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quarta-feira, novembro 28, 2007

NILSON GOMES - ARMAZÉM GERAL

Sob o titulo "Fracasso" Nilson Gomes toca no ponto G do Secretário de Cultura de Goiânia. Ao realizar a 5ª Conferência de Cultura, o secretário e presidente do Conselho Municipal de Cultura reafirma seu caráter ditatorial de "vamos fazer valer" e dá com todo respeito, uma bela banana para o Tribunal de Justiça de Goiás.

Antigamente, antes do advento do arbítrio na SECULT, a sociedade tinha absoluta certeza que decisão judicial não se discute, se cumpre.

É verdade que os moinhos de vento existem, mas também é verdade que a obra ficcional de Cervantes, obra prima, qualifica aqueles ainda lutam por ideais e coloca no devido lugar os ditadores e escritores da província e os plagiadores.

"A Conferência Municipal da Cultura, ontem, foi fracasso total. De manhã, com lanche grátis, menos de 20 pessoas. À tarde, houve palestra com dois na platéia. Desrespeito com os debatedores, como Anselmo Pessoa (vice-reitor da UFG).
http://www.hojenoticia.com.br/editoria_materia.php?id=13627
Nilson Gomes – Armazém Geral "

Nada mais pertinente para esse momento da província goianiense que o poema de EDUARDO ALVES DA COSTA, escrito em Niterói, RJ, 1936.

NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criançahumildemente afaga
a imagem do herói,assim me aproximo de ti, Maiakósvki.Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombrocom um poeta soviético.Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
se o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

O despudor dos que compactuam deixa corado até Toninho Malvadeza que Deus o tenha!

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