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sábado, julho 26, 2008

PX, o Poeta e a "Curtura goianiense"

Outro dia, o multitarefas e agora, também taxado de "o vingador do PT", PX Silveira pautou novamente a ação entre amigos que é a gestão da cultura no município de Goiânia, como tema dos artigos que publica semanalmente no jornal DIÁRIO DA MANHÃ.

Entre umas e outras, comenta que deixará o assunto de lado, pois, estava cansado de ameaças a liberdade de opinião. O jornal estaria sendo pressionado a deixar de publicar os artigos, a volta da censura política e cultural.

Mas, sem querer, querendo e dando muitas voltas, certamente enganar o editor do DM(piadinha), tascou o dedão na ferida de novo e o resultado foi inusitado, várias pessoas comentaram o artigo e cada uma delas acrescentou mais um ponto no bordado.

Leiam ao lado a opinião de Rogério Monteiro, e, logo depois do artigo do PX , os palpites de Júlia Francisca Silva e André Arantes. Vale a leitura.

Em tempo, embora no momento, concorde em gênero, número e grau com o PX, mesmo por que nos últimos 3 anos e 1/2, neste blog, exponho a situação da má gestão da cultura goianiense, isso não nos torna amigos, nem do presente e nem no passado. No futuro, quem sabe? A Deus pertence. .

O que deixa a todos abismados é o silêncio do prefeito sobre o assunto. O que será que ele espera? Ou será que concorda? Sei não ...

Opinião (23/07/2008) DM http://v5.dm.com.br/opiniao/o_poeta_e_o_pib

"O poeta e o PIB
A Organização do Comércio e Desenvolvimento Econômico, não está nem aí. Os indicadores de investimento no País, não estão nem aí. Cultura é o fim, quando deveria ser o começo de tudo. Tirante o fato de que o que sobressai na cultura da gestão Iris Rezende são apenas gestores interessados no seu particular, a manutenção de funcionários fantasmas graúdos e os elogios dos infalíveis puxa-sacos, que assim ordenham suas benesses, perguntamos, afinal: quando chegará o dia de a gente indagar para que servem esses índices de crescimento que freqüentemente ocupam as manchetes dos jornais? Se os indicadores que deveriam expressar a riqueza nacional ignoram as relações culturais, como, por exemplo, a poesia de um Gabriel Nascente, que é moldura da alma, feita de marcas afetivas e a pura expressão de fatos humanos do dia-a-dia, para que, então, nos serviria essa vida vivida, se somente contabilizamos e consideramos como crescimento as relações mercantis?Na era Lula, respaldada na limitada Goiânia pelo quatriênio Iris, o avanço econômico do Brasil tem se distinguido perante outros países, chegando a ser até mesmo motivo de alguma comemoração. O Produto Interno Bruto, o sacralizado PIB, conforme divulgado recentemente, cresceu, inesperadamente, mais que 5%, em 2007. Na certa, foi puxado pelo crescimento do mercado de trabalho e pelos investimentos que não cessam de aumentar a nossa capacidade produtiva, que também se distingue perante à de outros países e, de mesmo, suscitam ondas de comemorações, aqui e ali. Mas o que isso tem a ver com a gente, que para ser gente necessitamos de poesia e de cultura? O que essas comemorações podem, de fato, fazer por nós, os mortais abandonados, que com nossas vidas fazemos a vida deste País?O mal não vem somente dos economistas, dos grandes mandatários pragmáticos e dos gestores ineptos de cultura local. O pior de tudo, certamente pela soma desses fatores, é que o senso comum também enxerga o crescimento econômico como a fiel tradução do aumento da riqueza da sociedade, portanto, o único a ser almejado. Neste triste mundo rico fabricado pelos índices, a poesia de Gabriel Nascente, produzida à fartura mesmo nas piores entressafras, é solenemente ignorada e não entra no cômputo de nossas riquezas. E olha que ela, a poesia, interfere direta e inegavelmente em todos os estados emocionais do cidadão, portanto, interfere no vetor mais básico da sociedade, que é o homem, mesmo no mais desavisado. A poesia, para ficar apenas no exemplo gratificante da poesia de um Gabriel Nascente, interfere diretamente no ritmo e na forma da cidadania de seus leitores e, indiretamente, na de todos os cidadãos do planeta. A produção de Gabriel Nascente é uma das poucas certezas sociais de que podemos ter orgulho. Para muito além dos Goyazes, ela é uma das coisas que realmente funcionam neste País, comprovada já em seus cinquenta livros publicados.Se os números da economia brasileira aparentam ser louváveis, do que não duvido, mais louvável ainda é a motricidade poética de um Gabriel Nascente, que mesmo encorpada em alma e músculos permanece invisível na arena municipal e nos cômputos da Nação. A recente divulgação dos números da economia brasileira pelo IBGE, ignora placidamente este fato retumbante. De quem seria a culpa? Não do poeta, sem dúvida.A poesia, essa infatigável vilã da razão, estampa muito mais a tradução do povo, do qual tudo emana, do que qualquer índice projetado nas planilhas da tecnocracia. Portanto, é inaceitável que ela, a poesia, não se espelhe sequer em algum diminuto relatório da produção interna do município, do Estado e do País. Enquanto os gestores da cultura, em geral, sequer sabem sonhar com propriedade para tanto, os dirigentes da lógica nos transmitem continuamente a mensagem de que o resultado do PIB anual não pode esperar. E enquanto a poesia de um Gabriel Nascente entoa, com louvor, a vida que adormece na gente brasileira; é essa mesma gente que, quantificada e encerrada em números sem nenhum pudor, caminha placidamente para o matadouro que lhe é complementar. O PIB é essa régua ríspida que mede o movimento econômico, mas não a sensibilidade do povo, mede crescimento em números, mas não os avanços da mente coletiva, e ignora solenemente os valores humanos capitais, como a poesia e a arte, filhas diletas da cultura. O PIB é um paradigma que embalsama e falseia a sociedade em que sobrevivemos. Rendidos aos números dos economistas e à falta de percepção política dos gestores culturais, somos órfãos dos indicadores que possam nos levar até onde queremos, o estado do bem ser e do bem-estar. Dia-a-dia, somos sacrificados pelas políticas culturais sem visão, confirmando na gente uma incomensurável desilusão, pois a cultura, base para toda poesia, é a única aquisição humana que poderia nos libertar. Mas essa força, a favor do bem comum, é vertida e desperdiçada, impunemente. Sua gestão pública tem sido acometida de inumeráveis erros de origem, que são repetidos ano a ano pela falta de capacidade e boas intenções dos que dela se apropriam apenas para estar no poder.Ainda na atualidade, assim como fora na antiguidade, um País pode querer ser do tamanho do seu exército ou, como medida mais sutil e subliminar, pode querer ser do tamanho de sua economia; mas sabemos que ele é mesmo é do tamanho de sua cultura. A Inglaterra é maior quando nos chega Shakespeare. E a Alemanha é de lá até aqui, porque tem suas fronteiras alargadas por Nietzsche. Mas os verdadeiros grandes homens, suas artes e obras, jamais entraram no PIB.A força da poesia de Gabriel Nascente faz o Estado de Goiás se projetar no globo terrestre. Ela é inquestionável e incomensurável, simplesmente porque é poesia. Eis um bom momento por onde começar. O PIB, um índice primário e capenga, não encontrou uma forma de incorporar em seus cálculos os benefícios que vão além da contabilidade do papel livreiro e da impressão industrial da poesia. Se, em algum novo dia, o trabalho do poeta passar a ser contabilizado nas contas nacionais, nossos números serão outros. E outra será a nossa felicidade. Temos sorte. Considerando que a alta produtividade de Gabriel Nascente é algo incomparável até mesmo na cena mundial, na certa o PIB de Goiás teria um aumento significativo, caso as horas de trabalho do poeta e os resultados alcançados possam ser monetarizados. Mas não tem preço, a poesia de um Gabriel Nascente. E por isso ela é sacrificada como cachorro vadio, diariamente, prostrada no altar da ignorância dos nossos dirigentes culturais.Para que aconteça essa mudança, precisamos agir em todas as frentes. Em nível local, devemos questionar a tendenciosidade visível e a falta de consciência das duas atuais gestões culturais que nos atingem, no âmbito do Estado e, principalmente, na esfera municipal goianiense, duas lástimas administrativas que descansam desavergonhadamente ao sabor das vantagens pessoais. Já em nível global, devemos começar por questionar a validade da utilização do PIB como método de contabilidade do desenvolvimento social, portanto, desenvolvimento cultural. Como acreditar em índices que não consideram a poesia entre a soma das riquezas geradas no País durante o ano? Gabriel Nascente, poeta incontinente e operoso, bem que poderia inspirar os conterrâneos que (des)cuidam da cultura, atentos que estão apenas ao poder. Assim, todas as vezes que escrever poesia e como escreve esse poeta! Gabriel Nascente passará a contribuir no cômputo geral de nossa medida de bem-estar municipal e estadual, para felicidade geral da nação."
PX Silveira é executivo do Instituto Arte Cidadania e coordenador do Porto das Artes

