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domingo, fevereiro 07, 2010

UM MUSEU QUE PRECISA DE AJUDA 1




As imagens falam por si...









O estilo museu de placa da fachada do MAG mostra a decadência da instituição.

quarta-feira, novembro 11, 2009

MAG E ELIO GASPARI

O artigo de Elio Gaspari me lembra de comentar o situação do MAG - Museu de Arte de Goiânia, com o acervo abandonado literalmente a céu aberto devido a uma troca de telhado. A Prefeitura de Goiânia, finalmente decidiu-se a fazer a troca do telhado do prédio do MAG e terminar de vez com as eternas e anuais inundações, todavia, de uma forma muito inteligente escolheu o período de chuvas para fazer o serviço.

Uma parte do acervo foi transferido, outra ficou lá mesmo, no meio do caos, assim como o mobiliário financiado pela Fundação Vitae para reserva técnica.

A falta de compromisso e de respeito com o patrimônio cultural goianiense é total, um caso de polícia e o Ministério Público deveria agir em defesa, como fez com o Zoológico!




Parte da coleção de Lévi-Strauss virou pó
“Curioso retorno”, observou o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss quando viu que os missionários da Amazônia guardavam em estojos os lindos diademas de plumas dos índios bororo, e só os emprestavam à tribo em ocasiões festivas. O retorno era curioso porque os primeiros missionários chegaram à Amazônia pensando em tirar aquelas penas das cabeças dos selvagens.

ELIO GASPARI
A morte de Lévi-Strauss permitiu à repórter Gabriela Longman mostrar a trajetória de outro curioso retorno, no qual centenas de objetos da cultura indígena, conservados em Paris, reaparecem na agenda brasileira, expondo os maus costumes dos brancos de Pindorama na preservação de seu patrimônio cultural.
Lévi-Strauss viveu no Brasil de 1935 a 1938, pesquisando a vida de tribos da Amazônia. Coletou milhares de peças da cultura dos bororos, nambiquaras e cadiuéus, entre outros. Pelas leis da época o professor podia mandar metade de sua coleção para a França. De um lote de cerca de mil objetos, o Brasil ficou com 328. Em duas viagens, ele e a mulher embarcaram um total de 1.200 peças. Desde 33 arcos e pequenas cerâmicas até quatro diademas de penas de araras, periquitos e papagaios. Essa coleção está no Museu du Quai Branly, catalogada, fotografada e acessível na internet.
Os 328 objetos que ficaram no Brasil foram divididos entre três instituições e mais tarde reagrupados no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, onde está um magnífico diadema. Ao longo de mais de meio século, uma parte misturou-se com outras peças, pois não foi catalogada e etiquetada, outra quebrou-se e sabe-se lá quantas plumas simplesmente apodreceram. Em 2005, o próprio Lévi-Strauss identificou algumas peças para uma exposição em Paris.
Coisas assim acontecem nos museus brasileiros porque eles padecem de duas pragas. Há as instituições que são criadas ou socorridas por conta do peso político de seu diretor. (Em geral esses museus estão em obras.) Há também as instituições que são mantidas como se fossem patrimônio dos competentes servidores que lá trabalham. (Essas são facilmente identificáveis: não abrem nos fins de semana.)
A USP tem nove museus. A universidade Yale tem quatro. Consultando-se o Cadastro Nacional de Museus percebe-se que no eixo Rio-Niterói-Petropolis há algo como 110 museus. Roma tem 104.
A proliferação museológica é produto do casamento de ministros, governadores e prefeitos que querem inaugurar novos museus e amigos de ministros, governadores e prefeitos que querem dirigir museus. Afinal, o diretor do Metropolitan, em Nova York, tem carro, gabinete e secretária. (No chute, estima-se que seu acervo valha 400 bilhões de dólares.) É possível que o diretor do Museu do Esporte Mané Garrincha, que funcionava das 10 às 16 horas e não abria nos fins de semana, tivesse as mesmas facilidades. (O Ministério da Cultura diz que ele está fechado.)
Há excesso de museus banais e redundantes e escassez de instituições comprometidas com o acervo e o atendimento ao público. Como resolver semelhante problema? À falta de ideia melhor, o governo federal, os governadores e os prefeitos poderiam estabelecer um piso de visitantes mensais para cada museu. Quando essa meta não for cumprida vai embora o diretor. Depois, caso não tenha outra utilidade, fecha-se a instituição.

ELIO GASPARI é jornalista

Fonte: 11 de novembro 2009. Opinião - O POPULAR

domingo, outubro 21, 2007

MUSEU OU BREJO ?

