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segunda-feira, maio 03, 2010

MAG, ENFIM PRONTO?

Carta encaminhada ao jornal O POPULAR .

Goiânia, 29 de abril de 2010.

Prezado Editor,

Sirvo-me da presente para parabenizar o jornalista Rodrigo Alves pela excelente matéria “Enfim, prontos” no qual relata a situação do Centro Livre de Artes e do Museu de Artes de Goiânia. A matéria muito bem elaborada, ouviu e viu vários lados e conduziu o texto de modo claro e objetivo, constatando que o poder público omisso é passível de ser responsabilizado,e punido. E na medida do possível, considerando a citação do meu nome na matéria, a publicação dessa carta.

Uma frase atribuída ao atual gestor da SECULT , “...partidas de pessoas mal-intencionadas” ao se referir as pessoas que criticaram e denunciaram a displicência no processo de reforma do prédio do CLA e MAG, impressiona e torna fácil compreender o terror moral dos servidores, da escola e do museu, em falar sobre o assunto.

Para compreender o caráter do atual gestor da SECULT e especialmente a forma como pensa cultura e política, e as relações estabelecidas com o patrimônio cultural goianiense, é preciso voltar no tempo. Nos idos de 1993, no Ministério Público Estadual um jovem promotor chamado Sulivan Silvestre, falecido em 99, se destacava pelas ações em defesa do meio ambiente e pela primeira vez na história de Goiás, também se envolveu com as causas do patrimônio cultural. Sulivan Silvestre recebeu a denúncia de que o painel “O sonho de Dom Bosco “ de autoria do artista plástico D.J. Oliveira seria destruído. E foi destruído, mesmo notificado, da noite para o dia, o então secretário de Cultura de Goiânia, Kleber Adorno, patrocinou, arrumando máquinas e homens da prefeitura, a total destruição do painel. A desculpa na ocasião era a vontade do artista, ainda vivo, e que posteriormente substituiu uma obra prima por um arremedo, em azulejo. Soube do caso por que o Dr. Sulivan Silvestre solicitou-me um parecer técnico sobre as condições da obra, parecer esse que foi totalmente inútil, visto que não havia mais obra alguma a ser estudada, já havia virado pó.

Alguns anos após outro episódio demonstrou outra faceta do caráter do mesmo cidadão. A memorável disputa entre Marconi Perillo e Iris Rezende. Kleber Adorno era o coordenador de campanha do jovem de camisa azul, que ninguém sabia quem era, mas que impressionava por onde passava, mas aparentemente, e de acordo com a mídia local, sem chances de ganhar. Ora, o grande sonho de consumo de Kleber Adorno era voltar a ser secretário de cultura, cargo que ocupou no governo Santillo. Aparentemente, avaliando a impossibilidade do jovem de camisa azul ascender ao “trono” goiano, às vésperas, duas semanas antes do último embate nas urnas, Kleber Adorno pulou para o lado de Iris, a derrota foi histórica e pecha de traidor ficou.

Ao assumir o governo em 2005, Iris ,em retribuição, resgata Kleber Adorno da vida acadêmica em uma universidade privada, dizem, não sei se é verdade, que uma indicação de PX Silveira, que veio depois se tornar inimigo mortal, com direito a ameaças de tiro na cara e tudo mais.
O primeiro grande feito de Kleber Adorno a frente da SECULT foi transformar o MAG em ganha- pão de cargo comissionado. E isso chegou ao ponto do MAG ter diretores, no plural, aquele que estava na Lei, nomeado, e aquele que se passava por ser o que nunca foi. Os fatos e as provas foram levados ao MP. E o Ministério Público em dezembro de 2005 entrou com uma ação Civil Pública e de Improbidade Administrativa (Nº 2005.03550781) contra os três envolvidos. E para fazer calar as pessoas “mal intencionadas” assediou e mandou assediar, moralmente, perseguiu, ameaçou e desqualificou. Não calou.

