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sábado, março 28, 2009

CARTA ABERTA AO MINC

CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DA CULTURA


Hoje, no Dia Mundial do Teatro, nós, trabalhadores de grupos teatrais de São Paulo organizados no Movimento 27 de Março, somos obrigados a ocupar as dependências da Funarte na cidade. A atitude extrema é provocada pelo falso diálogo proposto pelo governo federal, que teima em nos usar num debate de mão única. Cobramos, ao contrário, o diálogo honesto e democrático que nos tem sido negado.

O governo impõe um único programa: a transferência de recursos públicos para o marketing privado, o que não contempla a cultura mas grandes empresas que não fazem cultura. E se recusa, sistematicamente, a discutir qualquer outra alternativa.

Trocando em miúdos.

O Profic - Programa de Fomento e Incentivo à Cultura, que Vv. Ss. apresentam para discussão como substituto ao Pronac, que já existe, sustenta-se sobre a mesma coisa: Fundo Nacional de Cultura - FNC, patrocínios privados com dinheiro público (o tal incentivo/renúncia fiscal que todos conhecem como Lei Rouanet) e Ficart - Fundo de Investimento Cultural e Artístico.

Ora, o Fundo não é um programa, é um instrumento contábil para a ação dos governos. Já o Ficart (um fundo de aplicação financeira) e o incentivo fiscal destinam-se ao mercado, não à cultura. O escândalo maior está na manutenção da renúncia/incentivo fiscal, a chamada Lei Rouanet, que o governo, empresas e mídia teimam em defender e manter.

O que é a renúncia ou incentivo fiscal? É Imposto de Renda, dinheiro público que o governo entrega aos gerentes de marketing das grandes empresas. Destina-se ao marketing das mesmas e não à cultura. É o discurso que atrela a cultura ao mercado que permite esse desvio absurdo: o dinheiro público vai para o negócio privado que não produz cultura e o governo transfere suas funções para o gerente da grande corporação. Diminuir a porcentagem dessa transferência ou criar normas pretensamente moralizadoras não muda a natureza do roubo e da omissão do governante no exercício de suas obrigações constitucionais. Não se trata de maquiar a Lei Rouanet (incentivo fiscal); trata-se de acabar com ela em nome da cultura, do direito e do interesse público, garantindo-se que o mesmo dinheiro seja aplicado diretamente na cultura de forma pública e democrática.

Assim, dentro do Profic, apenas a renúncia fiscal pode se apresentar como programa, um programa de transferência de recursos públicos para o marketing privado, em nome do incentivo ao mercado. Trata-se, portanto, de um programa único que não vê e não permite outra saída, daí ser totalitário, autoritário, anti-democrático na sua essência.

E é o mesmo e velho programa que teima em mercantilizar, em transformar em mercadoria todas as atividades humanas, inclusive a cultura, a saúde e a educação, por exemplo. Não é por acaso que os mesmos gestores do capital ocupam os lugares chaves na máquina estatal da União, dos Estados e Municípios, coisas que conhecemos bem de perto em nosso Estado e capital, seus pretensos opositores.

E esse discurso único não se impõe apenas à política cultural. É ele que confunde uma política para a agrícultura com dinheiro para o agronegócio; que centra a política urbana na construção habitacional a cargo das grandes construtoras; e outra coisa não fazem os gestores do Banco Central que não seja garantir o lucro dos bancos. Não há saída, não há outra alternativa, os senhores continuam dizendo, mesmo com o mercado falido, com a crise do capital obrigando-os a raspar o Tesouro Público no mundo todo para salvar a tal competência mercantil.

Pois bem, senhores, apesar do mercado, nós existimos. Somos nós que fazemos teatro, mas estamos condenados: não queremos e não podemos fabricar lucros. Não é essa a nossa função, não é esse o papel do teatro ou da cultura. Nós produzimos linguagens, alimentamos o imaginário e sonhos do que muitos chamam de povo ou nação; nós trabalhamos com o humano e a construção da humanidade. E isso não cabe em seu estreito mundo mercantil, em sua Lei Rouanet e seu programa único.

Nós somos a prova de que outro conceito de produtividade existe. Os senhores continuarão a tratar o Estado e a coisa pública apenas como assuntos privados e mercantis? Continuarão a negar nosso trabalho e existência? Continuarão a negar a arte ou a cultura que não se resumem a produtos de consumo?

Por isso, além do FNC, exigimos uma política pública para a cultura que contemple vários programas (e não um único discurso mercantil), com recursos orçamentários e regras democráticas, estabelecidos em lei como política de Estado para que todos os governos cumpram seu papel de Poder Executivo.

É esse diálogo que os Senhores se negam, sistematicamente, a fazer enquanto se dizem abertos ao debate. Debate do quê? Do incentivo fiscal. Mas nos recusamos a compartilhar qualquer discussão para maquiar a fraude chamada Lei Rouanet.

Queremos discutir o Fundo. Mas queremos, também, discutir outros programas e oferecemos, novamente, o projeto de criação do Prêmio Teatro Brasileiro como um ponto de partida. Os Senhores estão abertos a este diálogo?

Movimento 27 de Março

São Paulo, Dia Mundial do Teatro e do Circo
Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,grupos-de-teatro-ocupam-a-funarte-e-publicam-carta-ao-minc,345830,0.htm

A discussão:

1 - To: forum_teatro_go@yahoogrupos.com.br
From: ilhanando@hotmail.com
Date: Fri, 27 Mar 2009 20:01:40 +0000
Subject: RE: [forum_teatro_go] Ocupação da funarte - Estadã o

Meu caros amigos do Fórum de Teatro,

Li a materia do Estadão sobre os grupos que ocuparam a Funarte e fiquei chocado com os comentarios postados abaixo da materia!

Apenas 2 comentarios ridiculos chamando os artistas do movimento de socialistas e comunistas que não conseguem levar publico e outras besteiras.

É de união e de fortalecimento como a dos artistas paulistas que estamos precisando pelas bandas de cá!

Enquanto isso comemoramos o Dia Mundial do Teatro e do Circo, afinal, somos brasileiros - mas não choramos nem sorrimos à toa, não é mesmo!

Teremos o Congresso da Feteg aqui no domingo, temos que pensar nesse fortalecimento!
Independente de termos duas chapas sou (eu e meus companheiros do Grupo Teatro Ritual) somos a favor da unificação entre nós artistas. Precisamos nos organizar em conjunto para lutar por mais recursos para gerirmos nossos trabalhos.

Achei a carta do Movimento 27 de março bem agressiva e bem escrita apesar de discordar de alguns pontos como o discurso sobre mercadoria e mercado, que entendo como equivocado e gerador de equivocos.
Não somos diletantes, nem comerciantes mas vivemos e sobrevivemos de nosso oficio artistico o que pressupõe um mercado sem duvida. Desde a venda de ingressos até a vinculaçao das marcas de empresas patrocinadoras junto as nossas produções.

Em minha opnião o que precisa mudar urgentemente no Brasil é a falta de visão ou uma visão limitada que dificilmente supera o senso comum sobre a produção artistica e sua relação com o publico brasileiro. Quase sempre o publico é subestimado como incapaz ou desinteressado em apreciar produções diferenciadas ou ousadas. E esse discurso predomina entre os empresários e a midia.

A alternatividade será sempre bem vinda e somente ela garante a continuidade do fluxo de movimento e desenvolvimento da arte atraves dos tempos. Porém todos buscam a estabilidade, ou no minimo posso afirmar que todos precisam ou precisarão dela um dia, não uma estabilidade artistica, essa nunca devemos aderir pois significa a morte total da criatividade, mas uma estabilidade estrutural para se poder criar com liberdade. Ninguem quer ter que criar no meio de um caos financeiro: com cheques sem fundo para pagar, sem recursos para montar o proximo espetáculo ou para manter o que já tem em cartaz, sem recursos para divulgar o trabalho - uma vez que o teatro, mesmo nas concepções mais radicais, ainda pressupõe alguem que assiste em sua essencia constitutiva nem que esse alguem seja uma unica testemunha ou apenas uma camera -, consequentemente um teatro sem publico, não dá!
E acredito que para mudar isso somente se profissionalizando, e o que isso quer dizer? Não quer dizer somente sermos excelentes artistas - não em nosso país - mas além de sermos EXCELENTES artistas e comprovarmos isso TODOS OS DIAS, ainda temos sim que saber VENDER NOSSO PEIXE. Temos que saber ATRAIR PUBLICO sim! Temos que ATRAIR O INTERESSE DA EMPRESAS sim! E isso meus amigos não tem outro maldito nome senão C-O-M-E-R-C-I-O. Temos que saber comercializar nossos PRODUTOS. Sim finalmente não tenho o ridiculo pudor de admitir que o que fazemos esses belissimos espetaculos que carregam nossas ALMAS em carne viva, são nada mais do que produtos pois precisam ser vendidas para o publico em temporadas, para curadores de festivais, para comissoes de análise de projetos em leis, editais e os cambau.
E quem disser o contrario por favor me convença e me ensine a sobreviver nesse decadente mundo capitalista em que vivemos sem esse pequeno e altamente destrutivo fator: O CAPITAL. (digo decadente não só pela Crise Financeira Mundial - a preferida das manchetes de qualquer jornaleco - mas também por estar indignado com a atual condição humana, onde as relações sociais só se justificam hoje pelo interesse de redençao capitalista, as pessoas só se encontram cada vez mais por um unico motivo: dinheiro).

Enfim, meus caros amigos, estou exaltado por estar tão exausto de lutar, de resistir, de tentar insistentemente, ao meu modo, como eu posso unificar as pessoas que fazem teatro nessa cidade, dar visibilidade para nossa cena, consolidar meu grupo junto com outros companheiros comprometidos com a mesma causa: a emancipaçao da humanidade, - enfim, sei lá, firmar sabe! Afinal, fazer teatro em Goiás pra que? e pra quem? e com quantos?
A ocupação da Funarte por 300 artistas de teatro de São Paulo é um gesto lindo de união, força, criatividade e sabedoria.
Penso que se equivocam em excluirem-se da ideia de mercado, o que soa exageradamente pretensioso e até sem causa. Mas entendo que essa é uma maneira de vender o peixe, mas cuidado: pode soar como se quisessemos nos manter nas tetas do governo, como se não precisassemos entrar nessa corrida desenfreada dos meros mortais que inutilmente lutam até o fim da vida para venderem seus serviços, seus produtos, para ganharem dinheiro - mas veja bem (estou tão cetico quanto à isso hoje) ganha-se dinheiro para pagar pela qualidade de vida que é cara: da comida na mesa até viagens de avião ou ar condicionado com umidificador (pra se respirar bem em Goiânia, por exemplo), até a satisfação de apresentar para um teatro cheio, ter agua no camarim e quem sabe frutas. Nada disso é luxo gente! Isso é simplesmente qualidade de vida que nos é negada, ou não nos é dada, pela qual devemos lutar, exigir, perseguir insistentemente. Tempo não é dinheiro, Dinheiro é tempo. O dinheiro quantifica o tempo que nos dedicamos para ganhá-lo. A diferença é que o tempo de alguns vale muito mais do que outros. Mas sobre isso, francamente, não acredito que alguem tenha resposta ou solução que seja rápida, que eu possa ver em vida. Então, eu que vim de familia pobre, já gastei muito do meu tão mau cotado tempo escrevendo esse e-mail para voces, caros amigos, por outro ganhei algo que não tem preço, algo impagavel e imaterial e que hoje em dia está cada vez mais raro: sua atençao e paciencia em ler essa carta desabafo! E por isso eu lhe agradeço! Só pra terminar quero esclarecer que não estou desanimado muito menos quero desanimar alguem. Digamos que me encontro exageradamente lucido a ponto de meus olhos arderem e que meus braços e pernas que acompanham meu cerebro estão cansados, porem, atentos e alertas para toda adversidade. Estou disposto a lutar em companhia de quem também sintonizar em boas ondas. Nas ondas do bem coletivo e individual. Termino citando a minha avó pra que você não esmureça, ela sempre me dizia quando eu estava doente: "Levanta menino! Não se estrega senão a doença toma de conta! A vida é dura pra quem é mole!"

