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domingo, maio 02, 2010

MUSEU DE ARTE DE GOIÂNIA, ENFIM PRONTO?




ENFIM, PRONTOS

Após criticada reforma que durou sete meses e chegou a causar danos, Museu de Arte de Goiânia e Centro Livre de Artes serão reinaugurados

por Rodrigo Alves para o jornal O POPULAR, caderno MAGAZINE.Goiânia,29 de abril de 2010.

Inicialmente, eram necessários 60 dias, com possibilidade de prorrogação para até 120. Mas ao todo foram mais de 200 dias de espera, cerca de 7 meses, para que ficasse pronta a reforma do prédio que abriga no Bosque dos Buritis o Museu de Arte de Goiânia (MAG) e o Centro Livre de Artes (CLA), mantidos pela Prefeitura. O CLA será reaberto amanhã e o MAG será entregue no dia 7. Ambos voltam a funcionar após uma conturbada reforma que abrangeu reparos no telhado e na fiação elétrica, chegou a causar danos ao mobiliário por causa da chuva e custou R$ 270 mil, segundo a Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

Requisitada há quase dois anos pelas diretorias dos espaços, a reforma demorou para sair do papel. Ambos precisaram esperar cerca de um ano desde que foi feito o primeiro pedido. A obra começou em setembro do ano passado, seguida de uma série de incidentes que atrasaram o andamento e pôs em risco a parte do acervo do museu que não pôde ser removida, além de mobiliário e equipamentos.

Como as chuvas vieram mais cedo em 2009, a reforma teve de ser paralisada, quando o telhado já havia sido retirado. O resultado foi o alagamento da parte interna do prédio, que estragou alguns móveis, e causou preocupação em artistas e entidades culturais em relação à parte do acervo do museu que permaneceu no local, como esculturas, pela falta de condições de mobilidade – cerca de 30%, de acordo com a direção do MAG. Sem telhado, móveis e obras ficaram expostos à umidade, sem proteção adequada.

Um agravante atrasou ainda mais a obra. A fiação do prédio, que já necessitava de troca, foi atingida pela chuva. A licitação teve de ser refeita para incluí-la, demandando mais tempo. “Quando o telhado foi retirado e choveu, a rede elétrica queimou. Aí foi preciso fazer outra licitação”, diz Mairone Barbosa, atual diretora do MAG. Segundo a diretora do CLA, Debora Marra, a fiação não havia sido incluída para não deixar a obra mais cara. “Em serviço público, para conseguir as coisas, às vezes temos de ir por partes”, justifica.

Prejuízos
Tanto o MAG quanto o CLA sofreram prejuízos. Fontes ouvidas pela reportagem disseram que até mesmo equipamentos de informática teriam sido danificados. A maior adversidade, contudo, se deu com os 30% do acervo técnico do museu que ficaram expostos à água, embalados somente em material plástico, conforme constatou uma vistoria do Ministério Público (MP). A situação suscitou protestos de artistas e pessoas ligadas ao museu, como a restauradora Deolinda Taveira, ex-diretora do local, que chegou a apresentar denúncia ao MP.


Comentário:“Os objetos de arte são em sua maioria compostos de diversos materiais, alguns mais sensíveis a determinados fatores de degradação, outros menos, mas todos são absurdamente sensíveis a ação nefasta do homem, é o caso do acervo do MAG. Em sua maioria são muito sensíveis a luz, a umidade e as mudanças bruscas de temperatura. A luz provoca a destruição das fibras dos papéis, o esmaecimento das cores e amarelecimento, dentre outros, a umidade é fonte de proliferação de fungos e bactérias em todos os objetos de arte, do apodrecimento das madeiras, da ferrugem nos metais e etc. E as mudanças bruscas de temperatura conduzem ao processo de contração e dilatação dos materiais que levam a danos irreversíveis.
Os 30 % do acervo(será que é isso mesmo?) deixados na reserva técnica, inundada durante meses, sem qualquer contenção ou cuidado com as obras, CERTAMENTE estão contaminados por agentes microbiológicos, popularmente conhecidos como FUNGOS, que proliferaram felizes no grande caldo que se tornou a sala.
A imagem mostrada na reportagem é clara na total ausência discernimento e de cuidados com o objeto e com o ser humano que está lá, desprotegido, usando apenas uma máscara.
Outra imagem impressionante foi a cobertura por telhas da pirâmide no centro do pátio, mas uma vez, reafirmando a ignorância e a falta de atenção para com as pessoas, usuários e servidores, que sufocam, por total ausência de ventilação no local. E o maior disparate, o MAG está situado no meio de um BOSQUE!”

“Durante o período de chuvas, o MAG passou destelhado e sem qualquer medida de contenção de danos”, anotou ela. A promotora substituta Gerusa Fávero Girardelli, da 7ª Promotoria de Justiça, responsável pelo patrimônio histórico, cultural, urbanístico e meio ambiente, explicou ao POPULAR que uma equipe de fiscalização foi mandada ao local para averiguações. “Os fiscais da promotoria constataram que algumas obras estavam no local, cobertas por um plástico”, relata.

O passo seguinte da promotoria foi enviar um ofício à Secult questionando onde estava o restante do acervo e sob quais condições estava acondicionado. “Não chegamos a receber nenhuma resposta formal”, afirma a promotora. Por telefone, um dos assessores da promotoria chegou a ser informado pela Secult que os 70% do acervo removido haviam sido levados para o nono andar do Pathernon Center, no Centro de Goiânia, no espaço pertencente à Orquestra Sinfônica Municipal.

