O jornal Diário da Manhã publicou no seu caderno de OPINIÃO o excelente e irônico texto do escritor Luiz de Aquino, que levanta a lebra de como a cidade está sendo administrada pelos auxiliares do Prefeito Iris Resende.
Para ler a crônica basta clicar no título do post.
O poeta e escritor também publica um blog http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com/ .
Goiânia, na gestão da cultura está sem rumo, sem projeto e a abortada invasão do Grande Hotel por parte da Secretaria de Obras só demonstra que, a área vem sendo administrada como foi a falecida AVESTRUZ MASTER(empresa que prometia aos incautos lucros exorbitantes e deu no que deu). E de quebra, só para complementar o desastre, a assessora de imprensa Marley Costa Leite age como uma avestruz, quando em perigo, enfia a cabeça no buraco... E nega! Já começo a ter pena do titular da pasta, com uma assessoria assim, nem Deus ajuda.
De fato Prefeito, alguém precisa lhe contar como andam as coisas em Goiânia.
E só para dar um gostinho e vontade de ler a crônica na íntegra, uma canja:
"E o Grande Hotel, hem? por Luiz de Aquino
Alguém precisa avisar o prefeito. Estão aprontando a mil nesta cidade onde a Primavera já teve doze meses e ele não sabe. Vejo-o solene na tevê, confundindo-se com os atuais pedidores de votos, mas chamando o povo a preservar a cidade, mantê-la limpa (tal como foi outrora, num passando de bem poucos anos).
Alguém precisa dizer ao prefeito que pessoas com uniformes do poder público municipal derrubam criminosamente as árvores que ocultam com suas irritantes frondes umbrosas, os lindos letreiros dos estabelecimentos comerciais. Duvidam? No ano passado, gente da própria prefeitura derrubou uma imensa gameleira no pátio da Creche São Domingos Sávio. A gigantesca planta ocultava parcialmente o mausoléu de mármore branco que serve de sede ao escritório goiano do Tribunal de Contas da União."
Fonte: Diário da Manhã
Esse Blog tem como objetivo discutir a produção do patrimônio cultural brasileiro e a sua permanência. Os AMIGOS DOS MUSEUS atuam diretamente de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Coração do Brasil. Do cerrado para o mundo!
domingo, agosto 20, 2006
quarta-feira, agosto 16, 2006
GRANDE HOTEL – PATRIMÔNIO NACIONAL E DESCASO MUNICIPAL
O Grande Hotel está sendo ocupado pela SECRETARIA DE OBRAS DA PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA!

A necessidade de hospedar adequadamente na moderna Goiânia que surgia, os representantes políticos, empresários e demais visitantes, isso nos idos de 1933, nasceu o Grande Hotel. O edifício tornou-se o maior edifício da cidade na época com os três pavimentos, símbolos de boa hospedagem e modernidade.
Ao longo do tempo, veio a decadência e o que era imponência e gloria foi substituído por usos não tão gloriosos assim. E finalmente é entregue como pagamento de dividas ao INSS.
No dia 11 de dezembro de 2002, foi aprovada pelo Conselho Consultivo do IPHAN a proposta de tornar patrimônio nacional o acervo arquitetônico art déco de Goiânia.
Um trabalho impar foi realizado pela 14ª SR do IPHAN na produção da pesquisa e do material que fundamentou a proposta e sobre a importância do tombamento os organizadores do dossiê de Goiânia afirmam:
“... Com o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, dado ao patrimônio arquitetônico goianiense, o Brasil definitivamente sai do Barroco para entrar no século XX. ... Pois, com a elevação de Goiânia a patrimônio arquitetônico nacional, a mudança desse enfoque consolida-se. Antes de Goiânia, o único outro conjunto urbano do século XX que havia merecido distinção semelhante era o de Brasília., além do complexo da Pampulha em Belo Horizonte. E mais: o conjunto goianiense de 22 edifícios é a primeira distinção que uma obra art déco recebe em todo o Brasil..”