O segundo foi fraudar o processo eleitoral da 3ª Conferência Municipal de Cultura, a reação da sociedade foi recorrer à justiça através de um mandado de segurança. Março de 2010, quatro anos depois da sentença, favorável a sociedade, anulando a 3ª Conferência, a SECULT não cumpriu o determinado em sentença judicial. E nisto há um fato curioso, hoje, o juiz (aposentado) Eduardo Siade, que julgou favorável a sociedade é o também o Procurador do Município. Irá o Dr. Eduardo Siade mandar cumprir a sentença propalada?

O terceiro grande feito, neste mesmo ano, foi o plágio de tese de doutorado. Inscrito no doutorado na UFG, no momento da defesa de sua tese apresentou material retirado da internet e de trabalhos de outros autores, na ocasião, como defesa, que culpou quem digitou, pela incapacidade de citar as fontes.

Na sequência modificou a Lei do FAC retirando a possibilidade de participação da sociedade e tomando para si o poder de decidir quais e quem seria beneficiado pelos recursos oriundo do Fundo de Apoio a Cultura. Novos protestos e denúncias, onde quem criticava era qualificado de moleque, de mal intencionado e outros adjetivos.

Essa é uma pequena mostra do caráter e da personalidade do homem, que qualifica quaisquer criticas à sua gestão na SECULT, como coisa que pessoas mal-intencionadas, pessoas essas que nem vivendo duas vidas conseguiriam construir um currículo tão invejável no âmbito do descaso com a coisa pública. O que quero evidenciar é que tal postura nada mais é que o velho e ultrapassado coronelismo do cerrado, que nega aos cidadãos e cidadãs o direito de existir, de respirar, se o seu senhor não permitir. Como os tempos são outros, não dá mais para contratar capangas no Café Central, a forma de matar é desqualificar a voz do outro, dizendo que é coisa de moleques, arroubos, e más intenções. Coronelismo esse que algema moralmente, que faz com que os que se submetem tenham vergonha de si mesmo, que esmolem aquilo que é direito.

O Museu de Arte de Goiânia é um direito e espera-se, constatados os danos, e não apenas no acervo de arte, mas ao patrimônio público, como é relatado na reportagem que o Ministério Público aja com rigor e entre com a ação de reparação por danos morais à coletividade, e acrescentaria ainda, aos direitos difusos!

Goiânia precisa de políticas públicas para cultura, de verdade, de transparência na gestão da SECULT e principalmente, qualificação desses agentes públicos.

Atenciosamente,

Deolinda Conceição Taveira Moreira
Conservadora Restauradora de Bens Culturais

Abaixo a redação modificada pelo jornal O POPULAR e publicada no dia 03/05/2010, na coluna Cartas do Leitor:

Cultura e política

Sirvo-me da presente para parabenizar o jornalista Rodrigo Alves pela excelente matéria Enfim, prontos no qual relata a situação do Centro Livre de Artes e do Museu de Artes de Goiânia.
A matéria foi muito bem elaborada, o repórter ouviu e viu vários lados e conduziu o texto de modo claro e objetivo, constatando que o poder público omisso é passível de ser responsabilizado, e punido. Considerando a citação do meu nome na matéria, assino esta carta.

Uma frase atribuída ao atual gestor da Secult, “...partidas de pessoas mal-intencionadas” ao se referir às pessoas que criticaram e denunciaram a displicência no processo de reforma do prédio do CLA e MAG, impressiona e torna fácil compreender o terror moral dos servidores, da escola e do museu, em falar sobre o assunto. Para compreender o caráter do atual gestor da Secult e especialmente a forma como pensa a cultura e a política, e as relações estabelecidas com o patrimônio cultural goianiense, é preciso voltar no tempo.

Nos idos de 1993, no Ministério Público Estadual, um jovem promotor chamado Sulivan Silvestre, morto em 1999, se destacava pelas ações em defesa do meio ambiente e, pela primeira vez na história de Goiás, também se envolveu com as causas do patrimônio cultural.

