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quinta-feira, dezembro 18, 2008

GESTÃO PÚBLICA DA CULTURA EM GOIÂNIA

A Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia é novamente tema do discurso de PX Silveira e como sempre apontando o dedo na ferida, ou melhor, nos desmandos e prevaricações cometidas por gestores públicos empossados pelo Prefeito Iris Rezende.

A favor da SECULT é preciso comentar que a "turma" apontada a dedo por PX Silveira chegou até lá pelo próprio dedo dele, que foi, segundo o senso comum, quem indicou ao prefeito em dezembro de 2004, o nome do ex-secretário Kleber Adorno.

Atualmente, as "viúvas" do ex-secretário e candidato a vereador fracassado, aguardam cheios de esperança o retorno. E diga-se de passagem, a possibilidade existe, pois, vamos lá, desde quando, Iris Rezende, realmente olhou para cultura? Portanto, Kleber Adorno e seu curriculo é tudo de bom, mesmo sendo processado pelo MP por improbidade administrativa e investigado em outros procedimentos, que incluem, o famigerado Chorinho, e claro, o modo como tentou obter um título de doutor em uma universidade federal(usando ctrl+C e ctrl+V).

Enfim, Goiânia merecia algo melhor que um prefeito amante de "espetos" e viadutos pagos com recursos públicos. E sobre os "espetos", querem apostar que no próximo serão colocados um boi? O boi no rolete.

Abaixo o texto publicado hoje no Diário da Manhã.
Uma nova chance para Iris Rezende

A cultura pode muito pelo indivíduo e pode muito mais pela sociedade, que é a soma dos indivíduos. Uma cidade catalisada pela cultura passa a ser mais que a soma de sua gente, suas casas, suas ruas, suas praças e seus templos, profanos ou não.

É por isso que a cultura de um governo não deve ser tratada como um segmento, mas como um todo, do qual fluem todos os segmentos que compõem a vida em sociedade.

Na política cultural de Iris destacam-se duas ações, ambas extemporâneas a ela, isto é, vindas de administrações anteriores, sejam: a Lei Municipal de Cultura e o Encontro das Folias. Aquela, a lei, surgiu para desencantar de vez o fazer cultural goianiense, com o advento de verbas injetadas diretamente, por meio de editais, que quando não são manipulados, se prestam ao bom serviço de fomentar e democratizar o acesso à produção.

E este, o Encontro das Folias, reúne em Campinas uma vez ao ano verdadeiras expressões populares, para um dia de encontros e renovação de suas expressões de fé, arte e história.

Outro destaque da administração irista cultural é o Cine Ouro, espaço de expressão urbana dentro dos seus limites e problemas, onde se realiza mais um festival de cinema entre os 86 eventos dessa natureza que acontecem anualmente no pais.

A partir daí, tudo que a política irista cultural realiza não passa de seu dever. E o agravante é que essa é uma gestão condenada, não pelo grande público em geral, que lhe tem sido indiferente, mas condenada literalmente, em ação movida pelo Ministério Público, por improbidade administrativa, e com outro inquérito aberto na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública, este em andamento.

De inovador, nada no horizonte. E não é por falta de motivos e inspiração. Onde estaria, por exemplo, a tradução do potencial de liderança do Iris na cultura? Por que não se utiliza o espírito do mutirão como uma poderosa ferramenta cultural? Por que deixar passar o poder de agregação dos eventos de bairro, para mobilizar culturalmente a cidade e fazer um levante que se destacaria nacionalmente?

É fato que, infelizmente, como grande gestor que é, Iris Rezende ainda não encontrou na cultura o seu interlocutor junto à população que governa.

Neste sentido, o projeto para a cultura do PT e de outros partidos está visivelmente mais próximo da realidade que o do PMDB. E dou aqui testemunho de que não é por falta de vontade e de visão de Iris Rezende, mas simplesmente por falta de vontade e estratégia dos quadros que lhe representam nesta área vital para toda a administração.

A visão elitista, a ineficiência, a vaidade, a vaidade, a vaidade e até mesmo a preguiça, são visíveis quando se lança um olhar no retrospecto do “iris cultural”.

