terça-feira, março 18, 2008

Recuperando a memória histórica.

Como sabem participo do Fórum Permanente de Cultura em Goiânia, que basicamente é um espaço permanente de discussões sobre cultura e a gestão pública da cultura.

O nosso momento em Goiânia é de absoluto espanto diante dos últimos acontecimentos no PT - Partido dos Trabalhadores. Onde militantes optam entre firmar aliança com o PMDB, e neste caso, teoricamente, se postarem como vices do atual prefeito e candidato, ou candidatura própria, como é tradicional ao PT em Goiânia.

Qualquer um que acompanhe a questão poderá concluir que uma parcela do PT em Goiânia opta neste momento pela aliança antecipada e espera em troca, cargos e benesses. O que é comum nesses casos.

Ana Lúcia enviou ao Fórum Permanente de Cultura, uma carta onde recupera a memória histórica do PT em Goiás e creio seja importante na discussão sobre o loteamento de cargos públicos em Goiás.

Ao que parece, tudo na política acaba na vala comum, tristemente.

"As alianças do PT.

Por Ana Lúcia Silva

Para alguém, como eu, que participo, há 40 anos, da luta de classes em Goiânia, é assustador ver como parte da militância do PT perdeu as referências históricas do Partido ao qual pertencem. Quem é o mandatário mor do PMDB, com o qual algumas alas do PT estão propondo aliança? Íris Rezende Machado. Quem é este político?Acompanho sua história desde quando era um advogado, que possuía uma Variant velha, até torna- se este milionário e poderoso político. Estes militantes já se interessaram em saber como ele construiu sua trajetória?

Íris foi cassado pela ditadura. Quando começamos a campanha da anistia em Goiás, Pedro Wilson na presidência do Comitê, o procuramos e ele se recusou a participar desta luta. O mesmo aconteceu nas Diretas já. Recusou-se a participar da campanha. Só o fez, quando vendo esta vitoriosa resolveu subir no palanque, no último comício em Goiânia.

Ela governava Goiás quando criamos a CUT em 1983. Será que os petistas que na época dirigiam o atual Sintego (Neide e Osmar, por exemplo) não se lembram dos 10.000 trabalhadores que demitiu, como ele nos reprimiu, como botou polícia e bombas em nossas manifestações? Será que não se lembram da violência da polícia, quando os sem teto ocuparam o Jardim Nova Esperança? Iris, inclusive, proibiu a imprensa de citar o nome da CUT. Nada disto já não importa? Por que?

Será que esta militância sabe que foram Íris Rezende e Maguito que iniciaram a nefasta política de não repassar os 30% constitucionais para a educação? Marconi Perillo só continuou o processo. Logo, a CPI da Educação proposta pelo deputado Luis César Bueno é uma pizza anunciada, pois não fará a devassa também nos governos do PMDB agora, possível aliado.

Será que esta militância se esqueceu de todos os escândalos econômicos envolvendo Íris e Maguito? Caixego, Serradourada, dentre outros? Isto já não importa? Então, assumem que PMDB e PT são farinha do mesmo saco, como o senso comum diz, portando, a aliança é natural.

Será que para esta militância não importa tudo que falaram do PT, dos seus dirigentes e militantes nas últimas eleições? Já se esqueceram da violência física que vários militantes sofreram, principalmente na Região Noroeste? Por que e em nome de que? Li, nos jornais, que é em nome do projeto Lula. Todo mundo sabe que o PT é um partido, com milhares de filiados e militantes, agora tornou - se um nome?

Será que para esta militância já não importa todas as promessas que Íris fez nas últimas eleições e não as cumpriu. Aliás, cumpriu a de asfaltar Goiânia que foi sempre seu carro chefe na aliança histórica que tem com os empreiteiros em Goiás.

Será que os que defendem a aliança conhecem a situação da Rede Municipal de Ensino em Goiânia ? Não construiu nem reformou nenhuma escola. Deu aumentos ridículos para o funcionalismo e mesmo estes, não os pagou integralmente. Não fez nenhuma jornada pedagógica para a progressão dos professores. Já se perguntaram sobre que é feito dos 25% do orçamento da prefeitura que deve ir para a educação? Corre uma investigação no Ministério Público.

Será que os que defendem a aliança têm andado pelos cais para ver a situação da saúde em relação aos profissionais e aos usuários?

Nada fez pelo transporte. Agora, está fazendo uma licitação altamente suspeita.

Será que sabem o que está passando com os vários programas sociais que estavam em processo de estruturação e crescimento?

Será que esta militância se perguntou por que o PMDB desprezou a aliança com o PT nas eleições anteriores e agora quer a aliança?

Se sabem sobre tudo o que citamos e mesmo assim querem a aliança, é mais grave. Aí, além de se jogar no lixo a história de luta da classe trabalhadora em Goiás, estão voltando às costas para as mentiras que são ditas.