Estamos juntos nessa! Se iludir nunca! Desistir jamais!

Forte abraço a todos nos vemos no Congresso da Feteg!


Nando Rocha
Teatro Ritual
Ator, diretor, produtor, professor, iluminador, sonoplasta, figurinista, cenografo, faxineiro, carregador, pensador, pau pra toda obra!


2 - 2009/3/28 Thiago Moura


É... Nando. Ótimo você falar o que está falando, como está falando e onde está falando.

Profissional, segundo o dicionário, é aquele que é remunerado pela atividade exercida.

Profissional é aquele que vive de seu ofício.

Extranho o artista ter vergonha de negociar! O artista que ganha algum dinheiro carrega um monstro de culpa nas costas! Quando ele mesmo não coloca esse peso sobre os ombros, outros tantos tratam de colocar.

E assim como um sapateiro artesão, se você não vive de fazer sapatos, jamais terá a dimensão real do que é fazer um sapato, finalizar um objeto do seu oficio, materializar a sua arte... Para comprar a arte deste artesão você terá que pagar o preço de um trabalho realizado com as próprias mãos. Um sapato bem feito não perde o valor sentimental, conceitual e artístico porque foi bem vendido, ou porque se encaixa perfeitamente no corpo de quem o compra. Então porque o trabalho de um artista perderia o seu valor se foi bem remunerado?

É um discurso do poder dominante que nos faz pensar que para sermos artistas precisamos passar fome, perder quem amamos por não podermos pagar por um plano de saúde decente, ficarmos loucos, arrancarmos nossas orelhas e deixar que os poderosos se enriqueçam com a imagem de nossa dor estampada em telas, muito bem guardadas em salas climatizadas.

É um discurso do poder dominante pensar que artista é aquele que realiza sua obra mesmo sem dinheiro (realizaremos porque somos maníacos obcecados, mas sem recursos a obra é sempre limitada e cada dia mais rara). É por causa disso que no teatro (considerada a arte do ator), o ator é sempre aquele que não recebe.

É discurso do poder, quando o papa, sentado num trono de ouro, diz que os pobres e sofredores entrarão primeiro no paraíso (para quem tem fé, ou para quem foi criado num país extremamente católico, isso faz pensar que viver na miséria tem algo de bom). É discurso do poder quando o pastor da Universal diz para a dona de casa endividada doar todo o seu salário do mês à igreja, pois no mês seguinte Deus lhe dará o quaduplo. Seria péssimo para esses dominadores, se o povo dominado pudesse pagar por uma boa educação, comprar um bom livro ou mesmo ter internet e tv a cabo em casa (o que lhe daria mais poder de escolha na hora do ócio e contato com idéias diferentes). Que artista é esse que quando vai assistir televisão só consegue ter acesso à rede GLOBO e emissoras que a copiam? Que artista é esse que não pode comprar um bom livro? Que artista é esse que não pode bancar sua formação profissional? Que artista é esse que louva Cirque du Soleil, Galpão, Lume e mal pode pagar um treinamento intensivo com tais grupos artísticos sem passar necessidades depois (a maioria jamais pode)? Vamos um pouco além, quem você conhece que teve oportunidade de fazer um intensivo de formação ou aperfeiçoamento profissional com os mestres que tornaram esses grupos o que eles são hoje? Alguns de vocês conhecem... quantos dentre estas pessoas são pobres? Quantos dentre estas pessoas andam de ônibus?

Dinheiro é símbolo de troca. Quando recebemos o dinheiro de alguem na bilheteria do teatro estamos recebendo o suor de seu trabalho. E em troca ele verá o que o suor do nosso trabalho pode produzir sob a luz dos refletores.

Não podemos esquecer que somos uma classe trabalhista!

Meu trabalho é carregado de ideais e idéias. Meu trabalho é a mente da humanidade. Meu trabalho é o inconsciente coletivo. A arte é a região do cérebro da humanidade que é usada para solucionar problemas, desenvolver idéias e criar sonhos que influenciarão todo o futuro e ações do organismo. Apesar disso tudo, meu cérebro não vale mais do que minha boca, meus olhos e meus membros... nem menos. Da mesma forma, o artista não vale mais do que um professor, um médico, um varredor de rua, um juiz, um agricultor ou um advogado... nem menos. Porque então ele sempre ganha menos? Por causa do prazer que sentimos? Você acha que um bom agricultor, um bom professor, advogado, faxineiro ou médico não sente prazer no que faz?

Para a sociedade funcionar bem, precisamos funcionar bem. A única arma capaz de deter a barbárie do mundo é o conhecimento. Não se enganem: a dificuldade que encontramos para nos organizar é a mesma que a humanidade tem enfrentado na luta contra a barbárie.

O artista não ter qualidade de vida é um problema social tão grande quanto a desnutrição e a fome. O cérebro de uma pessoa que passou fome na infância jamais terá a chance de atingir o desenvolvimento que alcançaria se o mesmo não tivesse ocorrido. A arte está desnutrida, o pensamento está desnutrido. E penso que no teatro isso acontece não por falta de comida, mas porque estamos anoréxicos! Diante disto, em que se transforma o nosso povo? ...um corpo sem mente, um burro de carga, uma máquina que trabalha sem reclamar.

Pois é, Nando. Nada disso é disânimo. Esse desconforto é o que nos torna o que somos: artistas. Não é isso? São nossas idéias que definirão a próxima revolução. Esta que se aproxima. São nossas idéias que definirão qual será o próximo passo na evolução de nossa espécie...

Quando ao dinheiro público... o dinheiro público é o dinheiro do povo. É o meu dinheiro, o seu dinheiro. É o dinheiro que aplicamos para a manutenção de nossa civilização... precisa dizer mais? A arte é serviço básico, assim como saneamento, saúde e educação - o tipo de coisa que a maioria da população não tem acesso real e com qualidade. A arte é a transmissora da cultura e do pensamento coletivo de um povo. Nada mais justo e mais certo do que o dinheiro do povo ser usado para que essa ferramenta base de evolução, discussão e comunicação social não enferruge e se quebre. Temos que parar de lidar com os incentivos que recebemos como presentes ou doações. Todo o dinheiro destes incentivos sempre pagam, e mal, o trabalho duro que vem acompanhado com ele. Sempre que recebemos um incentivo é para prestar um serviço à sociedade, seja com inúmeras apresentações (o dinheiro nunca veio ou vem de graça) ou com pesquisa (coisa que não é incentivada em nosso estado). O homem lida com dificuldade com o que é real mas abstrato - ele sempre preferiu os mitos e o ópio.

Quando reclamamos e pedimos mais verba para o teatro, temos que ter em mente que estamos cobrando a manutenção de um serviço social básico. Se não for assim, pensando de forma bastante racional, qual é a vantagem de se estar em cartaz num teatro convencional? Senão para prestar um serviço à sociedade em que vivemos e da qual fazemos parte? Seria muito mais lucrativo fechar apenas apresentações para empresas e instituições fechadas. Quando estamos em cartaz num teatro convencional, estamos quase que fazendo um trabalho humanitário, trabalhando de graça em prol de ideais humanos. Mas o fato de existir os MÉDICOS SEM FRONTEIRAS não faz com que deixemos de enxergar a necessidade de um sistema público de saúde bem estruturado, ou faz? O dinheiro público bem aplicado é que faz a diferença entre uma semente ideológica e a ideologia amplamente aplicada.

Comentando a matéria sobre a ocupação da FUNARTE, o tal rolandoemail@estadao.com.br disse: "Apesar do pretenso discurso socialista e comunista essa gente vive no desenvolvimento e bem estar que só o capitalismo produz". É uma pena o que a novela das oito faz com a cabeça das pessoas! É uma pena o que o regime militar ainda faz com a cabeça das pessoas! Que pena que não enxergamos que quando pedimos igualdade e divisão de renda não significa tornarmo-nos todos miseráveis, mas sim tornarmo-nos todos ricos (rico para mim significa ter qualidade de vida, não acúmulo de dinheiro). Somos ricos enquanto nação. Numa esfera global ainda somos ricos. O problema é que ainda não entendemos, enquanto espécie, algo que o Nando citou: "bem coletivo e individual". O bem que fazemos pelo coletivo sempre se torna individual, visto que o coletivo humano é composto por indivíduos. E, obviamente, sempre que crescemos individualmente influenciamos o crescimento do coletivo (isso as pessoas, principalmente os artistas, têm ainda mais dificuldade para entender), se não estivermos podres de ganância, querendo acumular aquilo que somos incapazes de gastar, é claro.

Bem... acho que é isso. Estou com sono. Obrigado pela conversa.

Boa noite!
Thiago Moura

3 - de Marcus Fidelis


Thiago,

Gostei muito do seu texto (onde vc já comenta o do Nando e o do Estadão) , e queria fazer algumas considerações.

Achei muito interessante que comentários feitos por leitores de SP a um evento realizado lá catalizassem uma
intervenção como a sua, uma das mais sinceras e consistentes que já apareceu aqui ( lembro que este fórum virtual foi
criado há cinco anos, em janeiro de 2004).

Fiquei sensibilizado por suas palavras porque conheço você e sei que o que vc diz não é exercício retórico, mas é o que você
viveu e vive.Fiquei animado ao ver a consciência política que as impregna, a clareza com que você coloca coisas fundamentais sobre o
poder.

Queria fazer um complemento: além do dinheiro público ser do povo, aí incluídos os artistas, o próprio poder deveria ser exercido
em seu nome, já que é ele o seu titular, embora saibamos que no Brasil, em especial em Goiás e mais ainda em Goiânia, não é bem assim.

Acrescento que isso não é teoria, é muito concreto, porque o seu oposto é a visão patrimonialista - de que o patrimônio público está
à disposição de quem está no governo para gastar com seu grupo, beneficiando-o e cacifando-se assim para permanecer no poder
indefinidamente, enriquecendo muita gente, uns mais, outros menos.

