ENTREVISTA/GIlVANE FELIPE
Peço uma trégua de seis meses’
por Rógerio Borges para O POPULAR
Gilvane Felipe mal tomou posse na presidência da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico (Agepel) e já está às voltas com mudanças. Neste momento, a mudança é física. Seu atual gabinete, no Palácio Pedro Ludovico, é provisório. "Estamos de mudança para o prédio da antiga Procuradoria do Estado, na Praça Cívica", anuncia o novo titular da pasta. "Fica em frente ao Palácio das Campinas, antiga sede da Prefeitura de Goiânia. Vamos fazer uma coisa bacana lá", garante Gilvane, já se mostrando bem à vontade em sua nova função. Nome desde o início ventilado para compor a equipe de Marconi Perillo e após receber apoio de vários representantes de segmentos culturais, o ex-secretário de Ciência e Tecnologia e ex-superintendente do Sebrae assume a Agepel com alguns desafios. Na entrevista que concedeu ao POPULAR, ele assegura que vai lutar pela implementação do Fundo Estadual de Cultura, anuncia que promoverá mudanças no Fica, garante que não se importa em não administrar o Centro Cultural Oscar Niemeyer - atribuição que ficou com um grupo de gestão dirigido por Nasr Chaul - e pede trégua aos que viram sua indicação com ceticismo.
Quais são as prioridades de sua gestão na Agepel? Há mudanças à vista?
As nossas diretrizes serão definidas num planejamento estratégico participativo. Estabelecemos três eixos. O primeiro deles é a participação. Nesse processo de planejamento estratégico participativo, todos os segmentos que têm ligação direta ou indireta com a Agepel serão ouvidos. O segundo é o da inovação. A inovação tanto do processo produtivo interno como de programas e projetos. Eu fiz isso na Secretaria de Ciência e Tecnologia e no Sebrae e deu certo. O terceiro pilar será a universalização do acesso aos bens culturais. Queremos fazer com que a Agepel deixe de ser aquele local em que apenas uma pequena minoria é atendida, um pequeno número de cidades eleitas recebe ações da Agepel. Queremos que todas as regiões recebam essas ações. Vamos lançar um mapeamento econômico-cultural do Estado. Queremos saber quem produz cultura, o que, onde, quanto isso gera, quanto a produção cultural representa no PIB de Goiás. Não queremos que a cultura seja vista mais como um luxo, um capricho dos governos e, para muitos, uma despesa desnecessária.
Há a chance de alguns dos grandes eventos, hoje concentrados em poucas cidades, serem itinerantes?
Essa é uma ideia que considero um pouco temerária. Ela não tem minha simpatia inicial, a não ser que o planejamento estratégico participativo defina o contrário e que o conjunto dos artistas venha com argumentos consistentes e sólidos. Mas a minha opinião inicial é que esses eventos têm em seu DNA o local em que foram criados. O que não implica que não possamos criar eventos itinerantes. Temos de manter essas estacas firmes e lançar novas, usando e abusando do que há de mais moderno, das mídias digitais. Acho que devemos e podemos avançar muito nisso. Eu estou otimista por dois motivos. Primeiro porque o segmento cultural, em sua grande maioria, respondeu bem à indicação do meu nome. Segundo, tive do governador um compromisso forte de que a cultura será valorizada. Eu acredito que nós, trazendo pessoas para nos ajudar a gerir as políticas culturais do Estado, construindo alianças com entidades e outras secretarias poderemos colocar o Fundo Estadual de Cultura para funcionar e ter um sistema estadual de cultura, montar uma rede para intercambiar informações.
Muitos segmentos culturais aprovaram seu nome para a Agepel, mas algumas pessoas se mostraram ressabiadas, se perguntando qual seu nível de intimidade com a área.