Enquanto isso, se perdem as oportunidades, por exemplo, que os mutirões no bairros poderiam favorecer, fazendo com que a cultura finalmente tenha capilaridade e densidade cidadãs.

Goiânia, que bem outorgou a Iris uma nova chance no governo, está ela mesma à espera de uma nova chance que venha lhe mudar o destino.

PX Silveira é diretor executivo do Instituto ArteCidadania http://www.dm.com.br/impresso/7713/opiniao/59053,uma_nova_chance_para_iris_rezende

quinta-feira, setembro 18, 2008

FANTASMINHA CAMARADA

O bom de Goiânia é que as pessoas são apaixonadas, com esse modo meio sertanejo de ser, diria que até mesmo brega chique, daqueles que choram lagrimas infinitas, agradecidos aos galhos ornamentais distribuídos com muita generosidade musical.

Goiânia é uma cidade que quer ser metrópole, metida a ser melhor em tudo, doce ilusão. Há 20 anos era uma outra cidade, e hoje, decadente assiste impassível a morte de seus jovens nas mãos de grupos de extermínio, transporte urbano e um trânsito que não fica devendo nada para as verdadeiras metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro, todavia, está muito mais para Duque de Caxias e o Bairro Centenário. Se não tem Funk, tem CarnaGoiânia, quer mais ou já está bão?

Mas vamos a coisas mais amenas... No post anterior comentei sobre o novo verbete do Aurélio “Deolindar” e imaginem que o autor do texto que propõe o novo verbete é um FANTASMINHA CAMARADA da SECULT. Uma pena, por que estava levando a sério a proposta do novo verbete.

Devo dizer em defesa do Fantasminha que em 24 anos de serviço público, quando assumi a nobre função de Restauradora do Museu de Arte de Goiânia, por concurso público, diga-se de passagem, o dito cujo Fantasminha Camarada já ali estava, membro do Conselho Municipal de Cultura e já se noticiava a sua nobre participação no famoso chá da 17 horas do Conselho Municipal de Cultura. Já nessa época, a pena esferográfica do Fantasminha Camarada já prestava os seus serviços de lambe saco e afaga egos.

Essa que é a verdadeira profissão do escritor Fantasminha Camarada goianiense.

Para o deleite de alguns e a ira de outras, abaixo na íntegra a ótima declaração de voto e apreço pelo Fantasminha Camarada do escritor, cineasta, multimídia PX Silveira. E claro, depois a declaração apaixonada do Fantasminha Camarada “PX, brilho de purpurina” que gerou toda essa celeuma.

Eh, mundão, nada supera Goiânia!

http://www.dm.com.br/impresso/7622/opiniao/49807,mais_um_motivo_para_votar_em_iris_rezende
Mais um motivo para votar em Íris Rezende

Px da SilveiraPX Silveira é executivo do Instituto Arte Cidadania

A gente anda tão desacostumado com o trato da coisa pública pelos homens ditos públicos que, quando surge alguém fazendo as coisas como deve ser, tecemos elogios e ficamos agradecidos.

Dando graças a deus, esquecemos que trabalhar não é virtude do gestor político, mas seu dever.Sou daqueles que acreditam que só pode ser um representante do povo quem por ele deseja e consegue trabalhar.

Do contrário, o melhor é o tal representante arrumar a trouxa e ir para casa.É por isso que temos vários motivos para votar em Iris Rezende. Mas bem que poderíamos ter mais um, que a gente sempre almeja por mais e queremos sempre ver as coisas melhorando. A começar pelo quintal da cultura, essa área de formadores de opinião que tanto podem fazer pela sociedade.Eu votaria ainda mais em Iris Rezende se ele assumisse o compromisso de acabar de vez com os funcionários-fantasmas na Secretaria Municipal da Cultura que, como muita gente sabe mas não diz, está repleta deles. Sei que não haverá de ser somente na pasta da Cultura que grassam estes tipos daninhos, mas me parece que lá a coisa é mais descarada, passa dos limites do aceitável; pois no poder público municipal ou estadual, em geral, um fantasminha aqui ou ali é coisa dada como natural.

