De volta às origens
Após receber obras de restauro e revitalização, Museu Pedro Ludovico será reaberto hoje com projeto que amplia o acesso à memória histórica e se aproxima da proposta original
Fechado desde janeiro, o Museu Pedro Ludovico será reaberto hoje, às 20 horas, com apresentações musicais e de dança. O museu funciona na antiga residência da família do fundador de Goiânia, que foi construída no período de 1935 a 1937. Entre as novidades após a reforma, o destaque é o conjunto de 12 novos painéis explicativos com textos e imagens. A casa, que tem decoração típica em estilo art déco, também ganhou reformas como pintura de parede, revitalização do piso e do telhado, além de recuperação do muro - rebaixado para ficar com a fachada mais próxima da construção original - e um novo banheiro externo.
A museóloga Tânia Mendonça explica que a ideia foi manter o projeto original, que transformou a residência em museu no ano de 1987. "Agora a meta foi melhorar as condições de comunicação do museu com a comunidade", enfatiza. Os painéis permitem que o visitante conheça a história do lugar, centrado nas figuras de Pedro Ludovico e Dona Gercina, e nas sagas da transferência da capital da cidade de Goiás para Goiânia. Eles trazem desde informações técnicas da edificação, como estilo e dados arquitetônicos, até informações sobre a ocupação da residência. Em formato 3 x 2 metros, os pôsters foram dispostos em vários ambientes. "O visitante também vai receber um folder explicativo e detalhado", diz Tânia.
Dois documentários passam a ser exibidos no local, que ganhou nova televisão. As produções giram em torno de Pedro Ludovico e Mauro Borges e serão disponibilizadas para pesquisadores e escolas. Os vídeos trazem depoimentos de familiares e de pessoas que trabalharam com Pedro Ludovico, como Irineu Borges Nascimento. Linda Monteiro, presidente da Agepel, destaca os ambientes novos no interior da casa, como a sala com imagens e informações em torno do pioneirismo do trabalho assistencial de Dona Gercina. "Em outro ambiente, painéis ilustram o desenvolvimento de Goiânia e do Estado. Temos ainda um espaço destinado a registros fotográficos e textos sobre Venerando de Freitas Borges, primeiro prefeito da capital", diz Linda Monteiro.
O passeio pelo museu permite uma viagem no tempo à Goiânia dos anos 40 e 50. Além de móveis originais e objetos, que retratam um modo de vida das famílias da época, a prataria é atrativo, bem como as indumentárias preservadas. Entre os pertences de Pedro Ludovico e Dona Gercina estão ternos, chapéus, vestidos, óculos e bolsas. A fachada da casa ganhou pintura na cor ocre, tom que mais se aproxima do projeto original.
Na garagem da residência, a caminhonete que pertenceu a Pedro Ludovico recebeu recuperação de bancos e outros retoques. O veículo, 1974 vermelho, era utilizado para viagens do governador à sua fazenda, a Brasília e ao Rio de Janeiro. Normalmente o carro era pilotado pelo filho Pedro Júnior ou pelo motorista José Cavalcante.
A decoração art déco é um atrativo, bem como peças de mobiliário originais. O quintal amplo, o pomar repleto de árvores frutíferas, a piscina (agora coberta) e o muro baixo com vista para a Rua Gercina Borges Teixeira (Rua 26) são mantidos exatamente da forma como o seu antigo dono deixou ao morrer, em 1979.
Recentemente revitalizada, a biblioteca possui centenas de livros, muitos deles doados pelo ex-governador Mauro Borges Teixeira, filho de Pedro Ludovico. Os documentos, que foram higienizados, catalogados e acondicionados, devem ser digitalizados para integrar a documentação, liberada apenas para pesquisadores.
Pedro Ludovico morou na casa que hoje abriga o museu de 1945 a 1979. Nos períodos em que foi governador e senador, ele transferiu-se com a família para o Palácio das Esmeraldas e, depois, para a cidade do Rio de Janeiro. A casa da Rua 26 foi alugada e, em 1969, recebeu novamente a família, que permaneceu até a morte do patriarca. O imóvel foi desapropriado em 25 de setembro de 1979, por meio da Lei 8.690, que autorizou o Governo de Goiás a desapropriar para implantar o museu, que entrou em funcionamento oito anos depois, em 1987.
