Então, expliquem, como pode? Um fato desses na iniciativa privada, pelos menos os autores da façanha seriam condenados a pagar cestas básicas, mas neste caso, todos foram alçados a Conselheiros de Cultura. E pior, recebem por isso uma boa grana, pagos com os recursos do Erário, ou seja, somos nós quem pagamos.

E então? Artistas, produtores e agora também, políticos, vamos continuar permitindo um Conselho Municipal de Cultura que é um desrespeito a cidadania? É essa a cultura goiana?


Abaixo a matéria citada:
Seminário discute mudanças na lei de incentivo à cultura
Secult reuniu artistas e produtores para explicar modificações na lei atual

Edson Wander

A Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia (Secult) reuniu artistas e produtores culturais para explicar as mudanças que a pasta promoveu no novo edital da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Realizado na Fundação Jaime Câmara na quarta-feira à tarde, o seminário reuniu produtores e artistas da cidade e provocou dúvidas sobre as novidades anunciadas – a principal delas foi a limitação no número e valores dos projetos apresentados por área para captar recursos pela lei. O secretário Kleber Adorno só abriu os trabalhos e deixou o encontro alegando outros compromissos, mas afirmou que o objetivo das mudanças é ampliar a possibilidade de a lei de incentivo cultural da capital beneficiar mais projetos.

Jorge Leal, chefe de gabinete de Adorno e integrante do Conselho Municipal de Cultura (CPM), explicou os principais itens do novo edital. Ele disse que a mudança é de foco. “Não se trata mais de fomento e sim de incentivo. Não estamos dizendo que o seu projeto vale isso, mas quem quiser captar mais do que isso deve procurar outras fontes de recursos”, disse.

Pela nova proposta, os projetos devem ser inscritos em sete áreas e seus valores estão limitados a R$ 35 mil (festivais de música). Gravação de discos e shows poderão captar no máximo R$ 15 mil, assim como projetos de literatura (livros de ficção e ensaio; poesia é R$ 10 mil). Teatro terá no máximo R$ 20 mil por projeto e o total de projetos também está limitado de acordo com a área. A área que poderá ter o maior número de projetos aprovados é o de cultura popular (12 projetos a R$ 5 mil cada um ), seguido por música (gravação de discos popular e erudito – 11 projetos a R$ 15 mil cada um).

O valor total dessa primeira etapa de incentivo da lei municipal é de R$ 1,5 milhão. A lista do novo quadro de valores pode ser conferida no edital levado ao site da Prefeitura de Goiânia (www.goiania.go.gov.br).

Entre os pontos que causaram estranheza na classe artística presente ao seminário foi o que determina que artistas aprovados para gravar CD ou DVD musical pela lei terão de realizar duas apresentações designadas pela Secult. A medida entrou no capítulo da Contrapartida Social do Projeto, que já prevê desde o início da lei a doação à Secult de 10% de produtos (CD, DVD, livro, etc.) ou bens (ingresso de espetáculos) culturais beneficiados pela lei. O prazo de inscrições de projetos vai até o próximo dia 9.

Sandoval Eterno, outro dos integrantes do CMC, informou que até agora apenas oito projetos foram inscritos. O debate acabou esvaziado porque a coordenação do seminário impediu que os participantes usassem o microfone para perguntas. Inconformados por ter de fazer as questões por escrito, muitos deixaram o seminário antes do fim.

Participantes do seminário elogiaram a iniciativa do encontro, mas lamentaram o fato de ele não ter se destinado à discussão do mérito das propostas e sim apenas servir de um “tira-dúvidas” sobre as mudanças. O produtor Marcelo Carneiro disse que a ideia de limitação de valores dos projetos “é boa” se aplicada aos recursos do Fundo Municipal de Cultura e não à lei de incentivo.

“Eu não sei se esta tabela de valores está de acordo com a realidade de mercado”, afirmou. “Do jeito que a Secult propõe engessa a produção”, disse. O diretor de teatro Constantino Isidoro reforçou a crítica.

“Com esse valor não temos mais condições de realizar um festival de teatro pela lei. Não sei de onde saíram esses critérios, isso tinha de ter sido discutido com a classe”, afirmou. Os pontos mais elogiados do novo edital foram a separação da apresentação dos projetos em dois envelopes (um para documentação e outra para a proposta artística), a avaliação pública da parte de documentação das propostas e a redução do prazo da resposta a um recurso, que caiu de 30 para 10 dias

FONTE: JORNAL O POPULAR 02/10/09.

Morreu Mercedes Sosa

'En la lista de los presentes
los ojos abiertos
LA AMERICA DESPIERTA
Mercedes Sosa
los instrumentos en ristre
la cara de frente
Lanza el grito
de la amarga denuncia
de la protesta caliente
Porque elegiste ése camino
Tú que cantas
porque cantemos
desde la tierra
a la paz
A LA PAZ JUSTA
de los que somos testigos,
desta AMERICA
e en el mundo.
( ... Martinez)


Para ouvir ... http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umcd&nomeplaylist=008992-8<@>Corazón_Libre

Mercedes Sosa, La Negra, conquistou grande reconhecimento internacional como cantora da música argentina e popular latino-americana.Da Redação


Buenos Aires - A cantora argentina Mercedes Sosa morreu, neste domingo em Buenos Aires, aos 74 anos, vítima de doença prolongada. A cantora é uma das intérpretes mais conhecidas da música latino-americana.

Também conhecida como "La Negra", pelos longos e negros cabelos, a cantora argentina estava internada numa clínica da capital argentina desde o dia 18 de Setembro.

