Instituto Brasileiro de Museus e novo Iphan aprovados na Câmara
Deputados votam projeto que cria o Instituto Brasileiro de Museus e transforma Iphan em autarquia
O Plenário acaba de aprovar o Projeto de Lei 3591/08 do Poder Executivo, que cria o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e reorganiza o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo a proposta, o Ibram será uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura e deve coordenar a Política Nacional de Museus.
O relator da proposta na Comissão de Educação e Cultura, deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR), classificou a proposta como "um justo reforço" à estrutura do Ministério da Cultura, que precisa de mais recursos para administrar esse patrimônio.
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, comemorou a aprovação e ligou a parlamentares para agradecer o apoio. “O projeto de lei amplia a estrutura do ministério, deixando-o à altura de seus desafios”, afirmou. O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Senado.
Fonte: Departamento de Museus e Centros Culturais
Publicado em: 13/12/2008
Esse Blog tem como objetivo discutir a produção do patrimônio cultural brasileiro e a sua permanência. Os AMIGOS DOS MUSEUS atuam diretamente de Goiânia, capital do Estado de Goiás. Coração do Brasil. Do cerrado para o mundo!
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domingo, dezembro 14, 2008
domingo, dezembro 07, 2008
sábado, novembro 22, 2008
MP pede demolição de obra que obstrui prédio histórico
[ 21 11 2008 ]
PATRIMÔNIO – Promotora pede na Justiça que prefeitura derrube parte do terminal urbano construído em 98 e que impede visualização da antiga estação ferroviária
por Fernanda Morais para o Jornal do Estado de Goiás
O Ministério Público (MP) de Goiás, através da promotora Sandra Mara Garbelini, protocolou nesta sexta-feira (21) na Justiça, ação civil pública com pedido de tutela antecipada contra a prefeitura de Anápolis e a empresa TCA, com objetivo de preservar a antiga estação ferroviária localizada no Terminal Urbano de Passageiros.
O MP pede que a Justiça determine que a prefeitura providencie a demolição e destruição de todos as construções relativas ao terminal 2, ou "novo terminal", que hoje obstrui a estação ferroviária. O órgão se refere a parte que foi construída em 1998. Além disso, a prefeitura teria que promover a revitalização e recuperação do prédio tombado pelo patrimônio histórico.
A promotora Sandra Mara Garbelini pede também que no processo licitatório já iniciado para o transporte coletivo, conste no edital que a empresa vencedora não poderá utilizar a parte do terminal construída em 1998, "em razão de impedir a visibilidade do bem tombado". "E que os estudos da licitação contemplem o deslocamento da frota de ônibus do terminal 2 para outra localidade".
Entre os argumentos para o pedido feito pelo MP, a promotora Sandra Mara utilizou laudos técnicos que comprovam a necessidade de preservação do prédio e defende mudanças no Terminal Urbano.
No dia 14 de novembro a 14ª Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) enviou ofício ao MP onde relata vistoria feita em 2007, onde foi constatado que a antiga estação encontra-se "obstruída pela presença de edificações construídas em suas imediações".
"A visibilidade do bem, aspecto determinante para a fruição dos valores nele intrínsecos, está seriamente comprometida, sendo de fato o Terminal Rodoviário Urbano de Anápolis responsável pela maior parte da agressão às visuais do bem em questão", diz o documento, assinado por Paulo Henrique Farsette, chefe da divisão técnica da 14ª Regional do Iphan.
No dia 21 de outubro a Agência Goiana de Cultura (Agepel) também entregou seu laudo técnico sobre a estação ferroviária. O documento completo, com fotos e reprodução de trechos da história do prédio histórico, conclui que o Terminal Urbano impede o acesso visual da população à estação. "Desta forma, os valores ali presentes vão se tornando cada vez menos reconhecidos por aquela sociedade, que vai se distanciando deste bem", diz o relatório da Agepel.
A Agepel destaca ainda que o intuito é permitir a preservação da antiga estação ferroviária, que guarda uma importância arquitetônica ou histórica, acima de tudo cultural. "E neste aspecto, o terminal não condiz com esse conceito de preservação de imagem cultural, pois ele desestrutura e afasta uma imagem, um valor de uma época e, assim, impede a contemplação daquela sociedade que considera aquele bem", informa o laudo técnico.
Os técnicos da Agepel informam que percebem uma incompatibilidade de usos entre a estação ferroviária enquanto bem de identidade cultural da cidade e o Terminal Urbano. "Sendo preocupante em razão dos efeitos que este terminal possa produzir ao longo do tempo, retirando o reconhecimento da população do registro histórica da estação", finaliza.
Sessão
Sessão especial realizada na segunda-feira (17), na Câmara Municipal, debateu a atual situação da estação ferroviária prefeito José Fernandes Valente, patrimônio histórico de Anápolis e que hoje está ilhada pelo Terminal Urbano de Passageiros. Vereadores, membros do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e Histórico e representantes da empresa TCA estiveram na sessão proposta pela petista Dinamélia Ribeiro.
Em sua fala inicial, Dinamélia relembrou a história da antiga estação ferroviária, tombada como patrimônio histórico e cultural na gestão do prefeito Anapolino de Faria, em 1991. A vereadora enfatizou que o local é o maior símbolo do desenvolvimento econômico do município e atualmente está ilhado dentro do terminal urbano.
Dinamélia também frisou que o momento não era para julgar nem condenar o terminal que atende a população da cidade, mas sim de mostrar posicionamentos de ambos os lados e auxiliar em possíveis buscas de soluções. "O prédio é patrimônio cultural e tem que ser conservado, protegido. Eu acredito que a empresa envolvida não dificultaria essa preservação. A TCA é anapolina", disse.
O presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e Histórico, Jairo Alves Leite, destacou que o prédio está protegido por lei e o principal interesse daqueles que defendem a revitalização do espaço é fazer com que a população tenha acesso à história do município. "Muitos acontecimentos econômicos importantes passaram pelos trilhos do trem daquela estação hoje escondida", afirmou.
Além disso, Jairo Alves Leite alertou sobre os problemas que a localização do terminal urbano provoca na região central da cidade. As ruas são estreitas para acomodar os carros e há uma grande quantidade de ônibus que transitam durante todo o dia e boa parte da noite pela cidade. "Os ônibus são importantes para a cidade, mas existe a necessidade de fazer uma descentralização do transporte coletivo", comentou.
Com o passar do tempo e com o desenvolvimento da cidade, o presidente acredita que a concentração de ônibus no centro se tornaria inviável. O ideal, de acordo com ele, seria construir estações coletivas urbanas na cidade. "Não quero de maneira alguma confrontar com a empresa, apenas penso em resolver a situação da melhor maneira possível", disse.
TCA
"Do jeito que as coisas são ditas, dá a impressão de que a TCA invadiu aquela parte para construção do terminal, e não é bem assim". Essas foram as primeiras palavras do diretor-presidente da empresa de ônibus da cidade, Lacy Martins. Ele acrescentou ainda que no momento que foi construído o terminal urbano, a empresa tinha autorização da prefeitura e que na época não existia a lei que tombou a estação ferroviária como patrimônio cultural de Anápolis.
O diretor da TCA defendeu que a retirada do terminal do centro da cidade não resolveria o problema definitivamente. Para ele é necessário pensar nas pessoas que utilizam os ônibus, no comércio da região e nos próprios lojistas que atuam dentro do terminal. Lacy Martins disse que já foi realizada audiência com o Ministério Público, mas nenhum acordo ficou firmado. "Existem as leis e nós da TCA não discutimos isso, apenas cumprimos o que é determinado pela Justiça. Estamos esperando uma definição", afirmou.