Sulivan Silvestre recebeu a denúncia de que o painel O Sonho de Dom Bosco, de autoria do artista plástico D.J. Oliveira, seria destruído. E foi destruído, mesmo notificado: da noite para o dia o então secretário de Cultura de Goiânia, Kleber Adorno, patrocinou, arrumando máquinas e homens da prefeitura, a total destruição do painel.

A desculpa na ocasião era a vontade do artista, ainda vivo, e que posteriormente substituiu uma obra-prima por um arremedo, em azulejo. Soube do caso porque Sulivan Silvestre solicitou-me um parecer técnico sobre as condições da obra, parecer esse que foi totalmente inútil, visto que não havia mais obra alguma a ser estudada, já havia virado pó.

DEOLINDA TAVEIRA MOREIRA
Vila Nova – Goiânia

domingo, maio 02, 2010

MUSEU DE ARTE DE GOIÂNIA, ENFIM PRONTO?




ENFIM, PRONTOS

Após criticada reforma que durou sete meses e chegou a causar danos, Museu de Arte de Goiânia e Centro Livre de Artes serão reinaugurados

por Rodrigo Alves para o jornal O POPULAR, caderno MAGAZINE.Goiânia,29 de abril de 2010.

Inicialmente, eram necessários 60 dias, com possibilidade de prorrogação para até 120. Mas ao todo foram mais de 200 dias de espera, cerca de 7 meses, para que ficasse pronta a reforma do prédio que abriga no Bosque dos Buritis o Museu de Arte de Goiânia (MAG) e o Centro Livre de Artes (CLA), mantidos pela Prefeitura. O CLA será reaberto amanhã e o MAG será entregue no dia 7. Ambos voltam a funcionar após uma conturbada reforma que abrangeu reparos no telhado e na fiação elétrica, chegou a causar danos ao mobiliário por causa da chuva e custou R$ 270 mil, segundo a Secretaria Municipal de Cultura (Secult).

Requisitada há quase dois anos pelas diretorias dos espaços, a reforma demorou para sair do papel. Ambos precisaram esperar cerca de um ano desde que foi feito o primeiro pedido. A obra começou em setembro do ano passado, seguida de uma série de incidentes que atrasaram o andamento e pôs em risco a parte do acervo do museu que não pôde ser removida, além de mobiliário e equipamentos.

Como as chuvas vieram mais cedo em 2009, a reforma teve de ser paralisada, quando o telhado já havia sido retirado. O resultado foi o alagamento da parte interna do prédio, que estragou alguns móveis, e causou preocupação em artistas e entidades culturais em relação à parte do acervo do museu que permaneceu no local, como esculturas, pela falta de condições de mobilidade – cerca de 30%, de acordo com a direção do MAG. Sem telhado, móveis e obras ficaram expostos à umidade, sem proteção adequada.

Um agravante atrasou ainda mais a obra. A fiação do prédio, que já necessitava de troca, foi atingida pela chuva. A licitação teve de ser refeita para incluí-la, demandando mais tempo. “Quando o telhado foi retirado e choveu, a rede elétrica queimou. Aí foi preciso fazer outra licitação”, diz Mairone Barbosa, atual diretora do MAG. Segundo a diretora do CLA, Debora Marra, a fiação não havia sido incluída para não deixar a obra mais cara. “Em serviço público, para conseguir as coisas, às vezes temos de ir por partes”, justifica.

Prejuízos
Tanto o MAG quanto o CLA sofreram prejuízos. Fontes ouvidas pela reportagem disseram que até mesmo equipamentos de informática teriam sido danificados. A maior adversidade, contudo, se deu com os 30% do acervo técnico do museu que ficaram expostos à água, embalados somente em material plástico, conforme constatou uma vistoria do Ministério Público (MP). A situação suscitou protestos de artistas e pessoas ligadas ao museu, como a restauradora Deolinda Taveira, ex-diretora do local, que chegou a apresentar denúncia ao MP.