A Prefeitura Municipal de Goiânia publica através da SEPLAN em 2004, o dossiê na integra e estabelece negociações para ocupação do prédio do Grande Hotel com o propósito de ali fazer instalar o Centro de Memória e Referência de Goiânia. Após uma ocupação pela edição da CASA COR, relâmpago e benéfica pois reformou o imóvel, a SECULT transferiu para o prédio a DIVISÃO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO, que diga-se de passagem constitui-se de 18 servidores, 03 computadores cai não cai, móveis com uns 15 ano de uso e documentos, livros, catalogados ou não e muita poeira.Durante o ano de 2005 por diversas vezes, a SECULT foi a público declarar os planos para uma grande biblioteca a ser instalada no Grande Hotel. E houve até lançamento com direito a presença do prefeito de Goiânia. Para entender basta dar uma olhada na matéria “SECULT PROMETE BIBLIOTECAS” publicada no jornal Diário da Manhã no dia 1º de abril de 2005 (vai ver que o problema é que o primeiro de abril tradicionalmente é o dia mentira)cujo link é
http://www.dm.com.br/impresso.php?id=78693&edicao=6357
O resultado da não ocupação efetiva do prédio, ou melhor da falta de interesse da SECULT em dar continuidades aos projetos da gestão anterior, é a solicitação por parte do INSS junto a Tribunal Regional Federal da reintegração de posse. Ação ainda não conclusa e com audiência de conciliação marcada para o dia 29 de agosto.
Ora, o IPHAN reconhece que Goiânia possui um importante acervo a ser preservado e mais, reconhece, tombando como patrimônio nacional. Mas isso não fez com que o titular da SECULT tomasse consciência, que mais que “fingir” uma ocupação do prédio pelo CENTRO DE MEMÓRIA E REFERENCIA DE GOIÂNIA, que nada mais que um projeto não realizado, que não saiu do papel, era preciso equipar, especializar, referenciar a DIVISÃO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO.
Mas, dar um formato efetivo a DIVISÃO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO não é interessante, bom mesmo é investir os recursos do Fundo de Apoio a Cultura no Cine Ouro, um prédio de particular utilizado pelo poder público.
E agora, pasmem, o Grande Hotel está sendo ocupado desde o dia 14 de agosto pela SECRETARIA DE OBRAS ou seja, o prédio, motivo de litígio entre a Prefeitura e o INSS, deixará de lado todas as possibilidades de uso cultural para se tornar um espaço burocrático. Será que pode?
Hoje após telefonar do celular (o telefone fixo do Grande Hotel só recebe) para quantos números podia, finalmente encontrei alguém que se indignou e ligou para a regional do IPHAN e me surpreendeu com a seguinte frase “Obrigada, por agir como cidadã”. Confesso que fiquei pasma, já estava tão cansada de clamar para montanhas e nem mesmo um eco de retorno, foi surpreendente ouvir que estava agindo com cidadã. E esse é um conceito totalmente desconhecido da diretora da DIVISÃO DE PATRIMÔNIO CULTURAL da SECULT, a senhora Sheila.
Pois é o Grande Hotel está sendo entregue à Secretaria de Obras, assim como a antiga Estação Ferroviária foi entregue a SEDEM. Afinal, quais são as políticas públicas para a cultura em Goiânia?Depois da transformação do FAC em receita da SECULT, da fraude na 3ª Conferência Municipal de Cultura, da manutenção de um Conselho Municipal de Cultura ilegítimo, da prática ostensiva de perseguição a servidores públicos, o que mais irão inventar para dar uma “cara própria” a essa gestão?
Ou seja, a despeito dos discursos de apoio à cultura do Prefeito de Goiânia, o que efetivamente executa são metros de asfalto que veremos se é do bom quando as chuvas chegarem.