Lacy Martins também atacou outros pontos da cidade que são considerados como patrimônio histórico e cultural. Segundo ele a TCA foi responsável por promover por duas vezes a restauração da estação ferroviária que estava completamente abandonada antes da construção do terminal. "Temos também os investimentos, são milhões de reais que aplicamos na qualidade do transporte urbano", defendeu.
Além desses argumentos, o diretor-presidente não acredita que a mudança para o terminal rodoviário Josias Moreira Braga seria a melhor solução, tendo em vista que o local não comportaria os comerciantes, os ônibus e a média de 70 mil pessoas que passam pelo terminal diariamente. "Não vou discutir leis, nem preservação, mas temos que ver todos os pontos dessa mudança", observou.
Os comerciantes do espaço em discussão foram representados por Deusvando Luiz Rosa, que defendeu que o terminal deve continuar no centro da cidade. Segundo ele, são mais de 70 famílias que trabalham no espaço e que necessitam do movimento das pessoas que utilizam o transporte coletivo. Na sessão os comerciantes levaram uma faixa defendendo o monopólio da TCA em Anápolis.
Símbolo do crescimento
Anápolis possui apenas nove monumentos considerados, por Lei, patrimônio histórico. Dentre eles a Estação Ferroviária Central, que foi tombada pela Lei 1824, no ano de 1991, juntamente com a Casa de Zeca Batista, hoje Museu Histórico; o prédio da atual escola de Artes, antiga Cadeia, e o atual Palácio da Cultura, que já foi a Prefeitura Municipal e Fórum da cidade. De todos estes patrimônios históricos certamente a Estação é a que se encontra em pior estado de conservação.
Em estilo Art Déco, ela foi inaugura em 1935 e é tida pelos historiadores como o maior símbolo do desenvolvimento econômico da cidade. Notadamente na década de 1930 ela influenciou diretamente no crescimento do comércio e da agricultura comercial, o que favoreceu o crescimento urbano e fez de Anápolis o maior centro comercial de Goiás.
A importância desta estação é tamanha que o historiador Juscelino Polonial escreveu sua tese de mestrado sobre o tema, o que posteriormente deu origem ao livro "Anápolis nos tempos da Ferrovia". O seu funcionamento foi entre os anos 1930 e 1950, em decorrência da falta de modernização ela não foi mais utilizada.
Em 1976 os trilhos foram retirados e teve início o processo de degradação deste patrimônio. Nos dias de hoje ela está praticamente "esmagada" pelos dois pavimentos do Terminal Urbano do município. Ela está sendo ocupada por órgãos da prefeitura e não se sabe se suas características históricas têm sido preservadas pelas pessoas que trabalham e que buscam atendimento no local.
Fonte: http://www.jornalestadodegoias.com.br/noticias_detalhe.php?id_noticia=1331&&id_editoria=4
PATRIMÔNIO – Promotora pede na Justiça que prefeitura derrube parte do terminal urbano construído em 98 e que impede visualização da antiga estação ferroviária
por Fernanda Morais para o Jornal do Estado de Goiás
O Ministério Público (MP) de Goiás, através da promotora Sandra Mara Garbelini, protocolou nesta sexta-feira (21) na Justiça, ação civil pública com pedido de tutela antecipada contra a prefeitura de Anápolis e a empresa TCA, com objetivo de preservar a antiga estação ferroviária localizada no Terminal Urbano de Passageiros.
O MP pede que a Justiça determine que a prefeitura providencie a demolição e destruição de todos as construções relativas ao terminal 2, ou "novo terminal", que hoje obstrui a estação ferroviária. O órgão se refere a parte que foi construída em 1998. Além disso, a prefeitura teria que promover a revitalização e recuperação do prédio tombado pelo patrimônio histórico.
A promotora Sandra Mara Garbelini pede também que no processo licitatório já iniciado para o transporte coletivo, conste no edital que a empresa vencedora não poderá utilizar a parte do terminal construída em 1998, "em razão de impedir a visibilidade do bem tombado". "E que os estudos da licitação contemplem o deslocamento da frota de ônibus do terminal 2 para outra localidade".
Entre os argumentos para o pedido feito pelo MP, a promotora Sandra Mara utilizou laudos técnicos que comprovam a necessidade de preservação do prédio e defende mudanças no Terminal Urbano.
No dia 14 de novembro a 14ª Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) enviou ofício ao MP onde relata vistoria feita em 2007, onde foi constatado que a antiga estação encontra-se "obstruída pela presença de edificações construídas em suas imediações".
"A visibilidade do bem, aspecto determinante para a fruição dos valores nele intrínsecos, está seriamente comprometida, sendo de fato o Terminal Rodoviário Urbano de Anápolis responsável pela maior parte da agressão às visuais do bem em questão", diz o documento, assinado por Paulo Henrique Farsette, chefe da divisão técnica da 14ª Regional do Iphan.
No dia 21 de outubro a Agência Goiana de Cultura (Agepel) também entregou seu laudo técnico sobre a estação ferroviária. O documento completo, com fotos e reprodução de trechos da história do prédio histórico, conclui que o Terminal Urbano impede o acesso visual da população à estação. "Desta forma, os valores ali presentes vão se tornando cada vez menos reconhecidos por aquela sociedade, que vai se distanciando deste bem", diz o relatório da Agepel.
A Agepel destaca ainda que o intuito é permitir a preservação da antiga estação ferroviária, que guarda uma importância arquitetônica ou histórica, acima de tudo cultural. "E neste aspecto, o terminal não condiz com esse conceito de preservação de imagem cultural, pois ele desestrutura e afasta uma imagem, um valor de uma época e, assim, impede a contemplação daquela sociedade que considera aquele bem", informa o laudo técnico.
Os técnicos da Agepel informam que percebem uma incompatibilidade de usos entre a estação ferroviária enquanto bem de identidade cultural da cidade e o Terminal Urbano. "Sendo preocupante em razão dos efeitos que este terminal possa produzir ao longo do tempo, retirando o reconhecimento da população do registro histórica da estação", finaliza.
Sessão
Sessão especial realizada na segunda-feira (17), na Câmara Municipal, debateu a atual situação da estação ferroviária prefeito José Fernandes Valente, patrimônio histórico de Anápolis e que hoje está ilhada pelo Terminal Urbano de Passageiros. Vereadores, membros do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e Histórico e representantes da empresa TCA estiveram na sessão proposta pela petista Dinamélia Ribeiro.
Em sua fala inicial, Dinamélia relembrou a história da antiga estação ferroviária, tombada como patrimônio histórico e cultural na gestão do prefeito Anapolino de Faria, em 1991. A vereadora enfatizou que o local é o maior símbolo do desenvolvimento econômico do município e atualmente está ilhado dentro do terminal urbano.
Dinamélia também frisou que o momento não era para julgar nem condenar o terminal que atende a população da cidade, mas sim de mostrar posicionamentos de ambos os lados e auxiliar em possíveis buscas de soluções. "O prédio é patrimônio cultural e tem que ser conservado, protegido. Eu acredito que a empresa envolvida não dificultaria essa preservação. A TCA é anapolina", disse.
O presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e Histórico, Jairo Alves Leite, destacou que o prédio está protegido por lei e o principal interesse daqueles que defendem a revitalização do espaço é fazer com que a população tenha acesso à história do município. "Muitos acontecimentos econômicos importantes passaram pelos trilhos do trem daquela estação hoje escondida", afirmou.