Comentário:“Os objetos de arte são em sua maioria compostos de diversos materiais, alguns mais sensíveis a determinados fatores de degradação, outros menos, mas todos são absurdamente sensíveis a ação nefasta do homem, é o caso do acervo do MAG. Em sua maioria são muito sensíveis a luz, a umidade e as mudanças bruscas de temperatura. A luz provoca a destruição das fibras dos papéis, o esmaecimento das cores e amarelecimento, dentre outros, a umidade é fonte de proliferação de fungos e bactérias em todos os objetos de arte, do apodrecimento das madeiras, da ferrugem nos metais e etc. E as mudanças bruscas de temperatura conduzem ao processo de contração e dilatação dos materiais que levam a danos irreversíveis.
Os 30 % do acervo(será que é isso mesmo?) deixados na reserva técnica, inundada durante meses, sem qualquer contenção ou cuidado com as obras, CERTAMENTE estão contaminados por agentes microbiológicos, popularmente conhecidos como FUNGOS, que proliferaram felizes no grande caldo que se tornou a sala.
A imagem mostrada na reportagem é clara na total ausência discernimento e de cuidados com o objeto e com o ser humano que está lá, desprotegido, usando apenas uma máscara.
Outra imagem impressionante foi a cobertura por telhas da pirâmide no centro do pátio, mas uma vez, reafirmando a ignorância e a falta de atenção para com as pessoas, usuários e servidores, que sufocam, por total ausência de ventilação no local. E o maior disparate, o MAG está situado no meio de um BOSQUE!”

“Durante o período de chuvas, o MAG passou destelhado e sem qualquer medida de contenção de danos”, anotou ela. A promotora substituta Gerusa Fávero Girardelli, da 7ª Promotoria de Justiça, responsável pelo patrimônio histórico, cultural, urbanístico e meio ambiente, explicou ao POPULAR que uma equipe de fiscalização foi mandada ao local para averiguações. “Os fiscais da promotoria constataram que algumas obras estavam no local, cobertas por um plástico”, relata.

O passo seguinte da promotoria foi enviar um ofício à Secult questionando onde estava o restante do acervo e sob quais condições estava acondicionado. “Não chegamos a receber nenhuma resposta formal”, afirma a promotora. Por telefone, um dos assessores da promotoria chegou a ser informado pela Secult que os 70% do acervo removido haviam sido levados para o nono andar do Pathernon Center, no Centro de Goiânia, no espaço pertencente à Orquestra Sinfônica Municipal.

“Agora vamos comparecer ao museu para que mostrem todo o acervo e sob quais condições foi mantido”, assegura a promotora. Se forem constatadas irregularidades, explica ela, a secretaria poderá ser alvo de ação civil de reparação de dano morais à coletividade. O POPULAR falou sobre o assunto com a diretora do MAG, Mairone Barbosa, e com o secretário de Cultura, Kleber Adorno. De acordo com a diretora, tanto as obras removidas quanto as que permaneceram no local não sofreram danos, embora ela admita que as condições de condicionamento não tenham sido ideais. “Elas vão precisar somente da limpeza habitual”, diz .

Kleber Adorno afirmou que tudo foi para preservar a integridade do acervo. “O acervo foi acomodado no espaço do Pathernon Center, sem nenhum prejuízo”, diz ele, que ainda se referiu às críticas e denúncias de displicência no processo desta reforma como “partidas de pessoas mal-intencionadas”. “Mandei verificar tudo e percebi que as denúncias não tinham fundamento.” O POPULAR visitou o MAG nesta semana, quando os retoques finais da reforma estavam sendo realizados. Algumas das obras que ficaram no local estavam embaladas, abrigadas em plásticos-bolha ou lonas pretas, esperando para serem recolocadas nas estantes da sala da reserva técnica. Embora aparentemente intactas, elas realmente não estavam acondicionadas nas condições ideias.
Comentário: "As pessoas mal-intencionadas aguardam a publicação do direito de resposta, mas antecipo algo que o velho coronel da cultura não se dá conta, o Museu de Arte de Goiânia é um direito e espera-se, constatados os danos, e não apenas no acervo de arte, mas ao patrimônio público, como é relatado na reportagem que o Ministério Público aja com rigor e entre com a ação de reparação por danos morais à coletividade, e acrescentaria ainda, aos direitos difusos!"