Robson Outeiro que é Administrador de Empresas, com curso de Gestão Estratégica em Gerência e Marketing Cultural na Fundação Uni-Rio publico no jornal O GLOBO um excelente artigo sobre o papel do museu. Qual sua função?
Ora, os museus no geral trabalham com a temática do poder e memória. Os objetos reconhecidos como “peça de museu” possuem em si um valor “atribuído”. E essa atribuição acontece quando um determinado objeto é retirado do seu contexto original e levado para um outro espaço – museu – e mais especificamente, quase sempre, para uma Reserva Técnica, e posteriormente pesquisados, utilizados com a finalidade de entretenimento e educação.
Mas que objetos são esses? Aqueles nos quais são identificados valores, sejam históricos, artísticos que demonstrem a capacidade construtiva e inventiva de um povo.
O Museu de Arte de Goiânia, instalado em um parque público, e por isso, mesmo ativo desde a década de 70, é considerado como um obstáculo a ânsia verdolenga dos ambientalistas de província goianiense. Que odeiam museus e gatos.
A gritaria da turma do verde, não é tão terrível quanto o descaso da direção - uma diretora laranja e um falso diretor - com o seu acervo, a ausência de políticas para exposição e de programas de capacitação dos servidores envolvidos nas atividades das áreas técnicas.
Depois de um longo período de estiagem, 5ª feira, 18/10, a noite, finalmente choveu. Alegria e comemoração para uns e para o MAG, o caos. Novamente a sua reserva técnica foi inundada. E para piorar, a sua equipe técnica, que segundo o site da instituição “ empenha-se para preservar o acervo do museu “ só percebeu a inundação da reserva técnica, no meio da tarde da sexta-feira, e como já era tarde, as ações de contenção dos danos ficaram para 2ª feira. E choveu novamente na madrugada do domingo. Quase uma semana, o que restará intacto desse acervo?
O MAG é o maior exemplo da política cultural mesquinha e provinciana adotada pela administração pública goianiense, marcada por perseguição a servidor público e pela impermeabilização geral da cidade.

Afinal que museu é esse? Em 2004 ouvi de uma figura muito interessante que em determinando momento andou por essas paragens, que as artes em Goiás viviam o inusitado de possuir dois museus dedicados ao tema, um situado em uma sobreloja e o outro no meio de um brejo. Existe verdade maior que essa? Existe sim. Um dos museus, o MAG não apenas está situado em meio a um brejo, transformou-se ele próprio em um.
Retomando ao discurso anterior, qual o valor atribuído as obras de arte que compõem o acervo inundando do MAG? De acordo com as ações da SECULT esse acervo é LIXO. E como tal é tratado. A chuva que caiu e molhou o acervo tem culpa? A ira divina? Não. Gestores públicos incapazes de compreender a função do museu na sociedade, imaginam que política cultural é fazer festival para aparecer na mídia. São escritores de dezenas de artigos pregando amor e fraternidade entretanto, o que buscam é “o faz de conta”. Fraternidade só entre irmãos de fé. Aleluia Senhor!
E a província aceita, a imprensa- dependente de recursos públicos- bate palmas para o reino do faz de conta, olvidam que no futuro, arqueólogos pesquisando a civilização que habitou, se perguntará, que povo foi esse? E não terão respostas por que não acharão registros material dessa civilização. Talvez, por ironia, quem sabe, encontrem um livrinho mal escrito e repleto de erros, com a logomarga do Simple Life e ai então, entreolhando-se dirão: “Mas que raios de povo... ???”
A leitura do artigo NOS BRAÇOS DO MUSEU é recomendada para quem gosta do assunto. Quanto ao caso do MAG vote nele para uma das 7 MARAVILHAS INUNDADAS DE GOIÂNIA, o concurso vale um montão de brindes!


Para votar siga o link http://www.interativafm.net/promocoes.php?id=549 .

