Hoje o jornal O POPULAR noticiou que os gatos do Bosque dos Buritis serão encaminhados ao Centro de Zoonoses.
Durante a tarde de hoje a bióloga Marize Moreira, gerente de Proteção e Manejo da Fauna Silvestre da Amma resolveu retirar os gatos do bosque na marra e para isso acionou duas viaturas da Polícia Militar de Goiás.
Apoiada no Ofício Nº 268/2007- 15ªPJ que RECOMENDA ..." que promova a imediata retirada de todos os gatos que encontram no interior da unidade de conservação do Bosque dos Buritis e promova a sua remoção para o Centro de Controle de Zoonoses desse município para que sejam disponibilizados para adoção."
RECOMENDA, "outrossim, ...inicie imediatamente um projeto de educação ambiental acerca de posse responsável de animais domésticos e adote outras medidas a fim de coibir o abandono de animais domésticos na unidade de conservação".
Interessante, o MP RECOMENDA e sem ordem expressa do presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente, a biologa responsável acionou duas viaturas para coibir as manifestações de protestos contra a captura dos animais.
Seis policiais militares partiram para cima das pessoas presentes, mulheres em sua maioria, sendo uma delas atacada brutalmente. O tenente que comandou a operação manteve a sua identificação funcional durante toda a operação, oculta por um coleta a prova de balas. E além deles, da brutalidade e bestialidade com que agiram, nenhum do presentes portava armas.
Situação absurda e medieval. De que serve ao Prefeito Iris investir em propaganda para melhorar sua imagem, quando algo tão simples de ser solucionado, termina em pancadaria e bestialidade, graças ao autoritarismo de uma servidora pública que se apressou em providenciar o EXTERMINIO SUMÁRIO dos animais, esquecendo-se porém de apresentar o projeto de educação ambiental, que viria quem sabe representar a ÚNICA ação do poder público para resolver um problema grave em Goiânia: o abandono de animais.
Os coronéis hoje usam saia. E os PMs-GO se portaram de uma forma que envergonhou toda a corporação: espancaram mulheres e pior, com evidente prazer.
A história terminou no 1ºDP no Centro, com denúncia na Corregedoria da PM e na Delegacia da Mulher.
E amanhã prossegue na Corregedoria do MP.
Essa é a Goiânia de hoje, por fora bela viola por dentro pão bolorento. E muito asfalto e obras monumentais. Será já a campanha de 2010?
Que Deus nos proteja!
"Gatos do parque serão capturados
Retirada de 60 felinos, entre adultos e filhotes, será feita atendendo a recomendação do Ministério Público, que argumentou questão de saúde pública
Por Carla Borges
O Departamento de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) vão fazer a retirada de cerca de 60 gatos , que vivem no Bosque dos Buritis, na divisa dos Setores Oeste e Central, que está fechado para reforma desde meados de julho deste ano. A remoção dos animais, que está sendo planejada e deve acontecer a partir de segunda-feira, atende a recomendação da promotora de justiça Marta Moriya Loyola, em substituição no Núcleo de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público (MP) estadual. Ela pediu urgência na retirada dos felinos do parque, principalmente diante das mortes de macacos associadas à febre amarela. No Bosque dos Buritis, os gatos atacam, matam e comem macacos e micos.“É uma questão de saúde pública, principalmente diante dessa ameaça de febre amarela. As mortes de macacos são o alerta, mas aqui no Bosque dos Buritis esse controle está prejudicado”, explica a bióloga Marize Moreira, gerente de Proteção e Manejo da Fauna Silvestre da Amma. O diretor do Departamento de Zoonoses, Geraldo Edson Rosa, destaca que os animais serão colocados para adoção e ficarão aguardando interessados. “Se alguns não forem adotados, pediremos orientação do MP sobre o que fazer com eles, mas a retirada daqui será feita de imediato”, garantiu o diretor ao POPULAR.
