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sábado, fevereiro 23, 2008

Ei, MÃE ! O SINAL ESTÁ VERMELHO!




Na 4ª feira, minha mãe, que está às vésperas de completar 82 primaveras - para ela sempre é primavera, vai ter fôlego e disposição assim lá em Portugal – teve um siricutico (se ler isso vai querer me bater de vara) e acabamos na emergência de um hospital na 5ª feira pela manhã. Duas horas no soro, remedinho para cá e para lá, pressão controlada e claro, indicação para irmos ao cardiologista, afinal, idoso, e no caso dela quase centenária, tem que ter um problema básico nas coronárias.


Às vezes me pergunto se ela tem os órgãos como todo mundo têm, tal a saúde e disposição. É tanta disposição que sendo diabética arrematou um lanchinho singelo, com um lindo e saboroso pé-de-moleque, origem de toda a confusão e idas e vindas à emergência do hospital.


Mas sabe como é, pessoas assim a gente fica preocupada quando perde o prazer no exercício que mais gosta: levantamento de garfo.


Na 6ªfeira lá fomos nós para o medico do diabetes, o médico do coração e nada de ninguém atentar para o efeito amendoim em uma boquinha nervosa e quase centenária, mas, preocupada exatamente por que reclamou de falta de apetite, apelei para a farmácia no sábado e o meu médico predileto, o jovem que atende no balcão (calma gente, o moço é farmacêutico formado!).


Moço, pedi, me veja ai uma daquelas bombas para bebum e comedor de pururuca! Rapidamente sacou da prateleira umas gororobas amargas e efervercentes, baratinhas até, mas que efeito!


Munida da bomba salvadora, cheguei à casa de minha mãe e preparei, confesso que já tomei e sei o gosto terrível dos amargos com o efervercente sabor abacaxi, é de chorar. A vizinha e amiga, também quase centenária, já havia corrido para preparar uma sopa estilo levanta defunto da vovó, o cheiro era de dar água na boca e a Elza, mandou tudo isso para dentro. Elza é o nome da minha mãe. O pai dela dizia que toda Elza era sapeca e olha que ele tinha mania de só colocar nome nos filhos com no máximo seis letras, com tantos filhos, vai ver que era mais fácil lembrar se fossem nomes curtos.


Mas voltando aos acontecimentos do sábado, apesar do efeito bomba e da sopa, lá fomos nós para emergência de novo, apenas por precaução, sabe como é, médico de verdade sempre é bom ser consultado nem que seja para confirmar no nosso diagnóstico. Infelizmente, ao que parece toda a cidade teve a mesma idéia, e lá ficamos nós no corredor a espera de atendimento, o tempo passando e nada, toca o celular, atendo e informo, Dona Elza é a sua nora. E ela, ansiosa pergunta, eles já estão vindo? Ah, sim, eles significa meu único irmão, mulher e filhos. Respondo que não, informo que só virão amanhã. Desligo o celular e começo a pensar no que vou fazer ali em pé no corredor, pois pelo visto, ainda íamos esperar muito. E dou uma olhada de rabo de olho e me dou conta que ela abriu o berreiro.




O maior stress, o medico não atende, o filho não vem, se sente a última das velhinhas da face da terra.


Pensei, tô lascada! Todo mundo olhando para minha cara, filha desnaturada! Ah, não tive dúvida, preciso salvar o meu sábado - lá se ia dando quase meio dia – é hoje! Abriu a porta do consultório, estufei o peito ou seria empinei as tetas? Sei lá, não vem ao caso, apelei, Doutor, dá para atender a minha mãe de 82 anos?



Acreditam que o gaiato virou e falou, sim, claro, idoso tem prioridade é só negociar com os outros que estão esperando!


Ai finquei os pés no chão e empinei a carroça: negociar nada, o senhor atende ela é agora e fui entrando, me achando!


Atendeu sim, finalmente concluiu que o caso, mais que coração era o efeito amendoim e claro me pagou o maior sapo por causa da bomba e da sopinha básica. E de quebra se despediu me chamando de "doutora". Acho que ficou magoado e me acusou de exercício ilegal da profissão.


Enfim, a Elza está lá na casa dela toda faceira, ainda derrubada, afinal dieta é um coisa danada de se fazer.


Mas o que queria contar mesmo foi da sexta-feira à tarde. Vocês acreditam que eu, no meio dessa confusão familiar toda, mesmo com atestado, resolvi comparecer o trabalho. Na verdade não foi um comparecimento inocente, pois há dias estava rolando um clima de tempestade no ar, com direito a trovoadas e relâmpagos. E para evitar mais cara feira, ranger de dentes e a falação pelas costas compareci.


Pois sim, nem bem havia chegado, aparece a chefa pisando nos cascos e afônica, arre, pensei, será que tudo isso é o efeito prefeito garoto propaganda da Faculdade Padrão?