Goiânia art déco: acervo arquitetônico e urbanistico - dossiê de tombamento. org. Celina Fernandes Almeida Manso. 2004. (p.9-10)
domingo, agosto 13, 2006
Monumentos incompreendidos
por Patrícia da Veiga
Goiânia - Do alto do sexto andar de um edifício da Avenida Anhangüera, Suelena Ludovico olha para o leste e se depara com várias cabeças circulando ao mesmo tempo. Ela gosta da movimentação do cruzamento com a Avenida Goiás, dos carros passando apressados e da multidão frenética. “Bom é quando sai briga na fila dos telefones públicos”, brinca.
Um busto localizado bem no meio das duas avenidas, todo em bronze e olhando para o oeste, confronta a visão de Suelena, mas ela pouco percebe. De tão incorporado à rotina da cidade, quase nunca é notado.Quando perguntada sobre a importância daquela estátua em um dos pontos cruciais do centro da cidade, Fabiana, a amiga de Suelena que trabalha no edifício do Banco Real, é categórica e não esconde a indiferença: “O único dia em que todo mundo olhou para o Bandeirante foi quando houve uma ameaça de bomba no prato que ele carrega. Foi um pânico danado, mas depois descobriram que era apenas tijolo enrolado em papel. Engraçado!”. Lá em baixo, um senhor que entrega panfletos políticos puxa conversa e logo opina: “Podiam tirar ele daí e pôr um índio. Afinal, ele dizimou muitos de nossos antepassados, era um sanguinário. É até uma vergonha deixar uma estátua dessas na rua”.
Como um herói bravo e contraditório de livro didático, a imagem de Bartolomeu Bueno resiste até a trote de bomba, fuligem de carro, pichação. Mas, resistirá também ao anonimato? Ele foi o primeiro monumento a contar a história da recente capital. Idealizado em 1938 e instalado em 1942, o Bandeirante já nasceu pomposo. Foi um presente de estudantes de Direito da Universidade de São Paulo, que visitaram Goiânia e, entendendo que o vínculo com os “colonizadores” paulistas nunca deveria ser perdido, cravaram sua marca para a eternidade. Na época, Pedro Ludovico Teixeira, então interventor federal de Goiás, inaugurou-o com louros fartos.
No arquivo municipal, uma descrição da época revela o que representava aquele monumento: mais que um pioneiro pelas terras goianas, a representação da coragem de quem aderiu à Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas - a exemplo de Ludovico e seu ego. “Com uma batéia e armado de bacamarte, com a firmeza de seu olhar voltada para o poente, exprime a temeridade de um desbravador, enfrentando o desconhecido, aventurando-se na Marcha para o Oeste”.
Relação política e social que justifica o nascimento de bustos e monumentos em vias públicas. É o que explica o arquiteto Marcus Gebrim, que considera todo mobiliário urbano muito importante para contar a história da cidade, “independente de como ele surgiu”.
No caso do Bandeirante, então, que hoje chama menos atenção que o Eixo Anhanguera e é tão odiado como seu reflexo de “Diabo Velho” (como os índios o chamaram), é bom que ele continue avistando o Oeste e revelando um pedaço de nossa identidade. “Os propósitos de representação mudam e as interpretações também. Tanto é que hoje o Bandeirante é questionado. Contudo, ele nunca vai deixar de contar nosso passado”, afirma Marcus. (P. V.)
Escondidos pela má conservaçãoO Sucesso escolheu três monumentos para contar a história de Goiânia em diferentes fases. Contudo, outras dezenas estão espalhadas pela cidade, é só olhar à volta. De bustos a painéis, vários artistas já interferiram na capital comentando o trajeto do goiano. E o próximo, estima a Agência de Cultura Pedro Ludovico (Agepel), será uma estátua do fundador de Goiânia sobre um alazão. Este trabalho também foi feito por Neuza Moraes, mas nunca saiu do gesso. Hoje, Ludovico montado a cavalo encontra-se numa fundição do interior de São Paulo à espera de verba para sua finalização.Enquanto isso, o que já pode ser apreciado é escondido sobre fuligem e maus tratos.