Foram poucas pessoas que levantaram essa questão. A maioria conhece o que nós realizamos na área de cultura, particularmente no Sebrae. O Sebrae de Goiás não tinha nenhum trabalho na área quando chegamos e lá criamos a primeira unidade de cultura do sistema Sebrae em todos os 27 Estados. Esse reconhecimento da maioria dos produtores culturais ao meu nome vem daí. Não é porque sou um artista. Posso até ter sido um menino arteiro, mas não sou artista. Sou historiador e me considero um pesquisador. Não estou aqui para concorrer com nenhum artista. Estou aqui porque a cultura merece uma gestão profissional, moderna, eficiente e participativa. Isso eu sei fazer. Sei lidar com pessoas, programas, resultados, novas tecnologias. Tenho sensibilidade com o segmento cultural. Às pessoas que duvidam, que são céticas, eu peço uma trégua de seis meses. Todo governo democrático merece uma trégua, mesmo que a gente tenha votado em outros, para que as pessoas se estabeleçam, mostrem seus planos, suas intenções. Não estou dizendo que sou melhor. Estou dizendo que consigo gerir a pasta da cultura porque tenho capacidade e formação para isso. E tenho muito trânsito junto ao governador.
Você chega a um governo que rompeu com a administração anterior. Como é receber a Agepel nesse contexto ? Existem pressões para interromper ações da gestão anterior?
Eu já vivi experiências piores. Eu fiz parte do primeiro governo Marconi. A radicalização ali foi bem pior. Quando assumimos em 1999, a coisa ali estava muito conflagrada. Não o governador, mas algumas pessoas do governo na época defendiam até caça às bruxas. Eu nunca entrei nessa onda porque não acredito nisso. Quando você assume uma gestão, é preciso ter os olhos no futuro. Eu não sou, de forma alguma, apegado a picuinhas. Eu não ficaria aqui procurando cabelo em ovo. Minha vontade aqui é virar a página.
Houve, na gestão anterior, mudanças importantes na Lei Goyazes. Você as aprova?
As mudanças não foram feitas nos gabinetes e sim coletivamente. Foram mudanças positivas. O que não significa que ainda não haja mudanças que precisam ser feitas. A maior reivindicação que tenho ouvido é a implementação do Fundo Estadual de Cultura. Esse é um desafio. Sou um otimista e terminaremos a nossa gestão com o Fundo Estadual de Cultura funcionando.
Um fundo com 0,5% ou 1% do orçamento estadual?
Essa questão, hoje, não está bem definida. No debate eleitoral, o senador Marconi assumiu o compromisso de, gradativamente, aumentar a dotação da cultura até chegar a 1%.
O Centro Cultural Oscar Niemeyer terá um grupo de gestão próprio, com a possibilidade de outras unidades também saírem da responsabilidade da Agepel. Essa divisão não pode gerar atritos?
Nasr Chaul foi meu professor, somos antigos amigos. Nós temos uma relação pessoal e política excelente. Acho que ter uma gestão para um espaço como o Oscar Niemeyer é uma medida correta. Não é o filé mignon da política cultural gerir espaços. Não vejo nenhum problema. Pelo contrário. Nesse momento, em que ainda há algumas pendências, com a assinatura até de um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, é interessante que haja esse grupo executivo para que a Agepel possa cuidar das políticas culturais. Vejo isso como uma fase. Não haverá nenhum confronto. Isso não vai gerar dois polos de poder na cultura goiana.
Isso não esvazia a Agepel?
De forma alguma. Pelo contrário. Nesse momento, esse comitê torna mais leve a gestão da Agepel. Quer outro problema que eu passaria agora para o Chaul, se o governador desse o endosso? A questão da estátua do cavalo do Pedro Ludovico. Eu passaria isso ontem!
Problema que vem desde os tempos de Chaul na Agepel.