Além disso, Jairo Alves Leite alertou sobre os problemas que a localização do terminal urbano provoca na região central da cidade. As ruas são estreitas para acomodar os carros e há uma grande quantidade de ônibus que transitam durante todo o dia e boa parte da noite pela cidade. "Os ônibus são importantes para a cidade, mas existe a necessidade de fazer uma descentralização do transporte coletivo", comentou.
Com o passar do tempo e com o desenvolvimento da cidade, o presidente acredita que a concentração de ônibus no centro se tornaria inviável. O ideal, de acordo com ele, seria construir estações coletivas urbanas na cidade. "Não quero de maneira alguma confrontar com a empresa, apenas penso em resolver a situação da melhor maneira possível", disse.
TCA
"Do jeito que as coisas são ditas, dá a impressão de que a TCA invadiu aquela parte para construção do terminal, e não é bem assim". Essas foram as primeiras palavras do diretor-presidente da empresa de ônibus da cidade, Lacy Martins. Ele acrescentou ainda que no momento que foi construído o terminal urbano, a empresa tinha autorização da prefeitura e que na época não existia a lei que tombou a estação ferroviária como patrimônio cultural de Anápolis.
O diretor da TCA defendeu que a retirada do terminal do centro da cidade não resolveria o problema definitivamente. Para ele é necessário pensar nas pessoas que utilizam os ônibus, no comércio da região e nos próprios lojistas que atuam dentro do terminal. Lacy Martins disse que já foi realizada audiência com o Ministério Público, mas nenhum acordo ficou firmado. "Existem as leis e nós da TCA não discutimos isso, apenas cumprimos o que é determinado pela Justiça. Estamos esperando uma definição", afirmou.
Lacy Martins também atacou outros pontos da cidade que são considerados como patrimônio histórico e cultural. Segundo ele a TCA foi responsável por promover por duas vezes a restauração da estação ferroviária que estava completamente abandonada antes da construção do terminal. "Temos também os investimentos, são milhões de reais que aplicamos na qualidade do transporte urbano", defendeu.
Além desses argumentos, o diretor-presidente não acredita que a mudança para o terminal rodoviário Josias Moreira Braga seria a melhor solução, tendo em vista que o local não comportaria os comerciantes, os ônibus e a média de 70 mil pessoas que passam pelo terminal diariamente. "Não vou discutir leis, nem preservação, mas temos que ver todos os pontos dessa mudança", observou.
Os comerciantes do espaço em discussão foram representados por Deusvando Luiz Rosa, que defendeu que o terminal deve continuar no centro da cidade. Segundo ele, são mais de 70 famílias que trabalham no espaço e que necessitam do movimento das pessoas que utilizam o transporte coletivo. Na sessão os comerciantes levaram uma faixa defendendo o monopólio da TCA em Anápolis.
Símbolo do crescimento
Anápolis possui apenas nove monumentos considerados, por Lei, patrimônio histórico. Dentre eles a Estação Ferroviária Central, que foi tombada pela Lei 1824, no ano de 1991, juntamente com a Casa de Zeca Batista, hoje Museu Histórico; o prédio da atual escola de Artes, antiga Cadeia, e o atual Palácio da Cultura, que já foi a Prefeitura Municipal e Fórum da cidade. De todos estes patrimônios históricos certamente a Estação é a que se encontra em pior estado de conservação.
Em estilo Art Déco, ela foi inaugura em 1935 e é tida pelos historiadores como o maior símbolo do desenvolvimento econômico da cidade. Notadamente na década de 1930 ela influenciou diretamente no crescimento do comércio e da agricultura comercial, o que favoreceu o crescimento urbano e fez de Anápolis o maior centro comercial de Goiás.
A importância desta estação é tamanha que o historiador Juscelino Polonial escreveu sua tese de mestrado sobre o tema, o que posteriormente deu origem ao livro "Anápolis nos tempos da Ferrovia". O seu funcionamento foi entre os anos 1930 e 1950, em decorrência da falta de modernização ela não foi mais utilizada.
Em 1976 os trilhos foram retirados e teve início o processo de degradação deste patrimônio. Nos dias de hoje ela está praticamente "esmagada" pelos dois pavimentos do Terminal Urbano do município. Ela está sendo ocupada por órgãos da prefeitura e não se sabe se suas características históricas têm sido preservadas pelas pessoas que trabalham e que buscam atendimento no local.
Fonte: http://www.jornalestadodegoias.com.br/noticias_detalhe.php?id_noticia=1331&&id_editoria=4
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domingo, novembro 16, 2008
Abertos editais da Caixa Cultural
Instituição oferece dois programas de incentivo cultural a instituições que ofereçam projetos de recuperação e restauração de acervo, implantação de laboratórios de restauro, etc.
A Caixa Cultural lança dois programas destinados ao incentivo cultural. O Programa Caixa de Adoção de Entidades Culturais e o Programa Caixa de Revitalização do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro estão com inscrições abertas até 5 de dezembro e seus regulamentos podem ser acessados no site www.caixa.gov.br/caixacultural, na seção Patrocínios - Editais Abertos.
O Programa Caixa de Adoção de Entidades Culturais é um incentivo a entidades culturais para que mantenham sua atuação e atividade. O Programa irá beneficiar entidades sem fins lucrativos e com mais de cinco anos de existência que ofereçam projetos de recuperação/restauração/expansão de acervo, implantação de laboratórios de restauro, informatização, pesquisa, catalogação, etc. As organizações também devem oferecer regularmente atividades para as comunidades nas quais estão inseridas.
Já o Programa Caixa de Revitalização do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro tem por objetivo preservar legados históricos e culturais e criar uma consciência de preservação. Instituições sem fins lucrativos, com cinco anos ou mais de existência, que ofereçam atividades regulares à população e com projetos de recuperação de acervos serão as beneficiadas pelo Programa, que também pretende estabelecer políticas culturais de longo prazo por meio da valorização do patrimônio cultural.
Outras informações sobre os programas podem ser obtidas no site da Caixa Cultural: www.caixa.gov.br/caixacultural
Fonte: Boletim Demu-Iphan
Publicado em: 16/11/2008
A Caixa Cultural lança dois programas destinados ao incentivo cultural. O Programa Caixa de Adoção de Entidades Culturais e o Programa Caixa de Revitalização do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro estão com inscrições abertas até 5 de dezembro e seus regulamentos podem ser acessados no site www.caixa.gov.br/caixacultural, na seção Patrocínios - Editais Abertos.
O Programa Caixa de Adoção de Entidades Culturais é um incentivo a entidades culturais para que mantenham sua atuação e atividade. O Programa irá beneficiar entidades sem fins lucrativos e com mais de cinco anos de existência que ofereçam projetos de recuperação/restauração/expansão de acervo, implantação de laboratórios de restauro, informatização, pesquisa, catalogação, etc. As organizações também devem oferecer regularmente atividades para as comunidades nas quais estão inseridas.
Já o Programa Caixa de Revitalização do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro tem por objetivo preservar legados históricos e culturais e criar uma consciência de preservação. Instituições sem fins lucrativos, com cinco anos ou mais de existência, que ofereçam atividades regulares à população e com projetos de recuperação de acervos serão as beneficiadas pelo Programa, que também pretende estabelecer políticas culturais de longo prazo por meio da valorização do patrimônio cultural.
