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quinta-feira, dezembro 27, 2007

WEBER BORGES

No FAXINA GERAL : Morre o jornalista Weber Borges. O jornalista acompanhou de perto toda a tragédia do Césio 137 em Goiânia, sendo o próprio possivelmente mais uma vítima do acidente radioativo.

http://www.faxinageral.blog-se.com.br/blog/conteudo/home.asp?pg=1&idBlog=14232&arquivo=&inicio=&fim=&mes=&ano=2006

quinta-feira, setembro 27, 2007

GRANDE HOTEL E O CÉSIO 137


Após 20 anos, uma mostra fotográfica emociona e chama a atenção de uma multidão na porta do Grande Hotel.

O Grande Hotel foi o primeiro prédio construído em Goiânia e atualmente é parte do acervo art déco tombado como patrimônio nacional. Na sua história de vida, o prédio já foi o palco principal da vida cultural goianiense, depois abandonado e esquecido, foi modificado e assim perdendo, internamente, quase todas as referências originais.

O prédio é de propriedade do INSS e foi ocupado em 2004 pela Prefeitura de Goiânia. Essa ocupação tinha como argumento a instalação ali do Centro de Memória e Esquecimento, ops!!, Referência. E claro isso nunca aconteceu. O que de fato e de direito foi implantado é a Divisão de Patrimônio Histórico.E sobre a Divisão de Patrimônio Histórico, pode se dizer sem medo de cometer injustiças, que Goiânia possivelmente é a única capital brasileira, que possui acervo arquitetônico tombado como patrimônio nacional e o órgão municipal de proteção é totalmente capenga e sem qualquer condição de atuação, pois lhe falta pessoal qualificado, equipamentos, mobiliário e computadores. E essa situação não é culpa de quem atualmente está "lotado" na DPH, ou ali foi parar para cumprir pena, e sim, da total ausência de interesse do executivo pelo assunto: proteção do patrimônio cultural. Aliás, quando há interesse é no sentido de demolir e bem rápido para receber à titulo de compensação alguns módicos milhões.

Enfim, voltemos ao assunto, Grande Hotel e o Césio 137. Rogério Borges, em um texto emocionante chama a atenção das pessoas para o aniversário de 20 anos da tragédia do acidente radiológico ocorrido em Goiânia com Césio 137. E para marcar a data, O POPULAR promove a exposição Césio - 20 Anos, com 50 fotografias em que estão alguns dos registros mais dramáticos da cobertura da tragédia provocada pela abertura de uma cápsula com césio 137, substância altamente radioativa, que causou mortes, destruiu famílias, deixou a população em pânico e recobriu Goiânia com a sombra do estigma e do preconceito.

Fantástica mostra, emocionante e diria que talvez seja a mais importante dos últimos tempos, pois retira do esquecimento, fatos, pessoas, sentimentos que foram soterrados e ocultados. É a hora de contar as vítimas, de nos reconhecermos no sofrimento de tantos, e que Goiânia, ao invés de esquecer se lembre sempre, amadureça e efetivamente seja a cidade que aceite todos os seus cidadãos.

O Grande Hotel em outros tempos serviu como point da elite, da juventude, dos políticos, dos intelectuais, hoje, sua calçada, com essa mostra, creio eu, recupera muito desse glamour e atrai os olhares curiosos dos políticos, da juventude, de passantes anônimos. E quem sabe, seja redescoberto, reconhecido ?


É claro que redescobrir o Grande Hotel não é interditar o 3º andar com uma “porta” e selar com cadeado, e ali fazer instalar uma escola particular de música. Como é a pretensão da SECULT, que designou como bate estaca a jornalista Marley Costa Leite e como beneficiário Oscar Wild e sua trupe.
A porta é uma vergonha e transforma o Grande Hotel em um pardieiro mal acabado. E é bom que se diga que não existe qualquer autorização do IPHAN para isso. Apenas o desejo de um gestor público, que pelo bom desempenho frente a pasta é apontado como personagem principal do post anterior “Mau cheiro na cultura?”, ao lado de seu fiel escudeiro.
O Grande Hotel é simbólico para Goiânia e deveria ser tratado com respeito e dignidade. Se hoje não é mais um hotel, que se torne ao menos, o local onde se possa guardar as referências dos pioneiros, a memória dos que ajudaram a construir essa cidade, sonhada como uma princesa do centro-oeste, dos filhos e filhas que cresceram junto com ele.
Eh! Goiânia!
Para ler O POPULAR promove exposição com fotos do acidente com o Césio 137 por Rogério Borges siga o link http://goiasnet.globo.com/cultura/cul_report.php?IDP=6831 para saber em primeira mão a decisão da Justiça Federal sobre a disputa entre a Prefeitura e o INSS pelo prédio: http://www.trf1.gov.br/processos/ProcessosTRF/ConsProcTRF1Pes.php?tipoCon= e no campo número do processo digite: 2005.35.00.013512-2 .




