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domingo, maio 13, 2012

Elza, a matriaca da família Taveira Moreira




                          Elza e Camilo(neto), Fernanda(bisneta),Gisele(bisneta) e Maura.Aniversário de três anos da   Fernanda.
 



Mãe

Que figura estranha que é a mãe, já pensaram nisso? Antes de ser, só pensa nas doçuras da maternidade, depois de ser, o que lava de fraldas, o que limpa de bundinhas gorduchas melecadas, o que deixa de dormir e o que vive em sobressalto a faz esquecer completamente das doçuras, basta parar um momento para refletir friamente sobre a vida que leva no pós filhos! Mas basta olhar para aqueles zoinhos melosos e desconsidera tudo, acha aquele cheirinho das fraldas o melhor perfume francês , ri das noites em claro e surta se alguém disser ao contrário.
 Nos jornais de hoje, a mãe do acusado da chacina de Doverlância reclama das dificuldades para recuperar o corpo do filho, morto no acidente com a aeronave da Polícia, ela moradora de um assentamento, e o medo de represálias, pois têm outros três filhos. Coitada dessa mãe, para o resto da vida vai se culpar pelos atos do filho, vai se perguntar onde errou, e o que poderia ter feito para evitar que o filho tomasse o caminho que tomou. Talvez seja hora do nosso mundo perfeito parar e refletir sobre o que está acontecendo com os nossos jovens, homens, meninos, que morrem diariamente, antes de completar 30 anos. Quais as opções de futuro? De emprego? De escola? De vida? Fiquei com pena dessa mãe, que hoje enterra um filho, que outro dia era uma bolinha gorducha, balbuciante e de olhos brilhantes, agora é nada, pó que volta a terra. Não dá para imaginar isso! Eu que sou mãe de dois rapazes, meio que sem querer, se leio a noticia de um jovem que morre, por acidente, drogas, ou assassinado - o jovem de periferia de Goiânia morre assim, bestamente, vitima de torcida organizada, do tráfico ou da vontade de superar as condições desiguais que vive ( de acordo com a propaganda massificadora da TV) – me pego agradecendo a Deus que o mais velho (um folgado de marca maior) já tenha passado dos trinta, e morrendo de vontade de saber como vai o mais novo (filho da mãe motoqueiro). E os dois casados e com filhos! Imagina essa mãe, cujo filho é acusado de atrocidades, morto, e só tinha 22 anos? E o filho de tantas mães que também se foram, jovens, meninos? Cara, não dá para imaginar!
A minha mãe, digna senhora de 86 anos, cujo único defeito, atualmente, é o pouco juízo, não que antes fosse diferente, por que ela nunca foi uma mulher igual às outras, basta ver que casou-se, diz ela que sem amor (há quem duvide), com um luso, ficou viúva relativamente jovem, e mesmo sem o alegado amor pelo luso, não mais buscou encontrar o amor. E olha que não foi por falta de oportunidades e pretendentes! Penso cá comigo que ela não viu o que já havia encontrado, no companheiro e amigo lusitano! Mas enfim, casando com ou sem amor reconhecido, mudou-se do interior do Estado do Rio de Janeiro, para o fim de mundo, do interior de Goiás. No calor causticante, na poeira vermelha e na lonjura distante de Porangatu, naquele tempo, médio norte goiano, agora norte, fronteira com o Tocantins, perto e longe de tudo ao mesmo tempo, viveu ombro a ombro a construção do futuro para o casal e para os filhos, e agora vive um dia depois do outro, um dia tonta, no outro, animada (a velhice é assim, um dia depois do outro, puro lucro), e sempre com a alegria, a felicidade e a inteligência que a impulsionaram a casar-se com o luso e meter-se nessa grande aventura que é viver. Morro de inveja dela, dá para acreditar que gosta de academia? Quer malhar nessa idade!
À minha mãe, milhões de beijos e um aviso, na semana que vem, vou ai nesse norte goiano, te encontrar. E as mamães de primeira viagem, Simone (amiga do coração), outros zilhões de beijos e um conselho, aproveita  cada minuto enquanto a pequenina Isabela ainda é só uma coisinha gorducha, zoiudinha e sorridente, por que depois, a vida, vai tomar seu curso, e sua pequenina, seguirá fazendo escolhas e te dizendo, mãe, credo, me deixe viver! Bom ai já é outro tempo, e os netos chegam. 
À todas a mães do mundo.

Deolinda
Para Elza, Camilo, Albino, Maura, Thaís, Fernanda, Arthur e Gisele. À Mônica, filhota do coração. E claro, Simone Rosa.

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