Sim, vem de muito tempo. É por isso que eu digo que o gestor, muitas vezes, perde muito tempo com questões que, comparadas com a grandeza da política cultural no Estado, são problemas menores, pontuais. Eu sou favorável a vários espaços terem também gestões autônomas. Por exemplo, o Martim Cererê. Eu não tenho nenhuma objeção que estabeleçamos um contrato de gestão com uma Oscip, com prestação de contas, metas a ser atingidas, da maneira mais transparente, para administrar o Martim Cererê. Isso não esvazia a Agepel.
O Fica é o principal evento cultural do Estado. Já surgiram propostas de mudanças em seu modelo de financiamento. Como você encara essa questão?
O Fica deve ter aprovação massacrante da população, mas existem críticos mordazes do evento. Já vieram me defender, inclusive, a extinção do Fica. Queremos reinventar o Fica, renová-lo. Não queremos que ele caia na mesmice. Eu pretendo já neste ano ter um fórum de discussão sobre o festival. Queremos recuperar o glamour do evento, que ficou meio esmaecido nesses últimos anos. Acho que tem de trazer grandes nomes. Todos os grandes festivais levam esses nomes, por que essa visão provinciana de que não podemos trazer? O orçamento do Fica precisa ser repensado. Discutia com o Nasr Chaul que a maior parte dos gastos do Fica na gestão dele vinha da iniciativa privada. Isso mudou. Hoje, o recurso que banca o Fica vem dos cofres públicos. Minha meta é voltar ao que era antes. Envolver o financiamento privado, grandes empresas em seu financiamento.
Desafios para a Agepel
Ao menos por enquanto, Gilvane Felipe, o novo presidente da Agência Cultura Pedro Ludovico (Agepel), pode contar com a boa receptividade dos artistas e produtores culturais goianos. O espaço dado à cultura em sua gestão à frente do Sebrae deixou muito gente otimista com sua atuação à frente do órgão estadual. Embora não seja um artista, é reconhecido por muitos como capaz para o cargo e interessado pessoalmente em cultura e artes. Questões como projetos que tenham continuidade, e não apenas eventos, assim como o cuidado com a interiorização da cultura e o acesso da população aos bens culturais foram as principais demandas citadas pelos entrevistados do POPULAR.
Vera Bicalho, diretora geral da Quasar Cia. de Dança, destaca que o gestor cultural, independentemente da origem, tem de ter "a preocupação em dar fomento em todas as áreas de manifestação cultural". No entanto, ressalta, além de estabelecer programas de incentivo, é preciso estimular a manutenção e a circulação da arte e da cultura.
"Eventos e leis de incentivo à cultura são importantes, claro, mas infelizmente eles não contemplam a amplitude que é a manutenção e a difusão de projetos, seja aqueles que já estão em andamento ou de novos projetos, trabalhos de grupos já estabelecidos ou de iniciantes. É preciso dar valor aos grupos locais."
"Aproximar o povo da cultura." Esta é a principal preocupação de Hélio Moreira, presidente da Academia Goiana de Letras. Para ele, a crença de que a população em geral não aprecia a leitura não procede. "Na verdade o povo não lê porque não tem acesso. Temos um projeto em que crianças da rede pública de ensino são levadas a conhecer a nossa sede e elas adoram, é emocionante ver o interesse delas. Sei que pode parecer restrito, mas se ninguém fizer a sua parte", comenta Hélio Moreira.
Outra questão apontada por ele é a valorização da cultura popular do interior, citando como exemplos a Orquestra de Violeiros de Mineiros e o museu de Itaberaí. "Na gestão anterior a cultura em geral não foi bem contemplada. Desta vez, acho que poderemos manter um diálogo que valorize a cultura goiana. Defender a literatura goiana é prerrogativa nossa, mas não a única."
O dramaturgo, diretor e ator Marcos Fayad está esperançoso quanto ao novo titular da Agepel, elogiando suas credenciais. "O Sebrae nunca contratou ninguém que não fosse bom, então as expectativas com o Gilvane são boas, sim", diz o diretor. Para ele, a missão da Agepel é árdua, pois as demandas culturais em Goiás são tantas que chega a ser difícil apontar as mais urgentes.