Será que o PT não tem propostas para governar Goiânia e precisa ficar a reboque do PMDB e do Íris? Se não tem, por que ?

Por fim, com quais mecanismos se construiu em três meses (as eleições internas foram em dezembro) uma nova maioria no PT em Goiás?

Sugiro que esta militância pro aliança ande mais, converse mais com o povão e perceberão que o povo, no calado, vai dar o troco e teremos surpresas nas eleições em Goiás. "

Ana Lúcia da Silva é historiadora e militante política.

quarta-feira, março 12, 2008

14ª SR- IPHAN loteada por políticos goianos.

Uma noite dessas, ou melhor na virada da madrugada, por que o Jornal da Globo é para os insones,assisti na TV uma interessante matéria sobre os hábitos da corte portuguesa quando aqui aportou.

O Rio de Janeiro era uma cidade de 46 ruas, do tamanho de Porangatu. Dá até para filosofar “tudo que começa pequeno vai terminar grande.” Piadinha inocente gente!

Mas, se você não é insone e não assistiu, o resumo. Na corte portuguesa os cargos públicos eram comprados. E todos esperavam que tais cargos fossem um bom negocio. Um negocio de futuro, onde o dono do cargo fazia a coisa render ao ponto de enriquecer com os lucros auferidos. Não tinha esse papo de proventos, a coisa andava como quem compra uma fazenda, uma floricultura ou funda uma sucursal da Igreja Universal do Reino de Deus.

Nesta mesma época devido a pequena dimensão da cidade, o Príncipe Regente autorizou aos poderosos que chegavam de além mar, a mandar desocupar as casas dos “nativos” e nas portas das casas escolhidas aplicavam a marca PR (Príncipe Regente) e ao coitado do morador só restava cair fora. O povo “carioca” sempre levou a fama de ser um tipo alegre e zombeteiro, mas nesse caso se superou e passaram a traduzir PR como “Ponha-se na Rua”.

Atenção, os mais desavisados, não estou comentando os hábitos dos políticos na atualidade brasileira, refiro-me à época da chegada da corte portuguesa ao Brasil, isso nos idos de 1808.

No dia seguinte, 10 de março de 2008, na coluna de Carta ao Leitor o jornal O POPULAR publica a mensagem indignada de Augusta Faro, nobre escritora goiana, sobre possiveis mudanças na 14ª SR- IPHAN e novamente atenção, agora estamos no século XXI:

"Nova direção
Tomei conhecimento de uma movimentação para afastar a historiadora Salma Saadi da superintendência do Iphan, onde desenvolveu um trabalho único e fenomenal, ao longo de 28 anos. É voz geral que, anteriormente, o cargo não possuia a menor expressividade, mas ela soube realçar a importância de tudo o que se refere à preservação do patrimônio cultural nos Estados afetos à superintendência.
Salma conseguiu restaurar incontáveis patrimônios que estavam em ruínas em Goiás, Mato Grosso e Tocantins, deflagrou o movimento art déco, hoje uma realidade consagrada, lutou com unhas e dentes para que a cidade de Goiás obtivesse o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade - isto à guisa de exemplificação.
Hoje, o Iphan é uma realidade que tem peso, medida, valor e respeito.
AUGUSTA FARO FLEURY DE MELO Setor Marista – Goiânia "


E hoje, no Blog FAXINA GERAL duas notas sobre o INCRA e o protestos dos sem terra. Pasmei!

"12/03/2008 10:49
b) Sem Terra GO
Estão fazendo manifestação em frente à Alego, neste momento, contra a indicação de Rogério Arantes! Prometem não liberar o Incra GO, onde estão acampados, enquanto a situação não for resolvida, inclusive a agilidade na desapropriação de propriedades dos narcotraficantes e ladrões presos que tenham terras em Goiás!
will
comentários(0 ) 12/03/2008 10:41
a) Sem Terra GO
Boatos dos movimentos sociais ligados à terra, ventilam que a indicação de Rogério Arantes para a Superintendência do Incra em Goiás, não teria moral para o cargo por ser ligado ao jogo do bicho e de família que há muito tempo desrespeitam o movimento!
will
comentários(0 ) "

O que acham? Não será hora de começarmos um movimento pela moralização do serviço público?Observem o que aconteceu nos CORREIOS, lotearam os cargos, no que foi mesmo que acabou?

O IPHAN e o INCRA são instituições primordialmente técnicas, e lidam com assuntos que nem sempre agradam os políticos municipais, mas infelizmente para eles e felizmente para a Nação, atuam de forma impar e com trabalho exemplar na defesa do Patrimônio Cultural e do Trabalhador sem terra. E isso dentro do caminho estrito da Lei.

Será que a Salma e o superintendente do INCRA vão encontrar aplicadas às portas dos órgãos onde trabalham “PR”? Definitivamente perdeu-se a vergonha e a dignidade no serviço público.

