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quinta-feira, novembro 25, 2010

MUSEU PEDRO LUDOVICO

De volta às origens
Após receber obras de restauro e revitalização, Museu Pedro Ludovico será reaberto hoje com projeto que amplia o acesso à memória histórica e se aproxima da proposta original


Fechado desde janeiro, o Museu Pedro Ludovico será reaberto hoje, às 20 horas, com apresentações musicais e de dança. O museu funciona na antiga residência da família do fundador de Goiânia, que foi construída no período de 1935 a 1937. Entre as novidades após a reforma, o destaque é o conjunto de 12 novos painéis explicativos com textos e imagens. A casa, que tem decoração típica em estilo art déco, também ganhou reformas como pintura de parede, revitalização do piso e do telhado, além de recuperação do muro - rebaixado para ficar com a fachada mais próxima da construção original - e um novo banheiro externo.

A museóloga Tânia Mendonça explica que a ideia foi manter o projeto original, que transformou a residência em museu no ano de 1987. "Agora a meta foi melhorar as condições de comunicação do museu com a comunidade", enfatiza. Os painéis permitem que o visitante conheça a história do lugar, centrado nas figuras de Pedro Ludovico e Dona Gercina, e nas sagas da transferência da capital da cidade de Goiás para Goiânia. Eles trazem desde informações técnicas da edificação, como estilo e dados arquitetônicos, até informações sobre a ocupação da residência. Em formato 3 x 2 metros, os pôsters foram dispostos em vários ambientes. "O visitante também vai receber um folder explicativo e detalhado", diz Tânia.

Dois documentários passam a ser exibidos no local, que ganhou nova televisão. As produções giram em torno de Pedro Ludovico e Mauro Borges e serão disponibilizadas para pesquisadores e escolas. Os vídeos trazem depoimentos de familiares e de pessoas que trabalharam com Pedro Ludovico, como Irineu Borges Nascimento. Linda Monteiro, presidente da Agepel, destaca os ambientes novos no interior da casa, como a sala com imagens e informações em torno do pioneirismo do trabalho assistencial de Dona Gercina. "Em outro ambiente, painéis ilustram o desenvolvimento de Goiânia e do Estado. Temos ainda um espaço destinado a registros fotográficos e textos sobre Venerando de Freitas Borges, primeiro prefeito da capital", diz Linda Monteiro.
O passeio pelo museu permite uma viagem no tempo à Goiânia dos anos 40 e 50. Além de móveis originais e objetos, que retratam um modo de vida das famílias da época, a prataria é atrativo, bem como as indumentárias preservadas. Entre os pertences de Pedro Ludovico e Dona Gercina estão ternos, chapéus, vestidos, óculos e bolsas. A fachada da casa ganhou pintura na cor ocre, tom que mais se aproxima do projeto original.

Na garagem da residência, a caminhonete que pertenceu a Pedro Ludovico recebeu recuperação de bancos e outros retoques. O veículo, 1974 vermelho, era utilizado para viagens do governador à sua fazenda, a Brasília e ao Rio de Janeiro. Normalmente o carro era pilotado pelo filho Pedro Júnior ou pelo motorista José Cavalcante.

A decoração art déco é um atrativo, bem como peças de mobiliário originais. O quintal amplo, o pomar repleto de árvores frutíferas, a piscina (agora coberta) e o muro baixo com vista para a Rua Gercina Borges Teixeira (Rua 26) são mantidos exatamente da forma como o seu antigo dono deixou ao morrer, em 1979.
Recentemente revitalizada, a biblioteca possui centenas de livros, muitos deles doados pelo ex-governador Mauro Borges Teixeira, filho de Pedro Ludovico. Os documentos, que foram higienizados, catalogados e acondicionados, devem ser digitalizados para integrar a documentação, liberada apenas para pesquisadores.
Pedro Ludovico morou na casa que hoje abriga o museu de 1945 a 1979. Nos períodos em que foi governador e senador, ele transferiu-se com a família para o Palácio das Esmeraldas e, depois, para a cidade do Rio de Janeiro. A casa da Rua 26 foi alugada e, em 1969, recebeu novamente a família, que permaneceu até a morte do patriarca. O imóvel foi desapropriado em 25 de setembro de 1979, por meio da Lei 8.690, que autorizou o Governo de Goiás a desapropriar para implantar o museu, que entrou em funcionamento oito anos depois, em 1987.

Projetos para preservação da memória
O projeto de revitalização da exposição de longa duração do Museu Pedro Ludovico integra as ações de revitalização das mostras de museus estaduais goianos, projeto iniciado no ano passado pela Agência Goiana de Cultura. No caso do Museu Pedro Ludovico, a mudança manteve o projeto original de 1987, que definia a proposta do museu em torno da figura do fundador e da história de Goiás. O tratamento museológico contemplou tanto a preservação da memória de Pedro Ludovico por meio da musealização do acervo deixado pela família (mobília, porcelanas, roupas, cristais), quanto a casa e os seus elementos constitutivos e estilísticos.

O visitante vai conhecer um acervo de documentos textuais produzidos e colecionados ao longo dos 40 anos de vida pública de Pedro Ludovico. O governante é enfocado em diferentes relações: o Pedro Ludovico político, o homem, ele em família e o fundador no processo de mudança da capital da cidade de Goiás para Goiânia. Além das obras de restauro da parte física do museu, o projeto atual contou com um trabalho de pesquisa em fontes bibliográficas diversas, como livros, teses, dissertações e monografias de autores que estudaram a obra do fundador de Goiânia e sua relevância para o Estado de Goiás.

As fontes orais também foram de grande importância para o trabalho, que contou com informações concedidas por pioneiros goianienses, estudiosos, familiares de Pedro Ludovico e profissionais participantes da criação do museu. Maria Dulce Loyola Teixeira, representante da família - ela é nora de Mauro Borges -, também colaborou com a seleção, identificação e seção de imagens, além da indicação de parentes e amigos do casal Pedro Ludovico e Gercina Borges.

O arquiteto Marcílio Lemos explica que os novos painéis inovam com um aspecto de leveza e modernidade. Se antes as imagens eram impressas primeiramente e somente depois adesivadas nos painéis, agora as fotografias tiveram impressão eletrônica e ganharam o acrílico como suporte. "A foto foi impressa diretamente no acrílico transparente, num resultado mais suave", descreve. O arquiteto acrescenta que contar a história do casal Pedro Ludovico e Gercina Borges sempre foi uma façanha que resultou em bastante conteúdo. Para ele, o grande desafio dos painéis temáticos, escolhidos entre cerca de 60 imagens, foi uma distribuição do conjunto pelos ambientes sem que isso interferisse na arquitetura interna da casa.

Evento:Reabertura do Museu Pedro Ludovico
Data:Hoje, às 20 horas
Apresentações artísticas:Bailarinos Fabiane Clemones e Leilson Santos, integrantes do Balé do Estado de Goiás; Tango La Cumparsita - Duo de Flauta e Piano, com Rosana Rodrigues (flauta) e Beatriz Pavan (piano), integrantes da Orquestra de Câmara Goyazes
Fonte: Jornal O POPULAR 25 DE NOVEMBRO 2010.

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