Sei também que não é uma boa hora para falar de funcionários-fantasmas. Nesta altura do calendário político, tem muita gente que se livra do trabalho para bater pé em busca do eleitor, com o beneplácito do chefe, que até incentiva esse tipo de fantasmagoria, desde que seja partidária ou, como também acontece na cultura municipal, em benefício próprio, quando este se candidata.

Falemos então dos fantasmas permanentes, não dos sazonais, mas daqueles do ano inteiro. Podemos falar muito e sem esforço algum destes senhores que sabem se esgueirar como o vento, amantes do contracheque integral no fim do mês.Foi pela seção de cartas deste jornal que chegou-me a informação de que na Secretaria Municipal de Cultura tem fantasma graúdo.

A coisa chegou a tal ponto que lá têm fantasmas tratados em regime de engorda, barrigudos como carrapatos atrás da orelha do animal, onde (quase) nenhum movimento os fazem sair de onde estão. Já é fantasma de carreira, contabilizado no plano de cargos e salários com rendimentos papáveis e reais que lhe são tributados todo mês, incorporando a seu bolso leviano todos os benefícios decorrentes do anos e anos que tem assombrado aquela casa da cultura.É, na verdade, um fantasma brasileiro, feliz e poeta no seu ofício de ser bonachão com os recursos do povo que se lhe encorpam as banhas.

Um retrato desse, emoldurado na parede que separa o povo das alcovas, torna amargo o gosto da fé pública. É uma praga que medra na amizade com seus chefes e que se agarra indefinidamente aos muros internos daquela casa que deveria servir de exemplo para todas as outras.

Mais que um dano municipal, a fantasmagoria pública é um passo falso da nação, dando razão a Mário de Andrade, que bem declarava já na década de 40, que são eles, os funcionários públicos fantasmas, “as saúvas do Brasil”. E até hoje, mesmo com formicidas mais eficientes, ainda estamos à mercê desta pouca vergonha, muita vezes cometidas por pessoas próximas a nós.

Para se ter uma idéia do que são e podem esses senhores da neblina, tem desses que, com os proventos de suas fantasmices, fincaram pensão nas praias nordestinas. E que, para completar, fazem tão pouco caso do suor do contribuinte que recebem duplamente da mesma fonte pública pagadora: uma vez por ser fantasma de direto adquirido (sic), e outra por ser membro do conselho da mesma pasta, recebendo jetons por suas reuniões.

É claro, fantasma que se preza não pode nunca deixar de receber os seus, sem dar nada em troca, mesmo quando tem seus livros de poesia pagos e publicados pela mesma casa-da-mãe-joana cultural, que seus escritos, infelizmente, nada têm a nos acrescentar.

E o secretário municipal de Cultura, tirando ouro do nariz, faz vista grossa a essa situação. Não somente este atual secretário, que é preposto do anterior, mas também o anterior, que deu a senha e o exemplo ora seguido por este, em respeito à alta insignificância do fantasma contemplado.Será que uma coisa dessas, mesmo já incorporada ao dia a dia, não tem jeito de ser combatida e eliminada? De qualquer maneira, meu voto vai para o Iris Rezende, que sei que não tolera coisas assim. Sei que se ele ainda não deu um basta a essa situação, foi por não ter conhecimento do fato.

O Iris jamais se omitiria em assuntos assim, porque não tem medo sequer de viventes. Cá entre nós, dói mesmo é saber que essa praga medra na cabeça dos ditos intelectuais citadinos, que, ao menos teoricamente, são os que deveriam zelar pela ética na sociedade. Ou não?


http://www.revistabula.com/colunas/546/PX-brilho-de-purpurina
PX, brilho de purpurina

Por Brasigois Felício (Fantasminha Camarada)

Por que há de ser sempre o hospital das letras, das artes e da cultura uma fogueira de vaidades? Que espécie de praga mental faz que existam coronéis da cultura nas metrópoles e mais ainda nas províncias que não são mais do que fazendas asfaltadas?

Tais perguntas surgem-me à mente a propósito da doença infantil do intelectualismo, que faz certos autodenominados multimídias atirarem com metralhadora giratória para todos os lados, sem a pretensão de acertar, ou fazer coisa com coisa, apenas fazer barulho, assim passando a idéia de que são muito importantes e produtivos.

