Pedro na praça
Botando os pingos nos is: após tanta coisa escrita sobre o melhor lugar para a colocação da estátua equestre de Pedro Ludovico algumas coisas precisam ficar bem definidas e claras. Embora a família de Pedro tenha opinião bem definida sobre a localização da estátua, ela reconhece que não tem nenhuma autoridade sobre esse assunto, pois isso cabe às pessoas que estão no governo.
A opinião da família está inquestionavelmente exposta em uma carta assinada pela maioria dos filhos do homenageado e alguns netos, que foi entregue no protocolo do Palácio das Esmeraldas, para o governador Alcides Rodrigues.
Nesta carta, a família pede que a obra de arte seja instalada na Praça que leva seu nome, na antiga Praça Cívica, hoje Praça Pedro Ludovico Teixeira. Após muitas reuniões, consultas, telefonemas, cartas publicadas de diversas pessoas, algumas coisas saltam aos olhos.
A primeira e mais importante é que não se fez um projeto de adequação da estátua que fosse discutido amplamente; houve sim, um projeto de uma rampa que seria colocada no Serrinha, que, após, exposto à opinião pública não teve o apoio popular. Há até uma lei municipal que interpreta a vontade da maioria dizendo que a estátua seja instalada na Praça Pedro Ludovico (rua 82 não é a Praça Pedro Ludovico) e ainda assim continua faltando um projeto.
A Praça Pedro Ludovico tem diversos pontos tombados pelos três níveis de governo, o que não impede que alguma modificação seja feita, desde que adequadamente apresentada e negociada através de proposta às autoridades municipais, estaduais e federais, para que se faça o projeto definitivo de alguns deslocamentos e retiradas de coisas que nunca pertenceram à Praça.
Entre essas estão os postes de cimento gigantescos que servem de mastros para as bandeiras e para iluminação, retornando a iluminação original em pequenos postes de luz, estilo art déco. E, eventualmente, a retirada do prédio "provisório" da Prefeitura, hoje a destoante Secretaria de Finanças, para ali fazer o Memorial de Goiânia e dos Pioneiros.
UBIRATAN ESTIVALLET TEIXEIRA
MARIA DULCE LOYOLA TEIXEIRA
Goiânia - GO
Esse Blog tem como objetivo discutir a produção do patrimônio cultural brasileiro e a sua permanência. Os AMIGOS DOS MUSEUS atuam diretamente de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Coração do Brasil. Do cerrado para o mundo!
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quinta-feira, julho 29, 2010
quarta-feira, julho 14, 2010
Pedro Ludovico e seu cavalo 1
SIGNIFICADOS POSSÍVEIS DA INSTALAÇÃO DO MONUMENTO EQÜESTRE DE NEUSA MORAIS NO
PARQUE SERRINHA
Osmar Pires Martins Júnior*
O expoente escritor José Mendonça Teles, nas suas Crônicas & Outras Histórias, publicadas em 3 de dezembro de 2007, sob o título “O cavalo de Pedro Ludovico”, lançou o desafio aos homens públicos, verdadeiramente comprometidos com Goiânia: “já pensou um mirante, com turistas à vontade e o Pedrão lá em cima, montado à cavalo, olhando a cidade que ele carinhosamente construiu?”.
O expoente escritor nos propõe a instalação da monumental obra de Neusa Morais – a estátua eqüestre de Pedro Ludovico, cavalgando, vistoriando a área que escolheu para edificar a nova capital de Goiás no Morro Serrinha. Noutra crônica, escrita em 29 dezembro de 1996, afirmou: ”foi vistoriando as terras, montado a cavalo, na região da Serrinha, que Pedro Ludovico decidiu-se de que aqui seria a nova capital”.
