quinta-feira, fevereiro 18, 2010

CONVITE AULA INAUGURAL DO CURSO DE MUSEOLOGIA


quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Museu onde??

08/11/2009 - Tendências e Debates - Patrimônio: uma nova sustentabilidade



Que fazer com o patrimônio artístico? A família é a melhor guardiã da obra? Ou será o museu? Museu do Estado? Museu "privado"?

EM CASA onde falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão.
Esse é um velho ditado que os "antigos" usavam nos tempos em que o discurso politicamente correto felizmente não imperava. O ponto é este: ninguém tem razão. É bom considerar essa hipótese. Pelo menos como exercício. Pensar sempre desde outra perspectiva, ver se os dados e os parâmetros em jogo continuam válidos é uma obrigação.
O tema é o incêndio que destruiu parte do acervo de Hélio Oiticica. Que fazer com o patrimônio artístico? A família é a melhor guardiã da obra de um artista? Ou será o museu? Museu do Estado? Museu "privado"?
É possível que não exista neste momento, no país, um único museu que possa receber -para guardar e conservar- qualquer coleção significativa que lhe seja oferecida. Por falta de espaço e de dinheiro.
O número de artistas e de obras cresce exponencialmente e, com ele, o numero de obras que, na visão tradicional, devem ser preservadas. O número de museus, no país, não cresce -nem exponencial nem linearmente.
Os centros de exposição, mantidos pelas grandes estatais ou pela iniciativa privada, estes, sim, proliferam.
Mas sua lógica, diante da obra de arte, é diferente da lógica dos museus.
Os centros de exposição funcionam segundo a lógica do mercado, que, cada vez mais, é a lógica do "just in time" ou do estoque zero. Tenho um espaço disponível, tenho dinheiro para uma exposição, tenho obras à mão, faço uma exposição. Elas chegam no momento certo e partem no instante correto. Mas aqui não fica nada, meu estoque é zero até que chegue o próximo estoque.
A lógica é perfeita, é compatível com a lógica maior do mercado e o todo funciona. E o "just in time" permite pelo menos que a obra circule: não é pouca coisa.
(Importante: tenho reservas quanto ao mercado, mas não sou contra o mercado -em arte ou fora dela.)
Mas, para um museu, para um patrimônio, a lógica é outra: é a lógica do "late in time", do tempo represado, do estoque pleno. Essa lógica vai contra a lógica dominante.
Como resolver o conflito? Na Europa tampouco há espaço disponível para o patrimônio, mas há (ainda) dinheiro. Até para a cultura.
Fundações com coleção, assim como galerias, constroem ou alugam galpões longe da cidade, a preços em conta, e ali guardam suas obras, seus excessos, seus tesouros não tão imprescindíveis. Tudo isso envolve despesas adicionais (climatização, segurança, transporte).
Por enquanto, ainda há dinheiro. E quando não houver mais dinheiro?
No Brasil, os museus (públicos e "privados") não têm recursos para tanto. Coleções que são vendidas para o exterior, como acontece de vez em quando, ficam mais bem protegidas lá fora.
Aqui dentro, que fazer? Não construir mais museus e construir depósitos? Depósitos partilhados, gerenciados em comum? Pagos por quem?
Há pouco, em reunião com colegas diretores de museus europeus, desenhamos um cenário provável para os museus em futuro próximo: com o custo crescente das grandes exposições e, mesmo, da manutenção da própria coleção exposta, é imaginável que, daqui a pouco, todas as obras de um museu fiquem apenas em seus depósitos, que os museus se transformem em imensos depósitos. Quando alguém quiser de fato ver uma obra, pedirá ao museu, irá ao depósito e a obra lhe será ali mostrada.
Fim do espaço expositivo (porque há um conflito entre expor e preservar), fim dos curadores, fim das explicações: ver a obra e pronto. Volta ao estado pré-1789, pré-Louvre aberto para todos.
Se me lembro bem, Pasolini acreditava no fim do mundo, e o fim do mundo era a explosão demográfica. Pois vivemos agora a explosão demográfica da arte e a implosão pura e simples dos museus e de outros depósitos de patrimônio.
O poder público, o governo, é culpado? Ou culpado é o artista que quer ser preservado? Errada é a ideia de preservar arte? Qual? Errados estão os centros de exposição (os centros culturais) que trabalham "just in time"? Culpada é a iniciativa privada, o mercado?
Em casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão. Ninguém. Quando se aceita esse princípio argumentativo, a alternativa é virar o problema e colocá-lo em outro ângulo de abordagem.
Um novo formato de sustentabilidade precisa ser buscado. Um novo contrato social para os museus (para os preservadores de patrimônio) precisa ser buscado. Se a palavra "social" está desgastada, então que a palavra seja "societal", como sugere M. Maffesoli e que coloca no lugar da lógica do "deve ser assim" o princípio do "mais vale que seja assim".
O momento é de audácia na criação de um novo modelo. Logo.
JOSÉ TEIXEIRA COELHO NETTO , 65, é professor titular aposentado da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Pulo), crítico e curador do Masp (Museu de Arte de São Paulo). É autor de "Dicionário Crítico de Política Cultural", entre outras obras.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Fonte: Folha de S. Paulo - 08/11/2009
http://www.mp.go.gov.br/portalweb/conteudo.jsp?page=1&pageLink=1&conteudo=noticia/88221867f2dc41aa37251cb35e4feeb2.html