Nativo
O presidente da Amma, Clarismino Luiz Pereira Júnior, lembra que o parque tem de ser utilizado para a biodiversidade nativa. “Aqui não é lugar de animais domésticos”, observa. Apesar de serem alimentados por pessoas que freqüentam o parque – funcionários contam de uma idosa que gasta cerca de 600 reais em rações –, os gatos não são propriamente domésticos. É o que indica o relatório de vistoria técnica da Amma, um dos documentos que serviram de base para a recomendação da promotora Marta Moriya. Segundo os técnicos, “a maioria dos indivíduos apresenta estado semi-selvagem, impossibilitando qualquer atividade de controle sanitário, como vacinação e vermifugação, apresentando risco de transmissão de doenças para a população visitante do parque”.A promotora lembra ainda “o incansável esforço da Sociedade Protetora dos Animais”, que tentou controlar a proliferação dos felinos no Bosque dos Buritis, com cadastramento e vacinação, que “restou infrutífero”, já que no início havia cerca de 35 animais e a última contagem da Amma revelou que eles são pelo menos 60. Segundo os técnicos, os gatos também estão desnutridos e com lesões características de sarna. Além disso, os vasilhames usados pelos visitantes para servir comida são fonte de nutrientes para insetos responsáveis pela veiculação de parasitas, na forma de vermes e protozoários, e de bactérias, como Ancilostoma, Toxoplasma gondii e Salmonella, respectivamente responsáveis por enfermidades zoonóticas como o bicho-geográfico, toxoplasmose e gastroenterites. Geraldo Edson Rosa explica que será necessário um planejamento antes da retirada dos gatos por se tratar de uma caso incomum."
Fonte: http://goiasnet.globo.com/diversidade/com_report.php?IDP=21383
PASMEM
A propósito da matéria não ficou claro a forma de transmissão da FEBRE AMARELA pelos felinos do bosque. É possível isso?
Nos últimos anos a luta pela sobrevivência dos gatos do Bosque dos Buritis chama atenção, voluntários empenham-se na compra de ração, vacinação e principalmente na castração dos animais, enquanto isso o poder público, neste caso a AMMA e o Centro de Zoonoses utilizam-se da única solução que conhecem: capturar e matar.
O Ministério Público, instituição que representa a defesa dos interesses da sociedade e em especial contra os desmandos do poder público, equivoca-se ao emitir um parecer em favor da retirada dos animais, apoiado apenas e exclusivamente nas afirmações dos técnicos da AMMA. Exige urgência na retirada, mas não parece exigir urgência em campanhas permanentes pela posse responsável. Aplaudir as ações do executivo goianiense nem sempre significa aplaudir ações que beneficiam o conjunto da sociedade, haja visto episodio recente, onde câmara técnica do plano diretor transformou-se em cabide de emprego de “aparentados” de uns e outros. E com isso, o MP esquece que há um fator cultural na sociedade goianiense que faz com que as pessoas abandonem animais nas áreas verdes, e não apenas GATOS. Isso acontecendo, em pouco tempo, novamente, o Bosque dos Buritis estará cheio de gatos, os lagos cheios de espécies exóticas.
E por quê? Onde estão as campanhas educativas? Qual o papel do poder público? Para onde estão indo os recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente tendo em vista que não se tem noticia de NENHUMA campanha permanente pela posse responsável de animais? O que fazem os veterinários do Centro de Zoonoses além de laudos de morte dos animais encaminhados a câmara de gás?
É no mínimo estranho acusar os gatos do bosque de afetar a saúde pública e transmitir febre amarela, quando se noticia que MACACOS estão morrendo contaminados, e os gatos do bosque, todos, são vacinados e vermifugados pela ação dos voluntários, sem um centavo de apoio do poder público, que se omite.
Goiânia ainda vai pagar caro, pela idéias de ambientalistas de província, que ignoram que o homem e suas “tralhas” fazem parte do mundo verde. Em todo o mundo existem parques urbanos e neles, gatos. Em muitos lugares reconhece-se que os animais não possuem donos, estão abandonados e em situação de rua, mas que existem pessoas que cuidam. É o caso do Rio de Janeiro, que através de lei, os gatos, são devidamente vermifugados, vacinados e identificados pela Prefeitura e cuidados por voluntários que alimentam. A Lei lá é conhecida como “Gatos de César”.