Esta é a nossa história, esta é nossa realidade. Um exemplo, na cultura: o último escândalo, o dos Pontos de Cultura, onde
pela enésima vez as mesmas entidades eram descaradamente beneficiadas. As mesmas cujos integrantes têm sido premiados com a publicação de suas obras, usando recursos do Fundo de Apoio à Cultura, enquanto as bibliotecas do município não recebem um centavo para melhorar suas condições ou adquirir acervo, o que beneficiaria a toda a população. Acho que o nosso sistema de bibliotecas públicas deve ser o pior entre todas as capitais do país, apesar de recentemente termos tido dois professores universitários como prefeitos ( um filósofo e um sociólogo) e um terceiro que se alcunhava professor, para não ficarmos só na situação atual .

Mas como romper com isso? Não é bricadeira, né?! Mas é precisamente aí que fico animado em ver esta discussão, a ponto de fazer essas considerações.
Porque quem vai poder mudar isso são as próprias pessoas, adquirindo esta consciência que você demonstra.

Consciência que é também coletiva, o que é mais empolgante, e está clara no que a FETEG representa hoje. Veja o contraste entre a atuação e a situação da entidade representativa do teatro e essas outras mencionadas acima. A estatura moral e ética que a entidade adquiriu em relação às de outras áreas. O respeito que adquiriu por não de curvar nem se vender ( basta olhar a placa de inauguração do Martim Cererê, afixada na entrada de um dos teatros, onde constam a Feteg e essas outras citadas acima e ver onde estão uma e as outras hoje). Isso porque entidades servem para isso: para que cada associado possa continuar na sua labuta diária enquanto os interesses maiores, coletivos, possam ser defendidos de forma impessoal, enquanto não superamos o patrimonialismo e o autoritarismo.

Em relação ao movimento de SP e nacional, acho que aqui a coisa vai muito melhor, porque ao invés de ir na jogada do poder, que tentou dividir o teatro para facilitar seu trabalho (Agepel, que tentou criar antagonismo FórumXFETEG e Secult, que criou a Proscênica), o que está acontecendo, me parece, é uma aglutinação e consciência cada vez maiores, um processo de amadurecimento e educação democrática. No movimento nacional, pelo contrário, o redemoinho, que tinha tudo para finalmente criar uma representação nacional para o teatro, naufragou por faltar a abertura para essa unidade, para os interesses maiores.

Enfim, fico feliz em ver que nossos artistas do teatro estejam com essa consciência sobre o poder e disposição para continuar buscando mudar as coisas, para reivindicar seus direitos, apesar de todas as dificuldades. Esse parece ser o único caminho, não?

Um grande abraço,

Marcus

quinta-feira, setembro 18, 2008

FANTASMINHA CAMARADA

O bom de Goiânia é que as pessoas são apaixonadas, com esse modo meio sertanejo de ser, diria que até mesmo brega chique, daqueles que choram lagrimas infinitas, agradecidos aos galhos ornamentais distribuídos com muita generosidade musical.

Goiânia é uma cidade que quer ser metrópole, metida a ser melhor em tudo, doce ilusão. Há 20 anos era uma outra cidade, e hoje, decadente assiste impassível a morte de seus jovens nas mãos de grupos de extermínio, transporte urbano e um trânsito que não fica devendo nada para as verdadeiras metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro, todavia, está muito mais para Duque de Caxias e o Bairro Centenário. Se não tem Funk, tem CarnaGoiânia, quer mais ou já está bão?

Mas vamos a coisas mais amenas... No post anterior comentei sobre o novo verbete do Aurélio “Deolindar” e imaginem que o autor do texto que propõe o novo verbete é um FANTASMINHA CAMARADA da SECULT. Uma pena, por que estava levando a sério a proposta do novo verbete.

Devo dizer em defesa do Fantasminha que em 24 anos de serviço público, quando assumi a nobre função de Restauradora do Museu de Arte de Goiânia, por concurso público, diga-se de passagem, o dito cujo Fantasminha Camarada já ali estava, membro do Conselho Municipal de Cultura e já se noticiava a sua nobre participação no famoso chá da 17 horas do Conselho Municipal de Cultura. Já nessa época, a pena esferográfica do Fantasminha Camarada já prestava os seus serviços de lambe saco e afaga egos.

Essa que é a verdadeira profissão do escritor Fantasminha Camarada goianiense.

Para o deleite de alguns e a ira de outras, abaixo na íntegra a ótima declaração de voto e apreço pelo Fantasminha Camarada do escritor, cineasta, multimídia PX Silveira. E claro, depois a declaração apaixonada do Fantasminha Camarada “PX, brilho de purpurina” que gerou toda essa celeuma.

Eh, mundão, nada supera Goiânia!

http://www.dm.com.br/impresso/7622/opiniao/49807,mais_um_motivo_para_votar_em_iris_rezende
Mais um motivo para votar em Íris Rezende

Px da SilveiraPX Silveira é executivo do Instituto Arte Cidadania

A gente anda tão desacostumado com o trato da coisa pública pelos homens ditos públicos que, quando surge alguém fazendo as coisas como deve ser, tecemos elogios e ficamos agradecidos.

Dando graças a deus, esquecemos que trabalhar não é virtude do gestor político, mas seu dever.Sou daqueles que acreditam que só pode ser um representante do povo quem por ele deseja e consegue trabalhar.

Do contrário, o melhor é o tal representante arrumar a trouxa e ir para casa.É por isso que temos vários motivos para votar em Iris Rezende. Mas bem que poderíamos ter mais um, que a gente sempre almeja por mais e queremos sempre ver as coisas melhorando. A começar pelo quintal da cultura, essa área de formadores de opinião que tanto podem fazer pela sociedade.Eu votaria ainda mais em Iris Rezende se ele assumisse o compromisso de acabar de vez com os funcionários-fantasmas na Secretaria Municipal da Cultura que, como muita gente sabe mas não diz, está repleta deles. Sei que não haverá de ser somente na pasta da Cultura que grassam estes tipos daninhos, mas me parece que lá a coisa é mais descarada, passa dos limites do aceitável; pois no poder público municipal ou estadual, em geral, um fantasminha aqui ou ali é coisa dada como natural.

Sei também que não é uma boa hora para falar de funcionários-fantasmas. Nesta altura do calendário político, tem muita gente que se livra do trabalho para bater pé em busca do eleitor, com o beneplácito do chefe, que até incentiva esse tipo de fantasmagoria, desde que seja partidária ou, como também acontece na cultura municipal, em benefício próprio, quando este se candidata.

Falemos então dos fantasmas permanentes, não dos sazonais, mas daqueles do ano inteiro. Podemos falar muito e sem esforço algum destes senhores que sabem se esgueirar como o vento, amantes do contracheque integral no fim do mês.Foi pela seção de cartas deste jornal que chegou-me a informação de que na Secretaria Municipal de Cultura tem fantasma graúdo.

A coisa chegou a tal ponto que lá têm fantasmas tratados em regime de engorda, barrigudos como carrapatos atrás da orelha do animal, onde (quase) nenhum movimento os fazem sair de onde estão. Já é fantasma de carreira, contabilizado no plano de cargos e salários com rendimentos papáveis e reais que lhe são tributados todo mês, incorporando a seu bolso leviano todos os benefícios decorrentes do anos e anos que tem assombrado aquela casa da cultura.É, na verdade, um fantasma brasileiro, feliz e poeta no seu ofício de ser bonachão com os recursos do povo que se lhe encorpam as banhas.

Um retrato desse, emoldurado na parede que separa o povo das alcovas, torna amargo o gosto da fé pública. É uma praga que medra na amizade com seus chefes e que se agarra indefinidamente aos muros internos daquela casa que deveria servir de exemplo para todas as outras.

Mais que um dano municipal, a fantasmagoria pública é um passo falso da nação, dando razão a Mário de Andrade, que bem declarava já na década de 40, que são eles, os funcionários públicos fantasmas, “as saúvas do Brasil”. E até hoje, mesmo com formicidas mais eficientes, ainda estamos à mercê desta pouca vergonha, muita vezes cometidas por pessoas próximas a nós.

Para se ter uma idéia do que são e podem esses senhores da neblina, tem desses que, com os proventos de suas fantasmices, fincaram pensão nas praias nordestinas. E que, para completar, fazem tão pouco caso do suor do contribuinte que recebem duplamente da mesma fonte pública pagadora: uma vez por ser fantasma de direto adquirido (sic), e outra por ser membro do conselho da mesma pasta, recebendo jetons por suas reuniões.

É claro, fantasma que se preza não pode nunca deixar de receber os seus, sem dar nada em troca, mesmo quando tem seus livros de poesia pagos e publicados pela mesma casa-da-mãe-joana cultural, que seus escritos, infelizmente, nada têm a nos acrescentar.

E o secretário municipal de Cultura, tirando ouro do nariz, faz vista grossa a essa situação. Não somente este atual secretário, que é preposto do anterior, mas também o anterior, que deu a senha e o exemplo ora seguido por este, em respeito à alta insignificância do fantasma contemplado.Será que uma coisa dessas, mesmo já incorporada ao dia a dia, não tem jeito de ser combatida e eliminada? De qualquer maneira, meu voto vai para o Iris Rezende, que sei que não tolera coisas assim. Sei que se ele ainda não deu um basta a essa situação, foi por não ter conhecimento do fato.

O Iris jamais se omitiria em assuntos assim, porque não tem medo sequer de viventes. Cá entre nós, dói mesmo é saber que essa praga medra na cabeça dos ditos intelectuais citadinos, que, ao menos teoricamente, são os que deveriam zelar pela ética na sociedade. Ou não?


http://www.revistabula.com/colunas/546/PX-brilho-de-purpurina
PX, brilho de purpurina

Por Brasigois Felício (Fantasminha Camarada)

Por que há de ser sempre o hospital das letras, das artes e da cultura uma fogueira de vaidades? Que espécie de praga mental faz que existam coronéis da cultura nas metrópoles e mais ainda nas províncias que não são mais do que fazendas asfaltadas?

Tais perguntas surgem-me à mente a propósito da doença infantil do intelectualismo, que faz certos autodenominados multimídias atirarem com metralhadora giratória para todos os lados, sem a pretensão de acertar, ou fazer coisa com coisa, apenas fazer barulho, assim passando a idéia de que são muito importantes e produtivos.

Tais são as personalidades in-culturais da boianidade, que não precisam produzir coisa alguma prestante, para serem conhecidas como celebridades com direito a dar pitaco em tudo quanto é assunto. Pois é sabido que há certas consagradas personas, das artes e das letras que já nasceram galardoadas com substanciosos currículos.

Nossa tórrida terrinha anhanguerina é pródiga tanto nos piolhos e Jorginhos do Pequi da vida, quanto abunda (e prejudica) em personas que se posicionam (por direito de nascimento) como capitães donatários de feudos no campo das artes e da cultura. Apoiados nos feitos de parentes próximos ou remotos, à sombra da familiocracia de que são herdeiros jactanciosos e diletos, julgam-se com direito divino de atropelar quem quer que, mesmo com méritos, venha ofuscar seu brilho de purpurina.