Militante comunista, Mercedes Sosa esteve exilada na Europa durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983) e ganhou grande reconhecimento internacional como cantora da música argentina e popular latino-americana.

Devido ao estado de saúde, La Negra não participou do lançamento de um duplo álbum com o título "Cantora", composto por duetos com Joan Manuel Serrat, Luís Alberto Spinetta, Caetano Veloso e Shakira.

Em Portugal, Mercedes Sosa atuou em 1979, na primeira Festa do Avante, no Alto da Ajuda, em Lisboa.

Desde La Voz de la Zafra

Descoberta aos quinze anos de idade, cantando numa competição de uma rádio local da cidade natal, quando foi-lhe oferecido um contrato de dois meses. Admirada pelo timbre de contralto, gravou o primeiro disco Canciones con Fundamento, com um perfil de folk argentino.

Consagrou-se internacionalmente nos EUA e Europa em 1967, e em 1970, com Ariel Ramirez e Felix Luna, gravando Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas. Gravou um tributo também à chilena Violeta Parra.

Sosa interpretou um vasto repertório, gravando canções de vários estilos. Atuava freqüentemente com muitos músicos argentinos como León Gieco, Charly García, Antonio Tarragó Ros, Rodolfo Mederos e Fito Páez, e outros latino-americanos como Milton Nascimento, Fagner e Silvio Rodríguez.

Foi uma conhecida ativista política de esquerda, tendo sido militante comunista. Em tempos mais recentes manifestou-se como forte opositora da figura de Carlos Menem e apoiou a eleição do ex-presidente Néstor Kirchner.

A preocupação sócio-política refletiu-se no repertório interpretado, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Canción, um movimento musical latino-americano da década de 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. No Brasil, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, entre outros artistas, são expressões da Nueva Canción, marcada por uma ideologia de rejeição ao que entendiam como imperialismo norte-americano, consumismo e desigualdade social.

Possuia um dueto ("So le piedo a Dios") com a consagrada cantora de Samba Beth Carvalho, cada uma cantando no seu idioma.

Destacamos também o dueto dela com o cantor cearense Fagner na música Años, sucesso gravado em 1981.

Uma música muito conhecida na sua firme e, ao mesmo tempo, terna voz é a canção "Gracias a la vida", composição de Violeta Parra.

Discografia

La voz de la zafra (1962)
Canciones con fundamento (1965)
Yo no canto por cantar (1966)
Hermano (1966)
Para cantarle a mi gente (1967)
Con sabor a Mercedes Sosa (1968)
Mujeres argentinas (1969)
Navidad con Mercedes Sosa (1970)
El grito de la tierra (1970)
Homenaje a Violeta Parra (1971)
Hasta la victoria (1972)
Cantata Sudamericana (1972)
Traigo un pueblo en mi voz (1973)
Niño de mañana (1975)
A que florezca mi pueblo (1975)
La mamancy (1976)
En dirección del viento (1976)
O cio da terra (1977)
Mercedes Sosa interpreta a Atahualpa Yupanqui (1977)
Si se calla el cantor (1977)
Serenata para la tierra de uno (1979)
A quién doy (1980)
Gravado ao vivo no Brasil (1980)
Mercedes Sosa en Argentina (1982)
Mercedes Sosa (1983)
Como un pájaro libre (1983)
Recital (1983)
¿Será posible el sur? (1984)
Vengo a ofrecer mi corazón (1985)
Corazón Americano (1985) (con Milton Nascimento & León Gieco)
Mercedes Sosa ´86 (1986)
Mercedes Sosa ´87 (1987)
Gracias a la vida (1987)
Amigos míos (1988)
En vivo en Europa (1990)
De mí (1991)
30 años (1993)
Sino (1993)
Gestos de amor (1994)
Oro (1995)
Escondido en mi país (1996)
Alta fidelidad (1997) (con Charly García)
Al despertar (1998)
Misa Criolla (2000)
Acústico (2002)
Argentina quiere cantar (2003) (con Víctor Heredia & León Gieco)
Corazón Libre (2005)

Filmografia

Güemes, la tierra en armas (1971)
Argentinísima (1972)
Ésta es mi Argentina (1974)
Mercedes Sosa, como un pájaro libre (1983)
Será posible el sur: Mercedes Sosa (1985)
Historias de Argentina en Vivo (2001)

Fonte: Wikipédia
Fonte: http://www.portugaldigital.com.br/noticia.kmf?cod=8984179&indice=10&canal=156
"Algumas lembranças
Quando entrei na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem no estilo, bocoió do cerrado, fui morar no alojamento de estudantes, não me recordo o número do quarto, mas o certo que nos idos de 78 ainda era muita droga e Violeta Parra (Que dira el santo padre, Los pueblos americanos), Neruda e Ortega ( Cuencas de Joaquim Murieta. Quem podia imaginar que haveria de fato a "abertura", com o retorno dos exilados, dos brasileiros que estavam perdidos pelo mundo, distantes da pátria amada.

Deu no que deu, me formei bacharel em Pintura, segui pela estreita e complicada estrada da preservação do patrimônio cultural, e como se dizia na época, com diploma de pós graduação, chamado Camilo.

Das drogas não levei nada, sempre achei que a melhor droga era viver, mas das canções, ainda escuto, nos discos de vinil, Violeta Parra, Quilapayun, Mercedes Sosa, Isabel Parra, e sem deixar morrer o sonho de ver a américa despertar.

Quem sabe ainda ver o Brasil despertar?

Mercedes se foi, uma parte das memórias dos passado se vai também ou quem sabe, chegou a hora de rememorar?
Deolinda"

segunda-feira, setembro 21, 2009