Volta às aulas no CLA

Após sete meses de reforma, o Centro Livre de Artes (CLA) volta às aulas na segunda-feira, dia 3, ainda com vagas disponíveis nos cursos desenho e pintura (infantil), desenho de moda (acima de 15 anos) e desenho de observação e história da arte (adultos). Amanhã, a partir das 8h30, uma cerimônia com apresentações artísticas de alunos e professores marcará a volta das atividades do local, com a presença da Banda Municipal de Goiânia, do prefeito Paulo Garcia e do secretário municipal de Cultura, Kleber Adorno.

O CLA volta ao pleno funcionamento na estrutura reformada que conta cerca de 20 salas, que recebem aulas de cem professores nos três períodos do dia. “Fizemos uma reestruturação do calendário para não prejudicar os cursos”, informa a diretora do CLA, Debora Marra. Segundo ela, cursos de artes, que são semestrais, serão iniciados agora e prolongados até o final do ano. Já o restante dos cursos, de duração anual, receberão adaptações para chegar até o fim sem prejuízo de conteúdo. “Como o atraso foi proporcionalmente menor, conseguiremos fazer isso”, ressalta a diretora.
Ao todo, cerca de 1,8 mil alunos voltarão às atividades (mais informações sobre vagas pelo telefone 3524-1194). Mesmo com a reforma, eles ainda enfrentarão problemas que já eram recorrentes, além de alguns causados pela reforma conturbada. Um deles é com relação à falta de móveis, já que muitos fora danificados pelas chuvas e não puderam ser recuperados. Outro é a carência de instrumentos musicais, que antes já faltavam e ficaram em número mais reduzido com a danificação de alguns equipamentos pelo alagamento em decorrência das chuvas.

Demora histórica

Inaugurado em 1970, o prédio do Museu de Arte de Goiânia (MAG), que há sete anos passou também a dividir espaço com o Centro Livre de Artes, foi concebido inicialmente para ser um hospital. Seu atual acervo de mais de 800 obras incluem artistas renomados como Siron Franco, Antônio Poteiro e Divino Sobral, em modalidades que incluem pintura, desenho, fotografia, gravuras, escultura, objetos, entre outros.

Por mais quase quatro décadas, a estrutura nunca passou por uma reforma estrutural drástica. No início da década de 2000, o prédio chegou a ser reformado pela Prefeitura, mas apenas recebeu novas divisões e pintura. As mudanças, no entanto, não resolveram a antiga necessidade prioritária da troca do telhado e da fiação elétrica. O teto, segundo fontes consultados pelo POPULAR, já apresentava infiltrações e goteiras há mais de 20 anos e não foram raras as vezes que funcionários tiveram de acudir às pressas para que o acervo do MAG e o material da CLA não fossem atingidos pelas goteiras.

O que era uma preocupação cotidiana tornou-se pesadelo quando, enfim, saiu a licitação para a obra, no ano passado. Autorizada ainda no início de 2009, a reforma recebeu o sinal verde para o início em setembro. O telhado seria retirado para receber nova cobertura. “Estávamos há tanto tempo esperando pela reforma, que decidimos começar imediatamente”, lembra a diretora do Centro Livre de Artes, Debora Marra. Junto com o ex-diretor do museu Antônio da Mata, Debora foi uma das principais articuladoras da obra.

