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terça-feira, fevereiro 20, 2007

Pesquisador recupera a história do Lago das Rosas

Um ótimo trabalho sobre um ponto tradicional de Goiânia, o Lago das Rosas.

A data exata de fundação do Lago das Rosas, onde está o Parque Zoológico de Goiânia – atualmente na iminência de ser transferido para o Jardim Botânico –, sempre foi uma indefinição entre os estudiosos.

Alguns dizem que foi em 1941, outros em 1942 e terceiros citam 1945. O historiador Aldair Queiroz, que concluiu recentemente um mestrado de Gestão do Patrimônio Cultural pela UCG e, junto, uma extensa pesquisa sobre um dos principais cartões-postais da capital goiana, afirma que já é possível pôr fim à dúvida. No estudo, ele define o ano de 1941 como marco inicial. Como produto da pesquisa, o Lago das Rosas até ganhou um endereço na internet.

O site (www.utopix.com.br/lagodasrosas ) tem uma série de imagens e documentos antigos, além de um histórico que traz curiosidades, como a chegada dos primeiros animais do Zoológico ou como era a primeira piscina de Goiânia. “Ao longo de três anos de pesquisa descobri fatos interessantes, que nunca imaginei terem acontecido”, relembra. Para levantar os dados, ele foi buscar informações em documentos de arquivos públicos. A idéia de saber mais sobre o lugar surgiu por acaso.

Morador desde pequeno da região próxima ao Lago, Aldair primeiro pensou em estudar a mureta e o trampolim, construídos no estilo art déco. Já no início, porém, teve dificuldade em encontrar informações sobre o local, pois nada havia de registrado. Então, resolveu ampliar o trabalho para todo o parque, sobre o qual teceu uma linha do tempo histórica que poderá orientar futuras pesquisas. O estudo reuniu tantos documentos e imagens que o estudioso resolveu ter também como produto o site.

A iniciativa, além de educadora, tem como objetivo despertar a consciência da população e governantes sobre a importância da preservação do lugar que faz parte da história dos goianienses.

Não é de hoje que as notícias sobre o Lago das Rosas nem sempre são tão boas. Depredado, mal conservado e alvo de vândalos, o cartão-postal sofre com o descaso. Falta de segurança, problemas como fiação de iluminação roubada e vazamento de esgoto assolam o patrimônio da cidade. Obras emergenciais foram iniciadas recentemente no local para deixá-lo em condições mínimas de utilização. A situação é penosa para um lugar que tem tanto para contar.

De avião
Não faltam histórias boas e curiosas na trajetória de formação do Lago das Rosas. Em 1956, por exemplo, data do início do Zoológico, o professor José Hidasi, também fundador do Museu Ornitológico, empenhou-se, ao lado do então responsável pela manutenção do parque, Saturnino Carvalho, até hoje lembrado pelos antigos moradores de Goiânia como “Seu Carvalho”, pela construção do lugar educativo.

No local já havia um minizoo, com bichos nativos criados por Carvalho. Nesta época muita gente já visitava o lugar para vê-los. Mas ainda faltavam animais que representassem a diversidade da fauna do Cerrado e de outras partes do mundo. Foi então que o professor Hidasi resolveu trazer para a cidade, de avião, animais vivos. “O modelo usado era uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB)”, conta Aldair. Os animais vinham da Fundação Brasil Central, que ficava em Aragarças, no interior do Estado.
No mesmo ano, ele também criou lá o Museu de Zoologia, com animais empalhados, abrindo o espaço onde hoje há livros especializados e funciona o Departamento de Educação Ambiental do Parque.

Na mesma época, Seu Carvalho começou a plantar hortaliças que abasteciam hospitais de Goiânia. Por este motivo o goianiense passou a ter a tradição de chamar o local de Horto.

O espaço passou definitivamente a ser dedicado à educação quando foi construído o primeiro museu e escola de arte da cidade e a casa de estudantes, o Castelinho, administrado pela então União Goiana de Estudantes Secundaristas.

Hoje, sob responsabilidade da União Municipal do Estudantes Secundaristas, o Castelinho, que conheceu intenso movimento estudantil principalmente na época da ditadura, com destaque para a mobilização feita na Rádio Universitária da UFG (ainda instalada lá), está abandonado. Antes de tomar a configuração de hoje, o Lago das Rosas fazia parte de uma grande fazenda doada por Urias Magalhães, situada no então município da cidade de Campinas (que tornou-se o atual setor).

No local, nascia o córrego Capim Puba, que deu o primeiro nome do parque. Às suas margens deveria haver, de acordo com o projeto da construção da nova capital, um park-way, para lazer dos cidadãos.
A construção de um aterro, por onde hoje passa a Avenida Anhanguera, a delimitação de uma represa com as águas da nascente e a construção das muretas, em 1941, delimitaram, segundo Aldair, o surgimento do parque. Anos depois, os cerca de 40 mil habitantes de Goiânia à época ganharam um balneário no local, com a primeira piscina da cidade. A represa das águas da nascente do córrego tinha 1,50 metro de profundidade e era cercada de canteiros de rosas.

Goianienses e campinenses passaram a ter uma opção popular de lazer que ficava justamente entre as duas cidades. “Figuras conhecidas como Gilberto Teles e Iris Rezende freqüentaram a piscina nesta época”, diz o historiador. O clube tinha uma piscina para adultos, o lago propriamente dito, que pela grande extensão podia receber muita gente, e uma menor para as crianças.

Para freqüentar o balneário, o cidadão precisava apresentar uma espécie de carteirinha de sócio, que o identificava e dava a permissão para o banho. O lugar acabou se tornando um dos pontos principais de encontro público, onde iniciou-se uma tradição de passeios ao ar livre, fosse para o banho nas águas do lago, fosse pela descoberta de animais que até então podiam ser vistos somente embrenhados no mato.

por Rodrigo Alves para o jornal O POPULAR
http://goiasnet.globo.com/cultura/cul_report.phtm?IDP=6383

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