Outras informações sobre os programas podem ser obtidas no site da Caixa Cultural: www.caixa.gov.br/caixacultural
Fonte: Boletim Demu-Iphan
Publicado em: 16/11/2008
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Patrimônio Histórico de Anápolis - GO
Esse é um convite que gostaria de aceitar! Vale a pena a discussão.
CONVITE 
A Vereadora Drª. Dinamélia convida a todos a participar da Audiência Pública: Patrimônio Histórico de Anápolis, que será realizada no dia 17 de novembro (segunda-feira), às 17:00 h, na Câmara Municipal de Anápolis. A audiência tem como objetivo debater a atual situação da Antiga Estação Ferroviária. A audiência contará com a explanação do Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de Anápolis sobre os principais problemas e demandas da atual gestão.
É importante sua participação para que possamos juntos defender o Patrimônio Cultural de Anápolis
Abraço,
João Barretto Acioly Lins
(62) 8497-8112
A idealização da Audiência Pública sobre o Patrimônio Histórico de Anápolis e proposta pela vereadora Dinamélia, que tem como fim debater a atual situação da Antiga Estação Ferroviária Prefeito José Fernandes Valente, foi inspirada no sentimento de proteção e recuperação de um patrimônio histórico e cultural que se encontra, atualmente, relegado ao abandono do poder público e com acesso e visibilidade impedidos à população devido as instalações do terminal urbano de Anápolis.
Esse prédio de grande valor histórico e cultural para o povo anapolino foi construído na primeira metade do século passado, mais precisamente em 1934, sendo tombado à condição de patrimônio histórico municipal por força da Lei Municipal n° 1.824, de janeiro de 1991, sancionada pelo então prefeito Dr. Anapolino de Faria.
A chegada dos trilhos da estrada de ferro a Anápolis foi fator determinante para impulsionar o desenvolvimento da cidade, constituindo-se num verdadeiro intercâmbio comercial , facilitando inclusive, a migração de pessoas originárias de diversas partes do país e, principalmente, de São Paulo e do Triângulo Mineiro.
Com este importante acontecimento, para cá vieram imigrantes sírios e libaneses, constituindo-se em numerosas colônias que deram origem a grupos econômicos de importância significativa, não só para Anápolis, mas também, para a economia goiana.
A idéia da construção da Estrada de Ferro Goyaz teve inicio na época da República Velha (1.889 - 1.930) que vislumbrava traçar em território goiano uma ferrovia, partindo do terminal ferroviário de Araguari, passando por Catalão, Ipameri, Pires do Rio e Silvânia, alcançando a Vila de Santana das Antas, hoje Anápolis.
Tal idéia se tornou realidade e o lançamento da pedra fundamental da Estação Ferroviária de Anápolis ocorreu em 28 de agosto de 1.933, pelo então intendente do município João Luiz de Oliveira.
O prédio da estação foi inaugurado em 07 de setembro de 1.935 e recebeu o nome de Estação Ferroviária Prefeito José Fernandes Valente. Esta obra histórica é tida pelos historiadores como o maior símbolo do desenvolvimento econômico desta cidade. Na década de 30 influenciou diretamente no crescimento do comércio e da agricultura comercial, o que favoreceu a evolução urbana e fez de Anápolis o maior centro comercial de Goiás, se tornando, portanto, para este município, um verdadeiro monumento histórico e cultural.
Com a descaracterização, o prédio da antiga estação ferroviária ficou "ilhado", sendo que a população não pode contemplá-lo à distância, em razão da obra construída em seus arredores, escondendo dessa forma, a exuberância de sua arquitetura.
No dia 08 de agosto do corrente ano, firmou-se em audiência no Ministério Público com a presença do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Anápolis, Prefeitura e TCA, a retirada de parte do terminal urbano da Antiga Estação Ferroviária. Essa determinação foi uma vitória e representa um grande avanço para aqueles que defendem a recuperação e revitalização do patrimônio histórico, cultural, paisagístico e arquitetônico da cidade de Anápolis.
Incluo-me entre aqueles que lutam pela restauração deste monumento nos moldes originais, para que se possa devolver a população de Anápolis o direito de cultuar este marco histórico e cultural da nossa cidade, revitalizando assim, a sua importância arquitetônica, histórica e cultural que é um patrimônio de todos nós.
Devemos juntos zelar não só pela preservação do nosso acervo histórico, mas também, pela melhoria da cultura em todas as suas linguagens em nosso município.

A Vereadora Drª. Dinamélia convida a todos a participar da Audiência Pública: Patrimônio Histórico de Anápolis, que será realizada no dia 17 de novembro (segunda-feira), às 17:00 h, na Câmara Municipal de Anápolis. A audiência tem como objetivo debater a atual situação da Antiga Estação Ferroviária. A audiência contará com a explanação do Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de Anápolis sobre os principais problemas e demandas da atual gestão.
É importante sua participação para que possamos juntos defender o Patrimônio Cultural de Anápolis
Abraço,
João Barretto Acioly Lins
(62) 8497-8112
A idealização da Audiência Pública sobre o Patrimônio Histórico de Anápolis e proposta pela vereadora Dinamélia, que tem como fim debater a atual situação da Antiga Estação Ferroviária Prefeito José Fernandes Valente, foi inspirada no sentimento de proteção e recuperação de um patrimônio histórico e cultural que se encontra, atualmente, relegado ao abandono do poder público e com acesso e visibilidade impedidos à população devido as instalações do terminal urbano de Anápolis.
Esse prédio de grande valor histórico e cultural para o povo anapolino foi construído na primeira metade do século passado, mais precisamente em 1934, sendo tombado à condição de patrimônio histórico municipal por força da Lei Municipal n° 1.824, de janeiro de 1991, sancionada pelo então prefeito Dr. Anapolino de Faria.
A chegada dos trilhos da estrada de ferro a Anápolis foi fator determinante para impulsionar o desenvolvimento da cidade, constituindo-se num verdadeiro intercâmbio comercial , facilitando inclusive, a migração de pessoas originárias de diversas partes do país e, principalmente, de São Paulo e do Triângulo Mineiro.
Com este importante acontecimento, para cá vieram imigrantes sírios e libaneses, constituindo-se em numerosas colônias que deram origem a grupos econômicos de importância significativa, não só para Anápolis, mas também, para a economia goiana.
A idéia da construção da Estrada de Ferro Goyaz teve inicio na época da República Velha (1.889 - 1.930) que vislumbrava traçar em território goiano uma ferrovia, partindo do terminal ferroviário de Araguari, passando por Catalão, Ipameri, Pires do Rio e Silvânia, alcançando a Vila de Santana das Antas, hoje Anápolis.
Tal idéia se tornou realidade e o lançamento da pedra fundamental da Estação Ferroviária de Anápolis ocorreu em 28 de agosto de 1.933, pelo então intendente do município João Luiz de Oliveira.
O prédio da estação foi inaugurado em 07 de setembro de 1.935 e recebeu o nome de Estação Ferroviária Prefeito José Fernandes Valente. Esta obra histórica é tida pelos historiadores como o maior símbolo do desenvolvimento econômico desta cidade. Na década de 30 influenciou diretamente no crescimento do comércio e da agricultura comercial, o que favoreceu a evolução urbana e fez de Anápolis o maior centro comercial de Goiás, se tornando, portanto, para este município, um verdadeiro monumento histórico e cultural.
Com a descaracterização, o prédio da antiga estação ferroviária ficou "ilhado", sendo que a população não pode contemplá-lo à distância, em razão da obra construída em seus arredores, escondendo dessa forma, a exuberância de sua arquitetura.