Ele destaca, mesmo assim, que dentre os desafios da nova administração um dos principais seria promover mudanças na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a Lei Goyazes. "Com os recursos obtidos com a lei, a gente consegue montar um espetáculo, apesar das dificuldades, mas não consegue custear uma temporada. Não há como ter continuidade."
Presidente da Associação Brasileira de Documentaristas, seção Goiás, Leandro Cunha argumenta que o novo presidente da Agepel foi um bom administrador do Sebrae. "Espero que ele traga a experiência adquirida lá, na área específica da cultura, para a Agepel." Leandro destacou o interesse do Sebrae no audiovisual, citando iniciativas com o empório realizado durante várias edições do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás(Fica).
O Fica, um dos eventos de maior visibilidade da Agepel, ressalta Leandro, é um dos exemplos da política cultural que deve ser mantida, mas ele tem suas ressalvas. "O Fica é muito importante para o desenvolvimento do audiovisual em Goiás, mas aspectos como a produção e a exibição precisam ser tratados com um perfil de continuidade, não só de evento em si."
Considerada um dos focos da música sertaneja do País, Goiânia tornou-se também, desde os anos 90, símbolo do rock alternativo e independente. Fabrício Nobre, um dos criadores da Monstro, produtora cultural responsável por parte considerável da cena roqueira goiana que tem projeção no País e no exterior, defende uma política cultural de "ocupação plena dos espaços culturais existentes".
O uso equilibrado do Fundo Estadual de Cultura e a interiorização da política cultural são outros pontos citados por Fabrício, assim como a repaginação dos eventos oficiais. "Porém, é preciso em primeiro lugar fazer um mapeamento dos eventos e projetos culturais existentes no Estado. A Agepel precisa saber o acontece na área cultural e não só as coisas estabelecidas."
Esse Blog tem como objetivo discutir a produção do patrimônio cultural brasileiro e a sua permanência. Os AMIGOS DOS MUSEUS atuam diretamente de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Coração do Brasil. Do cerrado para o mundo!
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sexta-feira, janeiro 07, 2011
segunda-feira, maio 03, 2010
MAG, ENFIM PRONTO?
Carta encaminhada ao jornal O POPULAR .
Goiânia, 29 de abril de 2010.
Prezado Editor,
Sirvo-me da presente para parabenizar o jornalista Rodrigo Alves pela excelente matéria “Enfim, prontos” no qual relata a situação do Centro Livre de Artes e do Museu de Artes de Goiânia. A matéria muito bem elaborada, ouviu e viu vários lados e conduziu o texto de modo claro e objetivo, constatando que o poder público omisso é passível de ser responsabilizado,e punido. E na medida do possível, considerando a citação do meu nome na matéria, a publicação dessa carta.
Uma frase atribuída ao atual gestor da SECULT , “...partidas de pessoas mal-intencionadas” ao se referir as pessoas que criticaram e denunciaram a displicência no processo de reforma do prédio do CLA e MAG, impressiona e torna fácil compreender o terror moral dos servidores, da escola e do museu, em falar sobre o assunto.
Para compreender o caráter do atual gestor da SECULT e especialmente a forma como pensa cultura e política, e as relações estabelecidas com o patrimônio cultural goianiense, é preciso voltar no tempo. Nos idos de 1993, no Ministério Público Estadual um jovem promotor chamado Sulivan Silvestre, falecido em 99, se destacava pelas ações em defesa do meio ambiente e pela primeira vez na história de Goiás, também se envolveu com as causas do patrimônio cultural. Sulivan Silvestre recebeu a denúncia de que o painel “O sonho de Dom Bosco “ de autoria do artista plástico D.J. Oliveira seria destruído. E foi destruído, mesmo notificado, da noite para o dia, o então secretário de Cultura de Goiânia, Kleber Adorno, patrocinou, arrumando máquinas e homens da prefeitura, a total destruição do painel. A desculpa na ocasião era a vontade do artista, ainda vivo, e que posteriormente substituiu uma obra prima por um arremedo, em azulejo. Soube do caso por que o Dr. Sulivan Silvestre solicitou-me um parecer técnico sobre as condições da obra, parecer esse que foi totalmente inútil, visto que não havia mais obra alguma a ser estudada, já havia virado pó.