É a velha tradição brasileira de atropelar leis e arrostar autoridades, com a pompa e a circunstância de quem, em face de qualquer contrariedade, apelam para o clássico: "Sabe com quem você está falando?". Há muito em manjo o oportunismo sanguessuga destes que vivem a parasitar as falácias e feitos de seus avoengos. Isto quando não vêm os gênios do GE, a marcar e demarcar espaços de poder no arraial das letras, onde mandam e desmandam.

O fato de terem ocupado carguinhos ou cargões de mando (mesmo lá não tendo feito nada que aproveitável, a não ser locupletarem-se de benesses e favores, estendidas a seus grupelhos de apaniguados) faz que andem de nariz empinado, a pensar que podem mandar chover e ventar nas instituições culturais. Não raramente, instituções culturais particulares ou públicas são palcos de episódios deploráveis, com capitães donatários a posar de "donos do pedaço".

A propósito, vem o "multimídia" PX da Silveira, de parca produção artística, com alegre leviandade (e quem sabe se movido por interesses inconfessáveis) fazendo uso de sua metralhadora giratória, em campanha mesquinha contra autoridades da cultura que até há pouco tempo apoiava com entusiasmo. Mudaram estas pessoas, ou mudou o multimídia, sempre visto em articulações abaixo de qualquer suspeita, ora lançando intempestivas chapas fofoqueiras à sucessão, por exemplo, da Ube-go.

Ou, "deolindando" de vez, como bobinhos dos blogs, pondo-se a escrever invejosos artigos ressentidos contra Kleber Adorno, com notável folha de serviços prestados à cultura, e contra Doracino Naves, atual Secretário de Cultura. Se alguém mudou, certamente não foram Kleber Adorno ou Doracino Naves, cujo trabalho realizado em prol da cultura é largamente conhecido, o mesmo não se podendo dizer do que PX da Silveira teria feito em sua apagada passagem pela Funarte.

É triste, podendo até mesmo ser trágico, mas é inevitável dizer: o coronelismo, em Goiás, perdeu expressão na política, mas abunda e prejudica em todos os setores da cultura. O que equivale que Bóias evoluiu muito: passou do estado de sítio para o estado de fazenda asfaltada. O que não deixa de ser um avanço, em matéria de atraso e de ranço.

Os dois personagens citados pelo Fantasminha Camarada, como exemplos de folha corrida em favor da Cultura goianiense, são ambos alvos de uma "pesquisa" pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, sendo um acusado de PREVARICAÇÃO. Sobre o assunto, em breve alguns posts interessantes.

Todavia precisamos reconhecer que o PX é o PX afinal conseguiu que um jornal local - aqui a imprensa é marrom, reconhece quem lhe paga e abana o rabo com afinco esperando ser contemplada com mais um biscoitinho financiado pelo erário - publicasse seu texto.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

QUEM NÃO CHORA NÃO MAMA 3



Na última sexta-feira, o projeto Grande Hotel Revive o Choro apresentou em grande estilo a Banda Municipal de Goiânia. Uma apresentação animada e festiva no ritmo de carnaval.E a calçada e também a rua estavam lotadas de "ouvintes", de vendedores ambulantes e curiosos.
Quando o projeto começou os ambulantes chegavam, se instalavam e ofereciam aos interessados os mais diversos quitutes e croquetes, e claro, bebidas - chope, cerveja, refrigerante, água - aos interessados.

Agora, imaginem, profissionalizaram. Como em Goiás a prática de transparência no serviço público é coisa de otário, a profissionalização começou com a coordenadora do projeto e assessora de imprensa da SECULT alugando para a prefeitura palco e som, depois, de olho gordo no ganho do vendedor de chope, resolveu chutar o cara e assumir, juntamente com a família a venda do mesmo. E a Nova Schin passou ao papel de patrocinadora. A desculpa para o arranjo era o pagamento dos músicos.

Isso mesmo, o pagamento dos músicos, que por sinal ganha pipoca de microondas quem demonstrar qualquer pagamento efetuado aos músicos que se apresentam.
Resultado, a coisa acabou em uma tremenda confusão, onde o filho da coordenadora do projeto agrediu verbalmente servidores da prefeitura, sob a alegação que os barris de chopes haviam desaparecido do prédio. Boa essa, primeiro, se os barris estivessem no prédio é contra a Lei, pois é uma prédio público e segundo, com que direito um cidadão estranho ao serviço, se aboleta de dono da casa e ainda por cima se dá ao luxo de aos berros acusar os servidores de ladrões?
A desculpa do pagamento dos músicos não cola e ainda fica muito estranho a prática de "cartel" na venda da cerveja. Os ambulantes para venderem o produto precisam vender ao preço básico de R$2.50. A prática de qualquer outro preço para o produto é punida com o afastamento imediato do vendedor , que agora atua uniformizado e pelo que entendi, ao final, ainda devem pagar a "propina básica".

Todos sabemos que vivemos em mundo capitalista, mas, vamos lá, Goiânia, capital do cerrado, a roça asfaltada, só conseque assimilar o pior do capitalismo? Será que o povo é besta mesmo? Acho que não, o que ocorre é a inversão dos valores, onde gestores públicos que deveriam dar exemplo de transparência e dignidade, optam por escolher os caminhos tortuosos do favorecimento e do cumpadrio.

Na calada, silenciosamente e sem uma notinha qualquer nos jornais locais, a coordenadora, virou ex coordenadora e seu filho, o garanhão afoito, afastado das calçadas do Grande Hotel. Mas será que isso efetivamente alterou o modo de operar da SECULT? Alguém ouviu falar em edital para escolha de empresas para administar o "bar", em edital para apresentação de grupos musicais, com pagamento dos músicos ou até mesmo, edital para escolha de patrocinador? Claro que não.

Assim como acontece no Chorinho de todas as sexta, acontece no Cine Ouro. Ganha uma latinha de cerveja quem acertar o nome de quem administra o bar local, quem lucra com a venda de bebidas, quem empregou toda a família.

Em Olinda, na polêmica dos patrocinadores e na verdade, os capitalistas da cerveja resultou em ganhos para a municipalidade, como demonstra a matéria abaixo, mas quem efetivamente trabalha e faz a festa está reclamando. Por quê?
É prefeito, o seu calcanhar de Aquiles é a SECULT. Cultura não é Adorno!


'Guerra das cervejas' atrapalha saída de bonecos
Encontro teve menos gigantes e orquestras de frevo
06/02/2008 - Angela Lacerda, OLINDA
A guerra das cervejas pelo patrocínio do carnaval olindense respingou em uma das maiores atrações da cidade, ontem: o Encontro de Bonecos Gigantes, que fez o seu 21º desfile em tamanho reduzido: 80 gigantes e três orquestras. Nos últimos anos, o encontro reuniu pelo menos 100 bonecos, acompanhados por quatro orquestras de frevo.“Enfrentamos dificuldades financeiras”, afirmou o carnavalesco Silvio Botelho, responsável pela confecção de 653 bonecos nos últimos 30 anos e coordenador do encontro. Para fazer o “encontro dos sonhos”, ele calcula gasto de R$ 60 mil.Uma lei municipal de 2001 assegura exclusividade ao patrocinador oficial, proibindo a venda de qualquer outra marca de cerveja durante o carnaval. As agremiações que tiverem patrocínio de marcas concorrentes não recebem subvenção da prefeitura. O encontro de bonecos tem patrocínio da Nova Schin, que chegou a ser anunciada como patrocinadora oficial do carnaval de Olinda, mas perdeu o posto para a Ambev, com a Skol, depois que a prefeitura entrou na Justiça pedindo a realização de um leilão. Pedido concedido, a Ambev mais que dobrou sua proposta. A Nova Schin recusou-se a participar do leilão e recorreu. O processo está em andamento. De acordo com a secretária de Patrimônio de Olinda, Márcia Souto, a Ambev tem sido a patrocinadora do carnaval da cidade sem concorrência. Na festa do ano passado, investiu R$ 730 mil. Neste ano, a Nova Schin se antecipou e ofereceu R$ 1,1 milhão. Ao conseguir a realização do leilão, a prefeitura saiu lucrando, pois a Ambev ofereceu R$ 1,6 milhão. Márcia Souto se mostrou surpresa com a reclamação de Silvio Botelho quanto à dificuldade financeira. Segundo ela, a prefeitura, mesmo impedida de dar qualquer subvenção para o encontro de bonecos, fez a intermediação com o governo do Estado, que, através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, bancou o palco armado na concentração dos bonecos, no Largo do Guadalupe, e o show com o cantor Marrom Brasileiro. Alheios ao conflito, os bonecos iniciaram seu desfile por volta do meio-dia, com seus sorrisos largos e enormes braços balançando ao som do frevo.


terça-feira, janeiro 08, 2008

GATOS DO BOSQUE DE GOIÂNIA

Um belíssimo texto sobre gatos e humanidade.

"É dificil para muitos entender este mundo nosso, este planeta, como um organismo vivo. Uma bactéria intergalática. Uma gota do bico do seio da via lactea. Um vírus aquecido pelo sol. Uma piorra que alguem lançou depois do big bang e não parou de rodar até hoje.

Nós somos o suor da terra.

Nós somos quem vai levar a vida, a nossa vida, às ultimas consequências.
Aquecimento global, camada de ozônio, proteção à natureza. Cada vez mais nos damos conta de como estamos matando a nossa terra.Cada vez mais nos distanciamos dessa harmonia que nos embala e mantém a espécie humana buscando o sentido da própria existência.

Temos a fé mas é muito pouco.

Sabemos cada vez mais e sabendo mais inalamos a nossa infinita mediocridade.

Digo tudo isso porque o mundo fica em apuros toda a vez que uma bomba explode. Pessoas inocentes morrem.

Toda a vez que a gente vê dentro de nossos computadores o que estão fazendo com a nossa casa, o nosso quintal que é cada vez menor;

Qualquer dia desses vamos ser assaltados. Qualquer dia desses uma bala perdida vai nos ferir e ferir os nossos filhos.

Estamos nos dando conta da inflação. Dos índices econômicos. Sabemos mais sobre economia do que os nossos pais imaginavam saber.

Entendemos mais de saúde e de regimes, de anorexia, beleza, perfumes e roupas e moda e desfiles. Temos plena consciência de grandes e infinitos problemas dos jornais e nos esquecemos de um carinho particular. De um beijo de boa noite. De um bom dia. De um abraço. De um mero aperto de mão. Nos esquecemos dos sorrisos.
Nos esquecemos de ser tolerantes.
Nos esquecemos de nossa paciência.
Nos esquecemos de ouvir antes de falar.
Nos esquecemos de fechar a porta que abrimos e abrir a porta que fechamos. As pequenas causas. Isto mesmo. As pequenas causas de nosso dia a dia que não percebemos mais são os nossos piores momentos.

Em Goiânia o Ministério Público resolveu que os gatos de um parque da cidade deveriam ser eliminados. Liminarmente.

Um jornalista tomou para si a defesa desta atitude e ao escrever sobre o assunto comentou que as pessoas que estavam defendendo a sobrevivência dos gatos não tinham o que fazer e precisavam mesmo era de sexo. A maioria dos defensores era de mulheres. Algumas foram arrastadas pelas ruas. Dois preconceitos tardios para o século 21.