Projetos para preservação da memória
O projeto de revitalização da exposição de longa duração do Museu Pedro Ludovico integra as ações de revitalização das mostras de museus estaduais goianos, projeto iniciado no ano passado pela Agência Goiana de Cultura. No caso do Museu Pedro Ludovico, a mudança manteve o projeto original de 1987, que definia a proposta do museu em torno da figura do fundador e da história de Goiás. O tratamento museológico contemplou tanto a preservação da memória de Pedro Ludovico por meio da musealização do acervo deixado pela família (mobília, porcelanas, roupas, cristais), quanto a casa e os seus elementos constitutivos e estilísticos.
O visitante vai conhecer um acervo de documentos textuais produzidos e colecionados ao longo dos 40 anos de vida pública de Pedro Ludovico. O governante é enfocado em diferentes relações: o Pedro Ludovico político, o homem, ele em família e o fundador no processo de mudança da capital da cidade de Goiás para Goiânia. Além das obras de restauro da parte física do museu, o projeto atual contou com um trabalho de pesquisa em fontes bibliográficas diversas, como livros, teses, dissertações e monografias de autores que estudaram a obra do fundador de Goiânia e sua relevância para o Estado de Goiás.
As fontes orais também foram de grande importância para o trabalho, que contou com informações concedidas por pioneiros goianienses, estudiosos, familiares de Pedro Ludovico e profissionais participantes da criação do museu. Maria Dulce Loyola Teixeira, representante da família - ela é nora de Mauro Borges -, também colaborou com a seleção, identificação e seção de imagens, além da indicação de parentes e amigos do casal Pedro Ludovico e Gercina Borges.
O arquiteto Marcílio Lemos explica que os novos painéis inovam com um aspecto de leveza e modernidade. Se antes as imagens eram impressas primeiramente e somente depois adesivadas nos painéis, agora as fotografias tiveram impressão eletrônica e ganharam o acrílico como suporte. "A foto foi impressa diretamente no acrílico transparente, num resultado mais suave", descreve. O arquiteto acrescenta que contar a história do casal Pedro Ludovico e Gercina Borges sempre foi uma façanha que resultou em bastante conteúdo. Para ele, o grande desafio dos painéis temáticos, escolhidos entre cerca de 60 imagens, foi uma distribuição do conjunto pelos ambientes sem que isso interferisse na arquitetura interna da casa.
Evento:Reabertura do Museu Pedro Ludovico
Data:Hoje, às 20 horas
Apresentações artísticas:Bailarinos Fabiane Clemones e Leilson Santos, integrantes do Balé do Estado de Goiás; Tango La Cumparsita - Duo de Flauta e Piano, com Rosana Rodrigues (flauta) e Beatriz Pavan (piano), integrantes da Orquestra de Câmara Goyazes
Fonte: Jornal O POPULAR 25 DE NOVEMBRO 2010.
Esse Blog tem como objetivo discutir a produção do patrimônio cultural brasileiro e a sua permanência. Os AMIGOS DOS MUSEUS atuam diretamente de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Coração do Brasil. Do cerrado para o mundo!
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quinta-feira, novembro 25, 2010
quarta-feira, novembro 24, 2010
MUSEU PEDRO LUDOVICO

História
Museu Pedro Ludovico reabre depois de obras de restauro e revitalização
As obras abrangeram desde o prédio, com o restauro de paredes, telhados, piso, até a exposição de longa duração que ganhou novos painéis informativos e novos recursos para estudo e pesquisa.
A presidente da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (Agepel), Linda Monteiro, e o governador Alcides Rodrigues reabrem na, quinta-feira, 25, o Museu Pedro Ludovico, unidade da agência, criado em maio de 1987 pelo governo de Goiás. O evento será às 20 horas, no hall de entrada do Museu, que fica na Rua Dona Gercina Borges, 133, Centro.
A casa foi construída de 1935 a 1937 para ser residência da família Ludovico. Nos períodos que Pedro Ludovico foi governador e senador, a família transferiu-se para o Palácio das Esmeraldas e para a cidade do Rio de Janeiro, respectivamente. Em 1969, depois de passar por temporadas arrendada e alugada, a casa recebeu novamente a família, que nela permaneceu até a morte de Pedro Ludovico, em 1979. Em 25 de setembro de 1979, a Lei 8.690 autorizou o governo de Goiás a desapropriar o imóvel para implantar o museu, que entrou em funcionamento oito anos depois, em 1987.