O sacrifício dos atuais gatos do bosque será inútil, pois diante da omissão do poder público em ações educativas permanentes, novos animais chegarão ao local e recomeçará a caçada e mortandade de animais, em perfeito estado de saúde, sem qualquer justificativa. Um absurdo.
Esse Blog tem como objetivo discutir a produção do patrimônio cultural brasileiro e a sua permanência. Os AMIGOS DOS MUSEUS atuam diretamente de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Coração do Brasil. Do cerrado para o mundo!
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quinta-feira, dezembro 27, 2007
domingo, outubro 21, 2007
MUSEU OU BREJO ?
Robson Outeiro que é Administrador de Empresas, com curso de Gestão Estratégica em Gerência e Marketing Cultural na Fundação Uni-Rio publico no jornal O GLOBO um excelente artigo sobre o papel do museu. Qual sua função?
Ora, os museus no geral trabalham com a temática do poder e memória. Os objetos reconhecidos como “peça de museu” possuem em si um valor “atribuído”. E essa atribuição acontece quando um determinado objeto é retirado do seu contexto original e levado para um outro espaço – museu – e mais especificamente, quase sempre, para uma Reserva Técnica, e posteriormente pesquisados, utilizados com a finalidade de entretenimento e educação.
Mas que objetos são esses? Aqueles nos quais são identificados valores, sejam históricos, artísticos que demonstrem a capacidade construtiva e inventiva de um povo.
O Museu de Arte de Goiânia, instalado em um parque público, e por isso, mesmo ativo desde a década de 70, é considerado como um obstáculo a ânsia verdolenga dos ambientalistas de província goianiense. Que odeiam museus e gatos.
A gritaria da turma do verde, não é tão terrível quanto o descaso da direção - uma diretora laranja e um falso diretor - com o seu acervo, a ausência de políticas para exposição e de programas de capacitação dos servidores envolvidos nas atividades das áreas técnicas.
Depois de um longo período de estiagem, 5ª feira, 18/10, a noite, finalmente choveu. Alegria e comemoração para uns e para o MAG, o caos. Novamente a sua reserva técnica foi inundada. E para piorar, a sua equipe técnica, que segundo o site da instituição “ empenha-se para preservar o acervo do museu “ só percebeu a inundação da reserva técnica, no meio da tarde da sexta-feira, e como já era tarde, as ações de contenção dos danos ficaram para 2ª feira. E choveu novamente na madrugada do domingo. Quase uma semana, o que restará intacto desse acervo?
O MAG é o maior exemplo da política cultural mesquinha e provinciana adotada pela administração pública goianiense, marcada por perseguição a servidor público e pela impermeabilização geral da cidade.
Afinal que museu é esse? Em 2004 ouvi de uma figura muito interessante que em determinando momento andou por essas paragens, que as artes em Goiás viviam o inusitado de possuir dois museus dedicados ao tema, um situado em uma sobreloja e o outro no meio de um brejo. Existe verdade maior que essa? Existe sim. Um dos museus, o MAG não apenas está situado em meio a um brejo, transformou-se ele próprio em um.
Retomando ao discurso anterior, qual o valor atribuído as obras de arte que compõem o acervo inundando do MAG? De acordo com as ações da SECULT esse acervo é LIXO. E como tal é tratado. A chuva que caiu e molhou o acervo tem culpa? A ira divina? Não. Gestores públicos incapazes de compreender a função do museu na sociedade, imaginam que política cultural é fazer festival para aparecer na mídia. São escritores de dezenas de artigos pregando amor e fraternidade entretanto, o que buscam é “o faz de conta”. Fraternidade só entre irmãos de fé. Aleluia Senhor!
E a província aceita, a imprensa- dependente de recursos públicos- bate palmas para o reino do faz de conta, olvidam que no futuro, arqueólogos pesquisando a civilização que habitou, se perguntará, que povo foi esse? E não terão respostas por que não acharão registros material dessa civilização. Talvez, por ironia, quem sabe, encontrem um livrinho mal escrito e repleto de erros, com a logomarga do Simple Life e ai então, entreolhando-se dirão: “Mas que raios de povo... ???”