domingo, maio 27, 2007

MEMÓRIA DO CÉSIO 137

Excelente entrevista no JORNAL OPÇÃO sobre o acidente radioativo de Goiânia.
O repórter Weber Borges, em 1987 ousou desafiar o presidente Sarney a visitar Goiânia, acompanhado de Dona Marly, por ocasião do acidente com o césio 137 e foi demitido sumariamente. Depois de 20 anos, Weber Borges ainda questiona o fato evidente que a cidade não mudou, pouco se fala sobre o assunto e de quebra, toda a sujeira foi varrida para debaixo do tapete. Ou melhor, para debaixo do Centro de Convenções de Goiânia.
A entrevista vale a pena ser lida e apreciada como um excelente vinho e analisada com cuidado. Até quando continuaremos a viver uma Goiânia de faz de conta? O que aprendemos com os acontecimentos?


"O jornalista que foi vítima do césio

Repórter atento, convocou o então presidente José Sarney, durante o programa de Hebe Camargo, e foi demitido pela rede de televisão dirigida por Silvio Santos. Dono de um acervo gigante sobre o acidente radioativo de Goiânia, o jornalista diz que a universidade precisa discutir mais o legado científico do acidente provocado pelo césio.

Aos 62 anos, Weber Borges é um jornalista experimentado e paciente. Em 1987, com 42 anos, era mais afoito, mas já era experiente. Diretor do programa Goiânia Urgente, da TV Goiá, então retransmissora da programação do SBT de Silvio Santos, descobriu, meio por acaso, que o acidente radioativo de Goiânia, conhecido também como “acidente do césio”, estava sendo “escondido” da opinião pública. Na verdade, percebeu o repórter atento, que tem o hábito de filmar quase tudo, que o governador Henrique Santillo, o secretário da Saúde, Antônio Faleiros, ambos médicos, e técnicos do governo ainda não sabiam exatamente o que havia acontecido, em setembro de 1987. Só com a presença de técnicos da Comissão Nacional de Energia Nucler na capital, como José Júlio Rozenthal, que hoje mora em Israel (trabalha na área nuclear do governo judeu), é que começou-se a dimensionar com mais precisão o acidente. No início, nem mesmo os técnicos entenderam direito o que estava acontecendo — daí Weber Borges dizer que houve também outro grave acidente: o da desinformação. Muitos técnicos andaram pelos locais afetados pela radioatividade sem nenhuma proteção, percebeu o olhar agudo de Weber Borges. Autor de um livro seminal para se entender o acidente, Eu Também Sou Vítima — A Verdadeira História Sobre o Acidente com o Césio 37 em Goiânia (editado de modo mais criterioso, extirpando os erros provocados talvez pela pressa, teria sido best seller), Weber Borges é, por assim dizer, também uma vítima do césio. Não que tenha sido contaminado pela radioatividade. Foi, digamos, sacrificado pela TV Goiá. Motivo: presente no programa de Hebe Camargo, convidado a aproveitar os 30 segundos finais, Weber Borges soltou o verbo e disse que o presidente José Sarney (aquele do bigode e do jaquetão), no lugar de visitar a Colômbia, que não sairia do lugar, deveria visitar Goiânia, para verificar, pessoalmente, a extensão do acidente. Língua solta, o jornalista acrescentou que deveria trazer a mulher, Marly, para provar que, apesar do acidente, a capital goiana não oferecia riscos. Resultado: Sarney veio, sim, mas Weber Borges perdeu o emprego. Comentou-se na época que Silvio Santos, informado pelo Palácio do Planalto, teria ficado chateado com a impertinência do jornalista. Era preciso punir o senso de oportunidade do repórter. Portanto, indiretamente, Weber Borges é uma vítima do césio. Dono de excelente acervo de documentos do césio, Weber Borges conta que ele tem sido pouco consultado. Embora não tenha noção precisa do que se produz academicamente, diz que a universidade precisa discutir, com mais freqüência, o legado científico do acidente radioativo. Na próxima edição, o Jornal Opção publica a segunda parte da entrevista. " CONTINUA

Fonte: JORNAL OPÇÃO http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Entrevistas&idjornal=239