Vim falando dos peitos da via lactea para terminar com 60 gatos abandonados pelos seus donos.
Gatos não brotam do asfalto de uma cidade.

Gatos fazem parte de nossa vida como os cavalos, como os cães, como todos os animais que nos acompanham ao longo destes séculos.

Da piorra que dança até os nossos felinos não existe uma distância incomum.

Estes gatos somos nós, amanhã. Abrimos uma ferida em nosso planeta quando ameaçamos a nós mesmo com a poluição e rasgamos a nossa existencia quando tentamos retirar a vida de alguem.

Estes gatos são a bala perdida que um dia vai nos encontrar.

Precisamos não nos acostumar com esta simplificação. A carta que você está recebendo em anexo é uma lição de vida. De saturno até o prego no seu sapato. Espero que vocês entendam que nós somos o universo. O desequilibrio será a nossa destruição.

Hoje são os gatos.
Amanhã ningum vai perceber que nós mesmos estaremos sendo sacrificados porque é preciso que o parque esteja limpo.

Um abraço.
Renato Castelo
renatocastelo@yahoo.com.br "

POR QUE AMEAÇAR?

Diante dos inúmeros comentários ao material postado no blog e como autora e responsável pelo conteúdo, AFIRMO DISCORDAR E REPUDIAR, de quem usando o argumento da causa ambiental ameaça à vida de outro ser humano.

Não serão publicados comentários contendo termos chulos ou ameças a quem quer que seja.

Vivemos em um país democrático, e a liberdade de expressão é um direito constitucional, portanto, a opinião de cada um deve ser respeitada, ainda que seja discordante. A inteligência é o que nos torna parte de uma mesma humanidade, então vamos agir com mais amor e inteligência contra a brutalidade e a violência.Essas sim, nascidas da ignorância, da insensibilidade e passividade dos homens e das mulheres incapazes de compreender que somos todos passageiros de uma mesma nave.

Se agirmos com a mesma brutalidade e violência estaremos sendo iguais aqueles que acham normal, por ignorância, serem brutos e violentos.

Deolinda

quinta-feira, janeiro 03, 2008

E OS PROJETOS ?

E a saga continua... nada de projeto de educação ambiental e posse responsável, nada de campanha de castração, enfim nada de nada por parte do Poder Público.

Para não dizer que tudo se resume a ZERO, capturaram dois animais hoje e proibiram a alimentação dos gatos.

E enquanto isso ... a Operação Condor do Cerrado prossegue, ninguém assume a responsabilidade com o destino do animais, e ao que tudo indica, apenas as pessoas envolvidas como voluntárias estão preocupados em resolver o caso.

Interessante, pois a Prefeitura de Goiânia tem áreas para doar para Igrejas Protestantes, para a Maçonaria, e isso inclui recursos para manutenção, mas não dispõe de recursos e de área para resolver algo que é OBRIGAÇÃO do poder público.

E quem diria os vereadores, hem? Silêncio total e absoluto, mesmo diante do espacamento de mulheres por policiais, mesmo diante de recurso públicos sendo gastos de modo ineficiente.

Quem cuida de gatos, pelo vistoé muito mal visto, hem?

quarta-feira, janeiro 02, 2008

ZARABATANA NA CAPTURA DE GATOS?



No primeiro dia útil do ano, a AMMA – Agencia Municipal de Meio Ambiente e o Zoológico de Goiânia organizaram uma operação de guerra na selva para capturar os gatos do Bosque dos Buritis.

Desde o dia 28 de dezembro, fantasiada de Rambo, a bióloga da AMMA tenta com ajuda da PM, Batalhão Florestal e o Zoológico capturar cerca de 50 gatos. Por sua vez, indiferentes, os felinos passeiam pelo bosque, sem se importarem muito com as guloseimas que colocam nas gaiolas. Bem alimentados, e em bom estado de saúde, pouco se interessam pelo que lhes oferecido.

Diante da indiferença felina, a “bióloga” da AMMA proibiu a alimentação dos gatos, pois os mesmos estavam “cevados” e isso está atrapalhando. Claro, animais com fome realmente tornam-se predadores. É natural.


Diante do quadro, gatos zombando da cara da habilidosa e bem formada Rambo do Cerrado, algo inusitado está acontecendo: estão usando ZARABATANA para ABATER os animais. Tal procedimento “técnico” está sendo efetuado pelo Zoológico de Goiânia.

E essa operação de guerra na selva não conta com o apoio do CCZ- Goiânia, ÚNICO órgão habilitado para captura de animais abandonados.

E enquanto isso, o MP aqui especificamente falando da 15ª Promotoria, silencia, e como o general do Exercito Brasileiro, na Operação Condor, que apenas capturou e entregou, apenas RECOMENDOU a retirada dos animais. A forma e os meios, e o destino final desses animais, inocentemente, não são problemas da PROMOTORA.

Sinceramente, será que vale a pena continuar a protestar? Capturar GATOS com ZARABATANA já demonstra a qualificação tanto da “bióloga”, quanto do Zoológico de Goiânia. Ou será que estamos falando de TIGRES, LEÕES, ONÇAS? Antes quando acusaram os gatos de “limpar “ o Bosque dos Buritis das carcaças dos macacos, teoricamente, vítimas da febre amarela, eu imaginei, sem entender muito de gatos, que estivessem falando de HIENAS E URUBUS.


Mas ZARABATANA? Tenha paciência, definitivamente, só mesmo ambientalista de província mesmo!

Mais um dia na saga para salvar a pele dos Gatos do Bosque e até agora NADA de projeto de educação ambiental e de posse responsável, RECOMENDAÇÃO do MP.


Absurdo e configura MAUS TRATOS privar os GATOS de alimentação e mais ainda, é evidente que com o uso de ZARABATANA, cuja a ponta contem anestésico, os animais poderão sofrer um choque vindo a ter morte súbita. E esse é o motivo pelo qual o CCZ utiliza GAIOLAS. Privar de alimentação e capturar de forma inadequada está tipificado na LEI COMO CRIME.

É isso que o MP- GO pretende? Maltratar os animais? Que sejam mortos com ZARABATANAS? Por que transmitir FEBRE AMARELA qualquer criança de colo sabe que os GATOS não transmitem, assim como também não comem carcaça de animais mortos. A menos que estejamos falando de outro tipo de felino!

Absurdo!!!

terça-feira, janeiro 01, 2008

GATOS DO BOSQUE X MASP X CONDOR



Nos últimos dias a polêmica instalou-se, matar ou não matar os gatos do Bosque dos Buritis? Acompanhei tudo que a imprensa local escreveu, as cartas e até o discurso no estilo machista de boteco do Nilson Gomes, colunista do Armazém Geral do jornal HOJE.

O blog recebeu centenas de visitas e muitos comentaram o assunto, se posicionaram, ofereceram ajuda.

Hoje é o primeiro dia do ano de 2008, imagino que hoje as cabeças estejam mais frescas, e até pela data, o desejo de paz e amor deve se sobrepor.

Em reunião no MP/ GO no dia 28/12, com a coordenadora do CAO-Meio Ambiente, Drª Miryam Belle Moraes da Silva, ouvimos palavras de alento, uma postura de defesa da vida e das garantias constitucionais. Diante dos acontecimentos de véspera, envolvendo a captura dos Gatos do Bosque e violência policial empenhou-se para que fossemos recebidos pela promotora Dra. Marta Moriya Loyola substituta na 15ª Promotoria e autora da recomendação de retirada imediata dos animais.

Antes de relatar sobre a reunião, creio que seja pertinente relembrar algumas pessoas. Uma delas é o Dr. Sulivam Silvestre Oliveira, um jovem inteligente que em Goiás qualificou a posição do MP em defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural. E Dr. Juliano de Barros, titular da 15ª Promotoria, este, também um jovem promotor, que lapidou a sua postura em defesa do Patrimônio Cultural nas inúmeras lutas que travou para preservação da cidade de Goiás. Por que a lembrança? Um deles, infelizmente foi vítima de um desastre aéreo e o outro, dedica-se atualmente as tarefas administrativas do MP.

Dr.Sulivam em 1993 empenho-se na luta pela preservação do mural “O SONHO DE DOM BOSCO”, os originais, que foram demolidos a mando do secretário de cultura na época e atual, KLEBER BRANQUINHO ADORNO. Essa foi a primeira ação concreta do MP em Goiânia em defesa do patrimônio cultural.

Dr. Juliano de Barros em 2003 promoveu a primeira reunião em defesa do MUSEU DE ARTE DE GOIÂNIA, nesta ocasião, um secretário de cultura, oriundo do PV, condenou o prédio do MAG a demolição. Com um discurso flamejante afirmava que demoliria o prédio. Não demoliu e ainda descobriu que MUSEU em Goiânia tem valor ZERO para o poder público.

Após o afastamento do Dr. Juliano de Barros, a 15ª Promotoria ficou aos cuidados da Drª Marta Morya Loyola que passou a acompanhar tanto a problemática do MAG quanto a dos Gatos do Bosque. Entretanto, diferente do titular, a substituta, sempre se postou ao lado do poder público, tanto em um caso quanto no outro. Em setembro de 2005, questionei a postura da promotoria em aceitar sem discussão ou subsidio técnico as opiniões e palpites do secretário municipal de cultura. “...a primeira tentativa de proteção do patrimônio cultural da cidade de Goiânia, por parte do MP foi burlada pela ação desse mesmo cidadão que afirma que não existem motivos ou obstáculos na convivência entre Museu e CLA. O Museu de Arte de Goiânia abriga no seu interior o maior patrimônio artístico produzido no Estado de Goiás e deve ser protegido, inclusive da ignorância cultural do secretário de cultura. ... tem primado por ouvir e atender os técnicos e associações da área ambiental use do mesmo critério, ouvindo os técnicos da área cultural, e a AAMAG. A opinião do Sr. Kleber Branquinho Adorno, mesmo sendo o atual secretário de Cultura, nada mais é que a afirmação do poder público se qualquer subsidio técnico” (MOREIRA,2005)

Como sabem, o MAG tem sua sede no interior do Bosque dos Buritis e sua administração é feita por um FALSO diretor Antônio da Mata, que tornou o espaço público em local de negociação de compra e venda de obras de arte, como amplamente divulgado nos jornais locais. Qual foi a ação da 15ª Promotoria a respeito? Nenhuma. O acervo do MAG é patrimônio cultural de Goiânia.

Mas voltemos à polêmica dos gatos. Na véspera, no auge da confusão e do espancamento de mulheres pelos PM-GO presentes ao ato, diversas pessoas tentaram contatar a 15ª Promotoria que se recusou a atender os telefonemas. No dia seguinte, através da Drª Miriam, a Drª Marta aceitou receber as pessoas que buscavam garantir a vida dos animais capturados. A reunião foi pacífica e a Associação de Protetores buscava garantir a vida dos animais, o direito a alimentação e ainda o direito constitucional de ir e vir do cidadão.