A esfera das 15 lâminas, por exemplo, nunca teve seu jato d'água funcionando regularmente, não tem sua luz acesa todas as noites, está pichada e enferrujada.
Na Secretaria de Cultura, onde deveria haver um cadastro completo deste e de outros trabalhos, mal souberam informar quem era o autor da obra. (Leia-se desinformação obtidas no Grande Hotel, lembram? Centro de Memória ou de Esquecimento.)
O Bandeirante e as Três Raças foram tombados pelo Estado em 1998, mas, de lá para cá, receberam apenas uma reforma cada um.
15 anos aguardando para ser erguido.Uma esfera formada por 15 lâminas convexas de metal foi instalada na Rua 26, entre as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, 40 anos depois do Golpe Militar de 1964. Trata-se de uma homenagem a militantes políticos mortos ou desaparecidos entre 1968 e 79, vítimas do regime militar, idealizada pelo jornalista Pinheiro Sales.O monumento conta a história mais recente de Goiânia, uma das capitais que mais reagiu à revolução militar.
Desenvolvida pelo arquiteto Marcus Gebrim, que no fim dos anos 70 entrou para o grupo de anistia política, a esfera de metal tem o propósito de chamar atenção pelas entrelinhas, os detalhes, o que está implícito. Tanto, que muita gente passa e não detecta sua mensagem.“Existem duas formas de um monumento existir: de maneira direta e indireta. Ao conceber a esfera metálica, optei pela segunda, para que as pessoas demorassem mais seus olhares sobre aquelas 15 lâminas, que representam as 15 pessoas homenageadas”, diz Marcus, avaliando sua própria autoria. As folhas de aço brotam e se reúnem em um mesmo ponto, como se representassem a união. Por entre as frestas da bola está projetado para sair um jato d'água, que indica vida, e vários reflexos de luz, que apontam o ideal de mudança.
Atrás da forma, o fato de o projeto de lei que autorizou a menção honrosa ter sido barrado por mais de 15 anos na Câmara Municipal prova seu sentido histórico e político. “Começamos a pensar nessa homenagem em 1986, quando os primeiros petistas foram eleitos diretamente em Goiás. Acontece que, como todo processo de mudança ideológica é demorado, o projeto foi considerado inconstitucional pelo menos três vezes. Mas, hoje a esfera está lá, simbolizando a vida e marcando a luta de pessoas que morreram pela democracia”, comenta Pinheiro Sales, inflamado e com a emoção de quem também foi militante político, exilado e torturado. (P. V.)
A síntese da identidade nacional Heróis anônimos, três pessoas empurram o pilar de uma cidade que nasceu há pouco. Três esculturas, melhor dizendo, com a mesma forma. Este monumento está na Praça Cívica, foi feito pela artista plástica Neuza Moraes a pedido do Rotary Clube Internacional e inaugurado em 1967. Conforme as indicações de Neuza, a obra foi chamada de “Monumento às Três Raças” para contar o quanto o trabalho cotidiano de brancos, negros e índios (na época, a junção considerada síntese da identidade brasileira) foi importante para erguer a capital, em conceito, moral e concreto.Completamente modernista, a lembrança das Três Raças passou, então, a ser o resumo do homem do centro-oeste, localizado bem no coração da cidade. E fala a linguagem comum, porque mesmo que você não seja goianiense e pouco saiba sobre os Goyazes, expressará algo familiar. Isso nós constatamos ao encontrarmos uma família paulistana definindo aqueles homens imortalizados em gesso e granito. “Segura que vai cair!”, brincou Marcos Leite. “Falando sério, parece que eles estão unidos por um único objetivo”, complementa a esposa de Marcos, Elisabete, na intuição. (P. V.)