A leitura do artigo NOS BRAÇOS DO MUSEU é recomendada para quem gosta do assunto. Quanto ao caso do MAG vote nele para uma das 7 MARAVILHAS INUNDADAS DE GOIÂNIA, o concurso vale um montão de brindes!
Para votar siga o link http://www.interativafm.net/promocoes.php?id=549 .
Nos braços do Museu
Por Robson Outeiro
Hoje em dia, a real função de um Museu é muito discutida e debatida. Seria entreter? Ou seria educar? No âmbito de suas inúmeras atribuições - dentre elas algumas festeiramente induzidas - , poderíamos até dizer que o Museu seria mais um ativo na difícil e árdua tarefa que se tornou o simples ato de "educar". No berço das instituições Família e Escola, o Museu teria também o seu papel agregador = educador de alguma forma. Mas, pergunto: vivemos isso ou todo esse blá blá blá é mais um foco que acendemos à luz da discussão?
Não é de hoje que ouço dizer que a Educação por aí não anda bem das pernas. E, também que a tal instituição "Família" já pedira falência. E, que os Museus... Ah! Esses sim existem por força de alguém ter encontrado o caminho das Índias - tendo como guia o mapa do Mecenato!
É meio estranho, e ao mesmo tempo um tanto repetitivo e debochado, afirmar a essa altura que a Educação não existe sem a Cultura. A base do instruir está na leitura e, também, no atemporal que buscou seu refúgio no seio de cada Museu. Hoje, o passado, o presente e o futuro não existem, já que a produção artística sustenta o seu processo criativo ou se recria sob referências - é como tomar um copo d'água, abrindo aspas para uma breve licença poética.
A Cultura, por ser Cultura, bravamente se reiventa para sobreviver. Pelo menos consegue manter o nariz fora d'água em meio à inundação caótica que se tornou a sua perpetuação. Como um épico, o Museu é a casa da Cultura e de todos os seus filhos-gêneros. E, vendo esse lar como a casa da boa e velha mãe Joana, poderia abrigar - por que não? - sob as suas longas e pesadas asas, a conhecida "mãe solteira" Educação, que como uma árdua-guerreira segue lutando feroz pelos seus.
Contrariando Le Corbusier, que há tanto atacou em seus pensamentos a real necessidade de um museu como componente fundamental da vida humana como o pão, a bebida, a religião e a ortografia, temo dizer que o seu pensar ecoou, ou melhor, continua ecoando desde que Brasília saiu do papel para se tornar um modelo de cidade modernista. Isso porque, aos olhos dos seus criadores, que jamais poderiam prever que na falta de um grande Museu no seu projeto original, Brasília - no âmago de suas edificações - se tornaria um grande presídio a céu aberto.
Mas, não quero levar o assunto a longas discordâncias. O fato é que o papel dos Museus hoje em dia está muito aquém do que se espera, sendo eles o abrigo da Educação e da Cultura.
Na busca de sua sobrevivência ou pela sobrevivência da sua própria condição muitos Museus se reinventaram ou foram reinventados. Hoje:
1) temos os chamados Museus Blockbusters - os que espertamente descobriram o filão do varejo e se patentearam, sobrevivendo da venda direta ou consignada de lápis e canecas;
2) temos os chamados Museus Históricos, que por serem públicos - e sinônimo de qualquer coisa pública é sofrível - se esforçam para manter a poeira longe dos seus acervos - salvo alguns casos;
3) temos o MASP, que como um bom clube de futebol falido só vive do seu passado de glórias;
4) temos ainda o MAC de Niterói, o MON, o Museu da Língua Portuguesa e muitos outros que ainda estão por vir como o Museu do Futebol, o Museu da Criança, o Museu do Meio Ambiente, e por que não um Guggenheim ou um Pompidou aproveitando a balbúrdia em série? A pergunta é: temos fôlego para toda essa festa? O Museu seria um bom negócio ao ponto de darmos a ele a condição de um shopping?