No dia 08 de agosto do corrente ano, firmou-se em audiência no Ministério Público com a presença do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Anápolis, Prefeitura e TCA, a retirada de parte do terminal urbano da Antiga Estação Ferroviária. Essa determinação foi uma vitória e representa um grande avanço para aqueles que defendem a recuperação e revitalização do patrimônio histórico, cultural, paisagístico e arquitetônico da cidade de Anápolis.
Incluo-me entre aqueles que lutam pela restauração deste monumento nos moldes originais, para que se possa devolver a população de Anápolis o direito de cultuar este marco histórico e cultural da nossa cidade, revitalizando assim, a sua importância arquitetônica, histórica e cultural que é um patrimônio de todos nós.
Devemos juntos zelar não só pela preservação do nosso acervo histórico, mas também, pela melhoria da cultura em todas as suas linguagens em nosso município.
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sexta-feira, fevereiro 08, 2008
segunda-feira, junho 11, 2007
World Monuments Fund
Rua Descoberto
Rua Descoberto
Museu Municipal Angelo Rosa de Moura
Pesquisa arqueológica realizada na região
Sítio histórico de Porangatu (GO) na lista da WMF dos bens com valor cultural em perigo no mundo.
Goiânia, 11/06/2007 – O sítio histórico de Porangatu – GO, o antigo Arraial do Descoberto da Piedade, encontra-se entre os cem sítios de alto valor cultural que correm perigo no mundo e entre os dezesseis selecionados na América Latina pela WMF.
Na quarta-feira, 06 de junho, a WMF - World Monuments Fund- tornou pública a lista de 2008 dos 100 bens de valor cultural relevante e que encontram-se em situação de risco. A lista é o resultado de um painel internacional de especialistas em arqueologia, arquitetura e história da arte. Para elaboração da lista, os especialistas basearam suas decisões em três critérios: relevância da importância cultural do sítio, urgência da ameaça e viabilidade de uma eventual solução.
"A lista de 2008 mostra claramente que a atividade humana se tornou a maior ameaça contra a preservação da herança cultural" no mundo, advertiram os especialistas em suas conclusões. A contaminação provocada pelos humanos corrói as pedras antigas. O turismo globalizado leva hordas de pessoas a sítios desprotegidos. As cidades crescem às custas de centros históricos. As guerras destroem sítios únicos. Pela primeira vez, os especialistas citam a mudança climática como um dos fatores que ameaçam o patrimônio cultural e dão como exemplo os estragos causados pelo furacão Katrina, em 2005, na mal protegida Nova Orleans.
Também corre risco a famosa rota 66, dos Estados Unidos, outrora única via importante entre as costas leste e oeste, que abriga locais de arquitetura curiosa como seus velhos motéis, escalas da "road trip" ideal.
Na América Latina, o Peru se destaca com as ruínas de Machu Picchu, dizimadas pelo turismo "descontrolado", os vestígios de Macusani e Corani, e o centro o histórico de Lima, "onde centenas de monumentos e milhares de residências estão abandonadas e ameaçam desmoronar".
Também no Peru, os terraços de Laraos, o mosteiro de Santa Catalina e o esplendor barroco de São Pedro Apóstolo de Andahuaylillas, perto de Cuzco, agonizam sob os estragos das atividades humanas.
O bairro histórico Huaca, do porto mexicano de Veracruz, que data de 1870 e abrigava trabalhadores migrantes fora dos muros da cidade, está ameaçado pela especulação imobiliária e a deterioração, segundo os especialistas.
A indústria da tequila, orgulho do estado mexicano de Jalisco, põe em risco a zona arqueológica Teuchitlán e Machimontones, que encerra segredos sobre uma das civilizações mais antigas do continente.
Completam a lista as ruínas mexicanas de Montealbán e as missões coloniais de Chihuahua, o palácio dos Capitães Gerais, na Guatemala, a cidade de Falmouth, na Jamaica, a sinagoga Brener, em Buenos Aires, e a estação de Biologia Marinha de Montemar, em Valparaíso (Chile), "uma obra-prima da arquitetura sul-americana", cujo belo desenho está ameaçado por planos de renovação.
E ameaçado pelo descaso e a especulação imobiliária o sítio histórico de Porangatu.
O sítio histórico de Porangatu- GO teve a sua inscrição encaminhada pela ONG KULTUR como resultado do seminário “Porangatu: Planejamento e Patrimônio Cultural” ocorrido entre 14 e 15/11/06, e promovidos pela AGEPEL, Prefeitura de Porangatu, e ainda contou com os apoios da Câmara Municipal de Porangatu que abrigou o seminário e ainda transmitiu via Radio e WEB TV Câmara Porangatu, e da KULTUR.
Os painéis de discussões, do seminário envolveram as ações relacionadas ao Plano Diretor da cidade, as formas de ocupação do norte goiano, legislação para preservação de patrimônio cultural e a apresentação do projeto ‘Descobrindo o Descoberto” que tem como principal objetivo o levantamento das referências culturais – material e imaterial. Esse projeto conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Porangatu e o desenvolvimento da ONG Kultur – Cultura, Educação e Meio Ambiente, que ao longo dos últimos três anos se dedicando ao estudo do local e a implantação dos projetos de recuperação e educação, tendo a frente a especialista em Gestão de Patrimônio Cultural Integrado – ITUC – AL Deolinda C. Taveira Moreira, o mestre em Geografia Felippe Jorge Kopanakis - filhos de Porangatu, e a arqueóloga Margareth de Lourdes Souza, além do apoio técnico do arquiteto e mestre André Pina, da Prefeitura de Olinda.
PORANGATU
Porangatu distante 393 quilômetros de Goiânia, no extremo norte goiano e com uma população de 41.000 habitantes é um cidade pólo na região norte do Estado. Nas suas origens Porangatu nasceu no antigo Arraial do Descoberto da Piedade na época da mineração e a sua história é contada em prosa como a lenda de Angatu.
A partir de 1943 o Descoberto torna-se Porangatu e foi elevado a comarca em 1948, dando início a construções importantes para o processo de modernização da cidade, tais como, o cemitério, a cadeia pública, escolas, Prefeitura e Fórum. Após a aquisição de uma área de 100 alqueires, entre os anos de 1953 e 1957, a prefeitura dá inicio a ampliação da parte nova da cidade e a cidade velha vai ficando esquecida.
A vida cultural da cidade nessa época gira em torno da Casa Jaguatirica e da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. A Casa Jaguatirica, cujo proprietário, Ângelo Rosa de Moura era tido como místico e empreendedor, organiza eventos e promove a comunicação local. Atualmente o espaço é um museu municipal de arqueologia.
Muito cedo, os gestores públicos e a população deram-se conta da necessidade de preservar o seu patrimônio cultural e arquitetônico, já ameaçado com o crescimento acelerado promovido pela construção da BR-153. É promulgada então a Lei Municipal Nº590/84, que declara patrimônio histórico a área da “cidade velha”.
Todavia a existência da Lei por si só não garantiu a preservação do sítio histórico do Descoberto. Ao longo do tempo comprovou-se que associado a intervenção “destrutiva e modernizadora” dos proprietários no sítio histórico, a omissão do poder público foi fundamental para a descaracterização e demolição de muitos imóveis, mantendo-se intacto apenas o traçado urbano original.
No final dos anos 90, a administração pública inicia um movimento de valorização das festas, do espaço urbano e arquitetônico local e promove a restauração da velha Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade.
No desenrolar dessas ações o Museu Ângelo Rosa de Moura é instalado na antiga Casa Jaguatirica, abrigando, provisoriamente, o acervo arqueológico resultante de pesquisas realizadas na região norte de Goiás.
O museu é o primeiro passo para se pensar o sítio histórico como parte da cidade que merece atenção especial. Alguns marcos importantes da cidade, tais como a antiga Igreja Matriz, a Cadeia velha, o Fórum, o casario da Praça Velha e adjacências, as construções art-déco na Av. Floriano Peixoto, assim como as áreas que deveriam ser de preservação ambiental – Lagoa Grande e nascentes de cursos d’água, adjacências do cemitério - demonstram claramente que a gestão da cidade dar-se-á no presente e para o futuro em dois eixos: planejamento urbano e preservação do patrimônio cultural.
WMF - World Monuments Fund Watch
A World Monuments Fund (WMF) é a mais importante organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo. Através da sua lista bienal World Monuments Watch - 100 Most Endangered Sites, a WMF (www.wmf.org) chama atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com significado histórico, artístico e arquitetônico.
A presença na lista World Monuments Watch estimula autoridades locais e comunidades a tomarem um papel ativo na proteção do seu patrimônio cultural e, quando necessário, ajuda também a angariar fundos para a sua salvaguarda.
Os monumentos são selecionados, de entre as várias candidaturas apresentadas, por um painel de peritos mundiais, incluindo representantes da UNESCO ("United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization") e do ICOMOS ("International Council on Monuments and Sites").
A inclusão do Sítio Histórico de Porangatu na lista dos 100 locais históricos mais ameaçados do mundo é um portal de visibilidade às organizações ligadas a preservação do patrimônio histórico no mundo, e um alerta aos administradores públicos que devem, urgentemente, desenvolverem políticas públicas que valorizem e resgatem a história de suas comunidades.
As informações sobre a lista, bem como o mapa dos 100 locais do mundo, podem ser conferidos no endereço http://www.worldmonumentswatch.org/
Qualquer informação adicional, Felippe Jorge (9102-8445) quanto Deolinda Taveira (9637-1985 – 8439-1032) ou pelo e.mail culturagoiania@terra.com.br .
Rua Descoberto
Museu Municipal Angelo Rosa de Moura
Pesquisa arqueológica realizada na regiãoSítio histórico de Porangatu (GO) na lista da WMF dos bens com valor cultural em perigo no mundo.
Goiânia, 11/06/2007 – O sítio histórico de Porangatu – GO, o antigo Arraial do Descoberto da Piedade, encontra-se entre os cem sítios de alto valor cultural que correm perigo no mundo e entre os dezesseis selecionados na América Latina pela WMF.
Na quarta-feira, 06 de junho, a WMF - World Monuments Fund- tornou pública a lista de 2008 dos 100 bens de valor cultural relevante e que encontram-se em situação de risco. A lista é o resultado de um painel internacional de especialistas em arqueologia, arquitetura e história da arte. Para elaboração da lista, os especialistas basearam suas decisões em três critérios: relevância da importância cultural do sítio, urgência da ameaça e viabilidade de uma eventual solução.
"A lista de 2008 mostra claramente que a atividade humana se tornou a maior ameaça contra a preservação da herança cultural" no mundo, advertiram os especialistas em suas conclusões. A contaminação provocada pelos humanos corrói as pedras antigas. O turismo globalizado leva hordas de pessoas a sítios desprotegidos. As cidades crescem às custas de centros históricos. As guerras destroem sítios únicos. Pela primeira vez, os especialistas citam a mudança climática como um dos fatores que ameaçam o patrimônio cultural e dão como exemplo os estragos causados pelo furacão Katrina, em 2005, na mal protegida Nova Orleans.
Também corre risco a famosa rota 66, dos Estados Unidos, outrora única via importante entre as costas leste e oeste, que abriga locais de arquitetura curiosa como seus velhos motéis, escalas da "road trip" ideal.
Na América Latina, o Peru se destaca com as ruínas de Machu Picchu, dizimadas pelo turismo "descontrolado", os vestígios de Macusani e Corani, e o centro o histórico de Lima, "onde centenas de monumentos e milhares de residências estão abandonadas e ameaçam desmoronar".
Também no Peru, os terraços de Laraos, o mosteiro de Santa Catalina e o esplendor barroco de São Pedro Apóstolo de Andahuaylillas, perto de Cuzco, agonizam sob os estragos das atividades humanas.
O bairro histórico Huaca, do porto mexicano de Veracruz, que data de 1870 e abrigava trabalhadores migrantes fora dos muros da cidade, está ameaçado pela especulação imobiliária e a deterioração, segundo os especialistas.
A indústria da tequila, orgulho do estado mexicano de Jalisco, põe em risco a zona arqueológica Teuchitlán e Machimontones, que encerra segredos sobre uma das civilizações mais antigas do continente.
Completam a lista as ruínas mexicanas de Montealbán e as missões coloniais de Chihuahua, o palácio dos Capitães Gerais, na Guatemala, a cidade de Falmouth, na Jamaica, a sinagoga Brener, em Buenos Aires, e a estação de Biologia Marinha de Montemar, em Valparaíso (Chile), "uma obra-prima da arquitetura sul-americana", cujo belo desenho está ameaçado por planos de renovação.
E ameaçado pelo descaso e a especulação imobiliária o sítio histórico de Porangatu.
O sítio histórico de Porangatu- GO teve a sua inscrição encaminhada pela ONG KULTUR como resultado do seminário “Porangatu: Planejamento e Patrimônio Cultural” ocorrido entre 14 e 15/11/06, e promovidos pela AGEPEL, Prefeitura de Porangatu, e ainda contou com os apoios da Câmara Municipal de Porangatu que abrigou o seminário e ainda transmitiu via Radio e WEB TV Câmara Porangatu, e da KULTUR.
Os painéis de discussões, do seminário envolveram as ações relacionadas ao Plano Diretor da cidade, as formas de ocupação do norte goiano, legislação para preservação de patrimônio cultural e a apresentação do projeto ‘Descobrindo o Descoberto” que tem como principal objetivo o levantamento das referências culturais – material e imaterial. Esse projeto conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Porangatu e o desenvolvimento da ONG Kultur – Cultura, Educação e Meio Ambiente, que ao longo dos últimos três anos se dedicando ao estudo do local e a implantação dos projetos de recuperação e educação, tendo a frente a especialista em Gestão de Patrimônio Cultural Integrado – ITUC – AL Deolinda C. Taveira Moreira, o mestre em Geografia Felippe Jorge Kopanakis - filhos de Porangatu, e a arqueóloga Margareth de Lourdes Souza, além do apoio técnico do arquiteto e mestre André Pina, da Prefeitura de Olinda.
PORANGATU
Porangatu distante 393 quilômetros de Goiânia, no extremo norte goiano e com uma população de 41.000 habitantes é um cidade pólo na região norte do Estado. Nas suas origens Porangatu nasceu no antigo Arraial do Descoberto da Piedade na época da mineração e a sua história é contada em prosa como a lenda de Angatu.
A partir de 1943 o Descoberto torna-se Porangatu e foi elevado a comarca em 1948, dando início a construções importantes para o processo de modernização da cidade, tais como, o cemitério, a cadeia pública, escolas, Prefeitura e Fórum. Após a aquisição de uma área de 100 alqueires, entre os anos de 1953 e 1957, a prefeitura dá inicio a ampliação da parte nova da cidade e a cidade velha vai ficando esquecida.