Alguns anos após outro episódio demonstrou outra faceta do caráter do mesmo cidadão. A memorável disputa entre Marconi Perillo e Iris Rezende. Kleber Adorno era o coordenador de campanha do jovem de camisa azul, que ninguém sabia quem era, mas que impressionava por onde passava, mas aparentemente, e de acordo com a mídia local, sem chances de ganhar. Ora, o grande sonho de consumo de Kleber Adorno era voltar a ser secretário de cultura, cargo que ocupou no governo Santillo. Aparentemente, avaliando a impossibilidade do jovem de camisa azul ascender ao “trono” goiano, às vésperas, duas semanas antes do último embate nas urnas, Kleber Adorno pulou para o lado de Iris, a derrota foi histórica e pecha de traidor ficou.
Ao assumir o governo em 2005, Iris ,em retribuição, resgata Kleber Adorno da vida acadêmica em uma universidade privada, dizem, não sei se é verdade, que uma indicação de PX Silveira, que veio depois se tornar inimigo mortal, com direito a ameaças de tiro na cara e tudo mais.
O primeiro grande feito de Kleber Adorno a frente da SECULT foi transformar o MAG em ganha- pão de cargo comissionado. E isso chegou ao ponto do MAG ter diretores, no plural, aquele que estava na Lei, nomeado, e aquele que se passava por ser o que nunca foi. Os fatos e as provas foram levados ao MP. E o Ministério Público em dezembro de 2005 entrou com uma ação Civil Pública e de Improbidade Administrativa (Nº 2005.03550781) contra os três envolvidos. E para fazer calar as pessoas “mal intencionadas” assediou e mandou assediar, moralmente, perseguiu, ameaçou e desqualificou. Não calou.
O segundo foi fraudar o processo eleitoral da 3ª Conferência Municipal de Cultura, a reação da sociedade foi recorrer à justiça através de um mandado de segurança. Março de 2010, quatro anos depois da sentença, favorável a sociedade, anulando a 3ª Conferência, a SECULT não cumpriu o determinado em sentença judicial. E nisto há um fato curioso, hoje, o juiz (aposentado) Eduardo Siade, que julgou favorável a sociedade é o também o Procurador do Município. Irá o Dr. Eduardo Siade mandar cumprir a sentença propalada?
O terceiro grande feito, neste mesmo ano, foi o plágio de tese de doutorado. Inscrito no doutorado na UFG, no momento da defesa de sua tese apresentou material retirado da internet e de trabalhos de outros autores, na ocasião, como defesa, que culpou quem digitou, pela incapacidade de citar as fontes.
Na sequência modificou a Lei do FAC retirando a possibilidade de participação da sociedade e tomando para si o poder de decidir quais e quem seria beneficiado pelos recursos oriundo do Fundo de Apoio a Cultura. Novos protestos e denúncias, onde quem criticava era qualificado de moleque, de mal intencionado e outros adjetivos.
Essa é uma pequena mostra do caráter e da personalidade do homem, que qualifica quaisquer criticas à sua gestão na SECULT, como coisa que pessoas mal-intencionadas, pessoas essas que nem vivendo duas vidas conseguiriam construir um currículo tão invejável no âmbito do descaso com a coisa pública. O que quero evidenciar é que tal postura nada mais é que o velho e ultrapassado coronelismo do cerrado, que nega aos cidadãos e cidadãs o direito de existir, de respirar, se o seu senhor não permitir. Como os tempos são outros, não dá mais para contratar capangas no Café Central, a forma de matar é desqualificar a voz do outro, dizendo que é coisa de moleques, arroubos, e más intenções. Coronelismo esse que algema moralmente, que faz com que os que se submetem tenham vergonha de si mesmo, que esmolem aquilo que é direito.