Mesmo afastado da direção do museu desde maio do ano passado após o fim de seu contrato, Da Mata continuou a acompanhar o processo. Ele admite que a pressa aliada às chuvas fora de época acabaram colocando o MAG e o CLA em situação ainda pior. Adicionado à falta de celeridade na resolução, o problema, segundo ele, acabou ganhando dimensão maior. “O que aconteceu lá é o que acontece no Brasil todo: tudo que é relacionado à cultura sempre demora muito mais para ser resolvido”, opina.

quinta-feira, setembro 18, 2008

FANTASMINHA CAMARADA

O bom de Goiânia é que as pessoas são apaixonadas, com esse modo meio sertanejo de ser, diria que até mesmo brega chique, daqueles que choram lagrimas infinitas, agradecidos aos galhos ornamentais distribuídos com muita generosidade musical.

Goiânia é uma cidade que quer ser metrópole, metida a ser melhor em tudo, doce ilusão. Há 20 anos era uma outra cidade, e hoje, decadente assiste impassível a morte de seus jovens nas mãos de grupos de extermínio, transporte urbano e um trânsito que não fica devendo nada para as verdadeiras metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro, todavia, está muito mais para Duque de Caxias e o Bairro Centenário. Se não tem Funk, tem CarnaGoiânia, quer mais ou já está bão?

Mas vamos a coisas mais amenas... No post anterior comentei sobre o novo verbete do Aurélio “Deolindar” e imaginem que o autor do texto que propõe o novo verbete é um FANTASMINHA CAMARADA da SECULT. Uma pena, por que estava levando a sério a proposta do novo verbete.

Devo dizer em defesa do Fantasminha que em 24 anos de serviço público, quando assumi a nobre função de Restauradora do Museu de Arte de Goiânia, por concurso público, diga-se de passagem, o dito cujo Fantasminha Camarada já ali estava, membro do Conselho Municipal de Cultura e já se noticiava a sua nobre participação no famoso chá da 17 horas do Conselho Municipal de Cultura. Já nessa época, a pena esferográfica do Fantasminha Camarada já prestava os seus serviços de lambe saco e afaga egos.

Essa que é a verdadeira profissão do escritor Fantasminha Camarada goianiense.

Para o deleite de alguns e a ira de outras, abaixo na íntegra a ótima declaração de voto e apreço pelo Fantasminha Camarada do escritor, cineasta, multimídia PX Silveira. E claro, depois a declaração apaixonada do Fantasminha Camarada “PX, brilho de purpurina” que gerou toda essa celeuma.

Eh, mundão, nada supera Goiânia!

http://www.dm.com.br/impresso/7622/opiniao/49807,mais_um_motivo_para_votar_em_iris_rezende
Mais um motivo para votar em Íris Rezende

Px da SilveiraPX Silveira é executivo do Instituto Arte Cidadania

A gente anda tão desacostumado com o trato da coisa pública pelos homens ditos públicos que, quando surge alguém fazendo as coisas como deve ser, tecemos elogios e ficamos agradecidos.

Dando graças a deus, esquecemos que trabalhar não é virtude do gestor político, mas seu dever.Sou daqueles que acreditam que só pode ser um representante do povo quem por ele deseja e consegue trabalhar.

Do contrário, o melhor é o tal representante arrumar a trouxa e ir para casa.É por isso que temos vários motivos para votar em Iris Rezende. Mas bem que poderíamos ter mais um, que a gente sempre almeja por mais e queremos sempre ver as coisas melhorando. A começar pelo quintal da cultura, essa área de formadores de opinião que tanto podem fazer pela sociedade.Eu votaria ainda mais em Iris Rezende se ele assumisse o compromisso de acabar de vez com os funcionários-fantasmas na Secretaria Municipal da Cultura que, como muita gente sabe mas não diz, está repleta deles. Sei que não haverá de ser somente na pasta da Cultura que grassam estes tipos daninhos, mas me parece que lá a coisa é mais descarada, passa dos limites do aceitável; pois no poder público municipal ou estadual, em geral, um fantasminha aqui ou ali é coisa dada como natural.