“Agora vamos comparecer ao museu para que mostrem todo o acervo e sob quais condições foi mantido”, assegura a promotora. Se forem constatadas irregularidades, explica ela, a secretaria poderá ser alvo de ação civil de reparação de dano morais à coletividade. O POPULAR falou sobre o assunto com a diretora do MAG, Mairone Barbosa, e com o secretário de Cultura, Kleber Adorno. De acordo com a diretora, tanto as obras removidas quanto as que permaneceram no local não sofreram danos, embora ela admita que as condições de condicionamento não tenham sido ideais. “Elas vão precisar somente da limpeza habitual”, diz .

Kleber Adorno afirmou que tudo foi para preservar a integridade do acervo. “O acervo foi acomodado no espaço do Pathernon Center, sem nenhum prejuízo”, diz ele, que ainda se referiu às críticas e denúncias de displicência no processo desta reforma como “partidas de pessoas mal-intencionadas”. “Mandei verificar tudo e percebi que as denúncias não tinham fundamento.” O POPULAR visitou o MAG nesta semana, quando os retoques finais da reforma estavam sendo realizados. Algumas das obras que ficaram no local estavam embaladas, abrigadas em plásticos-bolha ou lonas pretas, esperando para serem recolocadas nas estantes da sala da reserva técnica. Embora aparentemente intactas, elas realmente não estavam acondicionadas nas condições ideias.
Comentário: "As pessoas mal-intencionadas aguardam a publicação do direito de resposta, mas antecipo algo que o velho coronel da cultura não se dá conta, o Museu de Arte de Goiânia é um direito e espera-se, constatados os danos, e não apenas no acervo de arte, mas ao patrimônio público, como é relatado na reportagem que o Ministério Público aja com rigor e entre com a ação de reparação por danos morais à coletividade, e acrescentaria ainda, aos direitos difusos!"

Volta às aulas no CLA

Após sete meses de reforma, o Centro Livre de Artes (CLA) volta às aulas na segunda-feira, dia 3, ainda com vagas disponíveis nos cursos desenho e pintura (infantil), desenho de moda (acima de 15 anos) e desenho de observação e história da arte (adultos). Amanhã, a partir das 8h30, uma cerimônia com apresentações artísticas de alunos e professores marcará a volta das atividades do local, com a presença da Banda Municipal de Goiânia, do prefeito Paulo Garcia e do secretário municipal de Cultura, Kleber Adorno.

O CLA volta ao pleno funcionamento na estrutura reformada que conta cerca de 20 salas, que recebem aulas de cem professores nos três períodos do dia. “Fizemos uma reestruturação do calendário para não prejudicar os cursos”, informa a diretora do CLA, Debora Marra. Segundo ela, cursos de artes, que são semestrais, serão iniciados agora e prolongados até o final do ano. Já o restante dos cursos, de duração anual, receberão adaptações para chegar até o fim sem prejuízo de conteúdo. “Como o atraso foi proporcionalmente menor, conseguiremos fazer isso”, ressalta a diretora.
Ao todo, cerca de 1,8 mil alunos voltarão às atividades (mais informações sobre vagas pelo telefone 3524-1194). Mesmo com a reforma, eles ainda enfrentarão problemas que já eram recorrentes, além de alguns causados pela reforma conturbada. Um deles é com relação à falta de móveis, já que muitos fora danificados pelas chuvas e não puderam ser recuperados. Outro é a carência de instrumentos musicais, que antes já faltavam e ficaram em número mais reduzido com a danificação de alguns equipamentos pelo alagamento em decorrência das chuvas.

Demora histórica

Inaugurado em 1970, o prédio do Museu de Arte de Goiânia (MAG), que há sete anos passou também a dividir espaço com o Centro Livre de Artes, foi concebido inicialmente para ser um hospital. Seu atual acervo de mais de 800 obras incluem artistas renomados como Siron Franco, Antônio Poteiro e Divino Sobral, em modalidades que incluem pintura, desenho, fotografia, gravuras, escultura, objetos, entre outros.

Por mais quase quatro décadas, a estrutura nunca passou por uma reforma estrutural drástica. No início da década de 2000, o prédio chegou a ser reformado pela Prefeitura, mas apenas recebeu novas divisões e pintura. As mudanças, no entanto, não resolveram a antiga necessidade prioritária da troca do telhado e da fiação elétrica. O teto, segundo fontes consultados pelo POPULAR, já apresentava infiltrações e goteiras há mais de 20 anos e não foram raras as vezes que funcionários tiveram de acudir às pressas para que o acervo do MAG e o material da CLA não fossem atingidos pelas goteiras.

O que era uma preocupação cotidiana tornou-se pesadelo quando, enfim, saiu a licitação para a obra, no ano passado. Autorizada ainda no início de 2009, a reforma recebeu o sinal verde para o início em setembro. O telhado seria retirado para receber nova cobertura. “Estávamos há tanto tempo esperando pela reforma, que decidimos começar imediatamente”, lembra a diretora do Centro Livre de Artes, Debora Marra. Junto com o ex-diretor do museu Antônio da Mata, Debora foi uma das principais articuladoras da obra.

Mesmo afastado da direção do museu desde maio do ano passado após o fim de seu contrato, Da Mata continuou a acompanhar o processo. Ele admite que a pressa aliada às chuvas fora de época acabaram colocando o MAG e o CLA em situação ainda pior. Adicionado à falta de celeridade na resolução, o problema, segundo ele, acabou ganhando dimensão maior. “O que aconteceu lá é o que acontece no Brasil todo: tudo que é relacionado à cultura sempre demora muito mais para ser resolvido”, opina.

Um comentário:

gilbgna disse...

A Biblioteca do CLA está iniciando o sua Rede Social de Usuários e estamos convidando-a para participar conosco.

Colocamos um link para o seu Blog, que está execelente, abaixo do link para o MAG.

O nosso link é: http://bibliotecacla.ning.com/

Abraços.
Moderador de Rede CLA