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sexta-feira, junho 09, 2006

PATRIMÔNIO ABANDONADO IV

Durante o mês de maio, os dois principais jornais diários de Goiânia publicaram reportagens sobre as condições que se encontra o que restou do acervo do escritor Bernardo Élis.

Estive no local a pedido da Izaura e do seu Lino e vi ali a imagem do desamparo cultural que vivemos. É a inversão dos valores, o cidadão que produz cultura torna-se um pedinte, enquanto o poder público utiliza-se dos recursos destinados ao fomento e ao apoio a cultura para atender interesses próprios e como podem ver nos trechos da matéria reproduzido abaixo, esses interesses não são exatamente os da sociedade.

"Estamos perdendo um tesouro


Acervo de Bernardo Élis que ficou em Goiás está se deteriorandoporque associação criada paracuidar do material não tem recursos para mantê-lo.

por Rogério Borges

“Aqui nunca houve interesse em se preservar esses documentos, alguns com mais de 50 anos.” Com essa frase, o escritor Bernardo Élis, um dos maiores expoentes da cultura de Goiás, justificou sua decisão de vender a maior parte de seu acervo pessoal para a Universidade de Campinas (Unicamp), em 1996. Ele temia que um verdadeiro tesouro que havia amealhado no decorrer da vida, que incluía originais de romances, edições raras, antigos dicionários, manuscritos e correspondência pessoal, acabasse caindo no esquecimento e se perdendo.

Ajuda “Nós precisamos de ajuda para manter a associação funcionando minimamente”, pede Izaura Maria Ribeiro Franco, presidente da ACBEPC. “Nós estamos em grandes dificuldades financeiras e está tudo parado. Isso não pode ficar assim. Essa casa precisa ser aberta a toda a sociedade.” A situação do local, de fato, inspira cuidados. Mesmo com uma reforma emergencial no telhado do imóvel, bancada pela viúva de Élis, o estado físico da casa não é dos melhores. Há muita poeira espalhada e a luminosidade não é a ideal para um espaço que abriga livros. O resultado é que vários volumes estão em péssimo estado, necessitando com urgência de um trabalho de restauração.

Negativas

A Agepel negou a demanda, devolvendo o projeto e afirmando que a maior parte das verbas disponíveis já havia sido destinada para a construção e o aparelhamento do conjunto de bibliotecas do Centro Cultural Oscar Niemeyer. AO POPULAR, Nasr Chaul, presidente da Agepel, explicou que não pode aplicar dinheiro público na compra de móveis ou no pagamento de salários para uma instituição privada, como é o caso da Associação Bernardo Élis. “Nós temos uma listagem de entidades que ajudamos com freqüência, mas a Associação Bernardo Élis não está entre elas”, informou.

O projeto apresentado à Secretaria Municipal de Cultura (Secult) é semelhante ao levado à Agepel. Por ele, o Centro Livre de Artes daria suporte pedagógico à iniciativa. “Num convênio como esse, um representante da instituição e um representante da secretaria definem em conjunto o cronograma de atividades para o espaço. Até agora, a Associação Bernardo Élis não indicou formalmente um nome para que esse planejamento seja feito”, justificou o titular da Secult, Kleber Adorno. Ele adiantou que a maior parte dos pedidos feitos pela entidade estão fora dos termos do convênio. “Tudo precisa ser discutido antes.”

¤ Associação Cultural Bernardo Élis dos Povos do Cerrado (ACBEPC) ¤ Rua C-237, nº 189, Jardim América, próximo ao Goiânia Shopping¤ Telefone: 55 62 3274-1384 "

A matéria completa pode ser lida no link
http://goiasnet.globo.com/cultura/cul_report.phtm?IDP=5890 . Fotografia de Diomício Gomes

E como nós é besta, mas se diverte ...

Goiânia, uma baita sexta-feira, sala da Comissão de Defesa do Consumidor e lá estávamos nós, Euterpe. Cecília, Mª Aparecida, Vânia Ferro e eu. Assunto?Ah, o seminário “Cultura em Goiânia”, nada haver com Defesa do Consumidor ou será que têm?

