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sexta-feira, agosto 11, 2006

Museu por Wislawa Szymborska

Há pratos, mas falta apetite.

Há alianças, mas falta reciprocidade

Pelo menos desde há 300 anos.

Há o leque – onde os rubores?

Há espadas – onde há ira

E o alaúde nem tange hora gris.

Por falta de eternidade juntaram

Dez mil coisas velhas.

Um guarda musgoso cochila docemente

Com os bigodes caindo sobre a vitrine.

Metais, barro, pluma de ave

Triunfam silenciosamente no tempo.

Apenas um alfinete de galhofeira do Egito

Ri zombeteiro.

A coroa deixou passar a cabeça.

A mão perdeu a luva.

A bota direita prevaleceu sobre a perna.

Quanto a mim, vivo, acreditem por favor.

Minha corrida com o vestido continua

E que resistência tem ele!

E como ele gostaria de sobreviver.

Fonte: PATRIMÔNIO Revista Eletrônica do IPHAN

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