Nos braços do Museu
Por Robson Outeiro
Hoje em dia, a real função de um Museu é muito discutida e debatida. Seria entreter? Ou seria educar? No âmbito de suas inúmeras atribuições - dentre elas algumas festeiramente induzidas - , poderíamos até dizer que o Museu seria mais um ativo na difícil e árdua tarefa que se tornou o simples ato de "educar". No berço das instituições Família e Escola, o Museu teria também o seu papel agregador = educador de alguma forma. Mas, pergunto: vivemos isso ou todo esse blá blá blá é mais um foco que acendemos à luz da discussão?
Não é de hoje que ouço dizer que a Educação por aí não anda bem das pernas. E, também que a tal instituição "Família" já pedira falência. E, que os Museus... Ah! Esses sim existem por força de alguém ter encontrado o caminho das Índias - tendo como guia o mapa do Mecenato!
É meio estranho, e ao mesmo tempo um tanto repetitivo e debochado, afirmar a essa altura que a Educação não existe sem a Cultura. A base do instruir está na leitura e, também, no atemporal que buscou seu refúgio no seio de cada Museu. Hoje, o passado, o presente e o futuro não existem, já que a produção artística sustenta o seu processo criativo ou se recria sob referências - é como tomar um copo d'água, abrindo aspas para uma breve licença poética.
A Cultura, por ser Cultura, bravamente se reiventa para sobreviver. Pelo menos consegue manter o nariz fora d'água em meio à inundação caótica que se tornou a sua perpetuação. Como um épico, o Museu é a casa da Cultura e de todos os seus filhos-gêneros. E, vendo esse lar como a casa da boa e velha mãe Joana, poderia abrigar - por que não? - sob as suas longas e pesadas asas, a conhecida "mãe solteira" Educação, que como uma árdua-guerreira segue lutando feroz pelos seus.
Contrariando Le Corbusier, que há tanto atacou em seus pensamentos a real necessidade de um museu como componente fundamental da vida humana como o pão, a bebida, a religião e a ortografia, temo dizer que o seu pensar ecoou, ou melhor, continua ecoando desde que Brasília saiu do papel para se tornar um modelo de cidade modernista. Isso porque, aos olhos dos seus criadores, que jamais poderiam prever que na falta de um grande Museu no seu projeto original, Brasília - no âmago de suas edificações - se tornaria um grande presídio a céu aberto.
Mas, não quero levar o assunto a longas discordâncias. O fato é que o papel dos Museus hoje em dia está muito aquém do que se espera, sendo eles o abrigo da Educação e da Cultura.
Na busca de sua sobrevivência ou pela sobrevivência da sua própria condição muitos Museus se reinventaram ou foram reinventados. Hoje:
1) temos os chamados Museus Blockbusters - os que espertamente descobriram o filão do varejo e se patentearam, sobrevivendo da venda direta ou consignada de lápis e canecas;
2) temos os chamados Museus Históricos, que por serem públicos - e sinônimo de qualquer coisa pública é sofrível - se esforçam para manter a poeira longe dos seus acervos - salvo alguns casos;
3) temos o MASP, que como um bom clube de futebol falido só vive do seu passado de glórias;
4) temos ainda o MAC de Niterói, o MON, o Museu da Língua Portuguesa e muitos outros que ainda estão por vir como o Museu do Futebol, o Museu da Criança, o Museu do Meio Ambiente, e por que não um Guggenheim ou um Pompidou aproveitando a balbúrdia em série? A pergunta é: temos fôlego para toda essa festa? O Museu seria um bom negócio ao ponto de darmos a ele a condição de um shopping?
Não que eu seja contrário a essa idéia se a condição for a sua própria sobrevivência. Entretanto, o Museu é a vitrine de um povo, a residência de sua essência criativa, não podemos trazer aos olhos daqueles que o procuram como um agente agregador = educador uma simples etiqueta com preço! Nos seus braços existe uma força maior: a do aprendizado.
Robson Outeiro é formado em Administração de Empresas, com curso de Gestão Estratégica em Gerência e Marketing Cultural na Fundação Uni-Rio
http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/09/21/297828728.asp
Publicada em 21/09/2007 jornal O GLOBO

domingo, março 04, 2007

Assédio moral: uma perversidade a ser combatida

Afinal, ainda existe esperança!
Na leitura matinal do jornal 0 DIÁRIO DA MANHÃ de 04/03/07 deparei-me com um artigo de opinião intitulado "Assédio Moral: uma perversidade a ser combatida" e o autor, pasmem, nada mais nada menos que Dr. Rodrigo Dias da Fonseca, Juiz do Trabalho e 1º secretário da Associação dos Magistrados Trabalhistas em Goiás.

Inúmeras vezes apontei no blog as ocorrências de assédio moral no Museu de Arte de Goiânia, sendo eu, também uma vítima dessa perversidade dentro do espaço museal.