Como sabem coloquei aqui no blog um interessante comentário sobre o papel do prefeito de Goiânia como garoto propaganda da Faculdade Padrão, coincidência ou não, dias após, a Prefeitura resolve repentinamente efetuar uma fiscalização nas obras do Jóquei Clube. É na sede do Jóquei Clube, no centro da cidade, que havia um belo bosque e foi totalmente destruído para que fossem feitos estacionamento para o milhares de alunos da Padrão. A obra é interditada. Curioso isso não é? Eu sei que o MP está de olho e quando quer é ativo e vigilante. E nem fui eu quem deu com a língua nos dentes!


Por isso acreditava que o stress da chefa tinha haver com alguma ameaça que lhe tivessem feito, para me manter na linha. Hei, gente ameaça na prefeitura é de “tomar” o cargo, não é de morte. Ainda.


Nada, ledo engano, cega de raiva, de delírios sobre uma conversa inexistente com o filho dela, a afirmar que estou para ser exonerada – assédio moral é tanto da parte do chefe para o funcionário, quanto do funcionário para o chefe, segundo o grande jurista e “doutor” da SECULT- até questionar se de fato eu havia feito concurso para restauradora, eu ouvi.


Na hora pensei com meus botões, puta que pariu, isso é igual o BBB, a máscara sempre cai. E quando cai é igual peito, não tem volta.

Mas deixando isso de lado, o que interessa é que quando toda essa novela começou, isso em maio de 2005, não sei se lembram, mas apenas para recordar.


Em maio de 2005, em bela tarde fui intimada para comparecer na SECULT para ouvir do subchefe- subchefe na administração pública, só para elucidar, é aquele tipo que não tem postura e nem qualificação para cargo, ao longo do tempo vive de bajular políticos para se manter em cargos públicos - que eu estava sendo dispensada da função de confiança de diretora do MAG e em meu lugar assumiria um dos apaniguados que varejavam - de mosca mesmo - sem função na SECULT.



Detalhe, função de confiança na administração pública é privativa de servidor de carreira, isso está na Constituição Federal. São aquelas gratificações mais sem vergonhas e na época eu recebia R$ 175,00(cento e setenta e cinco reais) isso mesmo.


Poderia simplesmente ter virado as costas e ido cuidar da minha vida, mas achei um abuso, uma falta de respeito total, o subchefe me sugerir que poderia continuar a receber aquela "merreca" desde que não criasse problemas para o seu apaniguado. Lembrei do mesmo filme já visto em 93.



E naquele momento decidi que não deixaria ficar como estava. Levei o caso ao MP e também entrei com um Mandado de Segurança.



A denuncia no MP resultou em uma ação de improbidade administrativa contra o secretário de cultura, o seu apaniguado e contra uma servidora da UFG e também esposa de vereador que se prestou ao papel de laranja. Está parado no gabinete do Dr. Eduardo Siade esperando o resultado do Mandado de Segurança.



O Mandado de Segurança teve um destino mais veloz e interessante, depois de muitas idas e vindas, em primeira instância venceu a posição de que a vida funcional do servidor público estava submetida aos desejos do politiqueiro que estivesse no comando. E ao servidor só restava ficar calado e bem calado.



Apelei para o Tribunal de Justiça, instância superior, argumentando, que mesmo assim, o gestor público tinha que agir em prol e nos interesses da administração e ainda deveria expor claramente a sua motivação. Apelação julgada, por dois votos a um, me foi dado ganho de causa e claro uma liminar que me garantia a volta ao MAG e para o Setor de Conservação e Restauro. Ai foi a vez da Prefeitura – SECULT apelar, entraram com ação de Embargos Infringentes, nome chique para uma figura jurídica no direito brasileiro, que quer dizer, faça valer a decisão do voto vencido.


No dia 20 de fevereiro de 2008 finalmente os tais Embargos Infringentes foram julgados e por 06 votos a ZERO, negaram provimento.



O Tribunal de Justiça de Goiás com essa decisão reafirmou que a administração pública só deve e pode caminhar pela senda da lisura, da transparência, da honestidade e tão logo seja publicado o ACÓRDÃO, eu espero que essa longa batalha contra o abuso e a perseguição no serviço público tenha marcado um ponto, e principalmente, que os servidores da Prefeitura Municipal de Goiânia compreendam que tais abusos acontecem por que todos recuam amedrontados diante das ameaças, dos inquéritos administrativos forjados.


Servidor público não é bandido e nem profissional desqualificado se entra via concurso público. Que é o meu caso e de tantos outros.


O mesmo não se pode dizer de subchefes, cargos comissionados, que sendo presidente de Comissão de Projetos Culturais, APROVA OU FAZ APROVAR projetos na Lei de Incentivo Municipal em nome de sua estagiária e colega de faculdade. Sobre esse assunto vou tratar em outro post, pois merece. Afinal é ai que a vaca maçonica e evangélica vai para brejo e tem seus dias contados na administração pública.

Êi, mãe! O sinal está vermelho!


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