Julia Francisca Silva - juliafranciscasilva@gmail.com
PX, novamente, minhas felicitações! Direto, objetivo e qualitativo o texto de hoje. Li o anterior e pensei, puxa, mais um de desiste da frente de batalha cultura e vai plantar coquinho em Itaboraí. Muito bem lembrado, enquanto no mundo, cultura é também índice de crescimento, em Goiânia é apenas fonte de renda para gestores despreparados, que pela quantidade de vezes que foram denunciados publicamente, já deveriam ter chamado a atenção do prefeito. E este, continua a fazer ouvidos moucos, como se Itaboraí e Pasárgada fossem o mesmo lugar. E Goiânia, hem? Mais 4 anos de gestão desastrada da Cultura. Ou seria "curtura"?Parabéns
!

Andre Arantes - Andre2caus@yahoo.com
A poesia é algo complicada e complexa. Esta, infelizmente, está à quem de nós, brasileiros, que mal sabemos ler, quem dirá entender e interpretar um texto. Caetano, assim como Camões há quinhentos anos atrás, filosofou sobre a relação entre pátria e língua. Como podemos vangloriarmo-nos de tais feitos econômicos ou sobre a soberania nacional tangente à amazônia, se o que nos caracteriza como nação, a língua portuguesa e conseqüentemente suas obras literárias, vai de mal a pior? Um descalabro cultural. É muito clarividente a incapacidade político-social com este novo acordo ortográfico e o descaso social pela obra literária. Fomos incompetentes em elevar o nível nas escolas brasileiras então abaixamos o nível, assim agora todos somos melhor letrados. Lingüisticamente falando, estamos todos num mesmo patamar. Nivelados. Por baixo, é óbvio. Não vejo grandes melhorias culturais num futuro próximo, entretanto vejo-a individualmente. Parabéns pelo discernimento!

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