Tais são as personalidades in-culturais da boianidade, que não precisam produzir coisa alguma prestante, para serem conhecidas como celebridades com direito a dar pitaco em tudo quanto é assunto. Pois é sabido que há certas consagradas personas, das artes e das letras que já nasceram galardoadas com substanciosos currículos.

Nossa tórrida terrinha anhanguerina é pródiga tanto nos piolhos e Jorginhos do Pequi da vida, quanto abunda (e prejudica) em personas que se posicionam (por direito de nascimento) como capitães donatários de feudos no campo das artes e da cultura. Apoiados nos feitos de parentes próximos ou remotos, à sombra da familiocracia de que são herdeiros jactanciosos e diletos, julgam-se com direito divino de atropelar quem quer que, mesmo com méritos, venha ofuscar seu brilho de purpurina.

É a velha tradição brasileira de atropelar leis e arrostar autoridades, com a pompa e a circunstância de quem, em face de qualquer contrariedade, apelam para o clássico: "Sabe com quem você está falando?". Há muito em manjo o oportunismo sanguessuga destes que vivem a parasitar as falácias e feitos de seus avoengos. Isto quando não vêm os gênios do GE, a marcar e demarcar espaços de poder no arraial das letras, onde mandam e desmandam.

O fato de terem ocupado carguinhos ou cargões de mando (mesmo lá não tendo feito nada que aproveitável, a não ser locupletarem-se de benesses e favores, estendidas a seus grupelhos de apaniguados) faz que andem de nariz empinado, a pensar que podem mandar chover e ventar nas instituições culturais. Não raramente, instituções culturais particulares ou públicas são palcos de episódios deploráveis, com capitães donatários a posar de "donos do pedaço".

A propósito, vem o "multimídia" PX da Silveira, de parca produção artística, com alegre leviandade (e quem sabe se movido por interesses inconfessáveis) fazendo uso de sua metralhadora giratória, em campanha mesquinha contra autoridades da cultura que até há pouco tempo apoiava com entusiasmo. Mudaram estas pessoas, ou mudou o multimídia, sempre visto em articulações abaixo de qualquer suspeita, ora lançando intempestivas chapas fofoqueiras à sucessão, por exemplo, da Ube-go.

Ou, "deolindando" de vez, como bobinhos dos blogs, pondo-se a escrever invejosos artigos ressentidos contra Kleber Adorno, com notável folha de serviços prestados à cultura, e contra Doracino Naves, atual Secretário de Cultura. Se alguém mudou, certamente não foram Kleber Adorno ou Doracino Naves, cujo trabalho realizado em prol da cultura é largamente conhecido, o mesmo não se podendo dizer do que PX da Silveira teria feito em sua apagada passagem pela Funarte.

É triste, podendo até mesmo ser trágico, mas é inevitável dizer: o coronelismo, em Goiás, perdeu expressão na política, mas abunda e prejudica em todos os setores da cultura. O que equivale que Bóias evoluiu muito: passou do estado de sítio para o estado de fazenda asfaltada. O que não deixa de ser um avanço, em matéria de atraso e de ranço.

Os dois personagens citados pelo Fantasminha Camarada, como exemplos de folha corrida em favor da Cultura goianiense, são ambos alvos de uma "pesquisa" pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, sendo um acusado de PREVARICAÇÃO. Sobre o assunto, em breve alguns posts interessantes.

Todavia precisamos reconhecer que o PX é o PX afinal conseguiu que um jornal local - aqui a imprensa é marrom, reconhece quem lhe paga e abana o rabo com afinco esperando ser contemplada com mais um biscoitinho financiado pelo erário - publicasse seu texto.

sábado, julho 26, 2008

PX, o Poeta e a "Curtura goianiense"

Outro dia, o multitarefas e agora, também taxado de "o vingador do PT", PX Silveira pautou novamente a ação entre amigos que é a gestão da cultura no município de Goiânia, como tema dos artigos que publica semanalmente no jornal DIÁRIO DA MANHÃ.

Entre umas e outras, comenta que deixará o assunto de lado, pois, estava cansado de ameaças a liberdade de opinião. O jornal estaria sendo pressionado a deixar de publicar os artigos, a volta da censura política e cultural.