O Museu de Arte de Goiânia é um direito e espera-se, constatados os danos, e não apenas no acervo de arte, mas ao patrimônio público, como é relatado na reportagem que o Ministério Público aja com rigor e entre com a ação de reparação por danos morais à coletividade, e acrescentaria ainda, aos direitos difusos!
Goiânia precisa de políticas públicas para cultura, de verdade, de transparência na gestão da SECULT e principalmente, qualificação desses agentes públicos.
Atenciosamente,
Deolinda Conceição Taveira Moreira
Conservadora Restauradora de Bens Culturais
Abaixo a redação modificada pelo jornal O POPULAR e publicada no dia 03/05/2010, na coluna Cartas do Leitor:
Cultura e política
Sirvo-me da presente para parabenizar o jornalista Rodrigo Alves pela excelente matéria Enfim, prontos no qual relata a situação do Centro Livre de Artes e do Museu de Artes de Goiânia.
A matéria foi muito bem elaborada, o repórter ouviu e viu vários lados e conduziu o texto de modo claro e objetivo, constatando que o poder público omisso é passível de ser responsabilizado, e punido. Considerando a citação do meu nome na matéria, assino esta carta.
Uma frase atribuída ao atual gestor da Secult, “...partidas de pessoas mal-intencionadas” ao se referir às pessoas que criticaram e denunciaram a displicência no processo de reforma do prédio do CLA e MAG, impressiona e torna fácil compreender o terror moral dos servidores, da escola e do museu, em falar sobre o assunto. Para compreender o caráter do atual gestor da Secult e especialmente a forma como pensa a cultura e a política, e as relações estabelecidas com o patrimônio cultural goianiense, é preciso voltar no tempo.
Nos idos de 1993, no Ministério Público Estadual, um jovem promotor chamado Sulivan Silvestre, morto em 1999, se destacava pelas ações em defesa do meio ambiente e, pela primeira vez na história de Goiás, também se envolveu com as causas do patrimônio cultural.
Sulivan Silvestre recebeu a denúncia de que o painel O Sonho de Dom Bosco, de autoria do artista plástico D.J. Oliveira, seria destruído. E foi destruído, mesmo notificado: da noite para o dia o então secretário de Cultura de Goiânia, Kleber Adorno, patrocinou, arrumando máquinas e homens da prefeitura, a total destruição do painel.
A desculpa na ocasião era a vontade do artista, ainda vivo, e que posteriormente substituiu uma obra-prima por um arremedo, em azulejo. Soube do caso porque Sulivan Silvestre solicitou-me um parecer técnico sobre as condições da obra, parecer esse que foi totalmente inútil, visto que não havia mais obra alguma a ser estudada, já havia virado pó.
DEOLINDA TAVEIRA MOREIRA
Vila Nova – Goiânia
Goiânia, 29 de abril de 2010.
Prezado Editor,
Sirvo-me da presente para parabenizar o jornalista Rodrigo Alves pela excelente matéria “Enfim, prontos” no qual relata a situação do Centro Livre de Artes e do Museu de Artes de Goiânia. A matéria muito bem elaborada, ouviu e viu vários lados e conduziu o texto de modo claro e objetivo, constatando que o poder público omisso é passível de ser responsabilizado,e punido. E na medida do possível, considerando a citação do meu nome na matéria, a publicação dessa carta.
Uma frase atribuída ao atual gestor da SECULT , “...partidas de pessoas mal-intencionadas” ao se referir as pessoas que criticaram e denunciaram a displicência no processo de reforma do prédio do CLA e MAG, impressiona e torna fácil compreender o terror moral dos servidores, da escola e do museu, em falar sobre o assunto.