Fonte: Jornal O SUCESSO - Goiânia - GO
Goiânia - Do alto do sexto andar de um edifício da Avenida Anhangüera, Suelena Ludovico olha para o leste e se depara com várias cabeças circulando ao mesmo tempo. Ela gosta da movimentação do cruzamento com a Avenida Goiás, dos carros passando apressados e da multidão frenética. “Bom é quando sai briga na fila dos telefones públicos”, brinca.
Um busto localizado bem no meio das duas avenidas, todo em bronze e olhando para o oeste, confronta a visão de Suelena, mas ela pouco percebe. De tão incorporado à rotina da cidade, quase nunca é notado.Quando perguntada sobre a importância daquela estátua em um dos pontos cruciais do centro da cidade, Fabiana, a amiga de Suelena que trabalha no edifício do Banco Real, é categórica e não esconde a indiferença: “O único dia em que todo mundo olhou para o Bandeirante foi quando houve uma ameaça de bomba no prato que ele carrega. Foi um pânico danado, mas depois descobriram que era apenas tijolo enrolado em papel. Engraçado!”. Lá em baixo, um senhor que entrega panfletos políticos puxa conversa e logo opina: “Podiam tirar ele daí e pôr um índio. Afinal, ele dizimou muitos de nossos antepassados, era um sanguinário. É até uma vergonha deixar uma estátua dessas na rua”.
Como um herói bravo e contraditório de livro didático, a imagem de Bartolomeu Bueno resiste até a trote de bomba, fuligem de carro, pichação. Mas, resistirá também ao anonimato? Ele foi o primeiro monumento a contar a história da recente capital. Idealizado em 1938 e instalado em 1942, o Bandeirante já nasceu pomposo. Foi um presente de estudantes de Direito da Universidade de São Paulo, que visitaram Goiânia e, entendendo que o vínculo com os “colonizadores” paulistas nunca deveria ser perdido, cravaram sua marca para a eternidade. Na época, Pedro Ludovico Teixeira, então interventor federal de Goiás, inaugurou-o com louros fartos.
No arquivo municipal, uma descrição da época revela o que representava aquele monumento: mais que um pioneiro pelas terras goianas, a representação da coragem de quem aderiu à Marcha para o Oeste de Getúlio Vargas - a exemplo de Ludovico e seu ego. “Com uma batéia e armado de bacamarte, com a firmeza de seu olhar voltada para o poente, exprime a temeridade de um desbravador, enfrentando o desconhecido, aventurando-se na Marcha para o Oeste”.
Relação política e social que justifica o nascimento de bustos e monumentos em vias públicas. É o que explica o arquiteto Marcus Gebrim, que considera todo mobiliário urbano muito importante para contar a história da cidade, “independente de como ele surgiu”.
No caso do Bandeirante, então, que hoje chama menos atenção que o Eixo Anhanguera e é tão odiado como seu reflexo de “Diabo Velho” (como os índios o chamaram), é bom que ele continue avistando o Oeste e revelando um pedaço de nossa identidade. “Os propósitos de representação mudam e as interpretações também. Tanto é que hoje o Bandeirante é questionado. Contudo, ele nunca vai deixar de contar nosso passado”, afirma Marcus. (P. V.)
Escondidos pela má conservaçãoO Sucesso escolheu três monumentos para contar a história de Goiânia em diferentes fases. Contudo, outras dezenas estão espalhadas pela cidade, é só olhar à volta. De bustos a painéis, vários artistas já interferiram na capital comentando o trajeto do goiano. E o próximo, estima a Agência de Cultura Pedro Ludovico (Agepel), será uma estátua do fundador de Goiânia sobre um alazão. Este trabalho também foi feito por Neuza Moraes, mas nunca saiu do gesso. Hoje, Ludovico montado a cavalo encontra-se numa fundição do interior de São Paulo à espera de verba para sua finalização.Enquanto isso, o que já pode ser apreciado é escondido sobre fuligem e maus tratos.