A promotora em nenhum momento demonstrou preocupação com a vida dos animais, deixando claro que retirados e entregues ao CCZ, vivos ou mortos, não era problema da promotoria. E determinado ponto, quando insistentemente pedíamos que ela elaborasse um documento onde garantiria o direito a alimentação dos animais remanescentes, o que seria feito pela mesma pessoa que há mais de 10 anos cuida dos animais, taxou de BADERNEIROS os manifestantes. Ao protestar contra tal “qualificação” fui convidada gentilmente a me retirar da sala. Obedeci prontamente.

Goiânia é uma cidade curiosa, ela difere de Anápolis, por exemplo, pelo seu ar pseudo cosmopolita, mas o qual é mesmo a origem dos moradores? Na zona rural é muito comum que filhotes de gatos e mesmo de outros animais sejam jogados depois de colocados em sacos, em córregos ou rios. É o meio de controle de natalidade que praticam, considerando que não existe a prática de castração dos animais domésticos – cães e gatos.

Na cidade, cosmopolita como gostaria de ser Goiânia, o comum são as pessoas que se desgostam dos animais e os soltam nas ruas, e em se tratando de gatos, nas áreas verdes. E não é um fenômeno local, existem relatos do mesmo problema em vários lugares. O que difere é a forma de resolver . Por exemplo, os gatos de Veneza na Itália são famosos e tornaram-se curiosidade turística. Em São Paulo e no Rio de Janeiro o CCZ não recolhe e extermina animais sadios, e adota uma política de identificação, vacinação e castração, reconhecendo ainda que mesmo em logradouros públicos, os animais dispõem de uma comunidade que cuida deles. Uma pesquisa simples no GOOGLE resulta em respostas bem interessantes, além de muito material sobre o assunto.

E tudo é uma questão postura e de opção.

Na Operação CONDOR, um juiz italiano determinou a prisão dos envolvidos na ação de repressão ao crime de opinião na década de 70 em toda a América Latina. O jornal O ESTADO DE SÃO PAULO http://txt.estado.com.br/editorias/2008/01/01/pol-1.93.11.20080101.6.1.xml informa que o Exercito Brasileiro poderá vir a ser acusado, pois um general garantiu que houve participação sim, mas que apenas prendiam e entregavam os cidadãos capturados e que posteriormente acabaram sendo torturados e mortos.
“A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso.” Palavras do general da reserva Agnaldo Del Nero Augusto, das quais discorda frontalmente Brito, presidente nacional da OAB “É preciso esclarecer se aqueles que participaram da operação tinham conhecimento do que aconteceria aos aprisionados, pois não se pode esquecer que é plenamente punível todos aqueles que se associaram para praticar um crime”.
A Operação Condor voltou à tona após a Justiça italiana pedir há cindo dias a prisão de 146 sul-americano, entre eles 13 brasileiros, pelo aprisionamento no Brasil de 2 ítalo-argentinos em 1980. Os dois foram enviados à Argentina e depois desapareceram. Para ler a matéria na íntegra é só clicar no link.


Também o ESTADO DE SÃO PAULO noticia que o MASP está sendo submetido a uma auditoria por técnicos do MP/SP e que esgotadas as possibilidades de resolver o impasse da aparente más gestão do acervo cultural do museu, poderá sim, haver uma intervenção no Museu por parte do MP. E tudo isso deve-se ao roubo de duas importantes obras de arte, patrimônio cultural brasileiro.


“Sem acordo entre Estado e Masp, MP pode intervir
Ministério Público, que convocou reunião, pode pedir abertura de ação civil pública e só aguarda perícia sobre a situação financeira do museu “ Para ler na íntegra basta seguir o link:
http://txt.estado.com.br/editorias/2007/12/29/cid-1.93.3.20071229.18.1.xml

No site da Policia Militar de Goiás uma interessante matéria sobre o ENCONTRO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS e afirma que grande parte das reivindicações visa coibir a violência policial.

“Comissão busca coibir violência policial
http://www.pm.go.gov.br/2007/index.php?i=libs/onoticiap&id=14069&idtipo_noticia=20
Participantes do Encontro Nacional de Direitos Humanos, encerrado na última Segunda-feira (01), aprovaram um documento final e 18 moções em que cobram medidas para dar efetividade aos direitos básicos da pessoa humana. Grande parte das reivindicações visa a coibir a violência policial.
No documento final do encontro, declara-se que o Plano Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), lançado pelo governo federal no mês passado com provisões para combate à violência que chegarão a R$ 4,8 bilhões, “contém avanços em relação aos planos anteriores para o setor, mas ainda preserva a concepção tradicional do papel das polícias, de ação repressiva dirigida aos grupos vulneráveis, em detrimento da defesa de direitos”.
Na linha dos debates que dominaram o último dia do encontro, Couto afirmou que a polícia não deve existir para defender apenas o patrimônio e as autoridades. “Ela precisa dar garantia de que cidadãos e cidadãs vão exercer seu direito de ir e vir sem serem molestados”, avaliou.
Pedro Wilson afirmou que o filme Tropa de Elite, recentemente lançado, reflete bem a realidade da atuação da polícia hoje no Brasil. “Ela ocupa, espanta e mata”, disse. “A população é inimiga até que se prove o contrário”, afirmou. “ Para ler na íntegra siga o link.


Por que será que passamos dos Gatos do Bosque para a Operação Condor, MASP e Comissão de Direitos Humanos?


Estamos todos enredados na mesma teia composta basicamente de crimes contra a humanidade, contra a dignidade, contra a vida e a impunidade. O crime seja ele violento ou de colarinho tornou-se a normalidade, a indiferença e a passividade é geral.

A bestialidade manifestada fortemente pelos policiais presentes ao ato pacífico, que espancou mulheres, e chega ao ridículo de acusar a presidente de uma das entidades presentes de feri-lo, o PM estava “arranhado”. Dá para imaginar uma mulher de 1.50 m, de salto alto, ferindo um PM de 1.90m, com colete a prova de balas e armado?


O que faltou? Diálogo, respeito ao cidadão, a vida.


A 15ª Promotoria esqueceu-se de um preceito básico: o direito ao contraditório. Os Gatos do Bosque são animais que estão em áreas públicas, mas pessoas e entidades cuidam, e no mínimo, antes de RECOMENDAR a retirada imediata dos animais, DEVERIA POR OBRIGAÇÃO comunicar por escrito as entidades e pessoas envolvidas.


Errou ainda ao não se certificar que os animais capturados teriam condições de permanecer no CCZ – Goiânia, simplesmente condenou-os a morte.Igual ao general do Exercito Brasileiro na Operação Condor: “a gente só prendia e entregava.”


E para saber quais as condições de manutenção de 60 animais no CCZ – Goiânia bastaria ler o artigo “PREFEITO INAUGURA AMANHÃ NOVO CENTRO DE ZOONOSES publicado no site da Prefeitura de Goiânia em 27/08/2007 - 16:27h.
Eis a descrição do CCZ:
A nova sede tem 10 mil m² e é composta por 7 blocos (veja a seguir) e 1 curral.
1) Bloco Técnico – administrativo:
Composto por sala de técnicos, refeitório, sala de reuniões, cozinha e dependências do Disk – Dengue (0800 – 646 – 1520);
2) Bloco de Operação de Campo:
Com o departamento de Inseticida, raticida, larvicida e suprimentos;
3) Bloco de Canil:
Composto pela sala de liberação de animais, 12 baias para cães (6 para machos e 6 para fêmeas), plataforma de desembarque de animais, setor de adoção de animais, sala de vacinas, setor de isolamento, gatil, sala de veterinária, sala de cirurgia, sala de esterilização, sala de eutanásia, necrotério, sala de depósito de ração e depósito de materiais de limpeza;
4) Bloco de Auditório:
Com auditório para 60 pessoas, setor de transporte e o SISFAD (Sistema de Informação das Fichas de Atendimento Domiciliar da Dengue);
5) Setor de Lavajato e Borracharia:
6) Baias de Equinos (com dois currais para cerca de 50 equinos e dois para bovinos)
7) Recintos de Aves:
8) Bloco de Suínos (com 8 baias para suínos).
A matéria pode ser lida na íntegra no link http://www.goiania.go.gov.br/sistemas/snger/asp/snger01010r1.asp?varDt_Noticia=27/08/2007&varHr_Noticia=16:27

Como dá para perceber não existem acomodações para GATOS.

Erra a AMMA em usar de truculência para resolver o problema de se ver impedida, PACIFICAMENTE, de capturar animais sadios, castrados, vacinados e vermifugados, e encaminha-los ao CCZ para serem mortos. Erra ainda ao levar pânico a população ao sugerir que GATOS transmitem FEBRE AMARELA.

E erra mais gravemente ao apressar-se para executar como ORDEM uma RECOMENDAÇÃO, sem apresentar a contrapartida à sociedade, PROJETO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E POSSE RESPONSÁVEL. Promove a matança de animais sadios e ignora que outros serão abandonados, pelo total AUSÊNCIA de ações positivas do Poder Público no sentido de PUNIR quem comete o crime de abandonar animais nas ruas.

ACERTA o CCZ – Goiânia em entregar os animais para as entidades protetoras e também em garantir que nenhum dos animais capturados serão exterminados, como gostariam a AMMA e a 15ª Promotoria.
Como disse antes, tudo é questão de postura e de opção. O MP em todo o Brasil vem dando exemplos de ações positivas, que incluem essa de GATOS em áreas verdes. Gatos são animais domésticos, em parte sim, são os mais independentes, e são antes de tudo animais urbanos, e possuem todo o direito de habitar um parque urbano.


E no caso do Bosque dos Buritis, um parque urbano que de um dia para o outro virou UNIDADE DE CONSERVAÇÃO, uai, perguntar não ofende, as obras lá dentro, as construções, os parquinhos e outros “inhos” podem em unidade de conservação? Francamente!


O jornalista Nilson Gomes cometeu o deslize de afirmar que estava tudo certo, coitado, mesmo se retratando, o povo ainda quer dar a ele o mesmo destino dos GATOS. Gaiola e o CCZ e logo em seguida a camara de gás – método de extermínio mais popular do CCZ. Saio em defesa do jornalista, o que expressou foi o lugar comum, não se percebe que qualquer vida que tiramos é uma vida. Toda vida é preciosa, dos gatos de quatro patas aos de duas. O que precisamos é garantir um mundo melhor para todos e para isso é fundamental o respeito a VIDA.


E me atrevo a parabenizar o jornalista Nilson Gomes, ao publicar as “asneiras”- não quero dizer que seja um asno – mas sim que escreveu bobagens sem fundamento, provocou nas pessoas a indignação necessária e forçou as manifestações de protesto. Todavia, seria louvável que essa indignação e as manifestações fossem direcionadas ao presidente da AMMA, ao Prefeito de Goiânia, ao MP na figura do Procurador Geral de Justiça.


Recomendo aos interessados que visitem as seguintes páginas:



quinta-feira, dezembro 27, 2007

GATOS DO BOSQUE E VIOLÊNCIA POLICIAL

Hoje o jornal O POPULAR noticiou que os gatos do Bosque dos Buritis serão encaminhados ao Centro de Zoonoses.

Durante a tarde de hoje a bióloga Marize Moreira, gerente de Proteção e Manejo da Fauna Silvestre da Amma resolveu retirar os gatos do bosque na marra e para isso acionou duas viaturas da Polícia Militar de Goiás.