Para compreender o caráter do atual gestor da SECULT e especialmente a forma como pensa cultura e política, e as relações estabelecidas com o patrimônio cultural goianiense, é preciso voltar no tempo. Nos idos de 1993, no Ministério Público Estadual um jovem promotor chamado Sulivan Silvestre, falecido em 99, se destacava pelas ações em defesa do meio ambiente e pela primeira vez na história de Goiás, também se envolveu com as causas do patrimônio cultural. Sulivan Silvestre recebeu a denúncia de que o painel “O sonho de Dom Bosco “ de autoria do artista plástico D.J. Oliveira seria destruído. E foi destruído, mesmo notificado, da noite para o dia, o então secretário de Cultura de Goiânia, Kleber Adorno, patrocinou, arrumando máquinas e homens da prefeitura, a total destruição do painel. A desculpa na ocasião era a vontade do artista, ainda vivo, e que posteriormente substituiu uma obra prima por um arremedo, em azulejo. Soube do caso por que o Dr. Sulivan Silvestre solicitou-me um parecer técnico sobre as condições da obra, parecer esse que foi totalmente inútil, visto que não havia mais obra alguma a ser estudada, já havia virado pó.
Alguns anos após outro episódio demonstrou outra faceta do caráter do mesmo cidadão. A memorável disputa entre Marconi Perillo e Iris Rezende. Kleber Adorno era o coordenador de campanha do jovem de camisa azul, que ninguém sabia quem era, mas que impressionava por onde passava, mas aparentemente, e de acordo com a mídia local, sem chances de ganhar. Ora, o grande sonho de consumo de Kleber Adorno era voltar a ser secretário de cultura, cargo que ocupou no governo Santillo. Aparentemente, avaliando a impossibilidade do jovem de camisa azul ascender ao “trono” goiano, às vésperas, duas semanas antes do último embate nas urnas, Kleber Adorno pulou para o lado de Iris, a derrota foi histórica e pecha de traidor ficou.
Ao assumir o governo em 2005, Iris ,em retribuição, resgata Kleber Adorno da vida acadêmica em uma universidade privada, dizem, não sei se é verdade, que uma indicação de PX Silveira, que veio depois se tornar inimigo mortal, com direito a ameaças de tiro na cara e tudo mais.
O primeiro grande feito de Kleber Adorno a frente da SECULT foi transformar o MAG em ganha- pão de cargo comissionado. E isso chegou ao ponto do MAG ter diretores, no plural, aquele que estava na Lei, nomeado, e aquele que se passava por ser o que nunca foi. Os fatos e as provas foram levados ao MP. E o Ministério Público em dezembro de 2005 entrou com uma ação Civil Pública e de Improbidade Administrativa (Nº 2005.03550781) contra os três envolvidos. E para fazer calar as pessoas “mal intencionadas” assediou e mandou assediar, moralmente, perseguiu, ameaçou e desqualificou. Não calou.
O segundo foi fraudar o processo eleitoral da 3ª Conferência Municipal de Cultura, a reação da sociedade foi recorrer à justiça através de um mandado de segurança. Março de 2010, quatro anos depois da sentença, favorável a sociedade, anulando a 3ª Conferência, a SECULT não cumpriu o determinado em sentença judicial. E nisto há um fato curioso, hoje, o juiz (aposentado) Eduardo Siade, que julgou favorável a sociedade é o também o Procurador do Município. Irá o Dr. Eduardo Siade mandar cumprir a sentença propalada?
O terceiro grande feito, neste mesmo ano, foi o plágio de tese de doutorado. Inscrito no doutorado na UFG, no momento da defesa de sua tese apresentou material retirado da internet e de trabalhos de outros autores, na ocasião, como defesa, que culpou quem digitou, pela incapacidade de citar as fontes.