Não que eu seja contrário a essa idéia se a condição for a sua própria sobrevivência. Entretanto, o Museu é a vitrine de um povo, a residência de sua essência criativa, não podemos trazer aos olhos daqueles que o procuram como um agente agregador = educador uma simples etiqueta com preço! Nos seus braços existe uma força maior: a do aprendizado.
Robson Outeiro é formado em Administração de Empresas, com curso de Gestão Estratégica em Gerência e Marketing Cultural na Fundação Uni-Rio
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/09/21/297828728.asp
Publicada em 21/09/2007 jornal O GLOBO
Ora, os museus no geral trabalham com a temática do poder e memória. Os objetos reconhecidos como “peça de museu” possuem em si um valor “atribuído”. E essa atribuição acontece quando um determinado objeto é retirado do seu contexto original e levado para um outro espaço – museu – e mais especificamente, quase sempre, para uma Reserva Técnica, e posteriormente pesquisados, utilizados com a finalidade de entretenimento e educação.
Mas que objetos são esses? Aqueles nos quais são identificados valores, sejam históricos, artísticos que demonstrem a capacidade construtiva e inventiva de um povo.
O Museu de Arte de Goiânia, instalado em um parque público, e por isso, mesmo ativo desde a década de 70, é considerado como um obstáculo a ânsia verdolenga dos ambientalistas de província goianiense. Que odeiam museus e gatos.
A gritaria da turma do verde, não é tão terrível quanto o descaso da direção - uma diretora laranja e um falso diretor - com o seu acervo, a ausência de políticas para exposição e de programas de capacitação dos servidores envolvidos nas atividades das áreas técnicas.
Depois de um longo período de estiagem, 5ª feira, 18/10, a noite, finalmente choveu. Alegria e comemoração para uns e para o MAG, o caos. Novamente a sua reserva técnica foi inundada. E para piorar, a sua equipe técnica, que segundo o site da instituição “ empenha-se para preservar o acervo do museu “ só percebeu a inundação da reserva técnica, no meio da tarde da sexta-feira, e como já era tarde, as ações de contenção dos danos ficaram para 2ª feira. E choveu novamente na madrugada do domingo. Quase uma semana, o que restará intacto desse acervo?
O MAG é o maior exemplo da política cultural mesquinha e provinciana adotada pela administração pública goianiense, marcada por perseguição a servidor público e pela impermeabilização geral da cidade.
Afinal que museu é esse? Em 2004 ouvi de uma figura muito interessante que em determinando momento andou por essas paragens, que as artes em Goiás viviam o inusitado de possuir dois museus dedicados ao tema, um situado em uma sobreloja e o outro no meio de um brejo. Existe verdade maior que essa? Existe sim. Um dos museus, o MAG não apenas está situado em meio a um brejo, transformou-se ele próprio em um.
Retomando ao discurso anterior, qual o valor atribuído as obras de arte que compõem o acervo inundando do MAG? De acordo com as ações da SECULT esse acervo é LIXO. E como tal é tratado. A chuva que caiu e molhou o acervo tem culpa? A ira divina? Não. Gestores públicos incapazes de compreender a função do museu na sociedade, imaginam que política cultural é fazer festival para aparecer na mídia. São escritores de dezenas de artigos pregando amor e fraternidade entretanto, o que buscam é “o faz de conta”. Fraternidade só entre irmãos de fé. Aleluia Senhor!
E a província aceita, a imprensa- dependente de recursos públicos- bate palmas para o reino do faz de conta, olvidam que no futuro, arqueólogos pesquisando a civilização que habitou, se perguntará, que povo foi esse? E não terão respostas por que não acharão registros material dessa civilização. Talvez, por ironia, quem sabe, encontrem um livrinho mal escrito e repleto de erros, com a logomarga do Simple Life e ai então, entreolhando-se dirão: “Mas que raios de povo... ???”
A leitura do artigo NOS BRAÇOS DO MUSEU é recomendada para quem gosta do assunto. Quanto ao caso do MAG vote nele para uma das 7 MARAVILHAS INUNDADAS DE GOIÂNIA, o concurso vale um montão de brindes!
Para votar siga o link http://www.interativafm.net/promocoes.php?id=549 .
