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domingo, dezembro 03, 2006

A casa do natal? Ou da mãe Joana?

Goiânia é uma cidade interessante sob diversos pontos de vista, da qualidade de vida, e ainda pelo seu acervo arquitetônico.

Sob o ponto de vista da qualidade de vida, dentro em breve, se Goiânia não sair do seu sonho de roça asfaltada acordaremos em meio ao caos típicos das grandes metrópoles, e completamente despreparados. E de certo modo, olhando pelo lado da triste realidade do transporte urbano, já vivemos esse caos.

Sob o ponto de vista do acervo arquitetônico, Goiânia nasceu sob o signo da modernidade e do planejamento e possui no seu patrimônio construído um dos maiores acervos do estilo art déco.

E o reconhecimento da importância desse acervo para a história da cidade e do Brasil veio através do processo de tombamento promovido pelo IPHAN. O que tornou Goiânia parte de um seleto grupo de cidades que são reconhecidas como patrimônio cultural do país. Ou seja, goianiense ou não, qualquer brasileiro passa a reconhecer Goiânia na cena cultural como um sítio “art déco”.

Todavia, Goiânia não é apenas uma cidade com arquitetura art déco, como podemos descobrir numa rapdida passada de olhos, que a arquitetura modernista permeia por todos os espaços construídos, ao mesmo tempo bela e destruída.

Por que destruída? Por que são raros os exemplos do estilo que permanecem intactos. Um exemplo clássico é a casa modernista situada na esquina da Rua 10 com Alameda do Botafogo. Da residência com fachada em pano de vidro passou a um edificação sem estilo algum, tais os remendos que fizeram no intuito de adapta-la a novos usos, desde escola, cursinho e até o abandono total.












Na lista encontra-se o pequeno posto Atlantic situado na Avenida Anhangüera esquina com Rua 20. Ativo na década de 60, uma vez desativado passou do abandono até se tornar um estacionamento improvisado. No terreno do fundo todas as construções, casas residenciais foram demolidas e recentemente, uma passagem foi aberta entre um terreno e outro.


E é claro que o postinho como é conhecido será a próxima vítima da ausência de política municipal para preservação do patrimônio cultural da cidade. A Prefeitura de Goiânia na sua ausência de ações positivas, que visem a preservação da história de Goiânia termina por ser a parceira de 1ª e última hora de todos que pretendem demolir o patrimônio edificado. Foi assim que quase todas as casas da Rua 20 desapareceram dando lugar a edifícios de mais de 06 andares, que o Museu Pedro Ludovico Teixeira encontra-se cercado por todos os lados e por ai vai.

E não apenas o patrimônio edificado é vitima do descaso, mas também os documentos históricos como demonstra o repórter Antônio Lisboa na matéria “História jogada às traças” http://www.jornalosucesso.com.br/editoria_materia.php?id=1993
publicada no jornal O SUCESSO, mas também o Museu de Arte de Goiânia.

A situação do arquivo da Prefeitura de Goiânia é conhecida a anos e nada é feito no sentido de contratar arquivistas, conservadores restauradores, pesquisadores, adequação do espaço físico, aquisição de mobiliário adequado àguarda de documentos e climatização.

E a do Museu de Arte de Goiânia também. Dá o que pensar o motivo pelo qual um museu do porte do MAG tenha interessado tanto, a um elemento que utiliza o espaço público para a prática de compra e venda de obras de arte. Curiosamente, o elemento foi “nomeado diretor” por portaria do Secretário Municipal de Cultura, concomitante com um decreto do Prefeito de Goiânia que nomeava uma servidora da Universidade Federal de Goiás e diga-se de passagem não licenciada, ocupante de cargo administrativo e claro esposa de vereador da base do Prefeito. E só ai é possível verificar acumulação indevida de cargos e tráfico de influência. Recentemente a mesma diretora – a que foi sem nunca ter sido – dispensada da função e designada para o cargo de CHEFE DE DIVISÃO DE BIBLIOTECA do Centro Cultural Ouro.

E o incrível, o MAG já dispõe de uma nova diretora, essa é servidora de carreira da Prefeitura de Goiânia e como a outra, se dispõe a fazer o papel de “laranja” para que o seleto elemento continue a transformar o museu em casa da mãe Joana, ops, desculpem, em meio de vida, vendendo obras de arte. http://goiasnet.globo.com/cultura/cul_report.phtm?IDP=6228

Sobre as questões dos licenciamentos concedidos pela Prefeitura de Goiânia, seria interessante saber por onde anda o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico. Seria bobagem perguntar qual papel da Divisão de Patrimônio Histórico da SECULT, mas é interessante descobrir a quem interessa, que um departamento como esse, não consiga se estruturar para fazer o seu papel. Mas talvez o problema seja apenas a máquina que se tornou dinossauro enquanto o mundo se globaliza e exige ações planejadas e decisões fundamentadas em critérios técnicos. O que fica difícil com tantos apaniguados, sem qualificação alguma que pululam no serviço público.

Afinal, não é por que Goiânia possui parte de seu patrimônio tombado pelo IPHAN, que as responsabilidades inerentes à gestão municipal e mesmo a estadual deixaram de existir. Até muito pelo contrário, Goiânia é uma capital, centro nervoso da educação universitária e nada justifica o despreparo dos gestores públicos.

Sobre as questões levantadas os links a seguir contribuem para ampliar a discussão:
http://www.dm.com.br/impresso.php?id=112086&edicao=6598&cck=2
http://www.dm.com.br/impresso.php?id=63451&edicao=6234
http://www.dm.com.br/impresso.php?id=159216&edicao=6927
http://www.dm.com.br/impresso.php?id=163752&edicao=6962&cck=3
http://www.goiania.go.gov.br/Download/legislacao/diariooficial/do20061109.pdf

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