Mas, sem querer, querendo e dando muitas voltas, certamente enganar o editor do DM(piadinha), tascou o dedão na ferida de novo e o resultado foi inusitado, várias pessoas comentaram o artigo e cada uma delas acrescentou mais um ponto no bordado.

Leiam ao lado a opinião de Rogério Monteiro, e, logo depois do artigo do PX , os palpites de Júlia Francisca Silva e André Arantes. Vale a leitura.

Em tempo, embora no momento, concorde em gênero, número e grau com o PX, mesmo por que nos últimos 3 anos e 1/2, neste blog, exponho a situação da má gestão da cultura goianiense, isso não nos torna amigos, nem do presente e nem no passado. No futuro, quem sabe? A Deus pertence. .

O que deixa a todos abismados é o silêncio do prefeito sobre o assunto. O que será que ele espera? Ou será que concorda? Sei não ...

Opinião (23/07/2008) DM http://v5.dm.com.br/opiniao/o_poeta_e_o_pib

"O poeta e o PIB
A Organização do Comércio e Desenvolvimento Econômico, não está nem aí. Os indicadores de investimento no País, não estão nem aí. Cultura é o fim, quando deveria ser o começo de tudo. Tirante o fato de que o que sobressai na cultura da gestão Iris Rezende são apenas gestores interessados no seu particular, a manutenção de funcionários fantasmas graúdos e os elogios dos infalíveis puxa-sacos, que assim ordenham suas benesses, perguntamos, afinal: quando chegará o dia de a gente indagar para que servem esses índices de crescimento que freqüentemente ocupam as manchetes dos jornais? Se os indicadores que deveriam expressar a riqueza nacional ignoram as relações culturais, como, por exemplo, a poesia de um Gabriel Nascente, que é moldura da alma, feita de marcas afetivas e a pura expressão de fatos humanos do dia-a-dia, para que, então, nos serviria essa vida vivida, se somente contabilizamos e consideramos como crescimento as relações mercantis?Na era Lula, respaldada na limitada Goiânia pelo quatriênio Iris, o avanço econômico do Brasil tem se distinguido perante outros países, chegando a ser até mesmo motivo de alguma comemoração. O Produto Interno Bruto, o sacralizado PIB, conforme divulgado recentemente, cresceu, inesperadamente, mais que 5%, em 2007. Na certa, foi puxado pelo crescimento do mercado de trabalho e pelos investimentos que não cessam de aumentar a nossa capacidade produtiva, que também se distingue perante à de outros países e, de mesmo, suscitam ondas de comemorações, aqui e ali. Mas o que isso tem a ver com a gente, que para ser gente necessitamos de poesia e de cultura? O que essas comemorações podem, de fato, fazer por nós, os mortais abandonados, que com nossas vidas fazemos a vida deste País?O mal não vem somente dos economistas, dos grandes mandatários pragmáticos e dos gestores ineptos de cultura local. O pior de tudo, certamente pela soma desses fatores, é que o senso comum também enxerga o crescimento econômico como a fiel tradução do aumento da riqueza da sociedade, portanto, o único a ser almejado. Neste triste mundo rico fabricado pelos índices, a poesia de Gabriel Nascente, produzida à fartura mesmo nas piores entressafras, é solenemente ignorada e não entra no cômputo de nossas riquezas. E olha que ela, a poesia, interfere direta e inegavelmente em todos os estados emocionais do cidadão, portanto, interfere no vetor mais básico da sociedade, que é o homem, mesmo no mais desavisado. A poesia, para ficar apenas no exemplo gratificante da poesia de um Gabriel Nascente, interfere diretamente no ritmo e na forma da cidadania de seus leitores e, indiretamente, na de todos os cidadãos do planeta. A produção de Gabriel Nascente é uma das poucas certezas sociais de que podemos ter orgulho. Para muito além dos Goyazes, ela é uma das coisas que realmente funcionam neste País, comprovada já em seus cinquenta livros publicados.Se os números da economia brasileira aparentam ser louváveis, do que não duvido, mais louvável ainda é a motricidade poética de um Gabriel Nascente, que mesmo encorpada em alma e músculos permanece invisível na arena municipal e nos cômputos da Nação. A recente divulgação dos números da economia brasileira pelo IBGE, ignora placidamente este fato retumbante. De quem seria a culpa? Não do poeta, sem dúvida.A poesia, essa infatigável vilã da razão, estampa muito mais a tradução do povo, do qual tudo emana, do que qualquer índice projetado nas planilhas da tecnocracia. Portanto, é inaceitável que ela, a poesia, não se espelhe sequer em algum diminuto relatório da produção interna do município, do Estado e do País. Enquanto os gestores da cultura, em geral, sequer sabem sonhar com propriedade para tanto, os dirigentes da lógica nos transmitem continuamente a mensagem de que o resultado do PIB anual não pode esperar. E enquanto a poesia de um Gabriel Nascente entoa, com louvor, a vida que adormece na gente brasileira; é essa mesma gente que, quantificada e encerrada em números sem nenhum pudor, caminha placidamente para o matadouro que lhe é complementar. O PIB é essa régua ríspida que mede o movimento econômico, mas não a sensibilidade do povo, mede crescimento em números, mas não os avanços da mente coletiva, e ignora solenemente os valores humanos capitais, como a poesia e a arte, filhas diletas da cultura. O PIB é um paradigma que embalsama e falseia a sociedade em que sobrevivemos. Rendidos aos números dos economistas e à falta de percepção política dos gestores culturais, somos órfãos dos indicadores que possam nos levar até onde queremos, o estado do bem ser e do bem-estar. Dia-a-dia, somos sacrificados pelas políticas culturais sem visão, confirmando na gente uma incomensurável desilusão, pois a cultura, base para toda poesia, é a única aquisição humana que poderia nos libertar. Mas essa força, a favor do bem comum, é vertida e desperdiçada, impunemente. Sua gestão pública tem sido acometida de inumeráveis erros de origem, que são repetidos ano a ano pela falta de capacidade e boas intenções dos que dela se apropriam apenas para estar no poder.Ainda na atualidade, assim como fora na antiguidade, um País pode querer ser do tamanho do seu exército ou, como medida mais sutil e subliminar, pode querer ser do tamanho de sua economia; mas sabemos que ele é mesmo é do tamanho de sua cultura. A Inglaterra é maior quando nos chega Shakespeare. E a Alemanha é de lá até aqui, porque tem suas fronteiras alargadas por Nietzsche. Mas os verdadeiros grandes homens, suas artes e obras, jamais entraram no PIB.A força da poesia de Gabriel Nascente faz o Estado de Goiás se projetar no globo terrestre. Ela é inquestionável e incomensurável, simplesmente porque é poesia. Eis um bom momento por onde começar. O PIB, um índice primário e capenga, não encontrou uma forma de incorporar em seus cálculos os benefícios que vão além da contabilidade do papel livreiro e da impressão industrial da poesia. Se, em algum novo dia, o trabalho do poeta passar a ser contabilizado nas contas nacionais, nossos números serão outros. E outra será a nossa felicidade. Temos sorte. Considerando que a alta produtividade de Gabriel Nascente é algo incomparável até mesmo na cena mundial, na certa o PIB de Goiás teria um aumento significativo, caso as horas de trabalho do poeta e os resultados alcançados possam ser monetarizados. Mas não tem preço, a poesia de um Gabriel Nascente. E por isso ela é sacrificada como cachorro vadio, diariamente, prostrada no altar da ignorância dos nossos dirigentes culturais.Para que aconteça essa mudança, precisamos agir em todas as frentes. Em nível local, devemos questionar a tendenciosidade visível e a falta de consciência das duas atuais gestões culturais que nos atingem, no âmbito do Estado e, principalmente, na esfera municipal goianiense, duas lástimas administrativas que descansam desavergonhadamente ao sabor das vantagens pessoais. Já em nível global, devemos começar por questionar a validade da utilização do PIB como método de contabilidade do desenvolvimento social, portanto, desenvolvimento cultural. Como acreditar em índices que não consideram a poesia entre a soma das riquezas geradas no País durante o ano? Gabriel Nascente, poeta incontinente e operoso, bem que poderia inspirar os conterrâneos que (des)cuidam da cultura, atentos que estão apenas ao poder. Assim, todas as vezes que escrever poesia e como escreve esse poeta! Gabriel Nascente passará a contribuir no cômputo geral de nossa medida de bem-estar municipal e estadual, para felicidade geral da nação."
PX Silveira é executivo do Instituto Arte Cidadania e coordenador do Porto das Artes

Julia Francisca Silva - juliafranciscasilva@gmail.com
PX, novamente, minhas felicitações! Direto, objetivo e qualitativo o texto de hoje. Li o anterior e pensei, puxa, mais um de desiste da frente de batalha cultura e vai plantar coquinho em Itaboraí. Muito bem lembrado, enquanto no mundo, cultura é também índice de crescimento, em Goiânia é apenas fonte de renda para gestores despreparados, que pela quantidade de vezes que foram denunciados publicamente, já deveriam ter chamado a atenção do prefeito. E este, continua a fazer ouvidos moucos, como se Itaboraí e Pasárgada fossem o mesmo lugar. E Goiânia, hem? Mais 4 anos de gestão desastrada da Cultura. Ou seria "curtura"?Parabéns
!

Andre Arantes - Andre2caus@yahoo.com
A poesia é algo complicada e complexa. Esta, infelizmente, está à quem de nós, brasileiros, que mal sabemos ler, quem dirá entender e interpretar um texto. Caetano, assim como Camões há quinhentos anos atrás, filosofou sobre a relação entre pátria e língua. Como podemos vangloriarmo-nos de tais feitos econômicos ou sobre a soberania nacional tangente à amazônia, se o que nos caracteriza como nação, a língua portuguesa e conseqüentemente suas obras literárias, vai de mal a pior? Um descalabro cultural. É muito clarividente a incapacidade político-social com este novo acordo ortográfico e o descaso social pela obra literária. Fomos incompetentes em elevar o nível nas escolas brasileiras então abaixamos o nível, assim agora todos somos melhor letrados. Lingüisticamente falando, estamos todos num mesmo patamar. Nivelados. Por baixo, é óbvio. Não vejo grandes melhorias culturais num futuro próximo, entretanto vejo-a individualmente. Parabéns pelo discernimento!

domingo, setembro 23, 2007

Mau cheiro da cultura?

Sob o título "Mau cheiro da cultura" o mentor intelectual nos idos de 80, do então secretário estadual de cultura e atual secretário municipal de cultura de Goiânia, PX da Silveira coloca as claras o que acontece no cotidiano da SECULT. Haverá uma resposta? Logo saberemos.
Entretanto, PX esqueceu de apontar em seu artigo, a relação existente entre a SECULT e a maçonaria. Afinal, é ou não é verdade que o secretário é o grão mestre geral da Maçonaria Gloria do Ocidente? E o diretor citado no artigo também é parte da mesma "seita"?
Para quem ainda duvida, uma sugestão de leitura é a home page da própria maçonaria http://gloriadoocidente.org/index.php?pagina=125 .
Bons tempos aqueles onde a maçonaria representava homens de inteligência e do bem.
Crivela jamais pensou que seria copiado, descaradamente em sua proposta de destinar os recursos da cultura, para os operadores de seitas protestantes.
A segunda sugestão de leitura é o blog ENTREATOS.
E abaixo para o deleite de todos e todas o artigo do PX literalmente copiado e colado do blog ENTREATOS.