Nos braços do Museu
Por Robson Outeiro
Hoje em dia, a real função de um Museu é muito discutida e debatida. Seria entreter? Ou seria educar? No âmbito de suas inúmeras atribuições - dentre elas algumas festeiramente induzidas - , poderíamos até dizer que o Museu seria mais um ativo na difícil e árdua tarefa que se tornou o simples ato de "educar". No berço das instituições Família e Escola, o Museu teria também o seu papel agregador = educador de alguma forma. Mas, pergunto: vivemos isso ou todo esse blá blá blá é mais um foco que acendemos à luz da discussão?
Não é de hoje que ouço dizer que a Educação por aí não anda bem das pernas. E, também que a tal instituição "Família" já pedira falência. E, que os Museus... Ah! Esses sim existem por força de alguém ter encontrado o caminho das Índias - tendo como guia o mapa do Mecenato!
É meio estranho, e ao mesmo tempo um tanto repetitivo e debochado, afirmar a essa altura que a Educação não existe sem a Cultura. A base do instruir está na leitura e, também, no atemporal que buscou seu refúgio no seio de cada Museu. Hoje, o passado, o presente e o futuro não existem, já que a produção artística sustenta o seu processo criativo ou se recria sob referências - é como tomar um copo d'água, abrindo aspas para uma breve licença poética.
A Cultura, por ser Cultura, bravamente se reiventa para sobreviver. Pelo menos consegue manter o nariz fora d'água em meio à inundação caótica que se tornou a sua perpetuação. Como um épico, o Museu é a casa da Cultura e de todos os seus filhos-gêneros. E, vendo esse lar como a casa da boa e velha mãe Joana, poderia abrigar - por que não? - sob as suas longas e pesadas asas, a conhecida "mãe solteira" Educação, que como uma árdua-guerreira segue lutando feroz pelos seus.
Contrariando Le Corbusier, que há tanto atacou em seus pensamentos a real necessidade de um museu como componente fundamental da vida humana como o pão, a bebida, a religião e a ortografia, temo dizer que o seu pensar ecoou, ou melhor, continua ecoando desde que Brasília saiu do papel para se tornar um modelo de cidade modernista. Isso porque, aos olhos dos seus criadores, que jamais poderiam prever que na falta de um grande Museu no seu projeto original, Brasília - no âmago de suas edificações - se tornaria um grande presídio a céu aberto.
Mas, não quero levar o assunto a longas discordâncias. O fato é que o papel dos Museus hoje em dia está muito aquém do que se espera, sendo eles o abrigo da Educação e da Cultura.
Na busca de sua sobrevivência ou pela sobrevivência da sua própria condição muitos Museus se reinventaram ou foram reinventados. Hoje:
1) temos os chamados Museus Blockbusters - os que espertamente descobriram o filão do varejo e se patentearam, sobrevivendo da venda direta ou consignada de lápis e canecas;
2) temos os chamados Museus Históricos, que por serem públicos - e sinônimo de qualquer coisa pública é sofrível - se esforçam para manter a poeira longe dos seus acervos - salvo alguns casos;
3) temos o MASP, que como um bom clube de futebol falido só vive do seu passado de glórias;
4) temos ainda o MAC de Niterói, o MON, o Museu da Língua Portuguesa e muitos outros que ainda estão por vir como o Museu do Futebol, o Museu da Criança, o Museu do Meio Ambiente, e por que não um Guggenheim ou um Pompidou aproveitando a balbúrdia em série? A pergunta é: temos fôlego para toda essa festa? O Museu seria um bom negócio ao ponto de darmos a ele a condição de um shopping?
Não que eu seja contrário a essa idéia se a condição for a sua própria sobrevivência. Entretanto, o Museu é a vitrine de um povo, a residência de sua essência criativa, não podemos trazer aos olhos daqueles que o procuram como um agente agregador = educador uma simples etiqueta com preço! Nos seus braços existe uma força maior: a do aprendizado.
Robson Outeiro é formado em Administração de Empresas, com curso de Gestão Estratégica em Gerência e Marketing Cultural na Fundação Uni-Rio
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/09/21/297828728.asp
Publicada em 21/09/2007 jornal O GLOBO
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