O seminário “Cultura em Goiânia” com data para 19 de junho acontecerá no auditório Jaime Câmara da Câmara Municipal de Goiânia, durante todo o dia. E tem como objetivo “juntar”, “unir”, as diversas áreas da produção cultural goianiense e produzir um manifesto cultural.

A cultura em Goiânia vive ao sabor de interesses que nem sempre são os daqueles que estão na produção cultural, mas dos gestores públicos que se colocam, equivocadamente na posição de “produtores” e esquecem ou desconhecem que o seu papel é de “apoiar”,” fomentar”, “estimular”. Então é isso que vamos discutir nesse seminário, quem produz, como produz, quem consome, quem apóia, parceiros, sociedade civil, poder público....

A realização desse seminário vem de encontro a discussões já acontecidas no Forum Permanente de Cultura, que se reúne todas as 3ª feiras, às 19 horas no Centro Cultural Martin Cererê, no Setor Sul, as atividades da Associação de Amigos do MAG - AAMAG e ainda, o anseio da categoria relacionada às artes visuais através da AGAV – Associação Goiana de Artes Visuais.

E voltando ao assunto, nós é besta mais se diverte, então, Euterpe e eu, saltitantes, atravessamos a avenida de fronte a Câmara Municipal para um passeio lúdico ao Araguaia Shopping. O passeio ao shopping tinha uma missão objetiva: pagamento de contas e visitar a exposição de fotografia da 3ª Mostra Multicultural Milton Santos da Adufg.

Mas, no caminho encontramos um carro da Prefeitura de Goiânia parado no fundo da antiga Estação Ferroviária e dois “Hercules” segurando um painel tamanho gigante encostado a platibanda. A curiosidade foi maior e não resistimos a tentação de realizar uma pequena investigação e soubemos que o painel havia sido derrubado pela ventania e que o prédio logo abrigaria a estação digital. E mais, davam conta de recente episódio de roubos no local.

A simples observação visual do local nos induzia a pensar que nada acontece no local. Deserto e solitário, exceto pelos dois “Hercules” e o seu painel gigante.

Mas andemos, lá vamos nós estrada a fora, imaginando as mil e uma utilidades da Estação Ferroviária de Goiânia para as artes visuais.

No Shopping decidimos efetuar o pagamento das contas, antes de qualquer gasto consumista e descobrimos que o caixa eletrônico da CEF, bem de frente a Lotérica não estava no seu estado normal. Aberto! A cada cartão que atendia um ruído assustador e um olhar desconfiado. E o correntista da CEF na verdade só precisava abrir a portinhola e recolher o seu dinheirinho e dos outros, direto na fonte. E a lotérica, essa tinha uma fila de quilômetros e como demoraram a atender!

E lá fomos nós, depois de vencida essa etapa, visitar a mostra de fotografias. Um espanto total!
Imagens maravilhosas e que não podíamos ver. A exposição organizada em uma área minúscula impossibilitava a visualização das imagens. E voltamos à discussão que nos deu combustível no percurso até ali: o amadorismo nas ações culturais.

Onde podíamos imaginar que iríamos nos deparar com os clics de Rosa Berardo completamente ocultos pelos expositores que deveriam exibi-los? E neste caso, com certeza faltou uma curadoria e montagem de exposição adequados ou qualificados.

Mas comparados a exposição de “arte” que o Grande Hotel anuncia como o supra sumo da cocada, a exposição de fotografia está perfeita!





No Grande Hotel, a exposição de pinturas é um escândalo. Os trabalhos foram pendurados perto de uns 40 cm do teto, no estilo torcicolo.

E abaixo disso, na linha do olhar do espectador, vemos além da parede cor de burro quando foge, buracos, tinta descascando e sujeira. Um espanto total.

E estou apenas comentando a montagem da “exposição”, e não o trabalho da artista, esse nem mesmo deu para ver.

E então? Onde andam as políticas públicas para cultura em Goiânia?

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