Ocorreu um erro neste gadget

quinta-feira, novembro 09, 2006

QUALQUER SEMELHANÇA É APENAS MERA COINCIDÊNCIA

Ao ler o texto "O dia seguinte" de Pedro Doria analisando o perfil de Donald Henry Rumsfeld, ex secretário de defesa do presidente George W. Busch me ocorreu, que qualquer semelhança com o secretário de cultura de Goiânia é mera coincidência.

Lá o Bush, um predador de primeiro mundo, não viu problemas em aceitar feliz da vida a demissão do secretário. Aqui, a onda de boataria dá conta que a despeito de todo tipo de denúncia na justiça comum e no MP, o titular da SECULT está entre os que o Prefeito considera excelente, ao lado do secretário de saúde - caos total - e da Educação - aquela que substituiu os arte educadores por pedagogos.

"O dia seguinte"
por Pedro Doria

"Donald Henry Rumsfeld, 74 anos, talvez o mais desastroso secretário de Defesa que os EUA tiveram em muito tempo, acaba de se demitir – e o presidente George W. Bush aceitou.

Com a eleição ontem que garantiu aos democratas a maioria na Câmara e, provavelmente, no Senado, o secretário preferiu deixar o cargo. Não quer se expor a pesados interrogatórios no Congresso.

Robert Michael Gates, ex-diretor da CIA com 26 anos de experiência na Agência, foi indicado por Bush para sucedê-lo. Mas carece de aprovação do Senado.

A história de Rummy é cheia de casos de incompetência.

Enquanto os EUA ainda pressionavam a ONU pela invasão do Iraque, Rumsfeld convocou ao Pentágono o general da reserva Jay Garner. Garner teria a responsabilidade de comandar o Iraque após a queda do regime de Saddam. No cargo, passou a mão no telefone para contatar especialistas dos outros ministérios – quem tinha experiência para pôr um sistema de esgoto de pé muito rápido? Quem teria este tipo de experiência com sistema elétrico? Queria os melhores e mais experientes.

Quando embarcou para o Iraque com a guerra em curso, Garner já tinha praticamente caído por bater de frente com o homem que o tinha contratado. Rumsfeld queria apenas gente da Secretaria de Defesa, gente sua, ocupando os ministérios provisórios. Não queria dividir o trabalho com ninguém mais.

Garner foi substituído no Iraque por L. Paul Bremer III, um diplomata que estava disposto a encarar o país recém-invadido seguindo explicitamente as ordens de Donald Rumsfeld. Ou seja: todos ligados ao Partido Baath de Saddam até o quarto nível hierárquico da administração estavam demitidos e considerados imediatamente sob suspeita. Garner pretendia demitir apenas o primeiro nível de poder – ministros. Bremer também demitiu todo o exército iraquiano. Garner estava negociando para reiniciar o pagamento das forças armadas e usar os homens nas obras de reconstrução.

Com os dois gestos patrocinados por Rumsfeld, de uma hora para a outra, todos com compreensão da administração iraquiana, com contatos nas elites do país, com acesso ao dinheiro do governo, foram marginalizados. Ao mesmo tempo, mais de três mil soldados e oficiais militares, com treinamento, acesso a armas e a arsenal, estavam desempregados. Foi a fórmula para a insurgência de hoje – a mesma insurgência prevista por Garner para Rumsfeld.

O secretário de Defesa mentiu para seus subordinados por incontáveis vezes, não repassou a seus pares – da então conselheira de Segurança Condoleezza Rice ao ex-secretário de Estado Colin Powell – informação importante e delicada. Sua insistência de enviar uma quantidade menor de soldados para a guerra e, principalmente, para o pós-guerra, sempre irritou a chefia militar. Seu hábito de fingir que o general Richard Meyers, chefe do Estado Maior e mais graduado oficial da ativa, não existia só piorava as coisas.

Rummy tinha por hábito nomear para cargos altos militares de baixa patente, invertendo a hierarquia e provocando situações em que generais de três estrelas eram reprimidos por generais recém nomeados.

Não fosse a maioria estupenda com a qual contava o Partido Republicano, Rumsfeld sofreria em qualquer dos depoimentos rotineiros perante o Congresso. Mas a máquina de bloqueio de perguntas desagradáveis do governo sempre funcionou.

State of denial – Estado de negação – terceiro livro do jornalista Bob Woodward a respeito dos governos de George W., tem Rumsfeld como personagem principal. Nele aparece um secretário incapaz de ouvir quem discorde dele, insensível para conselheiros militares e convicto de que estava revolucionando diplomacia e o modo de fazer guerra. Rumsfeld era um autoritário solto com uma missão.

Agora caiu, demitido."

Nenhum comentário: