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segunda-feira, janeiro 30, 2006

Museu reabre em Malibu em meio a escândalo


A coleção do ex-magnata do petróleo John Paul Getty faz parte do acervo do museu
O Getty Villa, um museu de Malibu que conta com um dos melhores acervos de arte antiga do mundo, reabre as portas neste sábado depois de oito anos de reformas, em meio a um escândalo.
O museu é acusado de contar com objetos saqueados e roubados em sua coleção de mais de 44 mil peças que teriam pertencido ao ex-magnata do petróleo, John Paul Getty.
A reforma do edifício - a cópia de uma vila de Pompéia, cidade italiana destruída pela erupção do vulcão Vesúvio em 79 AD - custou US$ 275 milhões (cerca de R$ 610 mi).
Um ex-curador do museu, Marion True, está sendo julgado na Itália sob acusação de ter participado de complô para receber objetos roubados.
Investigação
Tanto True como Getty negam as acusações, que surgiram após a investigação sobre um ex-dono de galeria, Giacomo Medici, condenado em dezembro de 2004 por contrabando de arte.
Na sexta-feira, o diretor do Getty Museum, Michael Brand, participou de uma reunião em Roma com representantes do Ministério da Cultura italiano e agentes da polícia anti-roubos de arte.
A Itália pede a devolução de 42 artefatos, entre eles uma estátua de Afrodite comprada pelo museu por US$ 18 milhões (cerca de R$40 mi) em 1988, afirmando que eles foram adquiridos ilegalmente.
Segundo um comunicado conjunto, os dois lados concordaram em voltar a discutir o assunto.
Outros museus também foram implicados nas negociações de Giacomo Medici, entre eles o Metropolitan Museum of Art, de Nova York.
O Getty Villa será um museu parceiro do modernista Getty Center, em Los Angeles.
A vila, contruída nos anos 70 no alto de uma colina com vista para o Oceano Pacífico, agora inclui uma nova ala de vidro e contreto.
A reabertura permitiu ao museu reapresentar ao público sua elogiada coleção de arte romana, grega e etrusca.
Originalmente publicado: http://www.bbc.co.uk/portuguese/cultura/
story/2006/01/060128_gettyescandaloba.shtml

quinta-feira, janeiro 26, 2006

AMIGOS, O QUE SOMOS?

Maria Geralda de Almeida do IESA/UFG, atendendo ao convite para participar do grupo de discussão http://br.groups.yahoo.com/group/amigosdosmuseus enviou uma mensagem bastante interessante e proponho à todos(as), que acessam ao blog http://amigosdemuseu.blogspot.com/ , um amplo debate a respeito.
Debate este estendido às Associações de Amigos de todo o Brasil, bem como à FAMBR – Federação de Amigos de Museus Brasil, Federação Mundial de Amigos de Museus, Revista Museu, Instituto Latino Americano de Museus, IPHAN – DEMU e demais interessados.

O grupo de discussão http://br.groups.yahoo.com/group/amigosdosmuseus destina-se inicialmente a discutir a participação da sociedade organizada na elaboração de políticas públicas para cultura. E ainda que através desse grupo possamos dar continuidade a proposta do blog Amigos dos Museus http://amigosdemuseu.blogspot.com/ .

A participação das associações de amigos de museus, arquivos, bibliotecas, centros culturais na vida destas instituições, bem como, a relação entre os mantenedores e a Associação, entre Poder Público e Associações é a discussão inicial.

Maria Geralda escreveu:“Aproveito sua mensagem para animar o debate destes amigos, pergunto:Existem varias associações de amigos de museus em Goiânia?Como poderemos avaliar as contribuições efetivas delas nas instituições culturais? Qual o espaço que as políticas públicas "oferecem" para "ouvirem" a sociedade organizada?Como transformar as discussões na internet em praticas efetivas dos amigos dos museus?Como as associações de amigos vêem, criticamente os museus, as exposições dos museus e as políticas da AGEPEL com relação aos museus goianos?Existe, uma valorização, por parte do goiano do seu patrimônio museológico?Qual é o índice de visitação dos museus goianos?Você pode passar estas indagações para os demais amigos de museus.Maria Geralda de Almeida - galmeida@iesa.ufg.br"

E então? Além dos limites de Goiás? Como a coisa acontece?

Em Goiás várias associações de amigos atuam, como a AAMAG e a AAMISGO. E ambas atuam no vácuo deixado pela ausência de políticas públicas para área. Ou seja, efetuam a captação de recursos para equipar os espaços, atendimento ao público, preservação dos acervos.

Entretanto, não existe espaço de interlocução verdadeiro entre o gestor público e a sociedade organizada. E talvez até por que, os amigos, são também funcionários das instituições, cansados de trabalhar em péssimas condições ou os apaixonados pelos museus, artes, literatura, cinema, e etc que no intuito de garantir a sobrevivência das instituições se “ocultam” na sombra, evitando assim incomodar os gestores públicos.

Transformar as discussões na internet em práticas efetivas dos amigos é uma pergunta sem respostas. Ainda. Por quê? Por que a questão é maior que só os museus, trata-se de políticas públicas para CULTURA! Trata-se da participação da sociedade na discussão e elaboração dessas políticas. E como a sociedade irá participar se o gestor público só tem olhos para si mesmo?

Não creio que as Associações que atuam em Goiás possuam elaboração para o exercício da crítica a atuação das instituições. Inicialmente, talvez, por que ao se adaptarem ao papel de “captador de recursos” para projetos e a compra de café, papel higiênico, acabam por ocupar o espaço do mantenedor – poder público – e deixam de perceber o que representam de fato e de direito. A sociedade organizada.

O goiano valoriza o seu patrimônio museológico e cultural. Os gestores públicos nem tanto. Museus são depósitos de materiais e de pessoas. E ganha uma cocada quem apresentar um museu com orçamento próprio em Goiás!

E então? Além da província goianiense e goiana? Como os amigos atuam?


Deolinda Conceição Taveira Moreira
É Conservadora Restauradora de Bens Culturais e especialista em Gestão do Patrimônio Cultural Integrado ao Planejamento Urbano, sócia fundadora da AAMAG – Associação de Amigos do MAG, do Conselho Diretor, participa do Fórum Permanente de Cultura de Goiânia. E atualmente, cumprindo pena, condenada por gestor público municipal à contemplar o tempo, o céu, a poeira e a decadência do Grande Hotel, edificação patrimônio nacional Art Decó, na cidade de Goiânia.

LINKS
Para o BLOG
http://amigosdemuseu.blogspot.com/ e.mail: culturagoiania@terra.com.br

Para entrar no grupo de discussão
amigosdosmuseus-subscribe@yahoogrupos.com.br

Para conhecer a Federação Mundial
www.museumsfriends.org E.mail: wffmgese@prodigy.net.mx

Para conhecer a Revista Museu
http://www.revistamuseu.com.br/default.asp E.mail:publico@revistamuseu.com.br

Para conhecer o ILAM
http://ilam.org/ E.mail: ilam@ilam.org




domingo, janeiro 22, 2006

POR QUE O CINZA?

Nos últimos dias, nas rodas culturais de Goiânia, dois assuntos estão permanentemente em pauta, um é o uso dos veículos de comunicação para atender interesses de uns e outros, em detrimento do dever de informar, como é o caso das denúncias publicadas nos últimos dias no JB, aliado ao silêncio comovedor da nossa imprensa local; e outro é o uso de verbas públicas da cultura para promover concursos com cartas marcadas.

Em dezembro de 2005, o escritor e poeta Luiz de Aquino, escreveu um artigo intitulado “Troca de letras ou de favores?” (original publicado a seguir) no qual denuncia a troca de favores entre a Academia Goiana de Letras e a União Brasileira de Escritores. O texto cristalino demonstra que os recursos públicos destinados à premiação de concursos literários estariam sendo utilizados para troca de favores. Em dado momento comenta que se não é ilegal, também não ético. Bom, e será que realmente não é ilegal? Os recursos são oriundos de verbas públicas para cultura municipal. Ou seja, leia-se Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura de Goiânia.

Apenas três dias após a publicação desse texto, o Ministério Público move uma ação civil pública de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA contra o secretário municipal de cultura de Goiânia, Sr.Kleber Branquinho Adorno. Para quem acompanha o blog já sabe que o cidadão possui uma forte queda por praticar atos um tanto quanto “estranhos”, tais como o recente espetáculo farsante da eleição dos novos membros do Conselho Municipal de Cultura; fraude de sua tese de doutorado, elaborada no “bom” estilo CTRL+C e CTRL +V; perseguição de servidor público para favorecer clientelismo político; desvio de finalidades dos recursos do Fundo de Apoio a Cultura de Goiânia... Ah, não se pode esquecer o anúncio de uso de verbas públicas para reformar prédio de particular e etc, etc...E claro, Kleber Branquinho Adorno é membro da União Brasileira dos Escritores e também da Academia Goiana de Letras.

Em janeiro, mês que Goiânia esquentou muito, o calor está de matar, o céu límpido e azul de dia, de noite está repleto de estrelas brilhantes. E Marcos Fayad, ator e diretor de teatro, inspirado certamente pelo clima escreve um artigo intitulado como “Descalabros” , no qual passeia vagamente entre a realidade cultural local, na opinião dele, vivendo agora tempos bons depois de um longo período cinza. E a realidade nacional, onde, denuncia, se gasta mais com combustível que com investimento na cultura e no turismo. Muito bem observado.

Entretanto, no contraponto desse discurso, Gyannini Jácomo, colaborador do jornal A HORA e participante do Fórum Permanente de Cultura de Goiânia, elabora uma série de “Observações...”, demonstrando que longe dos tempos bons, as cinzas nos recobre a todos que trabalhamos com cultura em Goiânia e não apenas o “cinza” (uma cor resultante da mistura de pigmento preto e branco). E ainda tristemente nos reconduz à temática da distribuição de patrocínios e de verbas públicas sem a devida transparência ou mesmo prestação de contas.

Pois é, vivemos um período muito estranho na cultura em Goiânia, de ausência absoluta de um projeto cultural, CTRL+C e CTRL+V, a troca e a distribuição de gentilezas e favores com recursos públicos, etc e etc...

Então? Por que o cinza? Tem quem goste.
O que devemos avaliar é onde andam ética e valores culturais na cidade de Goiânia.

Ah, quanto ao JB, só comentei para finalizar esse texto dizendo que ao longo de 2005, para romper o silêncio tumular da imprensa local a respeito dos acontecimentos do Museu de Arte de Goiânia, tornei-me uma blogueira, vê se pode? Bem que minha santa avozinha dizia, mente desocupada é oficina do Diabo. E ainda como dizia o meu grande amigo Reinaldo Barbalho, que Deus o tenha, se não têm nada que fazer, escreve, escreve e escreve. É o que faço no Grande Hotel.
Por Deolinda Taveira

Troca de letras ou de favores? por Luiz de Aquino
Goiânia,19/12/2005.
Pelo que se ouve nas ruas, nas esquinas, nos bares, nos locais de trabalho e nos lares, a população goianiense anda tiririca com boa parte dos vereadores por rejeitarem o pedido de cassação do vereador Amarildo Pereira. Acusado do desvio de sete milhões de reais, ele foi absolvido por um voto apenas, agraciado com a votação secretar que havia sido abolida na Câmara Municipal de Goiânia há alguns anos, mas que, com um artifício desses que só os juristas explicam, restaurou-se a prática do sigilo. Há quem veja, aí, uma intromissão indevida do Judiciário em assunto do Legislativo: a própria Câmara instituiu o voto aberto. Ora: se a Câmara não pode sequer legislar para ela própria, para que a Câmara? Que os juízes decidam tudo, então. Aliás, acho que já está na hora de elegermos também o judiciário; elegemos Senado, Câmara Federal, Assembléias, Câmaras Municipais e os Executivos; porque só os do Judiciário não são eleitos? Mas apesar de uma decisão como essa atingir diretamente os nossos bolsos, com o desvio de sete milhões de reais que deveriam ir para o INSS, eles, os vereadores, acham que o assunto é privativo deles. Será? Somos palhaços? O pior é que a coisa pega: no âmbito das entidades literárias de Goiás, no decorrer deste ano, configurou-se desde sábado (dia 17) uma legítima troca de gentilezas entre presidentes da Academia Goiana de Letras e da União Brasileira de Escritores: Geraldo Coelho Vaz foi agraciado com o primeiro lugar em poesia na Bolsa Hugo de Carvalho Ramos. Não devia: ele, como presidente da Academia, indicou um dos membros da comissão que o premiou. Tudo bem: agora, Maria Luísa Ribeiro vence o prêmio Colemar Natal e Silva, da AGL. Fico por entender: não é ilegal, mas não é ético. Evidente troca de gentilezas, tráfico de influência ou salamaleque com o chapéu alheio. Os cinco mil reais que Malube receberá na noite de hoje pelo prêmio foram doados por algum patrocinador que acredita na lisura dos dirigentes, não esperava um favorecimento tão... indiscreto. Não é preciso provar nada: os fatos estão aí, na imprensa, ou seja, são do conhecimento público. Por coincidência, em ambas as comissões - a que julgou a Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos e a que julgou o Prêmio Colemar Natal e Silva - atuou um mesmo julgador. No primeiro caso, consta que um dos membros, ao chegar à reunião, ouviu dos outros dois: “Você já é voto vencido; já decidimos”. Pois é... À boca miúda, corria desde os primeiros dias de dezembro que a presidente da UBE ganharia a honraria de cinco mil que leva o nome do fundador da AGL, Colemar Natal. Avisei o presidente da AGL, por telefone, do que me fora contado e que já chegara ao conhecimento de alguns jornalistas. Vejam: na edição de domingo, 11/12, nos classificados do DM, página 7, saiu essa notinha: “MALURI – Um verdadeiro prêmio. 5.000 motivos para ficar feliz na segunda”. MALURI, no caso, são as primeiras sílabas do nome de Maria Luísa Ribeiro. Ora, gente! A UBE cobra algo em torno de cinqüenta reais dos escritores concorrentes à Bolsa Hugo de Carvalho Ramos, bancada desde 1944 pela Prefeitura de Goiânia. O dinheiro do prêmio Colemar Natal e Silva é coletado pela AGL entre empresários amigos. É legal? É justo? É ético? Estranha-me a prática. Tanto Coelho Vaz como Malu Ribeiro têm méritos para conquistar prêmios, mas a premiação mútua, num intervalo de poucos meses, parece suspeita. Alguns escritores, há alguns meses, têm me procurado para denunciar coisas assim (costumam me contar; depois, dizem por aí que sou doido, que ponho fogo na mata etc. Não têm coragem de se expor, mas não estou disposto mais a conservar segredos). Esperei, contudo, os fatos se tornarem insuportavelmente explícitos. Desrespeita-se a dignidade dos concorrentes, o dinheiro público municipal, a boa fé dos que contribuem com a AGL e repete-se o compadrio que se viu na Câmara. Mas deviam, ao menos, respeitar os nomes de Hugo de Carvalho Ramos e de Colemar Natal e Silva.
Luiz de Aquino é escritor
http://www.dm.com.br/impresso.php?id=115033&edicao=6619


Descalabros
por Marcos Fayad
A área da cultura nos projetos dos governos no Brasil nunca foi considerada grande coisa. Nos Estados e nas prefeituras, o mesmo: é preciso sempre botar a boca no trombone, espernear muito para conseguir realizar atividades culturais que interessam a todos, como se o realizado fosse apenas do interesse de quem realiza. Quem faz cultura sofre de uma necessidade, quase compulsão, para se expressar através da arte e com isso participar da corrente de pensamento, discussão e engrandecimento que beneficia a todos.
Marcos Fayad
Se em Goiás em matéria de cultura as coisas vão indo bem nos últimos anos, depois de termos amargado um longo período cinza, no Brasil o cinza se tornou definitivamente opaco. Segundo as palavras do diretor Gerald Thomas, temos um ministro da Cultura que é ministro de si mesmo e usa o ministério para sua promoção pessoal e para ilustrar seu ego, cantando e se exibindo na Europa enquanto ninguém no Brasil sabe a que veio e quem comanda a área. O mesmo ministro já tinha dado mostras de sua incompetência quando vereador na Bahia, mais dado a festas e declarações suntuosas sobre assuntos gerais. Nesse jogo de aparências acabou sendo convidado pelo atual presidente para dar visibilidade à cultura bem dentro do espírito do governo de manter aparências mesmo que a realidade despenque sobre sua cabeça. Despencou geral.
Acabo de ler num site de contas do governo federal o maior descalabro entre muitos descalabros cometidos em outras áreas. Só no ano passado os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário gastaram nada mais nada menos do que R$ 724.723.464,41 com despesas que englobam a compra de carros, aluguel, serviço de manutenção, combustíveis e lubrificantes, IPVA, compra de acessórios e o pagamento de outras despesas.
Surpreendente também é o fato de que, a cada ano, esta despesa só vem crescendo, atingindo, em 2004, valor superior aos gastos efetivos do Ministério do Turismo (R$ 324 milhões) e do Ministério da Cultura (R$ 395 milhões). Isso mesmo que você leu, leitor, gastou-se mais com os carros oficiais do que com o Ministério do Turismo e da Cultura juntos.
Isto, sim, é um governo inteligente comandando por camaradas que tiveram o apoio de quase todos os intelectuais para chegar ao poder. Impossível não pensar no livro do George Orwell, A Revolução dos Bichos, que, com certeza, os camaradas não leram, já que são apologistas da ignorância, mas que reproduzem com uma precisão que chega a assustar. Leia e veja se não é perfeito. Num País em que o turismo poderia ser a grande indústria por conta da extensão do seu território e das belezas naturais e históricas; num País em que a cultura é tão diversificada a ponto de encantar o mundo quando consegue driblar a burrice oficial e ganhar espaço por conta própria, chega a ser uma ofensa o dinheiro que se gasta com as autoridades oficiais e seus carros equipados com o que há de mais luxuoso.
O combustível e os lubrificantes usados nos carros somam 44% do gasto global, consumindo R$ 322 milhões dos cofres governamentais. O Ministério da Defesa, que reúne o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, é o que tem o maior dispêndio com este item, 53%. Foram gastos também mais de R$ 500 mil para compra e instalação de aparelhos de som e MP3, ar-condicionado, toca-fita, entre outros acessórios. Enquanto deslizam pelas largas avenidas dentro de seus bólidos pagos com nosso dinheiro, quem faz cultura mendiga nos gabinetes os magros subsídios que se assemelham mais a esmolas do tipo cala-a-boca. Fica mais evidente a cada dia que quando os que nos governam não têm interesse nem sabem o valor da cultura, o Brasil retrocede perigosamente aos mesmos índices que vivemos na época da ditadura.
Agora chegamos aos números lidos acima e, caso não se faça nada, será muito mais difícil retomar o crescimento da área cultural no próximo governo que, espero, não seja o mesmo dos camaradas que apregoam a ignorância e o desconhecimento como aquilo que os aproxima do povão. Havemos de amargar dias terríveis se quisermos ter acesso aos bens culturais, direito inalienável de todos, graças a políticos que se vangloriam de sua alienação. É chorar ou rezar.
Marcos Fayad é ator e diretor de teatro bomcombate@uol.com.br publicado originalmente no jornal O POPULAR de 19/01/2006

COMENTÁRIOS...
Para falar do cinza ou de outras cores em Goiás.
por Gyannini Jácomo
Um dramaturgo goiano, respeitável até, nesta semana opinou em um jornal diário da capital sobre os problemas da cultura no Brasil e me fez refletir sobre o papel do estado em relação ao saber de nossa terra. De maneira capciosa não observa as qualidades do trabalho realizado pelo Minc. Não que do governo do Presidente Luís Inácio tenhamos muito orgulho, mas afirmar que o Minc não trabalha com seriedade e envida esforços para colocar as manifestações culturais brasileiras em evidência, aí não dá para aceitar facilmente. Aliás, o nobre esquece-se de dizer dos recursos recebidos do Correio Brasileiro para uma temporada de 2 meses em São Paulo. Se não falta a memória e informação, 70 mil reais.
Uma outra afirmação por parte do dramaturgo é de que a cultura aqui em Goiás vai bem, depois de passar por um período cinza. Cinza estão os artistas goianienses, agora, com a quebra de todas as garantias democráticas conquistadas a duras penas e por muitos anos. O governo do Prefeito Íris Rezende vem cumprindo seus compromissos eleitorais (do asfalto, do populismo que já conhecíamos do prefeito), de maneira objetiva, talvez não como eu quisesse, mas não foi de meu agrado também sua eleição e na questão cultural aí não se tem vez mesmo. O secretário Kleber Adorno alijou, perseguiu artistas e servidores e mentiu à população com certo rigor visto somente em tempos nada memoráveis. Isto é cinza. Não é a toa que o secretário está sendo processado pelo MP por improbidade administrativa. Cinza, muito cinza.
Mas o nobre Dramaturgo têm razão em questionar o Governo Federal, pois pela primeira vez o Estado Brasileiro ouviu os trabalhadores em cultura através da Conferência Nacional de Cultura, abriu a caixa preta do Direito Autoral para o debate, através do DOC TV regionalizou os recursos que antes pertenciam somente ao eixo Rio – São Paulo. Fica claro o porquê das críticas advindas de Gerald Thomas, Cacá Rosset, Caetano Veloso e outros, porque agora o recurso federal para as manifestações artísticas foi distribuído para o Brasil e não para poucos.
Outro dia li no JB assim, “Minc premia má qualidade” discurso de um cineasta que questionava a descentralização dos recursos públicos ao perceber que sua obra prima não seria financiada pelo Minc ou qualquer um de seus parceiros (vide Petrobrás, Correios e etc., pois os recursos estavam disponíveis para comunidades do nordeste, centro–oeste ou mesmo, outros autores do sudeste. Segundo o cineasta, estes não sabiam fazer filmes.
Outra coisa que o mesmo dramaturgo esquece-se é de se referir ao patrocínio que recebeu de 100 mil reais da CELG para uma temporada de duas ou três semanas do espetáculo “Povo Brasileiro”, na cidade do Rio de Janeiro. E não me lembro de nenhum edital público para tal financiamento, será que é assim que o nobre gosta de se relacionar com o erário público? E procurado no site da empresa estatal, nas suas prestações de contas, nada foi encontrado por este maldito autor.Mas o poeta do drama está certo, é preciso qualificar, publicizar e dar transparência ao gasto público.
De agora para diante todo àquele que receber dinheiro público terá que prestar contas e poderá ser somente através de edital criterioso do valor social da obra e não mais para satisfação de seu ego. Fica decretado, Marcos Fayad.

Gyannini Jácomo é colaborador do jornal A HORA, e do Fórum Permanente de Cultura de Goiânia – candido_prado@hotmail.com
Publicado originalmente no jornal A HORA - http://www.ahoraonline.com.br/giannini.htm

quarta-feira, janeiro 18, 2006

RESTAURO??

A matéria abaixo é no mínimo curiosa.
Em 1994, se não me falha a memória, o artista D.J. Oliveira, com o apoio da Prefeitura Municipal de Goiânia removeu uma das obras mais importantes, e, também interessante da sua produção artística, da fachada do Instituto Maria Auxiliadora, na Praça do Cruzeiro. E posteriormente, instalou no local como a mesma temática, um outro painel, desta vez na técnica de pintura sobre azulejo (aplicação de pigmentos e posterior queima). Ora, quando o primeiro painel foi executado muito se falou sobre a durabilidade da técnica: afresco. E de fato a técnica de grande durabilidade, especialmente em condições adequadas de conservação, o que não era o caso: o muro onde foi aplicada levou na sua composição cimento e não possuía nenhuma proteção contra a ação danosa da exposição permanente a poluição, sol, chuva e etc.
Quando da instalação da segunda versão, a realidade não se modificou. Na época foram muitas as discussões, pois, houve quem atribuísse a intervenção drástica de retirada e instalação de uma obra em tudo e por tudo, diferente da original, o título de uma "intervenção de restauro". Nada menos apropriado.
A matéria muita bem escrita por Tacilda Aquino deixa transparecer a preocupação do Instituto em parecer que agiu certo, ao contratar um arquiteto para acompanhar uma possível intervenção. Agiu? O arquiteto em questão possui alguma especialização em restauração? Os órgãos proteção foram consultados? Tombada ou não a obra é de domínio público e com o falecimento do artista, independente de qualquer ação imediata, os órgãos de proteção ao Patrimônio Cultural deveriam ter sido consultados, nem que fosse para pedir a indicação de um restaurador.
E essa é uma da obras desse artista que tanto representou e representa para as artes plásticas em Goiás. E quando resolverem o que fazer com as demais obras, especialmente aquelas que estão em prédios da UCG e da UFG, também vão contratar um arquiteto? Ou vão contratar um restaurador? Afinal é senso comum que ninguém procura um ginecologista para arrancar um dente, não é?
Eis a matéria que motivou essa reflexão.


18/01/2006 - Nova intervenção em painel de DJ Oliveira.
Por Tacilda Aquino

O painel de DJ Oliveira Sonho de Dom Bosco, um dos principais monumentos de Goiânia, instalado no Instituto Maria Auxiliadora, na Praça do Cruzeiro, está passando por mais uma intervenção. “Urgente e imprescindível”, segundo a diretora da escola, irmã Mônica Maria Sant’Ana. Segundo ela, as intensas chuvas do final de ano provocaram uma infiltração em parte do mural, refeito em 1998 em porcelana sobre azulejo pelo próprio D.J. Oliveira a partir do afresco original criado pelo artista nos anos 80. As chuvas prejudicaram um dos 36 quadros que compõem o mural de 236 metros, obrigando a direção do instituto a retirar as peças “antes que o dano fosse completamente irreparável”, segundo a religiosa. Para o trabalho de intervenção, foi contratado o arquiteto Gilson David, que garantiu estar tomando todo o cuidado para não prejudicar a obra do artista, morto em setembro do ano passado. “As peças foram retiradas cuidadosamente e não sofreram nenhum dano”, disse ele, explicando que o trabalho de restauração consiste em recuperar a parte onde as peças se descolaram e a recolocação delas. O trabalho, segundo o arquiteto, atinge pouco mais de 1% da obra e pelos estudos técnicos outras interferências não serão necessárias, porque a direção da escola providenciou a retirada das peças tão logo constatou a infiltração, evitando danos maiores. A diretora do Instituto Maria Auxiliadora disse que, uma vez restaurado, o painel continuará exercendo a sua função de divulgar a obra do grande artista que foi DJ Oliveira e que ninguém mais do que as religiosas do colégio têm interesse de preservar a obra, “que foi criada a partir de um pedido da ordem religiosa que administra a escola”. A religiosa diz entender a preocupação das pessoas que se acostumaram a apreciar o mural, que temem por sua destruição, garantindo que isso não vai acontecer. Tanto a religiosa como o arquiteto responsável pela obra afirmaram que a família de DJ Oliveira foi comunicada sobre a intervenção na obra. “De certa forma nos sentimos felizes com o fato de a obra não ter sido tombada. Por isso mesmo não houve necessidade de acionar ninguém e esperar o desenrolar de um processo burocrático, o que poderia prejudicar ainda mais a obra, dada a urgência de sua recuperação”, disse Gilson David.
Matéria publicada originalmente no http://goiasnet.globo.com/
Crédito fotografia: Sebastião Nogueira

sexta-feira, janeiro 13, 2006

TENDÊNCIAS/DEBATES

O texto do Nascimento é bastante pertinente, especialmente por que retoma a questão das impossibilidades de um passado recente e das possiblidades de um presente que vai construindo um futuro para os brasileiros com mais cidadania.

O texto : Fonte: publicado em 12/01/2006 Jornal Folha de São Paulo

Operibus credit et non verbis *JOSÉ DO NASCIMENTO JUNIOR

Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar.(Thiago de Melo)