Sei também que não é uma boa hora para falar de funcionários-fantasmas. Nesta altura do calendário político, tem muita gente que se livra do trabalho para bater pé em busca do eleitor, com o beneplácito do chefe, que até incentiva esse tipo de fantasmagoria, desde que seja partidária ou, como também acontece na cultura municipal, em benefício próprio, quando este se candidata.

Falemos então dos fantasmas permanentes, não dos sazonais, mas daqueles do ano inteiro. Podemos falar muito e sem esforço algum destes senhores que sabem se esgueirar como o vento, amantes do contracheque integral no fim do mês.Foi pela seção de cartas deste jornal que chegou-me a informação de que na Secretaria Municipal de Cultura tem fantasma graúdo.

A coisa chegou a tal ponto que lá têm fantasmas tratados em regime de engorda, barrigudos como carrapatos atrás da orelha do animal, onde (quase) nenhum movimento os fazem sair de onde estão. Já é fantasma de carreira, contabilizado no plano de cargos e salários com rendimentos papáveis e reais que lhe são tributados todo mês, incorporando a seu bolso leviano todos os benefícios decorrentes do anos e anos que tem assombrado aquela casa da cultura.É, na verdade, um fantasma brasileiro, feliz e poeta no seu ofício de ser bonachão com os recursos do povo que se lhe encorpam as banhas.

Um retrato desse, emoldurado na parede que separa o povo das alcovas, torna amargo o gosto da fé pública. É uma praga que medra na amizade com seus chefes e que se agarra indefinidamente aos muros internos daquela casa que deveria servir de exemplo para todas as outras.

Mais que um dano municipal, a fantasmagoria pública é um passo falso da nação, dando razão a Mário de Andrade, que bem declarava já na década de 40, que são eles, os funcionários públicos fantasmas, “as saúvas do Brasil”. E até hoje, mesmo com formicidas mais eficientes, ainda estamos à mercê desta pouca vergonha, muita vezes cometidas por pessoas próximas a nós.

Para se ter uma idéia do que são e podem esses senhores da neblina, tem desses que, com os proventos de suas fantasmices, fincaram pensão nas praias nordestinas. E que, para completar, fazem tão pouco caso do suor do contribuinte que recebem duplamente da mesma fonte pública pagadora: uma vez por ser fantasma de direto adquirido (sic), e outra por ser membro do conselho da mesma pasta, recebendo jetons por suas reuniões.

É claro, fantasma que se preza não pode nunca deixar de receber os seus, sem dar nada em troca, mesmo quando tem seus livros de poesia pagos e publicados pela mesma casa-da-mãe-joana cultural, que seus escritos, infelizmente, nada têm a nos acrescentar.

E o secretário municipal de Cultura, tirando ouro do nariz, faz vista grossa a essa situação. Não somente este atual secretário, que é preposto do anterior, mas também o anterior, que deu a senha e o exemplo ora seguido por este, em respeito à alta insignificância do fantasma contemplado.Será que uma coisa dessas, mesmo já incorporada ao dia a dia, não tem jeito de ser combatida e eliminada? De qualquer maneira, meu voto vai para o Iris Rezende, que sei que não tolera coisas assim. Sei que se ele ainda não deu um basta a essa situação, foi por não ter conhecimento do fato.

O Iris jamais se omitiria em assuntos assim, porque não tem medo sequer de viventes. Cá entre nós, dói mesmo é saber que essa praga medra na cabeça dos ditos intelectuais citadinos, que, ao menos teoricamente, são os que deveriam zelar pela ética na sociedade. Ou não?


http://www.revistabula.com/colunas/546/PX-brilho-de-purpurina
PX, brilho de purpurina

Por Brasigois Felício (Fantasminha Camarada)

Por que há de ser sempre o hospital das letras, das artes e da cultura uma fogueira de vaidades? Que espécie de praga mental faz que existam coronéis da cultura nas metrópoles e mais ainda nas províncias que não são mais do que fazendas asfaltadas?