"Mau cheiro da cultura

Criada e instituída na administração do prefeito Pedro Wilson, a Lei Municipal de Cultura tem sido uma das alavancas da produção cultural goianiense. Perspicaz, a atual administração não só a manteve em pleno funcionamento, percebendo de imediato a sua importância, como também tratou de lhe dar maior divulgação.Mas a perspicácia não parou por aí. Tão logo assumiu, o novo secretário de Cultura tratou de podar as asas do conselho de análise dos projetos, retirando-lhe, de uma só vez, o caráter autônomo que o distinguia e a representatividade que o caracterizava. É mais um caso patente em que a perspicácia passa de mocinha à vilã, se manifestando em excesso a ponto de exceder-se e virar esperteza. E se é correto o dito que onde há fumaça sempre encontramos fogo, onde ele teria se camuflado, então?Eis que da fumaça alardeada pelas entidades representativas dos diversos segmentos da cultura goianiense, opondo-se ao novo dirigismo municipal, saltam agora as labaredas que nos atingem a olhos nus, sem quaisquer pudores. Para constatar seu furor, basta examinar o resultado e o processo em que se deu o último edital de seleção da lei, divulgado nesta semana.Muitos me perguntariam porque escrevo este artigo, já que um dos projetos aprovados trata exatamente da reedição do livro Conhecer Confaloni, prêmio de monografia de minha autoria, editado originalmente pela UCG. Pois eu respondo desde já.Definitivamente, não podemos compactuar quando a esperteza insiste em fugir do controle do bom senso para ameaçar não somente o bom funcionamento da referida lei como também sua própria existência.Mais que falar, os fatos gritam por eles mesmos. Haja ouvidos, por exemplo, para o segmento das artes plásticas, que expressa seu descontentamento pelo fato de não ter um único representante na comissão.Haja ouvidos, também, para o setor das artes cênicas, que, ainda travando um desigual embate judicial com essa secretaria – em que espera resguardar seus direitos –, se vê agora obrigado a engolir um “legítimo representante” que fora deslocado às pressas da área de música, sem mencionar sua condição de dublê de agente civil ao mesmo tempo que funcionário da mesma secretaria.Ouvidos doendo? Pois há mais coisas que crescem orquestradas do adubo que medra na Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia. E quem haverá de velar por nós se não o Ministério Público?Consta que, da lista dos projetos recém contemplados pela seleção do edital municipal, nada menos que seis deles têm ligação direta ou menos direta, mas todas evidentes, com um diretor da mesma secretaria, ao que parece, co-responsável por conduzir e formular na surdina pública cada edição do edital.Sob a rubrica de “outras manifestações culturais”, foram estranhamente contempladas algumas entidades de caráter estritamente religioso, sejam editoras, produtoras e mesmo igrejas. E como se não bastasse esse desvio de natureza e funções, uma igreja (aprovada!) é a mesma que, em sua TV, apresenta um programa por ninguém menos que o próprio presidente da comissão de análise e citado diretor da mesma secretaria de Cultura.E não é só. Dois outros projetos (aprovado! aprovado!) contemplam a estagiária do referido programa (R$ 21 mil) e a empresa onde o mesmo programa é editado (R$ 20 mil). Convenhamos, é mesmo muito ibope!Vale lembrar que, ao contrário do que acontece em outras leis de incentivo, ter um projeto aprovado por este edital representa dinheiro vivo para sua realização, pois o financiamento vem de forma direta do ISS e do IPTU do contribuinte municipal. O agravante, todos podem perceber, é que o mau uso dessa lei tão bem-vinda para o setor cultural poderá abrir caminho para que a Câmara dos Vereadores crie obstáculos para seu funcionamento, que, ano a ano, tem sido mantido graças a muito esforço e mobilização do setor nas horas certas e incertas.Por isso, queremos crer que, muito embora enfraquecido no aspecto moral por fatos ainda recentes que o levaram a ser citado à guisa de desvio de autoria no seu pretenso trabalho de tese apresentado a uma universidade, entre outros, esperamos que, mesmo assim, o secretário atual de Cultura municipal não decline de vez da sensatez e da conduta transparente que deve ter todo administrador público.Não são somente os tão falados recursos públicos que estão em questão, mas também a gestão do nosso capital social, de onde brota a esperança coletiva, que é a primeira a ser atingida quando fatos assim vêm à tona. Ao lesar o erário, o administrador público está também lesando a moral e a auto-estima do cidadão, seja ele produtor ou consumidor de cultura.O País está emporcalhado demais para que mais esse sacrifício da transparência e isenção públicas seja-nos imposto, dessa vez, sangrando no meio dos produtores culturais, mas atingindo toda a sociedade. Em última estância e se necessário for, sabemos que o insigne prefeito dessa cidade, sr. Iris Rezende, não permitirá que este ato seja sacramentado. De nossa parte, não podemos aturar que o mau cheiro que até agora recendia da praça nacional passe a recender também do nosso quintal.
PX Silveira
documentarista"
O artigo foi originalmente publicado no jornal DIÁRIO DA MANHÃ.
http://entreatos.blogspot.com/2007/09/prefeitura-acaba-com-comisso-de_21.html