Além dos aspectos históricos e culturais envolvidos, acrescento outros de natureza ambiental para reforçar a proposta lançada. O Morro Serrinha ocupa uma área de cento e oito mil metros quadrados, entre o Setor Pedro Ludovico e o Bairro Serrinha, próximo ao Setor Bueno, com um perímetro de um mil quatrocentos e cinqüenta metros. Nesta região da cidade há carência de espaços livres e, em especial, de áreas verdes, com desequilíbrio entre áreas construídas e não construídas, na qual prevalecem as primeiras, reduzindo a disponibilidade de espaços livres. As áreas públicas alienadas no entorno direto do Morro Serrinha somam seiscentos e oitenta e um mil metros quadrados, correspondendo a uma dilapidação de 20,5% do patrimônio público.
Somente no Setor Bueno foi privatizado um total de área pública de trezentos e cinqüenta e sete mil metros quadrados. O processo de alienação, parcelamento e edificação das áreas públicas da região é intenso e levou à formação de um passivo de um milhão e trinta e sete mil metros quadrados de áreas públicas desvirtuadas da sua função original, destinadas à proteção do meio ambiente, ao lazer e recreação, à educação, saúde e segurança publicas. Este processo está associado à impermeabilização do solo e à manifestação de episódios de enchentes causadores de prejuízos ao patrimônio público e particular, à saúde pública e à vida humana.
Apesar da elevada densidade demográfica da região, poucas são as Unidades de Conservação existentes com áreas expressivas, como o Jardim Botânico que possui uma área de quase um milhão de metros quadrados. Portanto, pode-se afirmar que se trata de uma região com um déficit de espaços públicos, comprometendo funções urbano-ambientais relevantes ao equilíbrio do meio urbano, de lazer e de recreação ao goianiense.
O Morro Serrinha se constitui hoje na única reserva de Cerrado dentro da área urbana de Goiânia. O Cerrado é o tipo predominante de formação vegetal na região central do País e que tem sido equivocadamente relegado a um segundo plano por sua fisionomia menos “exuberante” que as matas. Essa constatação aponta para a necessidade de preservação da vegetação daquele morro.
Do ponto de vista fisionômico, a vegetação da Serrinha é de “cerrado típico”, com dois estratos, um rasteiro e outro arbustivo-arbóreo, este formado por árvores de porte baixo. No aspecto florístico, levantamento feito pelo professor Heleno de Freitas, do Departamento de Botânica da UFG, registrou 71 espécies vegetais, como jatobá-do-cerrado, ipê-do-cerrado, barbatimão, faveira, carobinha. Esse número de espécies é próximo da média observada em áreas de Cerrado. Esse dado indica que, apesar do intenso nível de degradação sofrido, a área da Serrinha milagrosamente conserva as características ecológicas típicas dos ecossistemas nativos.
A proposta de José Mendonça Teles de instalação de um mirante com a estátua eqüestre de Pedro Ludovico, no contexto de instalação de um Parque Natural, apresentado pela presidente da Agepel, Linda Monteiro, com o apoio do presidente da Amma, Clarismino Junior, expressa, portanto, significados de homenagem ao criador Pedro Ludovico e sua obra, de reconhecimento à escultora Neusa Morais e de preservação de um patrimônio ambiental, histórico e cultural goianiense.
*Osmar Pires Martins Júnior, professor de Pós-Graduação na PUC-GO e no IPOG, biólogo, engenheiro agrônomo, mestre em Ecologia, doutorando em C. Ambientais, é membro - titular da cadeira 29 (patrono: Attílio Corrêa Lima) da Academia Goianiense de Letras.
Maiores informações sobre o Morro do Serrinha http://morrodaserrinha.blogspot.com/ é uma Associação de Amigos.
PARQUE SERRINHA
Osmar Pires Martins Júnior*
O expoente escritor José Mendonça Teles, nas suas Crônicas & Outras Histórias, publicadas em 3 de dezembro de 2007, sob o título “O cavalo de Pedro Ludovico”, lançou o desafio aos homens públicos, verdadeiramente comprometidos com Goiânia: “já pensou um mirante, com turistas à vontade e o Pedrão lá em cima, montado à cavalo, olhando a cidade que ele carinhosamente construiu?”.