O país vive um momento muito particular: depois de longo tempo, tem apossibilidade de constituir, olhando para o futuro, uma visão de nação planejada, alicerçada em políticas que viabilizem a inclusão de vastas camadas da população nos parâmetros de cidadania e que se expressa, entre outros fatores, pela democratização do acesso aos bens culturais.A história da política cultural brasileira pode ser dividida em quatrociclos bem definidos, marcados por iniciativas diversas de criação de umaimagem de nação, tendo o governo como indutor de ações culturais: na chegadada família real, no reinado de d. Pedro 2º, no período getulista e naditadura militar.Em termos da construção da política cultural no país, estamos agora noquinto ciclo, que, diferentemente dos momentos anteriores, tem na democraciaa sua gênese. A atitude democrática se reflete na elaboração do PlanoNacional de Cultura e na implantação do Sistema Nacional de Cultura, que articularão os setores do governo e da sociedade civil em uma nova práticade gestão da cultura, constituindo um modelo público republicano, emcontraposição à velha dicotomia do estatal versus privado.O conjunto das políticas públicas de cultura tem sido percebido como fatorde desenvolvimento econômico e de inclusão social, o que implica oreconhecimento da cultura como área estratégica para o desenvolvimento dopaís. Nessa perspectiva, o que se pretende é a geração de um superávitcultural decorrente da adoção de políticas transversais integradas entre asáreas da educação, saúde e cultura.O debate deve avançar para uma reflexão acerca do papel do Estado, o qual,mantendo-se isento do "dirigismo" e da interferência no processo criativo,deve assumir plenamente seu papel no planejamento e no fomento da produçãoda cultura, na preservação e valorização do patrimônio cultural do país e naestruturação da economia da cultura, considerando sempre em primeiro plano ointeresse público e o respeito à diversidade cultural.Esses têm sido os parâmetros com os quais o Ministério da Cultura temtrabalhado: ampliação das bases de atuação e cumprimento do seu papel deórgão gestor da cultura nacional, criando instrumentos de organização,democratização e fomento das diversas áreas do seu âmbito de atuação.É extenso o conjunto das ações já implementadas pelo Ministério da Culturana constituição de uma política cultural plural, democrática edescentralizada, coerente com a complexidade constitutiva da sociedadebrasileira, pelas quais ficará marcada a atual gestão.Estão nele incluídos os Pontos de Cultura, o Projeto Pixinguinha, a criaçãodas câmaras setoriais (artes visuais, circo, dança, livro, literatura eleitura, música e teatro), a criação do Sistema Nacional de Cultura, arealização da Conferência Nacional de Cultura, a reorganização do Iphan, amelhoria da eficiência do Programa Monumenta, a criação e a implantação daPolítica Nacional de Museus, o projeto Fome de Livro.A incorporação, nas políticas de cultura, das expressões da cultura popular,das culturas indígenas, de gênero e de livre orientação sexual e o apoioefetivo à cultura das comunidades quilombolas e afrodescendentes resultamdas diretrizes adotadas para o fomento à cultura, bem como o estímulo àsindústrias criativas, a adoção do sistema de editais para a distribuição derecursos, a sintonia entre estatais e políticas culturais, os avançosorçamentários, a expansão da captação de recursos pela Lei de Incentivo àCultura, a previdência dos trabalhadores da cultura e a ampliação daPolítica de Audiovisual.A difusão da cultura brasileira no âmbito internacional produziu resultados,como o Ano do Brasil na França, a Copa da Cultura e a atuação conjuntaBrasil-França-Espanha em prol da Declaração Universal sobre a DiversidadeCultural.Cada uma dessas ações origina extensos conjuntos de dados, cuja enumeraçãotornaria este artigo demasiadamente longo.Poderíamos ainda citar outras conquistas, como a gratificação concedida aosfuncionários da cultura e a realização do concurso público para o MinC, quepermitirá o preenchimento de mais de 450 vagas para diversas áreas, sendo oprimeiro concurso desde da criação do ministério, há 21 anos.Há ainda, sem dúvida, um longo caminho a percorrer, mas as ações realizadassob a coordenação do ministro Gilberto Gil são passos para a consolidação deuma política de cultura integrante do programa de governo do presidenteLula, que tem sido cumprido.Essas são conquistas de fato, e é nessa perspectiva que se deve encarar ofuturo das políticas de cultura em nosso país. Considerando que em todas asáreas da gestão pública a comparação e o debate são instrumentosindispensáveis e saudáveis para a formação de opiniões, recomendo como fontede inspiração a frase de Cervantes: "Operibus credit et non verbis".* Acredite nas obras, não nas palavras.
José do Nascimento Junior, 39, antropólogo, mestre am antropologia dapolítica, é o diretor de Museus e Centros Culturais do Iphan (Instituto doPatrimônio Histórico e Artístico Nacional), autarquia vinculada aoMinistério da Cultura.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Thales em visita a FOP- UNICAMP



Diretor da ABO-RJ visita a FOP Postada em:02/05/2005
O professor Thales Ribeiro de Magalhães, Diretor do Museu Salles Cunha e da Associação Brasileira de Odontologia, do Rio de Janeiro (CBO-RJ), esteve, este mês, visitando a Faculdade de Odontologia de Piracicaba, da Unicamp (FOP). Ele veio à cidade para participar das festividades comemorativas dos 25 anos de implantação do Museu Odontológico da Associação Paulista de Cirurgiões Dentista (APCD) – Regional Piracicaba. Acompanharam o diretor, sua irmã, a advogada Elusa Garcia e sua filha, a Cirurgiã-Dentista, Fernanda Marinho, a qual concluiu sua graduação na universidade de Valença – Rio de Janeiro, e o Diretor do museu da APCD, Waldemar Romano.
Eles foram recepcionados pelo Diretor da FOP, professor Thales Rocha de Mattos Filho e pelo Diretor-Associado, professor Mário Fernando de Góes.
Ribeiro de Magalhães ficou surpreso com as instalações da Faculdade, em especial, a Clínica Odontológica e a Biblioteca. A visita também serviu para Fernanda conhecer a Ortodontia, que tem a intenção em se especializar na área.

Fonte:Assessoria de Comunicação FOPNet http://www.fop.unicamp.br/portal/news.php?codnoticia=966&org=f

E ai, quem vai me dizer quem é o nosso Thales?

quarta-feira, janeiro 11, 2006

FORUM PERMANENTE DE CULTURA - GOIÂNIA



O Forum Permanente de Cultura de Goiânia recebeu um grande prêmio em 2005: o troféu Persistência 2005 oferecido pelo ator e produtor Júlio Vilela e seu programa JU ONZE E 24.

O troféu foi uma homenagem a persistência da turma do Forum nas lutas pela democracia na cultura em Goiânia.

Ao Ju, grande pessoa e grande artista o agradecimento de todos do Forum.