Tais perguntas surgem-me à mente a propósito da doença infantil do intelectualismo, que faz certos autodenominados multimídias atirarem com metralhadora giratória para todos os lados, sem a pretensão de acertar, ou fazer coisa com coisa, apenas fazer barulho, assim passando a idéia de que são muito importantes e produtivos.

Tais são as personalidades in-culturais da boianidade, que não precisam produzir coisa alguma prestante, para serem conhecidas como celebridades com direito a dar pitaco em tudo quanto é assunto. Pois é sabido que há certas consagradas personas, das artes e das letras que já nasceram galardoadas com substanciosos currículos.

Nossa tórrida terrinha anhanguerina é pródiga tanto nos piolhos e Jorginhos do Pequi da vida, quanto abunda (e prejudica) em personas que se posicionam (por direito de nascimento) como capitães donatários de feudos no campo das artes e da cultura. Apoiados nos feitos de parentes próximos ou remotos, à sombra da familiocracia de que são herdeiros jactanciosos e diletos, julgam-se com direito divino de atropelar quem quer que, mesmo com méritos, venha ofuscar seu brilho de purpurina.

É a velha tradição brasileira de atropelar leis e arrostar autoridades, com a pompa e a circunstância de quem, em face de qualquer contrariedade, apelam para o clássico: "Sabe com quem você está falando?". Há muito em manjo o oportunismo sanguessuga destes que vivem a parasitar as falácias e feitos de seus avoengos. Isto quando não vêm os gênios do GE, a marcar e demarcar espaços de poder no arraial das letras, onde mandam e desmandam.

O fato de terem ocupado carguinhos ou cargões de mando (mesmo lá não tendo feito nada que aproveitável, a não ser locupletarem-se de benesses e favores, estendidas a seus grupelhos de apaniguados) faz que andem de nariz empinado, a pensar que podem mandar chover e ventar nas instituições culturais. Não raramente, instituções culturais particulares ou públicas são palcos de episódios deploráveis, com capitães donatários a posar de "donos do pedaço".

A propósito, vem o "multimídia" PX da Silveira, de parca produção artística, com alegre leviandade (e quem sabe se movido por interesses inconfessáveis) fazendo uso de sua metralhadora giratória, em campanha mesquinha contra autoridades da cultura que até há pouco tempo apoiava com entusiasmo. Mudaram estas pessoas, ou mudou o multimídia, sempre visto em articulações abaixo de qualquer suspeita, ora lançando intempestivas chapas fofoqueiras à sucessão, por exemplo, da Ube-go.

Ou, "deolindando" de vez, como bobinhos dos blogs, pondo-se a escrever invejosos artigos ressentidos contra Kleber Adorno, com notável folha de serviços prestados à cultura, e contra Doracino Naves, atual Secretário de Cultura. Se alguém mudou, certamente não foram Kleber Adorno ou Doracino Naves, cujo trabalho realizado em prol da cultura é largamente conhecido, o mesmo não se podendo dizer do que PX da Silveira teria feito em sua apagada passagem pela Funarte.

É triste, podendo até mesmo ser trágico, mas é inevitável dizer: o coronelismo, em Goiás, perdeu expressão na política, mas abunda e prejudica em todos os setores da cultura. O que equivale que Bóias evoluiu muito: passou do estado de sítio para o estado de fazenda asfaltada. O que não deixa de ser um avanço, em matéria de atraso e de ranço.

Os dois personagens citados pelo Fantasminha Camarada, como exemplos de folha corrida em favor da Cultura goianiense, são ambos alvos de uma "pesquisa" pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, sendo um acusado de PREVARICAÇÃO. Sobre o assunto, em breve alguns posts interessantes.

Todavia precisamos reconhecer que o PX é o PX afinal conseguiu que um jornal local - aqui a imprensa é marrom, reconhece quem lhe paga e abana o rabo com afinco esperando ser contemplada com mais um biscoitinho financiado pelo erário - publicasse seu texto.