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

UM MUSEU PRECISA DE AJUDA 4



Abaixo carta encaminhada ao jornal DM
"Prezado Editor,

Venho por meio deste parabenizar a jornalista Aline Mil e a este jornal, pela coragem de escrever a matéria "OBRA DEMORADA É MOTIVO DE PROTESTO - Artistas e produtores reclamam de descuido com o prédio do Museu de Arte de Goiânia - SECULT desmente denúncia.". Bem elaborada, diz que a SECULT desmente a denúcia, porém as imagens falam mais do que as palavras escritas, basta observar o limo verde que desce das paredes externas, e no interno, o pátio cheio de lixo e limo, deixando claro que a Secretaria, representada pelo chefe de gabinete, mente.

Todavia é preciso fazer algumas correções, o protesto partiu do blog http://amigosdemuseu.blogspot.com/ e não da Associação de Amigos do Museu - AAMAG, que atualmente tem em sua diretoria, servidores da SECULT,portanto comprometidos com a atual política de descaso e abandono do MAG. E se for do interesse, o blog está atualizado com imagens externas e internas da situação, mostrando inclusive a reserva técnica, cheia de entulho, com focos de mosquito da dengue e o acervo sem proteção alguma, ao contrário do que afirma o chefe de gabinete, dizendo que o acervo foi retirado, não foi, está lá meio meio da água e do lixo.

Abaixo os links para as imagens, as fotos foram feitas no dia 07, de cima da laje e pelos buracos abertos.

http://amigosdemuseu.blogspot.com/2010/02/um-museu-que-precisa-de-ajuda-3.html
http://amigosdemuseu.blogspot.com/2010/02/um-museu-que-precisa-de-ajuda-2.html
http://amigosdemuseu.blogspot.com/2010/02/um-museu-que-precisa-de-ajuda-1.html

E como sugestão de pauta ao DM, verificar o contrato da empresa e a licitação da obra, verificar se existe registro no CREA e quem sabe, solicitar uma consultoria ao próprio CREA sobre as atuais condições da edificação, assim como verificar junto a empresa por que obra que deveria durar no máximo 120 dias se arrasta e quem irá pagar os prejuízos causados a um imóvel público por obra executada sem planejamento.

A campanha de mobilização em defesa do MAG no blog prosseguirá até que os responsáveis sejam RESPONSABILIZADOS, e resolvam o problema. O MAG é o único museu municipal e Goiânia é signatária junto ao MINC do Plano Nacional de Cultura, portanto não deveria andar na contra-mão da história."

Quem desejar escrever ao jornal : fale@dm.com.br e dmrevista@dm.com.br