O expoente escritor nos propõe a instalação da monumental obra de Neusa Morais – a estátua eqüestre de Pedro Ludovico, cavalgando, vistoriando a área que escolheu para edificar a nova capital de Goiás no Morro Serrinha. Noutra crônica, escrita em 29 dezembro de 1996, afirmou: ”foi vistoriando as terras, montado a cavalo, na região da Serrinha, que Pedro Ludovico decidiu-se de que aqui seria a nova capital”.
Além dos aspectos históricos e culturais envolvidos, acrescento outros de natureza ambiental para reforçar a proposta lançada. O Morro Serrinha ocupa uma área de cento e oito mil metros quadrados, entre o Setor Pedro Ludovico e o Bairro Serrinha, próximo ao Setor Bueno, com um perímetro de um mil quatrocentos e cinqüenta metros. Nesta região da cidade há carência de espaços livres e, em especial, de áreas verdes, com desequilíbrio entre áreas construídas e não construídas, na qual prevalecem as primeiras, reduzindo a disponibilidade de espaços livres. As áreas públicas alienadas no entorno direto do Morro Serrinha somam seiscentos e oitenta e um mil metros quadrados, correspondendo a uma dilapidação de 20,5% do patrimônio público.
Somente no Setor Bueno foi privatizado um total de área pública de trezentos e cinqüenta e sete mil metros quadrados. O processo de alienação, parcelamento e edificação das áreas públicas da região é intenso e levou à formação de um passivo de um milhão e trinta e sete mil metros quadrados de áreas públicas desvirtuadas da sua função original, destinadas à proteção do meio ambiente, ao lazer e recreação, à educação, saúde e segurança publicas. Este processo está associado à impermeabilização do solo e à manifestação de episódios de enchentes causadores de prejuízos ao patrimônio público e particular, à saúde pública e à vida humana.
Apesar da elevada densidade demográfica da região, poucas são as Unidades de Conservação existentes com áreas expressivas, como o Jardim Botânico que possui uma área de quase um milhão de metros quadrados. Portanto, pode-se afirmar que se trata de uma região com um déficit de espaços públicos, comprometendo funções urbano-ambientais relevantes ao equilíbrio do meio urbano, de lazer e de recreação ao goianiense.
O Morro Serrinha se constitui hoje na única reserva de Cerrado dentro da área urbana de Goiânia. O Cerrado é o tipo predominante de formação vegetal na região central do País e que tem sido equivocadamente relegado a um segundo plano por sua fisionomia menos “exuberante” que as matas. Essa constatação aponta para a necessidade de preservação da vegetação daquele morro.
Do ponto de vista fisionômico, a vegetação da Serrinha é de “cerrado típico”, com dois estratos, um rasteiro e outro arbustivo-arbóreo, este formado por árvores de porte baixo. No aspecto florístico, levantamento feito pelo professor Heleno de Freitas, do Departamento de Botânica da UFG, registrou 71 espécies vegetais, como jatobá-do-cerrado, ipê-do-cerrado, barbatimão, faveira, carobinha. Esse número de espécies é próximo da média observada em áreas de Cerrado. Esse dado indica que, apesar do intenso nível de degradação sofrido, a área da Serrinha milagrosamente conserva as características ecológicas típicas dos ecossistemas nativos.
A proposta de José Mendonça Teles de instalação de um mirante com a estátua eqüestre de Pedro Ludovico, no contexto de instalação de um Parque Natural, apresentado pela presidente da Agepel, Linda Monteiro, com o apoio do presidente da Amma, Clarismino Junior, expressa, portanto, significados de homenagem ao criador Pedro Ludovico e sua obra, de reconhecimento à escultora Neusa Morais e de preservação de um patrimônio ambiental, histórico e cultural goianiense.
*Osmar Pires Martins Júnior, professor de Pós-Graduação na PUC-GO e no IPOG, biólogo, engenheiro agrônomo, mestre em Ecologia, doutorando em C. Ambientais, é membro - titular da cadeira 29 (patrono: Attílio Corrêa Lima) da Academia Goianiense de Letras.
Maiores informações sobre o Morro do Serrinha http://morrodaserrinha.blogspot.com/ é uma Associação de Amigos.
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