Os cargos públicos tornaram-se moeda de troca e de barganha, do mesmo modo que acontecia no século XVIII. O servidor público de carreira, aquele que passou por concurso público é tratado como se fosse um bandido, um ser de 5ª categoria por que não entrou no serviço público via “QI” (Quem Indica).

De quatro em quatro anos em todas as esferas da administração pública, os servidores de carreira, concursados, são caçados. A caçada se dá para facilitar o acesso aos cofres públicos dos cargos comissionados – aqueles que trazem nas costas a marca “QI”.

O acesso aos cargos públicos deve se dar via concurso público. E mesmo aqueles onde é livre a nomeação e exoneração, jamais poderiam ser ocupados por pessoas que não tivessem qualquer habilidade ou formação compatível com o cargo.

Ou será que vamos continuar a viver em uma sociedade no século XXI e como os mesmo hábitos do século XVII? Vai gostar de manter tradição errada lá nos quintos do inferno, sÔ!

Chega de políticas de governo e passemos a exigir políticas de ESTADO!

sexta-feira, março 07, 2008

Museu do Ipiranga: 12 vigias para 125 mil obras

Dá para comentar um absurdo desses?

Falta de segurança obriga local a ficar fechado também às terças

porVitor Hugo Brandalise para O Estado de São Paulo

No início do ano, o Museu do Ipiranga foi fechado para visitação às terças-feiras. Turistas, só de quarta a domingo. A medida, tomada pela administração por falta de pessoal, além de irritar visitantes desavisados, revela a situação dos 12 seguranças do museu - que são obrigados a escolher, entre as 30 salas com mais de 125 mil obras de arte reunidas desde 1890, qual delas terão de vigiar.Os vigias que ficam no andar superior têm ordem expressa: caso estejam sozinhos nos 1,6 mil m2 do pavimento, devem ficar de olho na tela Independência ou Morte, de Pedro Américo, pintada em óleo em 1888 e que cobre uma parede inteira (4,10m por 7,60m). “Deve ser a mais importante”, diz um dos funcionários do museu, que recebe R$ 900 mensais. Enquanto isso, nas 14 salas ao lado, telas que retratam os ofícios e o comportamento dos cidadãos paulistas na transição entre os séculos 19 e 20 permanecem penduradas sozinhas, muitas sem vigilância eletrônica - na ala Cotidiano e Sociedade, também no pavimento superior, quatro das sete salas não têm câmeras de segurança. “Nos desdobramos para vigiar o local”, diz a assistente administrativa do museu, Cláudia Toledo. A fragilidade da vigilância se reflete nas obras expostas no museu. Na sala do Comércio, basta se aproximar da tela Inundação da Várzea do Carmo , pintada por Benedito Calixto em 1892, para ver que o canto esquerdo do quadro está rasgado. “As pessoas encostam nas telas, forçam as peças. Se tivesse algum vigia na sala, é claro que não aconteceria”, revela outro funcionário. Na sala ao lado, outra peça histórica danificada é a cadeira de repouso que pertenceu à Marquesa de Santos, no século 19 - um furo na palha que cobre a cadeira e outro rasgão, de 30 centímetros, na borda do assento. Hoje, o quadro de vigias do museu é de 19 funcionários - mas apenas 12 estão na ativa. Eles se revezam, em turnos, para cobrir os 4,6 mil m2 da área do local que recebem em média mil pessoas por dia - em feriados, a visitação sobe para até 7 mil pessoas. “A situação complicou no início do ano passado, quando quatro vigias se aposentaram e não foram substituídos”, explica Cláudia. O museu é administrado pela Universidade de São Paulo (USP), que gasta R$ 50 mil com 103 funcionários. Todas as contratações são feitas por concurso público. FALTA DE ENERGIAO estudante universitário Lucas Martins, de 22 anos, deu azar ontem - terá de voltar outro dia para terminar o trabalho de história da arte. “É a segunda vez que venho aqui e o subsolo está fechado. Enfrentei esse calorão para ter de voltar outro dia? Incrível”, diz, com ironia. Ontem, o fechamento nada teve a ver com segurança, motivo que impedia a visitação no ano passado pelo menos duas vezes por semana. “Faltou luz no quarteirão”, apressou-se a dizer a assistente de administração. A USP, através de sua Assessoria de Imprensa, diz que a necessidade de fechar o museu para visitação na terça-feira - o local já fechava às segundas - é provisória e será normalizada “o mais breve possível”. Nem a administração do museu nem a USP arriscam um prazo. “Esperamos que até abril ,quando as excursões escolares aumentam”, diz Cláudia. NÚMEROSR$ 50 mil é a verba destinada pela Universidade de São Paulo para manter os 103 funcionários do museu R$ 20 mil é o montante repassado pela USP para custear as demais despesas do museu1.000 visitantespassam, em média, diariamente pelas 30 salas do Museu do Ipiranga
fonte: http://txt.estado.com.br/editorias/2008/03/07/cid-1.93.3.20080307.19.1.xml