A vida cultural da cidade nessa época gira em torno da Casa Jaguatirica e da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. A Casa Jaguatirica, cujo proprietário, Ângelo Rosa de Moura era tido como místico e empreendedor, organiza eventos e promove a comunicação local. Atualmente o espaço é um museu municipal de arqueologia.
Muito cedo, os gestores públicos e a população deram-se conta da necessidade de preservar o seu patrimônio cultural e arquitetônico, já ameaçado com o crescimento acelerado promovido pela construção da BR-153. É promulgada então a Lei Municipal Nº590/84, que declara patrimônio histórico a área da “cidade velha”.
Todavia a existência da Lei por si só não garantiu a preservação do sítio histórico do Descoberto. Ao longo do tempo comprovou-se que associado a intervenção “destrutiva e modernizadora” dos proprietários no sítio histórico, a omissão do poder público foi fundamental para a descaracterização e demolição de muitos imóveis, mantendo-se intacto apenas o traçado urbano original.
No final dos anos 90, a administração pública inicia um movimento de valorização das festas, do espaço urbano e arquitetônico local e promove a restauração da velha Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade.
No desenrolar dessas ações o Museu Ângelo Rosa de Moura é instalado na antiga Casa Jaguatirica, abrigando, provisoriamente, o acervo arqueológico resultante de pesquisas realizadas na região norte de Goiás.
O museu é o primeiro passo para se pensar o sítio histórico como parte da cidade que merece atenção especial. Alguns marcos importantes da cidade, tais como a antiga Igreja Matriz, a Cadeia velha, o Fórum, o casario da Praça Velha e adjacências, as construções art-déco na Av. Floriano Peixoto, assim como as áreas que deveriam ser de preservação ambiental – Lagoa Grande e nascentes de cursos d’água, adjacências do cemitério - demonstram claramente que a gestão da cidade dar-se-á no presente e para o futuro em dois eixos: planejamento urbano e preservação do patrimônio cultural.
WMF - World Monuments Fund Watch
A World Monuments Fund (WMF) é a mais importante organização privada, sem fins lucrativos, dedicada à preservação de lugares da herança cultural de todo o mundo. Através da sua lista bienal World Monuments Watch - 100 Most Endangered Sites, a WMF (www.wmf.org) chama atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com significado histórico, artístico e arquitetônico.
A presença na lista World Monuments Watch estimula autoridades locais e comunidades a tomarem um papel ativo na proteção do seu patrimônio cultural e, quando necessário, ajuda também a angariar fundos para a sua salvaguarda.
Os monumentos são selecionados, de entre as várias candidaturas apresentadas, por um painel de peritos mundiais, incluindo representantes da UNESCO ("United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization") e do ICOMOS ("International Council on Monuments and Sites").
A inclusão do Sítio Histórico de Porangatu na lista dos 100 locais históricos mais ameaçados do mundo é um portal de visibilidade às organizações ligadas a preservação do patrimônio histórico no mundo, e um alerta aos administradores públicos que devem, urgentemente, desenvolverem políticas públicas que valorizem e resgatem a história de suas comunidades.
As informações sobre a lista, bem como o mapa dos 100 locais do mundo, podem ser conferidos no endereço http://www.worldmonumentswatch.org/
Qualquer informação adicional, Felippe Jorge (9102-8445) quanto Deolinda Taveira (9637-1985 – 8439-1032) ou pelo e.mail culturagoiania@terra.com.br .
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terça-feira, fevereiro 20, 2007
Pesquisador recupera a história do Lago das Rosas
Um ótimo trabalho sobre um ponto tradicional de Goiânia, o Lago das Rosas.
A data exata de fundação do Lago das Rosas, onde está o Parque Zoológico de Goiânia – atualmente na iminência de ser transferido para o Jardim Botânico –, sempre foi uma indefinição entre os estudiosos.
Alguns dizem que foi em 1941, outros em 1942 e terceiros citam 1945. O historiador Aldair Queiroz, que concluiu recentemente um mestrado de Gestão do Patrimônio Cultural pela UCG e, junto, uma extensa pesquisa sobre um dos principais cartões-postais da capital goiana, afirma que já é possível pôr fim à dúvida. No estudo, ele define o ano de 1941 como marco inicial. Como produto da pesquisa, o Lago das Rosas até ganhou um endereço na internet.
O site (www.utopix.com.br/lagodasrosas ) tem uma série de imagens e documentos antigos, além de um histórico que traz curiosidades, como a chegada dos primeiros animais do Zoológico ou como era a primeira piscina de Goiânia. “Ao longo de três anos de pesquisa descobri fatos interessantes, que nunca imaginei terem acontecido”, relembra. Para levantar os dados, ele foi buscar informações em documentos de arquivos públicos. A idéia de saber mais sobre o lugar surgiu por acaso.
Morador desde pequeno da região próxima ao Lago, Aldair primeiro pensou em estudar a mureta e o trampolim, construídos no estilo art déco. Já no início, porém, teve dificuldade em encontrar informações sobre o local, pois nada havia de registrado. Então, resolveu ampliar o trabalho para todo o parque, sobre o qual teceu uma linha do tempo histórica que poderá orientar futuras pesquisas. O estudo reuniu tantos documentos e imagens que o estudioso resolveu ter também como produto o site.
A iniciativa, além de educadora, tem como objetivo despertar a consciência da população e governantes sobre a importância da preservação do lugar que faz parte da história dos goianienses.
Não é de hoje que as notícias sobre o Lago das Rosas nem sempre são tão boas. Depredado, mal conservado e alvo de vândalos, o cartão-postal sofre com o descaso. Falta de segurança, problemas como fiação de iluminação roubada e vazamento de esgoto assolam o patrimônio da cidade. Obras emergenciais foram iniciadas recentemente no local para deixá-lo em condições mínimas de utilização. A situação é penosa para um lugar que tem tanto para contar.
De avião
Não faltam histórias boas e curiosas na trajetória de formação do Lago das Rosas. Em 1956, por exemplo, data do início do Zoológico, o professor José Hidasi, também fundador do Museu Ornitológico, empenhou-se, ao lado do então responsável pela manutenção do parque, Saturnino Carvalho, até hoje lembrado pelos antigos moradores de Goiânia como “Seu Carvalho”, pela construção do lugar educativo.
No local já havia um minizoo, com bichos nativos criados por Carvalho. Nesta época muita gente já visitava o lugar para vê-los. Mas ainda faltavam animais que representassem a diversidade da fauna do Cerrado e de outras partes do mundo. Foi então que o professor Hidasi resolveu trazer para a cidade, de avião, animais vivos. “O modelo usado era uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB)”, conta Aldair. Os animais vinham da Fundação Brasil Central, que ficava em Aragarças, no interior do Estado.
No mesmo ano, ele também criou lá o Museu de Zoologia, com animais empalhados, abrindo o espaço onde hoje há livros especializados e funciona o Departamento de Educação Ambiental do Parque.
Na mesma época, Seu Carvalho começou a plantar hortaliças que abasteciam hospitais de Goiânia. Por este motivo o goianiense passou a ter a tradição de chamar o local de Horto.
O espaço passou definitivamente a ser dedicado à educação quando foi construído o primeiro museu e escola de arte da cidade e a casa de estudantes, o Castelinho, administrado pela então União Goiana de Estudantes Secundaristas.
Hoje, sob responsabilidade da União Municipal do Estudantes Secundaristas, o Castelinho, que conheceu intenso movimento estudantil principalmente na época da ditadura, com destaque para a mobilização feita na Rádio Universitária da UFG (ainda instalada lá), está abandonado. Antes de tomar a configuração de hoje, o Lago das Rosas fazia parte de uma grande fazenda doada por Urias Magalhães, situada no então município da cidade de Campinas (que tornou-se o atual setor).