A esfera das 15 lâminas, por exemplo, nunca teve seu jato d'água funcionando regularmente, não tem sua luz acesa todas as noites, está pichada e enferrujada.
Na Secretaria de Cultura, onde deveria haver um cadastro completo deste e de outros trabalhos, mal souberam informar quem era o autor da obra. (Leia-se desinformação obtidas no Grande Hotel, lembram? Centro de Memória ou de Esquecimento.)
O Bandeirante e as Três Raças foram tombados pelo Estado em 1998, mas, de lá para cá, receberam apenas uma reforma cada um.
15 anos aguardando para ser erguido.Uma esfera formada por 15 lâminas convexas de metal foi instalada na Rua 26, entre as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, 40 anos depois do Golpe Militar de 1964. Trata-se de uma homenagem a militantes políticos mortos ou desaparecidos entre 1968 e 79, vítimas do regime militar, idealizada pelo jornalista Pinheiro Sales.O monumento conta a história mais recente de Goiânia, uma das capitais que mais reagiu à revolução militar.
Desenvolvida pelo arquiteto Marcus Gebrim, que no fim dos anos 70 entrou para o grupo de anistia política, a esfera de metal tem o propósito de chamar atenção pelas entrelinhas, os detalhes, o que está implícito. Tanto, que muita gente passa e não detecta sua mensagem.“Existem duas formas de um monumento existir: de maneira direta e indireta. Ao conceber a esfera metálica, optei pela segunda, para que as pessoas demorassem mais seus olhares sobre aquelas 15 lâminas, que representam as 15 pessoas homenageadas”, diz Marcus, avaliando sua própria autoria. As folhas de aço brotam e se reúnem em um mesmo ponto, como se representassem a união. Por entre as frestas da bola está projetado para sair um jato d'água, que indica vida, e vários reflexos de luz, que apontam o ideal de mudança.
Atrás da forma, o fato de o projeto de lei que autorizou a menção honrosa ter sido barrado por mais de 15 anos na Câmara Municipal prova seu sentido histórico e político. “Começamos a pensar nessa homenagem em 1986, quando os primeiros petistas foram eleitos diretamente em Goiás. Acontece que, como todo processo de mudança ideológica é demorado, o projeto foi considerado inconstitucional pelo menos três vezes. Mas, hoje a esfera está lá, simbolizando a vida e marcando a luta de pessoas que morreram pela democracia”, comenta Pinheiro Sales, inflamado e com a emoção de quem também foi militante político, exilado e torturado. (P. V.)
A síntese da identidade nacional Heróis anônimos, três pessoas empurram o pilar de uma cidade que nasceu há pouco. Três esculturas, melhor dizendo, com a mesma forma. Este monumento está na Praça Cívica, foi feito pela artista plástica Neuza Moraes a pedido do Rotary Clube Internacional e inaugurado em 1967. Conforme as indicações de Neuza, a obra foi chamada de “Monumento às Três Raças” para contar o quanto o trabalho cotidiano de brancos, negros e índios (na época, a junção considerada síntese da identidade brasileira) foi importante para erguer a capital, em conceito, moral e concreto.Completamente modernista, a lembrança das Três Raças passou, então, a ser o resumo do homem do centro-oeste, localizado bem no coração da cidade. E fala a linguagem comum, porque mesmo que você não seja goianiense e pouco saiba sobre os Goyazes, expressará algo familiar. Isso nós constatamos ao encontrarmos uma família paulistana definindo aqueles homens imortalizados em gesso e granito. “Segura que vai cair!”, brincou Marcos Leite. “Falando sério, parece que eles estão unidos por um único objetivo”, complementa a esposa de Marcos, Elisabete, na intuição. (P. V.)
Fonte: Jornal O SUCESSO - Goiânia - GO
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