Na sequência modificou a Lei do FAC retirando a possibilidade de participação da sociedade e tomando para si o poder de decidir quais e quem seria beneficiado pelos recursos oriundo do Fundo de Apoio a Cultura. Novos protestos e denúncias, onde quem criticava era qualificado de moleque, de mal intencionado e outros adjetivos.
Essa é uma pequena mostra do caráter e da personalidade do homem, que qualifica quaisquer criticas à sua gestão na SECULT, como coisa que pessoas mal-intencionadas, pessoas essas que nem vivendo duas vidas conseguiriam construir um currículo tão invejável no âmbito do descaso com a coisa pública. O que quero evidenciar é que tal postura nada mais é que o velho e ultrapassado coronelismo do cerrado, que nega aos cidadãos e cidadãs o direito de existir, de respirar, se o seu senhor não permitir. Como os tempos são outros, não dá mais para contratar capangas no Café Central, a forma de matar é desqualificar a voz do outro, dizendo que é coisa de moleques, arroubos, e más intenções. Coronelismo esse que algema moralmente, que faz com que os que se submetem tenham vergonha de si mesmo, que esmolem aquilo que é direito.
O Museu de Arte de Goiânia é um direito e espera-se, constatados os danos, e não apenas no acervo de arte, mas ao patrimônio público, como é relatado na reportagem que o Ministério Público aja com rigor e entre com a ação de reparação por danos morais à coletividade, e acrescentaria ainda, aos direitos difusos!
Goiânia precisa de políticas públicas para cultura, de verdade, de transparência na gestão da SECULT e principalmente, qualificação desses agentes públicos.
Atenciosamente,
Deolinda Conceição Taveira Moreira
Conservadora Restauradora de Bens Culturais
Abaixo a redação modificada pelo jornal O POPULAR e publicada no dia 03/05/2010, na coluna Cartas do Leitor:
Cultura e política
Sirvo-me da presente para parabenizar o jornalista Rodrigo Alves pela excelente matéria Enfim, prontos no qual relata a situação do Centro Livre de Artes e do Museu de Artes de Goiânia.
A matéria foi muito bem elaborada, o repórter ouviu e viu vários lados e conduziu o texto de modo claro e objetivo, constatando que o poder público omisso é passível de ser responsabilizado, e punido. Considerando a citação do meu nome na matéria, assino esta carta.
Uma frase atribuída ao atual gestor da Secult, “...partidas de pessoas mal-intencionadas” ao se referir às pessoas que criticaram e denunciaram a displicência no processo de reforma do prédio do CLA e MAG, impressiona e torna fácil compreender o terror moral dos servidores, da escola e do museu, em falar sobre o assunto. Para compreender o caráter do atual gestor da Secult e especialmente a forma como pensa a cultura e a política, e as relações estabelecidas com o patrimônio cultural goianiense, é preciso voltar no tempo.
Nos idos de 1993, no Ministério Público Estadual, um jovem promotor chamado Sulivan Silvestre, morto em 1999, se destacava pelas ações em defesa do meio ambiente e, pela primeira vez na história de Goiás, também se envolveu com as causas do patrimônio cultural.
Sulivan Silvestre recebeu a denúncia de que o painel O Sonho de Dom Bosco, de autoria do artista plástico D.J. Oliveira, seria destruído. E foi destruído, mesmo notificado: da noite para o dia o então secretário de Cultura de Goiânia, Kleber Adorno, patrocinou, arrumando máquinas e homens da prefeitura, a total destruição do painel.
A desculpa na ocasião era a vontade do artista, ainda vivo, e que posteriormente substituiu uma obra-prima por um arremedo, em azulejo. Soube do caso porque Sulivan Silvestre solicitou-me um parecer técnico sobre as condições da obra, parecer esse que foi totalmente inútil, visto que não havia mais obra alguma a ser estudada, já havia virado pó.
DEOLINDA TAVEIRA MOREIRA
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