No local, nascia o córrego Capim Puba, que deu o primeiro nome do parque. Às suas margens deveria haver, de acordo com o projeto da construção da nova capital, um park-way, para lazer dos cidadãos.
A construção de um aterro, por onde hoje passa a Avenida Anhanguera, a delimitação de uma represa com as águas da nascente e a construção das muretas, em 1941, delimitaram, segundo Aldair, o surgimento do parque. Anos depois, os cerca de 40 mil habitantes de Goiânia à época ganharam um balneário no local, com a primeira piscina da cidade. A represa das águas da nascente do córrego tinha 1,50 metro de profundidade e era cercada de canteiros de rosas.
Goianienses e campinenses passaram a ter uma opção popular de lazer que ficava justamente entre as duas cidades. “Figuras conhecidas como Gilberto Teles e Iris Rezende freqüentaram a piscina nesta época”, diz o historiador. O clube tinha uma piscina para adultos, o lago propriamente dito, que pela grande extensão podia receber muita gente, e uma menor para as crianças.
Para freqüentar o balneário, o cidadão precisava apresentar uma espécie de carteirinha de sócio, que o identificava e dava a permissão para o banho. O lugar acabou se tornando um dos pontos principais de encontro público, onde iniciou-se uma tradição de passeios ao ar livre, fosse para o banho nas águas do lago, fosse pela descoberta de animais que até então podiam ser vistos somente embrenhados no mato.
por Rodrigo Alves para o jornal O POPULAR
http://goiasnet.globo.com/cultura/cul_report.phtm?IDP=6383
A data exata de fundação do Lago das Rosas, onde está o Parque Zoológico de Goiânia – atualmente na iminência de ser transferido para o Jardim Botânico –, sempre foi uma indefinição entre os estudiosos.
Alguns dizem que foi em 1941, outros em 1942 e terceiros citam 1945. O historiador Aldair Queiroz, que concluiu recentemente um mestrado de Gestão do Patrimônio Cultural pela UCG e, junto, uma extensa pesquisa sobre um dos principais cartões-postais da capital goiana, afirma que já é possível pôr fim à dúvida. No estudo, ele define o ano de 1941 como marco inicial. Como produto da pesquisa, o Lago das Rosas até ganhou um endereço na internet.
O site (www.utopix.com.br/lagodasrosas ) tem uma série de imagens e documentos antigos, além de um histórico que traz curiosidades, como a chegada dos primeiros animais do Zoológico ou como era a primeira piscina de Goiânia. “Ao longo de três anos de pesquisa descobri fatos interessantes, que nunca imaginei terem acontecido”, relembra. Para levantar os dados, ele foi buscar informações em documentos de arquivos públicos. A idéia de saber mais sobre o lugar surgiu por acaso.
Morador desde pequeno da região próxima ao Lago, Aldair primeiro pensou em estudar a mureta e o trampolim, construídos no estilo art déco. Já no início, porém, teve dificuldade em encontrar informações sobre o local, pois nada havia de registrado. Então, resolveu ampliar o trabalho para todo o parque, sobre o qual teceu uma linha do tempo histórica que poderá orientar futuras pesquisas. O estudo reuniu tantos documentos e imagens que o estudioso resolveu ter também como produto o site.
A iniciativa, além de educadora, tem como objetivo despertar a consciência da população e governantes sobre a importância da preservação do lugar que faz parte da história dos goianienses.
Não é de hoje que as notícias sobre o Lago das Rosas nem sempre são tão boas. Depredado, mal conservado e alvo de vândalos, o cartão-postal sofre com o descaso. Falta de segurança, problemas como fiação de iluminação roubada e vazamento de esgoto assolam o patrimônio da cidade. Obras emergenciais foram iniciadas recentemente no local para deixá-lo em condições mínimas de utilização. A situação é penosa para um lugar que tem tanto para contar.
De avião
Não faltam histórias boas e curiosas na trajetória de formação do Lago das Rosas. Em 1956, por exemplo, data do início do Zoológico, o professor José Hidasi, também fundador do Museu Ornitológico, empenhou-se, ao lado do então responsável pela manutenção do parque, Saturnino Carvalho, até hoje lembrado pelos antigos moradores de Goiânia como “Seu Carvalho”, pela construção do lugar educativo.
No local já havia um minizoo, com bichos nativos criados por Carvalho. Nesta época muita gente já visitava o lugar para vê-los. Mas ainda faltavam animais que representassem a diversidade da fauna do Cerrado e de outras partes do mundo. Foi então que o professor Hidasi resolveu trazer para a cidade, de avião, animais vivos. “O modelo usado era uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB)”, conta Aldair. Os animais vinham da Fundação Brasil Central, que ficava em Aragarças, no interior do Estado.
No mesmo ano, ele também criou lá o Museu de Zoologia, com animais empalhados, abrindo o espaço onde hoje há livros especializados e funciona o Departamento de Educação Ambiental do Parque.
Na mesma época, Seu Carvalho começou a plantar hortaliças que abasteciam hospitais de Goiânia. Por este motivo o goianiense passou a ter a tradição de chamar o local de Horto.
O espaço passou definitivamente a ser dedicado à educação quando foi construído o primeiro museu e escola de arte da cidade e a casa de estudantes, o Castelinho, administrado pela então União Goiana de Estudantes Secundaristas.
Hoje, sob responsabilidade da União Municipal do Estudantes Secundaristas, o Castelinho, que conheceu intenso movimento estudantil principalmente na época da ditadura, com destaque para a mobilização feita na Rádio Universitária da UFG (ainda instalada lá), está abandonado. Antes de tomar a configuração de hoje, o Lago das Rosas fazia parte de uma grande fazenda doada por Urias Magalhães, situada no então município da cidade de Campinas (que tornou-se o atual setor).
No local, nascia o córrego Capim Puba, que deu o primeiro nome do parque. Às suas margens deveria haver, de acordo com o projeto da construção da nova capital, um park-way, para lazer dos cidadãos.
A construção de um aterro, por onde hoje passa a Avenida Anhanguera, a delimitação de uma represa com as águas da nascente e a construção das muretas, em 1941, delimitaram, segundo Aldair, o surgimento do parque. Anos depois, os cerca de 40 mil habitantes de Goiânia à época ganharam um balneário no local, com a primeira piscina da cidade. A represa das águas da nascente do córrego tinha 1,50 metro de profundidade e era cercada de canteiros de rosas.
Goianienses e campinenses passaram a ter uma opção popular de lazer que ficava justamente entre as duas cidades. “Figuras conhecidas como Gilberto Teles e Iris Rezende freqüentaram a piscina nesta época”, diz o historiador. O clube tinha uma piscina para adultos, o lago propriamente dito, que pela grande extensão podia receber muita gente, e uma menor para as crianças.
Para freqüentar o balneário, o cidadão precisava apresentar uma espécie de carteirinha de sócio, que o identificava e dava a permissão para o banho. O lugar acabou se tornando um dos pontos principais de encontro público, onde iniciou-se uma tradição de passeios ao ar livre, fosse para o banho nas águas do lago, fosse pela descoberta de animais que até então podiam ser vistos somente embrenhados no mato.
por Rodrigo Alves para o jornal O POPULAR
http://goiasnet.globo.com/cultura/cul_report.phtm?IDP=6383
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