E como provar? Como lutar? Esse artigo nos deixa com as esperanças renovadas, afinal, um juiz do trabalho manifesta para a sociedade que assédio moral no trabalho é um tema que está na ordem do dia. E por que tantas esperanças? É um juiz do trabalho em Goiás!!!!! Atentem-se assediados e mais ainda, os assediadores, esses podem se deparar com os rigores da Lei, e na área trabalhista a panela pode ser muito mais fervente!

Nos links a seguir poderão acessar as postagem anteriores que tratam do assunto: http://amigosdemuseu.blogspot.com/2006/12/sobre-conferncias-e-assdio-moral.html
http://amigosdemuseu.blogspot.com/2006/05/inferno-astral-ser-que-rezar-ajuda.html
http://amigosdemuseu.blogspot.com/2005/12/mp-ao-civil-pblica.html


Abaixo o texto publicado no Caderno OPINIÃO - DM e escrito por Dr. Rodrigo Dias da Fonseca *.

Assédio moral é um tema cada vez mais recorrente no meio jurídico. É um assunto que está na “ordem do dia” e apenas recentemente tem sido objeto de estudo mais aprofundado.

A atenção mais intensa atualmente conferida ao tema reflete justamente a disseminação, a intensificação, amplitude e os efeitos perniciosos desse fenômeno.Mas afinal, do que se trata o chamado assédio moral?

Em suma, o assédio moral significa uma conduta abusiva, normalmente baseada em uma posição de ascendência do agente sobre a vítima, com objetivo de desestabilizá-la emocionalmente e abalar sua saúde psíquica. O assédio pode ocorrer em vastas áreas do relacionamento humano, em que uma pessoa possua algum tipo de poder sobre outra. Isso ocorre, por exemplo, nas relações entre professor e aluno, médico e paciente etc.

Sob a ótica das relações de trabalho, o assédio moral decorre do abuso emocional no local de trabalho, de forma maliciosa, com o fim de afastar o empregado das relações profissonais, através de boatos, intimidações, humilhações, descrédito e isolamento.

Normalmente, no ambiente de trabalho o assédio é cometido pelo empregador ou um preposto do mesmo, em desfavor de um empregado, em razão da subordinação deste em relação àqueles. A comprovação do assédio moral é árdua, porquanto, em geral, sua ocorrência é dissimulada, camuflada. Ademais, seu conhecimento não raro restringe-se ao agressor e à vítima. Essa dificuldade probatória dificulta sobremaneira a pretensão de reparação da ofensa.

De todo modo, variadas condutas são típicas e bem ilustram o assédio moral, dentre elas: isolamento do empregado, desconsideração de suas opiniões e de sua própria pessoa, gozações sobre seus defeitos físicos, divulgação de boatos maldosos, ataques à reputação e à família, delegação de tarefas flagrantemente superiores ou inferiores à sua capacidade, imputação de erros inexistentes; orientações, ordens ou instruções contraditórias e imprecisas; críticas em público, imposição de horários e tarefas injustificadas, atribuição de sobrecarga injustificada de trabalho, cobrança de urgência desnecessária no cumprimento de uma tarefa, isolamento do empregado, não atribuição de qualquer incumbência ao empregado, proibição de contato com outros colegas de trabalho, recusa à comunicação direta com a vítima, dando-lhe ordens através de colegas; supressão de documentos ou informações importantes para a realização do trabalho, ridicularização das convicções religiosas ou políticas, dos gostos do trabalhador, dentre várias outras.

Não há, ainda, legislação federal cuidando do tema, mas diversos projetos de lei aguardam apreciação pelo Congresso Nacional a respeito do assunto. No entanto, princípios fincados na Constituição Federal, devidamente interpretados, conferem proteção contra a conduta abusiva do assediador, tais quais: direito à cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o combate a preconceitos e discriminação de toda ordem, a prevalência dos direitos humanos, a vedação à tortura e tratamento desumano ou degradante.

O assédio deve ser combatido por suas conseqüências insidiosas, sob todos os aspectos. Do ponto de vista pessoal, sequer é preciso deitar maiores considerações, tão evidentes são os efeitos perniciosos sobre a saúde física e mental do ofendido. Igualmente, há efeitos sociais perversos, pois se no ambiente de trabalho predomina o terror e o constrangimento, esse contexto contamina as relações dos empregados entre si e destes com os empregadores. Por fim, sob a ótica estritamente econômica, não há dúvida de que a queda de motivação e rendimento do empregado, nesse cenário de humilhações e desconfortos, reduz de maneira drástica a produtividade das empresas – e, por conseqüência, afetando todo o País.