Apoiada no Ofício Nº 268/2007- 15ªPJ que RECOMENDA ..." que promova a imediata retirada de todos os gatos que encontram no interior da unidade de conservação do Bosque dos Buritis e promova a sua remoção para o Centro de Controle de Zoonoses desse município para que sejam disponibilizados para adoção."
RECOMENDA, "outrossim, ...inicie imediatamente um projeto de educação ambiental acerca de posse responsável de animais domésticos e adote outras medidas a fim de coibir o abandono de animais domésticos na unidade de conservação".

Interessante, o MP RECOMENDA e sem ordem expressa do presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente, a biologa responsável acionou duas viaturas para coibir as manifestações de protestos contra a captura dos animais.

Seis policiais militares partiram para cima das pessoas presentes, mulheres em sua maioria, sendo uma delas atacada brutalmente. O tenente que comandou a operação manteve a sua identificação funcional durante toda a operação, oculta por um coleta a prova de balas. E além deles, da brutalidade e bestialidade com que agiram, nenhum do presentes portava armas.

Situação absurda e medieval. De que serve ao Prefeito Iris investir em propaganda para melhorar sua imagem, quando algo tão simples de ser solucionado, termina em pancadaria e bestialidade, graças ao autoritarismo de uma servidora pública que se apressou em providenciar o EXTERMINIO SUMÁRIO dos animais, esquecendo-se porém de apresentar o projeto de educação ambiental, que viria quem sabe representar a ÚNICA ação do poder público para resolver um problema grave em Goiânia: o abandono de animais.

Os coronéis hoje usam saia. E os PMs-GO se portaram de uma forma que envergonhou toda a corporação: espancaram mulheres e pior, com evidente prazer.

A história terminou no 1ºDP no Centro, com denúncia na Corregedoria da PM e na Delegacia da Mulher.

E amanhã prossegue na Corregedoria do MP.

Essa é a Goiânia de hoje, por fora bela viola por dentro pão bolorento. E muito asfalto e obras monumentais. Será já a campanha de 2010?

Que Deus nos proteja!


"Gatos do parque serão capturados
Retirada de 60 felinos, entre adultos e filhotes, será feita atendendo a recomendação do Ministério Público, que argumentou questão de saúde pública
Por Carla Borges
O Departamento de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) vão fazer a retirada de cerca de 60 gatos , que vivem no Bosque dos Buritis, na divisa dos Setores Oeste e Central, que está fechado para reforma desde meados de julho deste ano. A remoção dos animais, que está sendo planejada e deve acontecer a partir de segunda-feira, atende a recomendação da promotora de justiça Marta Moriya Loyola, em substituição no Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público (MP) estadual. Ela pediu urgência na retirada dos felinos do parque, principalmente diante das mortes de macacos associadas à febre amarela. No Bosque dos Buritis, os gatos atacam, matam e comem macacos e micos.“É uma questão de saúde pública, principalmente diante dessa ameaça de febre amarela. As mortes de macacos são o alerta, mas aqui no Bosque dos Buritis esse controle está prejudicado”, explica a bióloga Marize Moreira, gerente de Proteção e Manejo da Fauna Silvestre da Amma. O diretor do Departamento de Zoonoses, Geraldo Edson Rosa, destaca que os animais serão colocados para adoção e ficarão aguardando interessados. “Se alguns não forem adotados, pediremos orientação do MP sobre o que fazer com eles, mas a retirada daqui será feita de imediato”, garantiu o diretor ao POPULAR.
Nativo
O presidente da Amma, Clarismino Luiz Pereira Júnior, lembra que o parque tem de ser utilizado para a biodiversidade nativa. “Aqui não é lugar de animais domésticos”, observa. Apesar de serem alimentados por pessoas que freqüentam o parque – funcionários contam de uma idosa que gasta cerca de 600 reais em rações –, os gatos não são propriamente domésticos. É o que indica o relatório de vistoria técnica da Amma, um dos documentos que serviram de base para a recomendação da promotora Marta Moriya. Segundo os técnicos, “a maioria dos indivíduos apresenta estado semi-selvagem, impossibilitando qualquer atividade de controle sanitário, como vacinação e vermifugação, apresentando risco de transmissão de doenças para a população visitante do parque”.A promotora lembra ainda “o incansável esforço da Sociedade Protetora dos Animais”, que tentou controlar a proliferação dos felinos no Bosque dos Buritis, com cadastramento e vacinação, que “restou infrutífero”, já que no início havia cerca de 35 animais e a última contagem da Amma revelou que eles são pelo menos 60. Segundo os técnicos, os gatos também estão desnutridos e com lesões características de sarna. Além disso, os vasilhames usados pelos visitantes para servir comida são fonte de nutrientes para insetos responsáveis pela veiculação de parasitas, na forma de vermes e protozoários, e de bactérias, como Ancilostoma, Toxoplasma gondii e Salmonella, respectivamente responsáveis por enfermidades zoonóticas como o bicho-geográfico, toxoplasmose e gastroenterites. Geraldo Edson Rosa explica que será necessário um planejamento antes da retirada dos gatos por se tratar de uma caso incomum."
Fonte: http://goiasnet.globo.com/diversidade/com_report.php?IDP=21383

PASMEM
A propósito da matéria não ficou claro a forma de transmissão da FEBRE AMARELA pelos felinos do bosque. É possível isso?
Nos últimos anos a luta pela sobrevivência dos gatos do Bosque dos Buritis chama atenção, voluntários empenham-se na compra de ração, vacinação e principalmente na castração dos animais, enquanto isso o poder público, neste caso a AMMA e o Centro de Zoonoses utilizam-se da única solução que conhecem: capturar e matar.
O Ministério Público, instituição que representa a defesa dos interesses da sociedade e em especial contra os desmandos do poder público, equivoca-se ao emitir um parecer em favor da retirada dos animais, apoiado apenas e exclusivamente nas afirmações dos técnicos da AMMA. Exige urgência na retirada, mas não parece exigir urgência em campanhas permanentes pela posse responsável. Aplaudir as ações do executivo goianiense nem sempre significa aplaudir ações que beneficiam o conjunto da sociedade, haja visto episodio recente, onde câmara técnica do plano diretor transformou-se em cabide de emprego de “aparentados” de uns e outros. E com isso, o MP esquece que há um fator cultural na sociedade goianiense que faz com que as pessoas abandonem animais nas áreas verdes, e não apenas GATOS. Isso acontecendo, em pouco tempo, novamente, o Bosque dos Buritis estará cheio de gatos, os lagos cheios de espécies exóticas.
E por quê? Onde estão as campanhas educativas? Qual o papel do poder público? Para onde estão indo os recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente tendo em vista que não se tem noticia de NENHUMA campanha permanente pela posse responsável de animais? O que fazem os veterinários do Centro de Zoonoses além de laudos de morte dos animais encaminhados a câmara de gás?
É no mínimo estranho acusar os gatos do bosque de afetar a saúde pública e transmitir febre amarela, quando se noticia que MACACOS estão morrendo contaminados, e os gatos do bosque, todos, são vacinados e vermifugados pela ação dos voluntários, sem um centavo de apoio do poder público, que se omite.
Goiânia ainda vai pagar caro, pela idéias de ambientalistas de província, que ignoram que o homem e suas “tralhas” fazem parte do mundo verde. Em todo o mundo existem parques urbanos e neles, gatos. Em muitos lugares reconhece-se que os animais não possuem donos, estão abandonados e em situação de rua, mas que existem pessoas que cuidam. É o caso do Rio de Janeiro, que através de lei, os gatos, são devidamente vermifugados, vacinados e identificados pela Prefeitura e cuidados por voluntários que alimentam. A Lei lá é conhecida como “Gatos de César”.
O sacrifício dos atuais gatos do bosque será inútil, pois diante da omissão do poder público em ações educativas permanentes, novos animais chegarão ao local e recomeçará a caçada e mortandade de animais, em perfeito estado de saúde, sem qualquer justificativa. Um absurdo.

WEBER BORGES

No FAXINA GERAL : Morre o jornalista Weber Borges. O jornalista acompanhou de perto toda a tragédia do Césio 137 em Goiânia, sendo o próprio possivelmente mais uma vítima do acidente radioativo.

http://www.faxinageral.blog-se.com.br/blog/conteudo/home.asp?pg=1&idBlog=14232&arquivo=&inicio=&fim=&mes=&ano=2006

quarta-feira, dezembro 05, 2007

3ª Conferência Municipal de Cultura Goiânia

Enfim a publicação do acórdão e agora a luta continua para fazer valer a Lei.
Processo: 200602567151
Ementa:
DUPLO GRAU DE JURISDICAO. MANDADO DE SEGURANCA.APELACAO CIVEL. PUBLICACAO DE EDITAL DE CONVOCACAO PARA CONFERENCIA PUBLICA. OFENSA AOS PRINCIPIOS DA PUBLICIDADE E ISONOMIA. VICIO INSANAVEL. NULIDADEDO ATO E INVALIDACAO DOS EFEITOS. E COROLARIO NA ADMINISTRACAO PUBLICA O RESPEITO AOS PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS DA ISONOMIA E PUBLICIDADE,PRECONIZADOS NO ART. 5, CAPUT, C/C ART. 37, CAPUT,AMBOS DA CRFB/88, CUJA INOBSERVANCIA EIVA DE VICIO INSANAVEL QUALQUER ATO ADMINISTRATIVO QUE DELES DEPENDA, O QUE GERA, POR CONSEGUINTE, SUA NULIDADE.

Decisão:
VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS,ACORDAM OS INTEGRANTES DA TERCEIRA TURMA JULGADORADA 2A CAMARA CIVEL DO EGREGIO TRIBUNAL DE JUSTICADO ESTADO DE GOIAS, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EMCONHECER DA REMESSA E DA APELACAO, E NEGAR-LHES PROVIMENTO, NOS TERMOS DO VOTO DA RELATORA.CONSTITUCIONAIS DA ISONOMIA E PUBLICIDADE,PRECONIZADOS NO ART. 5, CAPUT, C/C ART. 37, CAPUT,AMBOS DA CRFB/88, CUJA INOBSERVANCIA EIVA DE VICIO INSANAVEL QUALQUER ATO ADMINISTRATIVO QUE DELES DEPENDA, O QUE GERA, POR CONSEGUINTE, SUA NULIDADE.
Fonte: http://www.tj.go.gov.br/

quarta-feira, novembro 28, 2007

NILSON GOMES - ARMAZÉM GERAL

Sob o titulo "Fracasso" Nilson Gomes toca no ponto G do Secretário de Cultura de Goiânia. Ao realizar a 5ª Conferência de Cultura, o secretário e presidente do Conselho Municipal de Cultura reafirma seu caráter ditatorial de "vamos fazer valer" e dá com todo respeito, uma bela banana para o Tribunal de Justiça de Goiás.

Antigamente, antes do advento do arbítrio na SECULT, a sociedade tinha absoluta certeza que decisão judicial não se discute, se cumpre.