O Projeto de Revitalização da Exposição de Longa Duração do Museu Pedro Ludovico integra as ações de revitalização das exposições de longa duração dos museus estaduais goianos realizadas desde o ano passado pela Agência Goiana de Cultura. Além do Museu Pedro Ludovico, os trabalhos envolveram o Museu Ferroviário de Pires do Rio (que vai ser reinaugurado em dezembro) e o Museu da Imagem e do Som (que foi reaberto em agosto do ano passado).
No caso do Museu Pedro Ludovico, o Projeto manteve a proposta original de 1987, que definia o Museu sob duas vertentes: a figura de Pedro Ludovico Teixeira e a história de Goiás. A preservação da memória do fundador de Goiânia foi efetivada através da musealização do acervo deixado pela família — textual, mobiliário, prataria, porcelana, cristais e indumentária. A casa e seus elementos constitutivos e estilísticos também foram submetidos ao tratamento museológico.
O centro de pesquisa sobre a construção e o desenvolvimento de Goiás foi constituído a partir dos documentos textuais produzidos e colecionados ao longo dos 40 anos de vida pública de Ludovico.
Foi mantida também a concepção museográfica do projeto original, que conduz o visitante a vivenciar a figura de Pedro Ludovico em diferentes relações: Pedro Ludovico, o político; Pedro Ludovico, o homem; Pedro Ludovico, a família; Pedro Ludovico, a mudança da capital.
Na proposta expositiva atual, foram acrescentados dois novos ambientes temáticos: um deles reservado para Gercina Borges Teixeira, que será apresentada por meio de sua obra pioneira de assistência social e da presença determinante na família e nas ações políticas do marido. O outro ambiente, também composto de painéis fotográficos e textuais, apresenta a construção de Goiânia e o seu processo de desenvolvimento, tema que era previsto na proposta original, mas que não foi satisfatoriamente trabalhado no decorrer da trajetória do Museu.
As obras de restauro e revitalização abrangeram desde o prédio, com o restauro de paredes, telhados, piso, até a exposição de longa duração que ganhou novos painéis informativos e novos recursos para estudo e pesquisa. O projeto contou com um trabalho de pesquisa criteriosa em fontes bibliográficas — livros publicados, teses, dissertações e monografias de autores que estudaram a vida e a obra do fundador de Goiânia e a sua importância para a história de Goiás.
A pesquisa foi feita também através de fontes orais — dezenas de pioneiros, estudiosos, profissionais que participaram da criação do Museu e familiares de Pedro Ludovico foram ouvidos. São mais de 50 horas de depoimentos gravados em áudio e em vídeo, que estarão disponibilizados, a partir de agora, num espaço reservado para a consulta no piso superior do Museu. Dentre os depoimentos expressivos estão o do filho de Pedro Ludovico, Goianio Borges Teixeira, das profissionais responsáveis pelo projeto de criação do Museu, museóloga Edna Taveira e especialista em museologia, Maria Terezinha Campos Santana (primeira diretora do Museu). Foi ouvido também o escritor Adovaldo Fernandes Sampaio, que coordenou os trabalhos de implantação do Museu, na época como diretor da Fundação Cultural Pedro Ludovico. Os técnicos responsáveis pelo projeto contaram com a colaboração de Maria Dulce Loyola Teixeira, representante da família, que contribuiu na seleção, identificação e seção de imagens e na indicação e contatos com parentes e amigos de Pedro Ludovico e de dona Gercina.
Com a exposição de longa duração revitalizada, a ação de comunicação do Museu poderá ser aperfeiçoada e não ficará restrita somente à exposição, mas será estabelecida sistematicamente durante todo o processo museológico, desde a pesquisa e preservação até os eventos, reuniões, oficinas e ações educativas.
A equipe responsável pelo projeto de revitalização da exposição é composta pelos conservadores de bens culturais, Alba Tânia Rosauro Macedo, João Rosa e Deolinda Taveira, pelo mestre em história Guilherme Talarico, pelos arquitetos Marcílio Lemos e Solange Maria de Santana e Silva, além da chefe do Museu, Alenita Toledo, e equipe de funcionários. A coordenação técnica é da especialista e doutoranda em museologia Tânia Mendonça.
A partir de sexta-feira, 26, o Museu voltará ao horário de atendimento regular: de terça a sexta-feira, das 9 às 17 horas e nos sábados, domingos e feriados, das 9 às 15 horas. Os agendamentos de escolas poderão ser feitos pelos telefones (62) 3201-4678 e 3201-4680.
Fonte: http://www.jornalopcao.com.br/posts/opcao-cultural/museu-pedro-ludovico-reabre-depois-de-obras-de-restauro-e-revitalizacao
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