Urgem ações concretas para prevenir e combater os casos de assédio e punir o ofensor. Para tanto, é necessária a convergência de ações de diversos atores sociais. Da mídia, espera-se a divulgação responsável dos casos de assédio e das medidas preventivas; do Estado, aguarda-se uma atuação concreta, principalmente através dos Poderes Legislativo e Judiciário, este rompendo o conservadorismo que lhe é inerente, para punir severamente o agressor nos casos comprovadamente ocorridos, e aquele propiciando uma legislação moderna e condizente com a necessidade de efetivos instrumentos de combate às condutas abusivas; e, finalmente, da sociedade civil, conta-se com a atenção consciente e propositiva para o comportamento irregular no ambiente de trabalho, de modo a reagir e denunciar abusos, tornando restrito o campo de atuação de potenciais assediadores.

Rodrigo Dias da Fonseca juiz do Trabalho e 1º secretário da Associação dos Magistrados Trabalhistas em Goiás. E-mail: rdfonseca@uol.com.br

terça-feira, fevereiro 06, 2007

ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO É CRIME!

ASSÉDIO MORAL NA GUARDA CIVIL MUNICIPAL - VITÓRIA NA JUSTIÇA !
ESTÁ NO JORNAL DIÁRIO DO GRANDE ABC.

A Justiça do Trabalho condenou a Prefeitura de São Bernardo a pagar R$ 52,5 mil a um guarda civil municipal, que está licenciado por problemas psicológicos.

O valor é referente à indenização por danos morais. A decisão foi em primeira instância e o município tem 15 dias para recorrer.O autor da ação, Márcio Beu dos Santos, 33 anos, alega ter sido vítima de assédio moral pelo comando da Guarda Civil de São Bernardo. Segundo ele, tudo começou em 2002, quando recebeu licença médica por depressão.

O que o teria levado ao quadro seria a tensão sob a qual trabalhava. “Tinha muito medo de trabalhar desarmado. Na rua, a gente fica muito exposto. Nas outras duas Guardas em que trabalhei – São Caetano e Mauá – trabalhava armado. Em São Bernardo, me sentia muito inseguro.”Quando voltou a trabalhar, no final de 2003, o assédio teria começado. “Era tratado como mau exemplo diante de meus companheiros.”

Ele contou que foi colocado durante 40 dias para vigiar o quintal da sede da Guarda, no Centro da cidade. “Ficava vigiando três bancos de jardim, isolado.” Disse que trabalhava das 8h às 17h, com uma hora de almoço e com horário marcado para ir ao banheiro – 15 minutos de manhã e 15 à tarde.

A intenção do comando, segundo Beu, era afastá-lo do restante dos guardas e fazer com que pedisse demissão. “Nunca me esqueço do dia em que uma colega conversava comigo e um dos comandantes gritou para todos ouvirem: ‘Saí daí que você vai se queimar’”.

No final de 2004, pediu nova licença médica. O comando da Guarda decidiu, então, exonerá-lo do cargo.

Em janeiro de 2006, entrou com processo na 1ª Vara do Trabalho de São Bernardo, pedindo, além da indenização por danos morais, a anulação da exoneração.O segundo pedido ainda está em julgamento na Justiça Estadual.

A farda continua no guarda-roupas, mas ele afirmou que, segundo laudo médico, não tem mais condição psicológica para trabalhar na guarda."

Abordei a temática em 2006, por ocasião da realização por parte da PREFEITURA DE GOIÂNIA da 4ª Conferência Municipal de Cultura, onde servidores do MAG foram obrigados sob ameaças a participarem.

O indivíduo despreparado que se passa por diretor do MAG - falsidade ideológica - persiste em acreditar que é uma prima dona, ao ponto de designar guardas municipais com termos chulos e a destratar os servidores da casa.

É bom que saibam que dá trabalho sim, mas vale a pena lutar contra esse estado de coisas, por que ficar calado resulta em um alto preço – desmoralização do serviço público, desqualificação, auto-estima baixa, e etc.

E se não sabem, a Auditoria do Município é obrigada a investigar qualquer denúncia, até mesmo aquelas anônimas que citem os fatos, com dados e detalhes.

O cidadão, um guarda municipal vítima de assédio moral, lutou e será indenizado.

Não acreditem nunca que o sistema é maior, por que mesmo dentro do sistema, existem pessoas de bem e honestas.

E acreditem, uns tipos como esse, quando demitidos "à bem do serviço público" terão que se profissionalizar se desejarem alguma vaga na iniciativa privada. E ao que se sabe, a iniciativa privada já mostrou que o "tipo" não serve, demitindo-o.