É verdade que os moinhos de vento existem, mas também é verdade que a obra ficcional de Cervantes, obra prima, qualifica aqueles ainda lutam por ideais e coloca no devido lugar os ditadores e escritores da província e os plagiadores.

"A Conferência Municipal da Cultura, ontem, foi fracasso total. De manhã, com lanche grátis, menos de 20 pessoas. À tarde, houve palestra com dois na platéia. Desrespeito com os debatedores, como Anselmo Pessoa (vice-reitor da UFG).
http://www.hojenoticia.com.br/editoria_materia.php?id=13627
Nilson Gomes – Armazém Geral "

Nada mais pertinente para esse momento da província goianiense que o poema de EDUARDO ALVES DA COSTA, escrito em Niterói, RJ, 1936.

NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criançahumildemente afaga
a imagem do herói,assim me aproximo de ti, Maiakósvki.Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombrocom um poeta soviético.Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
se o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

O despudor dos que compactuam deixa corado até Toninho Malvadeza que Deus o tenha!

quarta-feira, julho 04, 2007

Nova polêmica?

Nova polêmica

Projetos culturais inscritos na Leide Incentivo de Goiânia estão sem comissão própria de avaliação

Goiânia, 04 de julho de 2007. Por Edson Wander para o caderno MAGAZINE, jornal O POPULAR.
Venceu na semana passada o prazo dado pelo Ministério Público de Goiás para que o prefeito Iris Rezende se pronunciasse sobre a extinção da Comissão de Projetos Culturais (CPC). É que no final de março, o prefeito baixou o decreto nº 649/2007 que suprimiu todos os artigos que tratavam do funcionamento da comissão, instituída também por decreto que regulamentou a lei que criou o Conselho Municipal de Cultura, em 2003.

Na prática, o decretou acabou deixando o destino dos projetos culturais inscritos para se beneficiar da Lei de Incentivo à Cultura da capital sob a decisão do titular da Secretaria Municipal de Cultura, Kleber Adorno. O ofício nº 141/07 assinado pelo procurador Humberto Machado solicitava ao prefeito a revogação do decreto e a retomada dos artigos 2º ao 11º do decreto anterior, de nº 973/2003, que criou a comissão como uma câmara deliberativa do Conselho Municipal de Cultura.

O promotor Humberto Machado agiu provocado pela Federação de Teatro de Goiás (Feteg) e a Associação Goiana de Cinema e Vídeo (AGCV), que fizeram representação no MP para que a questão fosse resolvida. A preocupação das entidades aumenta devido ao fim do prazo de inscrições dos projetos culturais ter se encerrado há 15 dias e não haver publicidade sobre quem fará a avaliação deles. “Ficamos sabendo por terceiros que o secretário criou internamente uma comissão para avaliar os projetos, ou seja, é uma coisa que ficará à mercê dos interesses políticos dele”, acusa Norval Berbari, presidente da Feteg.

O secretário Kleber Adorno disse ao POPULAR que não responderia às críticas das entidades e informou já ter pronto um novo decreto que recria a Comissão de Projetos Culturais. “Está com o prefeito, só falta a assinatura dele para a publicação”, afirmou o secretário, dizendo que a comissão seria recriada “mantendo a participação das entidades”. O secretário justificou o decreto do prefeito como “correção de uma ilegalidade porque ele regulamentava uma lei diversa, que não dizia respeito diretamente à CPC”, disse.

Kleber Adorno, no entanto, não soube dizer quando o decreto seria publicado nem detalhou a forma de constituição da comissão. Em conversa com a reportagem pelo celular, também não soube dizer o prazo que a comissão tem para avaliar os projetos “por estar fora da secretaria”, mas garantiu que “está tudo dentro do prazo”. O prazo previsto é de 60 dias, prorrogável por mais 30.

Controvérsia
A discussão das entidades do Fórum Permanente de Cultura (integrado por entidades, produtores e artistas) de Goiânia com o secretário Kleber Adorno remonta ao início da gestão dele à frente da Secult. Em junho de 2005, o prefeito publicou um decreto que promoveu mudanças significativas na regulamentação do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), criado em 2003. Pelo novo texto, cabe ao secretário a atribuição de apreciar o mérito dos projetos oriundos do Executivo, premissa antes dada ao Conselho Municipal de Cultura.

Além disso, o decreto eliminou a proibição aos servidores públicos municipais vínculados à administração do setor cultural de concorrerem ao apoio. O FAC é um fundo constituído de recursos da administração direta formado por 0,5% da receita anual do ISS e IPTU, o que dá em torno de R$ 2 milhões em recursos destinados à ações culturais na capital.

Mas o embate mais grave veio no final de 2005, quando o fórum conseguiu na Justiça anular a realização da 3ª Conferência Municipal de Cultura sob críticas de “manipulação” na constituição dos novos membros do Conselho Municipal de Cultura. O fórum conseguiu uma liminar anulando a conferência, mas ela foi derrubada em seguida pela Secult sob alegação de que Goiânia precisava nomear representantes para participar da Conferência Nacional de Cultura. Mas o próprio Ministério da Cultura acabou invalidando a conferência para efeito de nomeação de representantes ao evento nacional. O caso aguarda pelo chamado duplo grau de jurisdição do Tribunal de Justiça de Goiás, em relatoria sob os cuidados do desembargador Zacarias Neves Coelho.Eládio Garcia Sá Teles, presidente da Associação Goiana de Cinema e Vídeo, diz que o decreto nº 649/2007, que extinguiu a Comissão de Projetos Culturais, coincide com a citação à Secult feita pelo MP. “O secretário, ao invés de responder à citação, pediu mais prazo que coincidentemente acabou no final de abril, quando fomos surpreendidos com o decreto do prefeito que extinguiu a comissão”, criticou.

A assessoria do MP disse que o promotor Humberto Machado será substituído no caso por motivos pessoais e que o novo titular tomará as medidas cabíveis para obter a resposta do prefeito.

Essa é para pensar: Qual força oculta faz com que um juiz, declare motivos pessoas para julgar, em primeira instância, o pedido de liminar proposto pela FETEG, o caso da fraude da CONFERENCIA MUNICIPAL DE CULTURA?
Será essa mesma força oculta que afasta o promotor Umberto Machado?
Será a mesma força oculta que favorece a morosidade e estranho andamento do processo em 2º Grau? Para os mais curiosos e observadores o nº do processo é 200602567151.
A polêmica não é nova, é velha, tão velha que depois de um ano que saiu a sentença de 1º grau, a mesma ainda não foi executada e tudo continua como dantes ...e pior, por que agora, a política cultural municipal "é dando que se recebe". Nem a Igreja Universal e seu bispo senador, ou senador bispo Marcelo Crivella foi tão longe.
Óleo de Peroba, nesses casos, não resolve para lustrar a cara de pau de uns e outros, e claro da força oculta também.

quarta-feira, junho 06, 2007

ANIVERSÁRIO



08 de junho é o aniversário de um ano da sentença que anula a 3ª CONFERENCIA MUNICIPAL CULTURA DE GOIANIA e também completam-se seis meses que o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, vagarosa e calmamente analisa o processo. Por que será?

domingo, maio 27, 2007

MEMÓRIA DO CÉSIO 137

Excelente entrevista no JORNAL OPÇÃO sobre o acidente radioativo de Goiânia.
O repórter Weber Borges, em 1987 ousou desafiar o presidente Sarney a visitar Goiânia, acompanhado de Dona Marly, por ocasião do acidente com o césio 137 e foi demitido sumariamente. Depois de 20 anos, Weber Borges ainda questiona o fato evidente que a cidade não mudou, pouco se fala sobre o assunto e de quebra, toda a sujeira foi varrida para debaixo do tapete. Ou melhor, para debaixo do Centro de Convenções de Goiânia.
A entrevista vale a pena ser lida e apreciada como um excelente vinho e analisada com cuidado. Até quando continuaremos a viver uma Goiânia de faz de conta? O que aprendemos com os acontecimentos?


"O jornalista que foi vítima do césio

Repórter atento, convocou o então presidente José Sarney, durante o programa de Hebe Camargo, e foi demitido pela rede de televisão dirigida por Silvio Santos. Dono de um acervo gigante sobre o acidente radioativo de Goiânia, o jornalista diz que a universidade precisa discutir mais o legado científico do acidente provocado pelo césio.

Aos 62 anos, Weber Borges é um jornalista experimentado e paciente. Em 1987, com 42 anos, era mais afoito, mas já era experiente. Diretor do programa Goiânia Urgente, da TV Goiá, então retransmissora da programação do SBT de Silvio Santos, descobriu, meio por acaso, que o acidente radioativo de Goiânia, conhecido também como “acidente do césio”, estava sendo “escondido” da opinião pública. Na verdade, percebeu o repórter atento, que tem o hábito de filmar quase tudo, que o governador Henrique Santillo, o secretário da Saúde, Antônio Faleiros, ambos médicos, e técnicos do governo ainda não sabiam exatamente o que havia acontecido, em setembro de 1987. Só com a presença de técnicos da Comissão Nacional de Energia Nucler na capital, como José Júlio Rozenthal, que hoje mora em Israel (trabalha na área nuclear do governo judeu), é que começou-se a dimensionar com mais precisão o acidente. No início, nem mesmo os técnicos entenderam direito o que estava acontecendo — daí Weber Borges dizer que houve também outro grave acidente: o da desinformação. Muitos técnicos andaram pelos locais afetados pela radioatividade sem nenhuma proteção, percebeu o olhar agudo de Weber Borges. Autor de um livro seminal para se entender o acidente, Eu Também Sou Vítima — A Verdadeira História Sobre o Acidente com o Césio 37 em Goiânia (editado de modo mais criterioso, extirpando os erros provocados talvez pela pressa, teria sido best seller), Weber Borges é, por assim dizer, também uma vítima do césio. Não que tenha sido contaminado pela radioatividade. Foi, digamos, sacrificado pela TV Goiá. Motivo: presente no programa de Hebe Camargo, convidado a aproveitar os 30 segundos finais, Weber Borges soltou o verbo e disse que o presidente José Sarney (aquele do bigode e do jaquetão), no lugar de visitar a Colômbia, que não sairia do lugar, deveria visitar Goiânia, para verificar, pessoalmente, a extensão do acidente. Língua solta, o jornalista acrescentou que deveria trazer a mulher, Marly, para provar que, apesar do acidente, a capital goiana não oferecia riscos. Resultado: Sarney veio, sim, mas Weber Borges perdeu o emprego. Comentou-se na época que Silvio Santos, informado pelo Palácio do Planalto, teria ficado chateado com a impertinência do jornalista. Era preciso punir o senso de oportunidade do repórter. Portanto, indiretamente, Weber Borges é uma vítima do césio. Dono de excelente acervo de documentos do césio, Weber Borges conta que ele tem sido pouco consultado. Embora não tenha noção precisa do que se produz academicamente, diz que a universidade precisa discutir, com mais freqüência, o legado científico do acidente radioativo. Na próxima edição, o Jornal Opção publica a segunda parte da entrevista. " CONTINUA

Fonte: JORNAL OPÇÃO http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Entrevistas&idjornal=239